VASP

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Viação Aérea São Paulo (VASP)
IATA
VP
ICAO
VSP
Indicativo de chamada
Vasp
Fundada em 5 de novembro de 1933
Encerrou atividades em 1º de janeiro de 2005
Principais centros
de operações
Aeroporto de Congonhas
Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos
Aeroporto Santos Dumont




Companhia
administradora
Grupo Canhedo
Sede São Paulo
Pessoas importantes CEO: Wagner Canhedo

A Viação Aérea São Paulo (VASP) (1933 - 2005) foi uma empresa de aviação comercial brasileira com sede na cidade de São Paulo. A companhia deixou de operar em 2005 e teve sua falência decretada pela Justiça de SP em 2008.

História[editar | editar código-fonte]

Em 12 de novembro de 1934 em uma cerimônia no Campo de Marte, foram inauguradas as duas primeiras linhas, e decolaram os primeiros voos comerciais, de São Paulo a São José do Rio Preto com escala em São Carlos, e São Paulo a Uberaba com escala em Ribeirão Preto.

As condições precárias da infraestrutura aeroportuária dificultavam a operação. Nos primeiros meses de atividades, a VASP teve suas operações suspensas devido a fortes chuvas que inundaram o Campo de Marte, sendo retomadas em 16 de abril de 1934. Tais dificuldades foram decisivas para a empresa participar do desenvolvimento de aeroportos e campos de pouso no interior paulista. A empresa transferiu suas operações para o recém inaugurado Aeroporto de Congonhas, conhecido como "Campo da VASP".

Em janeiro de 1935, a sua frágil saúde financeira fez com que a diretoria pedisse oficialmente ajuda ao Governo do Estado. A VASP foi estatizada e recebeu novo aporte de capital para a compra de dois Junkers Ju-52-3M.

Em 1936 a VASP estabeleceu a primeira linha comercial entre São Paulo e Rio de Janeiro, e em 1937 recebeu seu terceiro Junkers.

McDonnell Douglas MD-11 da VASP nas proximidades do Aeroporto de Bruxelas em 1996.

Tragicamente, este avião, matriculado PP-SPF, sofreu o primeiro grande acidente de nossa aviação comercial: em 8 de novembro de 1939 chocou-se, após a decolagem do aeroporto Santos Dumont, com um de Havilland 90 Dragonfly argentino.

Em 1939 a VASP comprou a Aerolloyd Iguassu, pequena empresa de propriedade da Chá Matte Leão, que operava na região sul do país.

Em 1949, o avião da VASP pousou no Aeroporto de Catanduva, inaugurando assim a sua linha de vôos diretos para São Paulo, Santos e Rio de Janeiro, feitos no mesmo avião. O possante “Douglas”, em seu vôo inaugural, trouxe a esta cidade para presidir o ato de abertura, o governador Adhemar de Barros, vários assessores, imprensa, além do Dr. Aderbal Ramos, governador de Santa Catarina, que se encontrava em São Paulo e foi convidado para acompanhar a comitiva. Em aqui chegando todos se dirigiram a Associação Comercial, Industrial e Agrícola, onde foi feita a recepção tendo feito uso da palavra o Dr. Ítalo Záccaro, que saudou o Governador, focalizando a importância do acontecimento que ele viera presidir, depois falou o Dr. Aderbal Ramos, governador de Santa Catarina que manifestou seu entusiasmo pela capacidade de trabalho do povo Paulista e depois o governador Adhemar de Barros falou da importância que tinha essa região no contexto Estadual, daí a inauguração da nova linha da VASP, pioneira da aviação comercial no País.

A Vasp funcionou na cidade de Catanduva cerca de três anos, seu escritório era na Rua Pernambuco, 153 e seu agente era o Sr. Moacyr Lichti.

Em 1962 foi a vez do Lloyd Aéreo ser comprado, ampliando ainda mais sua participação a nível nacional.

