Think tank

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Logotipo do think tank português Contraditório.[1]

As think tanks são organizações ou instituições que atuam no campo dos grupos de interesse, produzindo e difundindo conhecimento sobre assuntos estratégicos, com vistas a influenciar transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas sobretudo em assuntos sobre os quais pessoas comuns não encontram facilmente base para análises de forma objetiva.[2]

Os think tanks podem ser independentes ou filiados a partidos políticos, governos ou corporações privadas.

Consideram-se os think tanks como sendo fundações (instituições) tradicionais de cunho conservador em se tratando de temas políticos e/ou religiosos.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Apesar do termo think tank ter origem na década de 1950, tais organizações datam do século XIX. O Instituto de Estudos para Defesa e Segurança (Institute for Defence and Secutiry Studies – RUSI) foi fundado em Londres em 1831. A Sociedade Fabiana (Fabian Society) na Grã-Bretanha data de 1884. O Brookings Institution nasceu em Washington em 1916.

Depois de 1945, o número de think tanks cresceu, foram criados inúmeros pequenos think tanks como forma de expressar os vários problemas da sociedade e as agendas políticas. Até os anos 1940, a maioria dos think tanks eram conhecidos apenas pelo nome da instituição a quem representavam. Durante a Segunda Guerra Mundial, os think tanks era referenciados como caixas-cérebro (“brain boxes”) seguindo a gíria para crânio (“skull”). A expressão think tank, na gíria americana do período de guerra se referia as salas onde estrategistas discutiam os planos de guerra. O termo think tank propriamente dito, no entanto, refere-se às organizações que ofereciam conselhos militares - mais notavelmente a podem ser independentes ou filiados a partidos políticos, governos, grupos de interesse ou corporações privadas., fundada originalmente em 1946 como uma ramificação da Douglas Aircraft (fábrica de aviões), tornando-se uma corporação independente em 1948.

Durante a maior parte do século XX, think tanks independentes de políticas públicas, que efetuaram pesquisas e proveram aconselhamento em políticas públicas, se tornaram um fenômeno organizacional, encontrados primariamente nos Estados Unidos, mas também no Canadá e na Europa Ocidental, no entanto em muito menor número. Apesar dos think tanks existirem no Japão por algum tempo, eles geralmente não tinham independência, tendo fortes ligações com ministérios do governo ou corporações. Tem havido uma verdadeira proliferação de think tanks ao redor do globo que iniciou-se nos anos 1980 como resultado das forças da globalização, o fim da Guerra Fria e o surgimento dos problemas transnacionais. Dois terços de todos os think tanks que existem hoje se estabeleceram depois de 1970 e mais da metade depois de 1980.

O impacto da globalização na história do movimento dos think tanks é mais evidente em regiões tais como a África, Europa Oriental, Ásia Central e partes do Sudoeste Asiático, onde houve um esforço em conjunto da comunidade internacional no suporte à criação de organizações independentes de pesquisa em políticas públicas. Uma pesquisa recente realizada pelo Foreign Policy Research Institute’s Think Tanks and Civil Societies Program, ressalta o significado deste esforço e documenta o fato que a maior parte dos think tanks nestas regiões se estabeleceram nos últimos 10 anos. Hoje existem mais de 4.500 destas instituições ao redor do mundo. Muitos dos think tanks mais bem estabelecidos tendo sido criados durante a Guerra Fria, focam em assuntos internacionais, estudos na área de segurança e política externa.

Tipos[editar | editar código-fonte]

Sino: o símbolo do Heritage Foundation.

Think tanks podem variar entre si por perspectivas ideológicas, fontes dos seus fundos, tipo de problema foco e potencial público. Alguns think tanks, como o Heritage Foundation, que promove os princípios conservadores, e o Center for American Progress,[3] no lado progressista, são menos imparciais em seus propósitos. Outros, incluindo o Tellus Institute, que tem foco em tópicos sociais e ambientais, são grupos mais orientados em temas específicos. Ainda existem outros, como o Cato Institute, que promove teorias sociais e econômicas libertárias, baseadas nos ideais de Friedrich von Hayek, de liberdades individuais e de mercado.

Fontes de financiamento e público-alvo também definem as áreas de atuação dos think tanks. Alguns recebem suporte direto de governos, enquanto outros dependem de doações de indivíduos ou corporações. Isto vai invariavelmente afetar os níveis de liberdade acadêmica entre cada think tank e para quem ou o que a instituição se sente em dívida. Financiamentos também podem refletir em quem ou o que a instituição quer influenciar; nos Estados Unidos, por exemplo, “Alguns doadores querem influenciar votos no Congresso ou formar opinião pública, outros querem posições para eles próprios ou para os que eles apoiam em futuros empregos públicos, outros ainda querem empurrar áreas específicas de pesquisa ou educação.”

Uma nova tendência resultante da globalização é a colaboração entre think tanks de diferentes continentes. Por exemplo, o Carnegie Endowment for International Peace tem escritórios em Washington, D.C., Pequim, Beirute, Bruxelas e Moscou.

