Vândalos

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Saque de Roma pelos Vândalos, em 455.
Heinrich Leutemann.

Os Vândalos eram uma tribo germânica oriental que penetrou no Império Romano durante o século V e criou um estado no norte da África, centralizado na cidade de Cartago. Os vândalos saquearam Roma no ano de 455, destruindo muitas obras primas de arte que se perderam para sempre.

Índice

Etimologia[editar]

Vandali era o nome latino dos wandeln, um povo germânico procedente da Escandinávia .

Uma das várias teorias sobre a origem do nome Andaluzia está ligado aos vândalos, que ocuparam a região (originalmente Vandalusia e depois Al-Andalus), na Espanha temporariamente antes de migrarem para a África.

Acepção atual[editar]

Atualmente, vândalo é chamado quem destrói ou depreda bens públicos pelo único prazer da destruição ou aqueles que cometem ações selvagens e desalmadas. A acepção atual de vândalo no sentido de depredador provem do adjetivo francês ‘vandalisme’, cunhado em 1794 pelo bispo republicano Grégoire, para criticar os depredadores de tesouros religiosos [carece de fontes?].

Origens[editar]

Os vândalos foram identificados com a cultura Przeworsk no século III. Controvérsias envolvem as potenciais conexões entre os vândalos e outra possivelmente tribo germânica, os Lugii (lygier, lugier ou lígios). Alguns acadêmicos acreditam que ou Lugii era um antigo nome dos vândalos ou os vândalos eram parte da confederação lígia.

A similaridade de nomes sugere como terras natais para os vândalos na Noruega (Hallingdal), Suécia (Vendel) e Dinamarca (Vendsyssel). Supõe-se que os vândalos cruzaram o Báltico entrando nos territórios da atual Polônia em algum momento do século II a.C., e se fixaram na Silésia por volta de 120 a.C.. Tácito registrou a presença dos vândalos entre os rios Oder e Vístula na Germania no ano de 98, corroborado por historiadores posteriores. De acordo com Jordanes, eles e os rúgios foram deslocados com a chegada dos godos. Esta tradição apoia a identificação dos vândalos com a cultura Przeworsk, e desde então a cultura Wielbark gótica substituiu um braço daquela cultura.

Na Idade Média, havia uma crença popular de que os vândalos eram ancestrais dos poloneses. Essa crença teve origem provavelmente devido a dois fatores: o primeiro, por se confundir os vênedos com os vândalos, e o segundo, porque tanto vândalos como vênedos nos tempos antigos viviam nas áreas depois ocupadas pelos poloneses. Em 796, nos Annales Alamanici, pode-se encontrar um resumo dizendo: "Pipinus ... perrexit in regionem Wandalorum, et ipsi Wandali venerunt obvium" ("Pepino partiu à região dos vândalos, e os vândalos não se opuseram a ele"). Nos Annales Sangallenses, a mesma incursão (contudo, datada em 795) é resumida em uma pequena mensagem, "Wandali conquisiti sunt" ("Os vândalos foram conquistados"). Isto significa que os escritores do início da Idade Média deram o nome de vândalos aos ávaros.

Os vândalos se subdividiam nos Silingi e nos Hasdingi. Os Silingi viviam na região conhecida por séculos como Magna Germania, na atual Silésia. No século II, os Hasdingi, liderados pelos reis Raus e Rapt (ou Rhaus e Raptus), deslocaram-se para o sul, e atacaram inicialmente os romanos na região do baixo Danúbio, depois entraram num acordo de paz e se estabeleceram a oeste na Dácia (Romênia) e na Hungria romana.

Em 400 ou 401, possivelmente por causa dos ataques dos hunos, os vândalos juntos com seus aliados, (os alanos sármatas e os suevos germânicos), iniciaram o deslocamento para oeste sob o comando do rei Godgisel. Alguns dos Silingi se juntaram a eles depois.

Gália[editar]

Os vândalos viajaram para oeste margeando o Danúbio, mas quando eles alcançaram o Reno, encontraram a resistência dos francos, que habitavam e controlavam as possessões romanas no norte da Gália. Cerca de 20 000 vândalos, inclusive o rei Godigisel, morreram na batalha com os francos, mas com a ajuda dos alanos eles conseguiram derrotar os francos, e em 31 de Dezembro de 406, os vândalos cruzaram o Reno para invadir a Gália. Sob o comando do filho de Godgisel, Gunderico, os vândalos pilharam e saquearam seu caminho para oeste e para o sul através da Aquitânia.

Península Ibérica[editar]

Os vândalos na península Ibérica, no século V
  Suevos e Vândalos Asdingos
  Vândalos Silingos
  Alanos

Em outubro de 409, os vândalos cruzaram os Pirenéus penetrando na península Ibérica. Lá eles receberam terras dos romanos, como foederati, na Galécia (a noroeste) os Hasdingi, e os Silingi na Bética (no sul), enquanto os Alanos receberam terras na Lusitânia (a oeste) e na região em torno de Nova Cartago. Os vândalos Hasdingi foram derrotados pelos suevos e romanos nos montes "nervasi" . Gunderico e o seu exército fogem para a Bética, perseguidos pelos romanos, onde Gunderico se tornou rei dos Vândalos Silingi. Ainda, os suevos, que também controlaram parte da Galécia, e os visigodos, que invadiram a Ibéria antes, receberam terras na Septimânia (sul da França), esmagando os Alanos, dos quais os sobreviventes saudaram Gunderico como seu rei.