Após a Segunda Guerra, modernizou a frota com a introdução dos Douglas DC-3 e Saab 90 Scandia. Em 1955 encomendou o Viscount 800, primeiro equipamento à turbina no Brasil e depois trouxe os NAMC YS-11 Samurai. Em janeiro de 1968, entrou na era do jato puro com a entrega de dois BAC One Eleven 400. Em 1969, trouxe ao Brasil os primeiros Boeing 737-200, em 1982 chegaram os Airbus A300B2 e em 1986 o primeiro 737-300 de nosso país.

No início da década de 1990, a VASP foi privatizada. Seu novo presidente, Wagner Canhedo, iniciou uma agressiva expansão internacional: Ásia, Estados Unidos, Europa e até mesmo o Marrocos entraram no mapa da empresa. Aumentou a frota, trazendo entre outros três DC-10-30 e depois nove MD-11. Criou o VASP Air System, após adquirir o controle acionário do Lloyd Aéreo Boliviano, Ecuatoriana de Aviación e da argentina Transportes Aéreos Neuquén.

A empresa não conseguiu sustentar o crescimento. Deixou de pagar obrigações, salários, leasings e até taxas de navegação. Canibalizou os MD-11 a céu aberto em Guarulhos e foi cancelando as rotas internacionais. A frota foi reduzida, restando os antigos 737-200 e os cansados A300 para servir uma rede doméstica menor do que a empresa operava em 1990. O VASP Air System foi desfeito.

Em setembro de 2004, o Departamento de Aviação Civil (DAC) suspendeu as operações de oito aeronaves da VASP. Por medida de segurança, os aviões 737-200 de prefixos PP-SMA, PP-SMB, PP-SMC, PP-SMP, PP-SMQ, PP-SMR, PP-SMS e PP-SMT foram proibidos de voar até cumprirem as exigências técnicas de revisões e modificações obrigatórias - as ADs (Airworthiness Directives) - estabelecidas pelo fabricante. Sem dinheiro para fazer os trabalhos, a VASP decidiu encostar os jatos que, em seguida, começaram a ser canibalizados para oferecer peças aos outros 737 ainda em operação.

Com uma imagem arranhada e uma frota obsoleta, a empresa foi perdendo terreno, sobretudo após a entrada da Gol no mercado. A VASP operou em novembro de 2004 apenas 18% dos vôos programados. Em setembro de 2004, quando enfrentou a primeira paralisação de funcionários e começou a ter problemas para abastecer suas aeronaves, a fatia de mercado da companhia aérea era de apenas 8% e dois meses depois, de 1,39%. A ocupação também estava aquém do desejado: as únicas 3 aeronaves da VASP que voaram no mês saíram com 47% dos assentos vendidos.

A VASP parou de voar no final de janeiro de 2005, quando o DAC cassou sua autorização de operação. Suas aeronaves hoje estão paradas por aeroportos de todo o país, testemunhas de uma triste página da história da aviação comercial brasileira. Hoje falida.

Recuperação judicial e falência[editar | editar código-fonte]

A empresa esteve em processo de recuperação judicial entre 1 de julho de 2005 e 4 de setembro de 2008, para que tivesse alguma possibilidade de retornar suas operações.

A VASP realizou em 26 de julho de 2006 uma Assembléia de Credores, quando foi aprovado o plano de recuperação da empresa, com previsão de retomar as atividades com cargas e passageiros dentro de um prazo de 8 a 10 meses, com 12 novas aeronaves, adquiridas por meio de leasing. O juiz homologou no dia 24 de agosto de 2006 o seu plano de recuperação judicial, reafirmando a empresa retomar suas atividades dentro de um período de 8 a 10 meses. Mas isto não aconteceu até hoje.

Uma nova Assembléia de Credores foi realizada em 17 de julho de 2008, para que os credores pudessem opinar pela manutenção ou não da empresa em recuperação judicial. O resultado foi a sugestão pela decretação da falência da companhia.

