Vírus do oeste do Nilo

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Vírus do Oeste do Nilo

Vírus do Oeste do Nilo
Classificação científica
Reino: Virus
Família: Flaviviridae
Género: Flavivirus
Espécie: Vírus do Oeste do Nilo
Vírus do oeste do Nilo
Classificação e recursos externos
CID-10 A92.3
DiseasesDB 30025
Star of life caution.svg Aviso médico

O vírus do Oeste do Nilo (WNV – West Nile Virus) ou Febre do Nilo Ocidental ou Encefalite do Nilo Ocidental é uma doença potencialmente séria.[1]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A maneira mais fácil e melhor para evitar o Vírus do Oeste do Nilo é prevenindo as picadas de mosquito.[1]

  • Use repelentes de insetos contendo DEET (N,N-dietilmetatoluamida) quando estiver ao ar livre. Siga as instruções da embalagem.
  • Mosquitos são mais ativos ao anoitecer e ao amanhecer. Use repelente, calças e mangas compridas nesses horários ou permaneça em locais fechados durante estes períodos. Roupas de cores claras atraem menos certos gêneros de mosquitos que as roupas escuras.
  • No caso de usar telas em janelas e portas, verifique que não há furos ou frestas por onde os mosquitos possam entrar.
  • Esvazie recipientes onde haja água parada, como vasos de plantas, baldes e barris. Os mosquitos precisam de água limpa e parada para proliferar. Troque a água das vasilhas de animais de estimação e dos banhos de pássaros semanalmente. Faça buracos em balanços feitos de pneu para que a água escoe. Mantenha as piscinas infantis vazias e apoiadas de lado se não estiverem sendo usadas.

O Vírus[editar | editar código-fonte]

Este vírus pertence à família dos flavivirus, e o seu genoma é de RNA simples de sentido positivo (pode ser usado directamente como mRNA para a síntese proteica). Produz cerca de 10 proteínas, sendo 7 constituintes do seu capsídeo, e é envolvido por envelope bílipidico. Multiplica-se No citoplasma e os virions descendentes invaginam para o retículo endoplasmático da célula-hóspede, a partir do qual são depois exocitados. Tem cerca de 50 nanómetros de diâmetro. Infecta principalmente os macrófagos.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

O vírus do Oeste do Nilo afeta o sistema nervoso central. Os sintomas variam.[1] As pessoas geralmente desenvolvem sintomas entre 3 e 14 dias após terem sido picadas pelo mosquito infectado.

  • Sintomas sérios em algumas pessoas. Aproximadamente 1 em 150 pessoas infectadas com o vírus do Oeste do Nilo desenvolverá doença grave. Os sintomas severos podem incluir febre alta, dor de cabeça, rigidez do pescoço, torpor, desorientação, coma, tremores, convulsões, fraqueza muscular, perda de visão, entorpecimento e paralisia. Estes sintomas podem durar várias semanas e os efeitos neurológicos podem ser permanentes.
  • Sintomas mais moderados em algumas pessoas. Até 20% das pessoas que são infectadas exibem sintomas que podem incluir febre, dor de cabeça, dores no corpo, náusea, vômitos, e às vezes aumento dos gânglios linfáticos ou erupção cutânea no tórax, barriga e dorso. Os sintomas podem durar poucos dias, embora até mesmo pessoas saudáveis possam ficar doentes por várias semanas.
  • Nenhum sintoma para a maioria das pessoas. Aproximadamente 80% das pessoas (cerca de 4 em 5 pessoas) que são infectadas com o vírus do Oeste do Nilo não apresentam qualquer sintoma.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é por inoculação de soro sanguineo em culturas celulares; ou pela serologia.

Propagação[editar | editar código-fonte]

A propagação do vírus do Oeste do Nilo é feita através de duas formas:[1]

  • Mosquitos infectados: Na maioria dos casos, o vírus do Oeste do Nilo é transmitido através da picada de um mosquito infectado. Os mosquitos são vetores do vírus do Oeste do Nilo que infectaram-se ao picar pássaros com a doença. Os mosquitos infectados podem então transmitir o vírus do Oeste do Nilo a humanos e a outros animais que venham a picar.
  • Transfusões, transplantes e de mãe para filho: Em pouquíssimos casos, o vírus do Oeste do Nilo pode também se propagar através de transfusões de sangue, transplante de órgãos, amamentação e até mesmo durante a gravidez de mãe para filho.

