Vício de linguagem

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Vícios de linguagem são, segundo Napoleão Mendes de Almeida, palavras ou construções que deturpam, desvirtuam, ou dificultam a manifestação do pensamento, seja pelo desconhecimento das normas cultas, seja pelo descuido do emissor.

Lista de vícios de linguagem[editar | editar código-fonte]

Ambiguidade ou Anfibologia[editar | editar código-fonte]

Consiste na polissemia especial de palavras e expressões tornando incerto o significado da frase, salvo quando ocorre propositalmente em textos literários.

- Exemplos:

"Não se convence, enfim, o pai, o filho, amado."

"O chefe discutiu com o empregado e estragou seu dia."

Análise: nos dois casos, não se sabe qual dos dois é autor, ou paciente.

Barbarismo[editar | editar código-fonte]

Vício de linguagem que consiste no uso incorreto de palavras quanto à grafia, pronúncia, significação, flexão ou formação. Assim sendo, divide-se em:

  • Gráficos (escrita): "hontem", "proesa", "conssessiva", "aza", (em vez de: ontem, proeza, concessiva e asa.).
  • Ortoépicos (pronúncia): "interese", "carramanchão", "subcistir", (em vez de: interesse, caramanchão, subsistir.).
  • Prosódicos (acentuação): "rúbrica", "filântropo", (em vez de: rubrica, filantropo.).
  • Semânticos (significação): "tráfico" (em vez de: tráfego), "indígena" (como sinônimo de índio, em vez de autóctone).
  • Morfológicos (formação): "cidadões", "uma telefonema", "proporam", "reavi", "deteu", (em vez de: cidadãos, um telefonema, propuseram, reouve, deteve.).
  • Mórficos (forma): "antidiluviano", "filmeteca", "monolinear", (em vez de: antediluviano, filmoteca, unilinear.).

Vulgarismo[editar | editar código-fonte]

Trata-se do uso linguístico popular em contraposição às doutrinas da linguagem culta da mesma região. O vulgarismo pode ser fonético, morfológico e sintático.

  • Fonético:

- A queda dos erres finais.

Exemplo: "anda, comê."

- A vocalização do "L" final nas sílabas.

Exemplo: "meu" (= mel), "sáu" (= sal).

- A monotongação dos ditongos.

Exemplo: "estóra" (= estoura), "robar" (= roubar).

- A intercalação de uma vogal para desfazer um grupo consonantal.

Exemplo: "adevogado" (= advogado), "rítimo" (= ritmo), "pissicologia" (= psicologia).

  • Morfológico e sintático:

Ocorre a simplificação das flexões nominais e verbais.

Exemplo: "Os homê brigo."

- Também o emprego dos pronomes pessoais do caso reto em lugar do oblíquo.

Exemplo: "Vi ela, olha eu, ó gente, etc."

Solecismo[editar | editar código-fonte]

Inadequação na estrutura sintática da frase com relação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo: de concordância, de regência e de colocação.

  • Solecismo de regência:

- "Ontem assistimos o filme." (Correto: Ontem assistimos ao filme.).

- "Cheguei no Brasil em 1923." (Correto: Cheguei ao Brasil em 1923.).

- "Pedro visava o posto de chefe." (Correto: Pedro visava ao posto de chefe.).

  • Solecismo de concordância:

- "Haviam muitas pessoas na festa." (Correto: Havia muitas pessoas na festa.).

- "O pessoal já saíram?" (Correto: O pessoal já saiu?).

  • Solecismo de colocação:

- "Foi João quem avisou-me." (Correto: Foi João quem me avisou).

- "Me empresta o lápis." (Correto: Empresta-me o lápis).

Sínquise[editar | editar código-fonte]

Vício de linguagem que consiste em um hipérbato excessivo, tornando o sentido da oração confuso e de difícil compreensão.

- Exemplo:

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/De um povo heroico o brado retumbante.” (Hino Nacional Brasileiro).

Adequação: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.”

Queísmo[editar | editar código-fonte]

Consiste na repetição exaustiva da partícula "que".

- Exemplo:

"Quando chegaram, pediram-me que devolvesse o livro que me fora emprestado por ocasião dos exames que se realizaram no fim do ano que passou."