Em 4 de setembro de 2008, sentença proferida pelo juiz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, onde tramitava a Recuperação Judicial, decretou a falência da companhia,[1] com dívidas estimadas em 5 bilhões de reais.[2]

Durante o período de recuperação judicial, a VASP sobreviveu fazendo manutenção de aeronaves para outras companhias aéreas, como a VarigLog e a BRA, bem como da locação de alguns imóveis não operacionais espalhados pelo Brasil. No entanto, uma Reintegração de Posse obtida pela INFRAERO, em agosto de 2008, que determinou a devolução de diversas áreas em vários aeroportos brasileiros até então operadas pela VASP, que incluíam as oficinas e hangares, inviabilizou a atividade de manutenção até então efetuada.

Em agosto de 2011, quatro aviões que permaneciam em Congonhas foram desmontados para serem vendidos como sucata. [2]

Em novembro de 2012, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a decisão da justiça paulista que decretou a falência da empresa em 2008. Segundo o ministro Massami Uyeda, a suspensão se deve ao fato de interesses individuais de alguns credores terem impedido que o plano de recuperação judicial da empresa fosse executado.[3] [4] Os ministros da 3ª Turma do STJ concluíram que a recuperação judicial não era mais possível e a empresa novamente foi declarada falida em 6 de junho de 2013.[5]

VASPEX[editar | editar código-fonte]

A VASPEX era uma subsidiária da empresa aérea VASP de despacho imediato de correspondências, documentos e objetos. Entrou em recuperação judicial, mas acabou falindo junto à VASP em 4 de setembro de 2008. Operava aviões Boeing 727 e 737-200 para quase todo o Brasil. Foi criada para operar junto com a VASP entregando encomendas do tipo (porta-a-porta) com bastante sucesso no Brasil. Comentava-se antes da falência,que a Vasp tinha planos de adquirir algumas aeronaves Embraer 190,mas a negociação não foi feita.

Frota aérea da VASPEX [6]
Aeronave Quantidade Período de uso
Boeing 727-200F 8 1996 - 2005
Boeing 737-200F 4 1993 - 2005
DC-8-73F 4 1990 - 1993
DC-10-30F 2 1997

Frota operada pela VASP[editar | editar código-fonte]

Frota inativa da Vasp
Prefixo Aeronave Serial Ano f.f. Notas
PP-AIW Boeing 727 2J4 22079 1980
PP-SFC Boeing 727 264 21071 1975
PP-SFG Boeing 727 2Q4 22425 1980 São Luís-MA
PP-SFQ Boeing 727 2J4 22079 1980
PP-SMA Boeing 737 2A1 20092 1969
PP-SMB Boeing 737 2A1 20093 1969
PP-SMC Boeing 737 2A1 20094 1969
PP-SMF Boeing 737 2A1 20589 1972
PP-SMG Boeing 737 2A1 20777 1973
PP-SMH Boeing 737 2A1 20778 1973
PP-SMP Boeing 737 2A1 20779 1973
PP-SMQ Boeing 737 214 20155 1969
PP-SMR Boeing 737 214 20157 1969
PP-SMS Boeing 737 214 20159 1969
PP-SMT Boeing 737 214 20160 1969
PP-SMU Boeing 737 2A1 20967 1974
PP-SMZ Boeing 737 2A1 20971 1974
PP-SNA Boeing 737 2A1 21094 1975
PP-SNB Boeing 737 2A1 21095 1975
PP-SNL Airbus A300B2 203 202 1982
PP-SNM Airbus A300B2 203 205 1982
PP-SNN Airbus A300B2 203 225 1982
PP-SOT Boeing 737 3L9 25150 1991
PP-SPF Boeing 737 2L7C 21073 1975
PP-SPG Boeing 737 2L7 21616 1978
PP-SPI Boeing 737 2Q3 21476 1978
PP-SRI Vickers Viscount 701 11 1953
PP-SRN Vickers Viscount 701C 62 1954
PP-SRP Vickers Viscount 701C 61 1954
PP-SRS Vickers Viscount 701C 182 1956

Referências

  1. Justiça de São Paulo decreta falência da Vasp. Visitado em 9 de setembro de 2008 de 2008. Visitado em 9 de setembro de 2008.
  2. a b Leilão de avião e sucatas da Vasp será no dia 6; veja fotos - 27/01/2012 - 11h37. Visitado em 27 jan 2012.
  3. STJ suspende falência da Vasp EBC (7 de novembro de 2012). Visitado em 26 de novembro 2012.
  4. A sobrevida da Vasp Istoé Dinheiro (9 de novembro de 2012). Visitado em 26 de novembro 2012.
  5. "STJ confirma falência da Vasp" Exame (11 de junho de 2013).
  6. Frota da Vasp - Aviação Comercial (em português)