O vírus do Oeste do Nilo não se propaga através do contato casual, como tocar ou beijar uma pessoa com o vírus.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Fêmea de mosquito Culex após sugar sangue humano

É transmitido por mosquitos do género Culex, em climas ou estações quentes. Existe endemicamente em África, incluindo Uganda, onde nasce o rio Nilo e Ásia tropical ou mediterrânica. Nos EUA o vírus surgiu em 1999, e vem provocando diversas mortes, especialmente no verão quente da cidade de Nova Iorque. Os especialistas acreditam que o Vírus do Oeste do Nilo é estabelecido como uma epidemia sazonal na América do Norte que irrompe no verão e continua até o outono.[1] Em Portugal, surgiu pela primeira vez no Algarve, no ano de 2004. Não se sabe ainda se o vírus conseguiu estabelecer-se com sucesso nessa região do sul de Portugal, mas, ainda que não tenha, é possível que o faça no futuro.

Há pássaros que servem de reservatório para o vírus, e são especialmente importantes para a sua sobrevivência em climas com invernos frios sem mosquitos (como Nova Iorque e mesmo o Algarve). Os seres humanos não têm virémia suficientemente prolongada para servirem de reservatório significativo, e são sempre infectados dos pássaros via mosquito mediador.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Não há um tratamento específico para a infecção por vírus do Oeste do Nilo.[1] Nos casos mais moderados, as pessoas apresentam sintomas como febre e dores que passam por si mesmas.[1] Em casos mais graves, as pessoas geralmente precisam se internar num hospital para que possam receber tratamento de suporte, incluindo fluidos intravenosos, ajuda com a respiração e cuidados de enfermaria.

Em caso de suspeita da infecção[editar | editar código-fonte]

A doença por vírus do Oeste do Nilo de sintomas mais moderados melhora por si mesma, e as pessoas não precisam necessariamente de procurar assistência médica para esta infecção, embora prefiram fazê-lo.[1] Caso desenvolva sintomas graves causados pela doença do vírus do Oeste do Nilo, tais como dores de cabeça severas ou confusão, procure atenção médica imediatamente. A doença por vírus do Oeste do Nilo grave geralmente requer hospitalização. Mulheres grávidas ou que estiverem amamentando devem consultar seus médicos, caso desenvolvam os sintomas que poderiam ser do vírus do Oeste do Nilo.

Riscos[editar | editar código-fonte]

As pessoas com mais de 50 anos possuem um risco maior de ficarem doentes. As pessoas com idade acima de 50 anos possuem uma probabilidade maior de desenvolver sintomas sérios de vírus do Oeste do Nilo caso fiquem doentes, e devem tomar um cuidado especial para evitar as picadas de mosquito.[1]

Estar ao ar livre significa correr risco. Quanto mais tempo você fica ao ar livre, mais tempo pode ser picado por um mosquito infectado. Fique atento para evitar as picadas de mosquito se passar muito tempo ar ar livre, ao trabalhar ou se divertir.[1]

O risco através de procedimentos médicos é muito baixo. Todo o sangue doado é testado para vírus do Oeste do Nilo antes de ser usado. O risco de contrair o vírus do Oeste do Nilo através de transfusões sanguíneas e transplantes de órgãos é muito pequeno e não deve prevenir as pessoas que precisam de cirurgia de fazê-la. Caso tenha perguntas, consulte seu médico.[1]

Riscos na gravidez e amamentação[editar | editar código-fonte]

Gravidez e amamentação não aumentam o risco de infectar-se com o WNV.[1] O risco que o WNV pode apresentar a um feto ou a um bebê através do leite materno ainda está sendo avaliado. Consulte seu médico caso tenha preocupações.

Outras informações[editar | editar código-fonte]

Se encontrar um pássaro morto: Não manuseie o corpo com suas próprias mãos.[1] Entre em contato com o departamento de saúde local para obter instruções sobre como informar e desfazer-se do corpo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m Centers for Disease Control and Prevention (26 de agosto de 2004). "Folha informativa do CDC" (PDF). Domínio Público. Acessado em 13h26min de 26 de Outubro de 2008 (UTC).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]