Correção: "Quando chegaram, pediram-me a devolução do livro que me fora emprestado por ocasião dos exames no fim do ano passado."

Neologismo[editar | editar código-fonte]

Palavra, expressão ou construção recentemente criadas ou introduzidas na língua. Costumam-se classificar os neologismos em:

  • Extrínsecos:

Abrange todo e qualquer emprego de palavras, expressões e construções estrangeiras em nosso idioma, recebendo a denominação de estrangeirismo. Classificam-se em: francesismo, italianismo, espanholismo, anglicismo (inglês), germanismo (alemão), eslavismo (russo, polaço, etc.), arabismo, hebraísmo, grecismo, latinismo, tupinismo (tupi-guarani), americanismo (línguas da América), etc. O estrangeirismo pode ser morfológico ou sintático.

=> Estrangeirismos morfológicos:

- Francesismo: abajur, chefe, carnê, matinê etc.

- Italianismos: ravioli, pizza, cicerone, minestra, madona etc.

- Espanholismos: camarilha, guitarra, quadrilha etc.

- Anglicanismos: futebol, telex, bofe, ringue, sanduíche, breque.

- Germanismos: chope, cerveja, gás, touca etc.

- Eslavismos: gravata, estepe etc.

- Arabismos: alface, tarimba, açougue, bazar etc.

- Hebraísmos: amém, sábado etc.

- Grecismos: batismo, farmácia, o limpo, bispo etc.

- Latinismos: index, bis, memorandum, quo vadis etc.

- Tupinismos: mirim, pipoca, peteca, caipira etc.

- Americanismos: canoa, chocolate, mate, mandioca etc...

- Orientalismos: chá, xícara, pagode, kamikaze etc...

- Africanismos: macumba, fuxicar, cochilar, samba etc

=> Estrangeirismos sintáticos:

Exemplos:

- Saltar aos olhos (francesismo);

- Pedro é mais velho de mim. (Italianismo);

- O jogo resultou admirável. (Espanholismo);

- Porcentagem (anglicanismo), guerra fria (anglicanismo) etc.

  • Intrínsecos: (ou vernáculos), que são formados com os recursos da própria língua. Podem ser de origem culta ou popular.

=> Origem culta subdividem-se em:

- Científicos ou técnicos: aeromoça, penicilina, telespectador, taxímetro (redução: táxi),

fonemática, televisão, comunista, etc...

- Literários ou artísticos: olhicerúleo, sesquiorelhal, paredro (= pessoa importante, prócer), vesperal, festival, recital, concretismo, modernismo etc.

=> Origem popular: populares são constituídos pelos termos de gíria.

- Ex: manjar (entender, saber do assunto), a pampa, legal (excelente), zico, biruta, transa, psicodélico, etc.

Plebeísmo[editar | editar código-fonte]

Palavras de baixo calão, gírias e termos considerados informais.

Exemplos:

- “Ele era um tremendo mané!"

- "Esse bagulho é 'radicaaaal'!!! Tá ligado mano?"

Cacofonia[editar | editar código-fonte]

Caracterizado pelo encontro ou repetição de fonemas ou sílabas que produzem efeito desagradável ao ouvido. Constituem cacofonias:

  • Colisão: consiste na sequência de sons vocálicos consonantais idênticos ou semelhantes.

- Exemplo: "Pede o Papa paz ao povo."

  • Parequema: constrói-se a partir do encontro de sílabas idênticas ou semelhantes entre o final de uma palavra e o início da subsequente.

- Exemplo: “vaca cara”, “cone negro”, “teto torto”, “pouco caso”, “uma mala”.

  • Eco: sucessão de palavras com terminação igual.

- Exemplo:

“Vicente mente constantemente.”

“É possível a aprovação da transação sem concisão e sem associação.”

  • Hiato: aproximação de vogais idênticas.

- Exemplo: "Ela iria à aula hoje, se não chovesse."

  • Cacófato: formação de uma nova palavra a partir de silabas de palavras diferentes e sucessivas.

- Exemplo: "Tem uma mão machucada."

