Urias

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Pintura de Michelangelo da Capela Sistina, representativa da morte de Urias

Urias, o hitita ou heteu (Em hebraico: אוריה החתי) foi um soldado do exército do Rei Davi citado no Velho Testamento. Foi marido de Betsabá e morreu depois que o Rei Davi ordenou a seus soldados que recuassem, deixando Urias sozinho na linha de frente de uma batalha contra os amonitas. A esposa de Urias ficara grávida do Rei Davi, num caso de adultério.

Ao saber da gravidez, Davi ordenou a Urias que retornasse ao lar depois de muito tempo longe e às vésperas de uma grande batalha. Devido a seu código de honra, Urias recusou-se a ir ao encontro de Betsabá pois acreditava que os soldados deveriam se abster de sexo antes da luta. Davi queria esconder o adultério da mulher forçando o reencontro com o marido, mas a recusa de Urias o levou a ordenar morte dele na batalha, logo em seguida.

Após a morte de Urias, Davi foi confrontado pelo profeta Natã que lhe avisou sobre a ira de Deus. A discórdia entrou para a família de Davi e tribulações acometeram o Reino de Israel. O primeiro filho de Davi com Betsabá morreu por juízo divino, e o príncipe Absalão, um dos filhos de Davi com uma de suas outras esposas, se rebelou contra o pai. Todos esses acontecimentos foram explicados como punição divina pelo adultério e o assassinato de Urias.

Bíblia[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Bíblia, Urias era provavelmente de etnia hitita, uma minoria que habitava as terras de Israel e que vivia na assim chamada Canaã, antes da chegada de Abraão. Os Hebreus, ao entrarem em Canaã, haviam recebido o comando de (Deuteronômio 20:16-17) matar "qualquer coisa que respirasse... nas cidades das nações do Senhor Deus que ele deixara de herança" com a explicação de que "poupá-los, levariam a que lhes fossem ensinados sobre as abominações relacionadas a seus deuses e pecariam contra o Senhor seu Deus" (Deuteronômio 20:18). Apesar disso, alguns nativos foram poupados a fim de cooperarem com os hebreus (Josué 2:12-14, 6:23, Juízes 1:24-25) mas aqueles que falharam nisso foram exterminados como ordenado (Josué 15:63, 16:10, Juízes 1:19, 21, 27-36).

No tempo de Davi, muitas gerações haviam se passado desde a chegada dos hebreus. O tumulto e o sofrimento pelas lutas do passado já haviam sido na maior parte esquecidos e vários descendentes sobreviventes dos hititas adotaram a religião dos hebreus, sendo aceitos como israelitas. Urias, cujo nome em hebreu significa "Deus (YHWH) é minha luz", ganhara o status como oficial do exército de pertencer ao chamado "poderosos" de Davi, o que provava a aceitação da comunidade étnica dominante.

Os poderosos de Davi[editar | editar código-fonte]

Davi envia a carta sobre Urias, livro no Museu Condé em Chantilly.

Os "poderosos de Davi" era um grupo de seus melhores trinta e sete guerreiros (mais tarde ampliados para cerca de oitenta). As listas (2 Samuel 23:8-39 & 1 Crônicas 11:10-47) apareceram depois que Davi se tornou rei mas não era improvável que traziam os nomes dos seguidores que permaneceram fieis quando fugira do Rei Saul e devem ter com ele lutado lado-a-lado. Urias, como um dos escolhidos de Davi, mostrava sua proximidade com o palácio do rei e tinha o direito de querer ficar na linha de frente das batalhas, o que propiciou a Davi elaborar o seu plano.

Davi e Betsabá[editar | editar código-fonte]

Segundo a Bíblia (Livro Segundo de Samuel), o Rei Davi se apaixonou por Betsabá ao vê-la banhar-se do alto do terraço de seu palácio. Ele a chamou a seus aposentos e com ela manteve relações sexuais, resultando na gravidez. Ao saber que Betsabá era esposa de Urias e que este estava há muito tempo em campanha militar, Davi chamou-o, sugerindo que fosse passar uma noite com a esposa.

Urias recusou, alegando um código de honra dos soldados antes da batalha. Por este código, os soldados às vésperas de guerrearem, deveriam se abster de sexo como forma de manterem a disciplina. Após repetidamente recusar ir até Betsabá, Davi enviou-o a seu oficial comandante Joabe com uma carta que ordenava colocar Urias na frente da batalha e deixá-lo sem proteção de modo a que ele fosse morto pelos inimigos.

A profecia de Natã[editar | editar código-fonte]

Natã repreende Davi

O profeta Natã confrontou Davi sobre esse assassinato, contando-lhe a história de dois homens, um rico e um pobre: O rico possuía muitas ovelhas enquanto o pobre tinha apenas uma, que cuidava muito bem. Um viajante se aproximou do rico pedindo por comida. O rico então pegou a ovelha do pobre como se fosse uma das suas e deu-a ao viajante.

Ao ouvir o relato, Davi furiosamente replicou: "Tão certo como Deus vive, o homem que fez isso merece a morte! Ele deve pagar quatro vezes mais do que o sacrificio do cordeiro pois não podia fazer isso e não teve remorso."

Natã então replicou "O senhor é esse homem! Eis o que o Senhor Deus de Israel me disse: "Eu ungi você Rei de Israel e o livrei das mãos de Saul. Eu o tornei mestre da casa e as esposas do mestre ficaram em seus braços. Eu dei a você a casa de Israel e Judá.

E se tudo isso fosse pouco eu lhe teria dado mais. Por que você desobedeceu a palavra do Senhor e fez o mal aos seus olhos? Voce sacrificou Urias o hitita com a espada e tomou a esposa dele como sua.

Você matou com a espada dos amonitas. Agora, a espada nunca deixará sua casa, pois você me desapontou e tomou a esposa de Urias, o hitita, como sua própria."" NIV[1]

Natã então conta a Davi que seu filho com Betsabá iria morrer. De fato, a criança pereceu após sete dias. Davi e Betsabá tiveram um segundo filho, o futuro Rei Salomão.

Referências[editar | editar código-fonte]