O Think Tanks and Civil Societies Program (TTCSP) na Universidade da Pensilvânia anualmente classifica os think tanks ao redor do mundo em diferentes categorias e exibe seus resultados no índice “Global Go-To Think Tanks”. No entanto essa vertente para o estudo e classificação dos think tanks tem sido criticado por pesquisadores de alguns think tanks como Enrique Mendizabal e Goran Buldioski, este Diretor do Think Tank Fund, apoiado pelo Open Society Institute.

Vários autores delinearam diferentes maneiras de como descrever think tanks de modo que leve em consideração as variações regionais e nacionais. Por exemplo, para Diane Stone:[4]

  • Think tanks independentes da sociedade civil, estabelecidos como organizações sem fins lucrativos - com identificação ideológica ou não;
  • Institutos de pesquisa política localizados ou afiliados com uma universidade;
  • Think tanks criados ou patrocinados por governos;
  • Think tanks criados ou afiliados a corporações;
  • Think tanks ligados a partidos políticos e think tanks legados ou pessoais e
  • Think tanks globais (ou regionais), com algumas das características acima.

Alternativamente, pode-se usar algum dos critérios abaixo:

  • Tamanho e foco: por exemplo, grande e diversificado, grande e especializado, pequeno e especializado.
  • Evolução dos estágios de desenvolvimento: por exemplo, primeiro estágio (pequeno), segundo estágio (pequeno a grande mas com projetos complexos, e terceiro estágio (maior e com influência política).
  • Estratégia, incluindo: fontes de financiamento (indiviuais, corporações, fundações, doações governamentais, doações, vendas/eventos e modelo de negócio (pesquisa independente, contrato de trabalho, advocacia). O equilíbrio entre pesquisa, consultoria e advocacia; A fonte de seus argumentos: Ideologia, valores ou interesses, pesquisa aplicada, empírica ou sintética; ou pesquisa teórica ou acadêmica (Stephen Yeo); O modo em que a agenda de pesquisa é desenvolvida - pelos membros seniors do think tank ou por pesquisadores individuais ou pelos think tanks de seus financiadores; Suas abordagens influentes e táticas (muitos pesquisadores mas um ponto interessante vem de Abelson) e o horizonte de tempo para suas estratégias: mobilização de curto e longo prazo; Seus diversos públicos de think tanks (audiências como consumidores e do público). Novamente, muitos autores, mas não Zufeng, fornecem um bom cenário para a China; e Afiliação, que se refere a questão de independência (ou autonomia) mas que também inclui think tanks ligados formalmente ou informalmente a partidos políticos, interestes de grupos e de outros atores políticos.

Críticas aos think tanks[editar | editar código-fonte]

Protesto contra a 7ª conferência internacional sobre mudanças climáticas promovida pelo The Heartland Institute.

Em alguns casos são criados think tanks para servir aos propósitos corporativos de seus criadores. Por exemplo: a Advancement of Sound Science Coalition foi formada em meados de 1990 para contestar pesquisas que indicavam uma ligação entre o fumo passivo e câncer [5] . De acordo com um memorando interno da Philip Morris referindo-se à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), "a credibilidade da EPA é vulnerável, mas não com base na ETS (fumaça ambiental do tabaco) sozinha. Deve ser parte de um grande mosaico que concentra todos os inimigos da EPA contra ela ao mesmo tempo".[6] De acordo com o Fairness and Accuracy in Reporting, organização não-governamental de esquerda, think tanks de direita são frequentemente citadas, mas raramente rotuladas. O resultado é que, às vezes, think tanks "especialistas" são descritas como fontes neutras sem predisposições ideológicas quando, na verdade, elas representam a perspectiva particular de seus criadores.[7]

Na cidade de Chicago a 21 de Maio de 2012, o neoconservador The Heartland Institute, think tank formado por céticos do aquecimento global e ligado ao NIPCC (Painel Não Governamental Internacional sobre Mudanças Climáticas), realizou sua 7ª conferência internacional sobre mudanças climáticas. O tema das discussões foi real science, real choices ("ciência real, escolhas reais") abordando as reais causas e consequências do aquecimento global. Este evento, que reuniu centenas de cientistas, jornalistas, especialistas em política e outros,[8] foi marcado por um protesto no qual os manifestantes exibiram cartazes com nomes de empresas que contribuem para o instituto.[9] O The Heartland Institute definiu este protesto como "uma tentativa de sufocar a liberdade acadêmica e a liberdade de expressão".[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Contraditório - site oficial. Acessado em 04/12/2014.
  2. Hector Leis (30-07-2009). Instituto MilleniumO que significa um think tank no Brasil de hoje. Visitado em 16-11-2013.
  3. Center for American Progress - Acessado em 04/12/2014.
  4. Diane Stone (2005)
  5. Junk Science
  6. PRWatch
  7. Fair.org
  8. The Heartland Institute - Seventh International Conference on Climate Change. (em inglês) Acessado em 04/12/2014.
  9. Daily Kos - Chicago rally turns up the heat on sponsors of Heartland Institute. 23 de Maio de 2012, (em inglês). Acessado em 04/12/2014.
  10. The Heartland Institute - Heartland Institute Responds to Occupy Protests of Climate Conference. Joseph Bast James M. Taylor, 22 de Maio de 2012, (em inglês). Acessado em 04/12/2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]