Frota[editar | editar código-fonte]

A VASP se orgulhava de ser dona de sua própria frota e não ter despesas com leasing, mas quando esta frota começou a envelhecer, os problemas começaram a surgir. A frota da VASP é composta de:[1]

Frota da VASP
Aeronave Total Passageiros
(Primeira Classe/Executiva/Econômica)
Rotas Notas
Airbus A300 3 240(26/0/214) Rotas Médias e Internacionais 1982-2005
Boeing 727-200 2 152 (0/0/152) Rotas Médias e Longas 1986-1987
Boeing 737-200 23 109 (0/0/109) Rotas curtas, Médias, Ponte Aérea (Rio de Janeiro-São Paulo) 1969-2005
Boeing 737-300 20 132 (0/0/132) Rotas curtas, Médias, Ponte Aérea (Rio de Janeiro-São Paulo) 1986-2005
Boeing 737-400 3 132 (0/0/132) Rotas Curtas e Médias 1991-1992
DC-10 1 242 (0/38/204) Rotas Internacionais 1997-1998
MD-11 9 329 (10/24/295)

327 (0/37/290)

Rotas Internacionais 1992-1998
Total de aeronaves 61

Estas aeronaves estão paradas, em estado de abandono, em diversos aeroportos brasileiros, principalmente Congonhas, Guarulhos e Brasília, penhoradas em diversos processos de execuções fiscais, a grande maioria já sucateada.

Acidentes e Incidentes[editar | editar código-fonte]

  • 8 de junho de 1982: O Vôo VASP 168 foi um acidente aéreo ocorrido quando um Boeing 727-200 com destino a Fortaleza se chocou contra a Serra da Aratanha, próximo de Pacatuba, Ceará. Todos os 137 ocupantes do Boeing morreram na colisão, sendo esse o maior acidente aéreo da história da aviação brasileira até 2006. Este acidente foi superado pelo acidente com o Vôo Gol 1907, ocorrido em setembro de 2006, que matou todos os 154 ocupantes e pelo acidente com o Vôo TAM 3054 que também matou todos os seus 187 ocupantes e mais 12 vítimas em terra (199 ao todo), em julho de 2007. Tudo começou na aproximação final, quando a aeronave estava a 50 km da capital cearense. Houve uma perda de altitude que foi considerada excessiva pelos computadores do avião. Nesse momento, o Boeing da VASP sobrevoava a região de Pacatuba. Seis alarmes soaram na cabine, mas o piloto os ignorou. O co-piloto achou estranho, disse que via morros logo a frente. Logo em seguida, às 02h45, o Boeing se chocou contra a Serra da Aratanha sem deixar sobreviventes.
  • 29 de setembro de 1988: Voo VASP 375, operado por um Boeing 737-300 de prefixo PP-SNT, levando 105 pessoas, foi sequestrado pelo passageiro Raimundo Nonato Alves da Conceição, que tinha a intenção de jogar a aeronave contra o Palácio do Planalto. O voo, que havia decolado de Belo Horizonte com destino ao Rio de janeiro, foi sequestrado já no espaço aéreo fluminense e desviado para Brasília. O co-piloto, Salvador Evangelista, foi morto por um tiro disparado pelo sequestrador, que baleou outros dois tripulantes. O piloto Fernando Murilo de Lima e Silva tentou pousar na Base Aérea de Anápolis e no Aeroporto de Brasília. Após fazer duas manobras arriscadas, conseguiu pousar a aeronave em Goiânia. O sequestrador foi baleado pela Polícia Federal e morreu dias depois, vítima de anemia falciforme.

Referências

  1. Frota - Vasp Aviação Comercial. Visitado em 26 de novembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre VASP

Ver também[editar | editar código-fonte]


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