  • Cacoépia: pronúncia viciosa de fonemas

- Exemplo: "Estou com poblema para resolver." (= problema)

  • Cacografia: erro na grafia ou na flexão de uma palavra.

- Exemplo: "Eu advinhei quem ganharia o concurso." (= adivinhei)

Arcaísmo[editar | editar código-fonte]

Palavras, expressões, construções ou maneira de dizer que deixaram de ser usadas ou passaram a ter emprego diverso. Na língua viva contemporânea: asinha (por depressa), assi (por assim) entonces (por então), vosmecê (por você), geolho (por joelho), arreio (o qual perdeu a significação antiga de enfeite), catar (perdeu a significação antiga de olhar), faria-te um favor (não se coloca mais o pronome pessoal átono depois de forma verbal do futuro do indicativo), etc.

Paradoxo vicioso[editar | editar código-fonte]

Consiste numa antítese extremamente inútil e desnecessária de significado em uma sentença.

- Exemplos:

“Ele vai ser o protagonista terminal da peça." (Ser protagonista implica obrigatoriamente em ser principal).

"Meninos, entrem já para fora!" (Não há como entrar para fora).

Prolixidade[editar | editar código-fonte]

Refere-se a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou argumentos e à sua superabundância. É o excesso de palavras para exprimir poucas ideias. Ao texto prolixo falta objetividade, o qual quase sempre compromete a clareza e cansa o leitor. A prevenção à prolixidade requer que se tenha atenção à concisão e precisão da mensagem. Concisão é a qualidade de dizer o máximo possível com o mínimo de palavras. Precisão é a qualidade de utilizar a palavra certa para dizer exatamente o que se quer.

Chavões (clichê, lugares-comuns ou frases-feitas)[editar | editar código-fonte]

Caracterizado pelo emprego de frases ou expressões muito usadas, repetidas e desgastadas por obra do tempo, da capacidade crítica do interlocutor e das transformações sociais. Aparenta ser a expressão da verdade, produto do consenso, entretanto é sustentado em ideias preconceituosas, óbvias ou insustentáveis. Demonstra dificuldade do produtor do texto para abandonar o senso comum e pensar de forma autônoma e crítica.

- Exemplos:

“As crianças são o futuro da nação.”

“É importante que cada um faça a sua parte.”

"Lugar de mulher é na cozinha"'

"Ele é um preto de alma branca"

"Todo político é ladrão"

"Mulher no volante - perigo constante"

"O Mundo é dos espertos"

“As drogas são um caminho sem volta.”

“A bebida é um poço sem fundo.”

“A união faz a força.”

Pleonasmo vicioso ou redundância[editar | editar código-fonte]

Consiste numa redundância inútil e desnecessária de significado em uma sentença.

- "Ele vai ser o protagonista principal da peça". (Um protagonista é, necessariamente, a personagem principal)

- "Meninos, entrem já para dentro!" (O verbo "entrar" já exprime ideia de ir para dentro)

Obscuridade[editar | editar código-fonte]

Trata-se da construção de frases de tal modo que o sentido se torne obscuro, embaraçado, ininteligível. Em um texto, as principais causas da obscuridade são: o abuso do arcaísmo e o neologismo, o provincianismo, o estrangeirismo, a elipse, a sínquise, parêntese extenso, o acúmulo de orações intercaladas (ou incidentes) as circunlocuções, a extensão exagerada da frase, as palavras rebuscadas, as construções intrincadas e a má pontuação.

- Ex.: "No porto de Santos, o navio grego entrava o navio inglês".

Análise: Obscuridade causada pela flexão homonímia "entrava". Desta maneira, se "entrava" for considerado pretérito imperfeito do verbo "entrar", a frase tornar-se-á obscura. Todavia, a forma verbal assinalada deve ser considerada flexão do presente do indicativo do verbo "entravar".

Preciosismo[editar | editar código-fonte]

Refere-se ao exagero na linguagem, em prejuízo da naturalidade e clareza da frase.

- Exemplo:

- "O equóreo elemento erguia bem alto as altas ondas."

- "Na pretérita centúria, meu progenitor presenciou o acasalamento do astrorrei com a rainha da noite."

- "Baixar a inflação? Isso é colóquio flácido para acalentar bovino."


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