África[editar]

O meio irmão de Gunderico, Genserico, começou construindo uma esquadra naval vândala. Em 429, depois de se tornar rei, Genserico cruzou o estreito de Gibraltar e se deslocou a leste até Cartago. Em 435, os romanos lhes concederam alguns territórios no norte da África, e já em 439 Cartago caiu ante os vândalos. Genserico então transformou o reino dos vândalos e alanos num estado poderoso (a capital era Saldae, atual Bejaia, no norte da Argélia), conquistando a Sicília, a Sardenha, a Córsega e as Ilhas Baleares.

Saque de Roma[editar]

Os vândalos saqueando Roma.

Em 455, os vândalos tomaram Roma e saquearam a cidade por duas semanas, começando em 2 de Junho. Eles partiram com valores incontáveis. Em 468, resistiram ao ataque de uma grande frota enviada contra eles pelo Império Romano do Oriente.

Tensões religiosas[editar]

Por volta do ano de 400, os vândalos já haviam sido cristianizados. Muitos, como os godos já o haviam feito, adotaram o Arianismo, uma corrente que negava a Santíssima Trindade, em oposição à principal corrente do Cristianismo do Império Romano.

As diferenças de visão entre os arianos adotada pelos vândalos e a principal corrente eram uma constante fonte de tensões no estado africano. A maioria dos reis vândalos, exceto Hilderico, perseguiu os católicos trinitários, assim como os seguidores do donatismo, outra corrente cristã. Embora o catolicismo fosse raramente proibido oficialmente (com os últimos meses do reinado de Hunerico sendo uma exceção), eles eram proibidos de fazer conversões entre os vândalos.

Declínio[editar]

Reino vândalo e alano em 526 d.C.

Com a morte de Genserico em 477, seu filho Hunerico se tornou rei. O reinado de Hunerico foi mais notável por suas perseguições religiosas contra os maniqueístas e os católicos. Guntarmundo (486-496) buscou a paz interna com os católicos. No campo externo, o poder vândalo havia declinado desde a morte de Genserico e Guntarmundo perdeu grandes partes da Sicília para os ostrogodos, sendo obrigado a se opor à crescente pressão dos mouros.

Os vândalos aliaram-se por casamento com os godos no reinado de Teodorico, o Grande, rei dos ostrogodos e regente dos visigodos.

Hilderico (523-530) foi o mais amistoso dos reis vândalos em relação aos católicos. Contudo, ele tinha pouco interesse na guerra, deixando esse assunto para um membro da sua família, Hoamer. Quando Hoamer sofreu uma derrota contra os mouros, a facção ariana dentro da família real liderou uma revolta, e Gelimer (530-533) se tornou rei. Hilderico, Hoamer e seus parentes foram mandados à prisão.

O imperador bizantino Justiniano I declarou guerra aos vândalos. A ação foi liderada por Belisário. Tendo ouvido que a maior parte da frota vândala estava em combate numa revolta na Sardenha, ele desembarcou em solo tunisiano e avançou em direção de Cartago. No final do verão de 533, o rei Gelimer encontrou Belisário a dezesseis quilômetros ao sul de Cartago na Batalha de Ad Decimum. Os vândalos estavam vencendo a batalha, mas quando o sobrinho de Gelimer, Gibamundo, caiu na batalha, os vândalos desistiram e fugiram. Belisário tomou Cartago enquanto os vândalos sobreviventes ainda lutavam.

Em 15 de dezembro de 533, Gelimer e Belisário novamente se enfrentaram em Tricamarum, a cerca de 32 quilômetros ao sul de Cartago. Novamente, os vândalos estavam vencendo mas falharam, desta vez quando Tzazo, o irmão de Gelimer, caiu na batalha. Belisário avançou para Hippo (atual Annaba, na Argélia), segunda cidade em importância do reino vândalo. Em 534 Gelimer se rendeu ao conquistador romano, pondo fim ao reino dos vândalos.

Lista de reis[editar]

  1. Godigisel (-407)
  2. Gunderico (407-428)
  3. Genserico (428-477)
  4. Hunerico (477-484)
  5. Guntamundo ou Gunthamund (484-496)
  6. Trasamundo ou Thrasamund (496-523)
  7. Hilderico (523-530)
  8. Gelimer (530-534)
  9. Fredibal capturado e enviado ao imperador bizantino Honório

Língua vândala[editar]

Muito pouco se conhece da língua vândala, que terá pertencido ao ramo lingüístico germânico oriental, muito próxima à língua gótica, ambas completamente extintas.

Herança moderna[editar]

  • O nome dos vândalos se tornou sinônimo para os saques bárbaros e destruição, visto que eles capturaram Roma em pouco tempo, mas não causaram danos maiores que outros invasores, inclusive de exércitos cristãos.[carece de fontes?]
  • Alguns ligam os Vândalos à anarquia, pois o velho romanocentrismo ignora todas as outras civilizações do mesmo período auto-declarando Roma como a capital do mundo (no mesmo período os Neo-Persas ou Partos estavam vivendo um grande apogeu civilizacional; os próprios rotulados de "bárbaros" ergueram estados e só eram agressivos com Roma por que esta o foi primeiro para com eles)[carece de fontes?].

Veja também[editar]