Inventário Gerido pelo Fornecedor

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Inventário Gerido pelo Fornecedor (IGF; em inglês: Vendor Managed Inventory, sigla:VMI), também conhecido como Programa de Reposição Contínua (em inglês: Continuous Replenishment Program, sigla:CRP), é um programa desenvolvido por uma parceria entre fabricante e fornecedor direccionado para a gestão de estoques e controle da informação de ordens de compra/venda, onde se assume como uma mais valia em relação à troca de informação através do Electronic Data Interchange (EDI). O IGF surge como uma forma de lidar com a incerteza da procura, na medida em que coordena os diferentes elos da cadeia de abastecimento no difícil processo de prever a procura.[1]

O fornecedor tem acesso aos dados relativos ao estoque (vendas) do cliente e assume, ele próprio, as decisões sobre os reabastecimentos. O IGF integra-se na cadeia de abastecimento como forma de estabelecer uma real colaboração e partilha de informação entre o fornecedor e o cliente e com isso, não só permite reduzir os níveis de estoque ao longo da cadeia de suprimentos como proporciona uma redução de custos.[2] Torna-se fundamental a criação de fortes relações de parceria no sentido de optimizar resultados e reduzir custos operativos. É nessa dependência estabelecida entre as organizações envolvidas na procura de um mesmo objectivo, que se fundamenta a base deste processo.[3]

Num sistema de Inventário Gerido pelo Fornecedor, o fornecedor toma as decisões sobre o nível de estoque mais indicado para cada um dos produtos, respeitando no entanto os limites previamente estabelecidos, assim como as políticas de estoques apropriadas para manter estes níveis. Inicialmente, as sugestões apresentadas pelo fornecedor deverão ser ser analisadas e aprovadas pelo retalhista, mas no entanto um dos objectivos do IGF é o de eliminar falhas nos pedidos específicos do retalhista.[4]

Fundamentos do IGF[editar | editar código-fonte]

Modelo de reposição via IGF.[5]

Com base no histórico do produto, o IGF cria uma previsão diária da procura e efectua o cálculo do nível de estoque de segurança para os fornecedores em cada posto de venda. Dependendo se se trata de produtos individuais ou grupos de produtos, as previsões são feitas de acordo com as respectivas características e parâmetros tendo também em conta os restantes elos da cadeia. É de salientar que as previsões poderão também ser afectadas por factores exteriores e por campanhas promocionais. Da comparação entre o estoque nos postos de venda e as previsões de vendas, resultam as ordens de compra estabelecidas pelo programa. As previsões de vendas são feitas com base no histórico do produto, assim como das vendas actuais, das tendências e até da sazonalidade. O propósito é que, diariamente, após o encerramento dos pontos de vendas, toda a informação sobre as mesmas seja informaticamente partilhada com o produtor e assim, permitir a este ter uma menor incerteza quanto à procura e conseguir satisfazer o cliente. Após a análise desta informação, o fornecedor apresenta um maior poder de resposta, tanto na gestão dos estoques como na gestão dos seus transportes. No término deste processo, através do EDI, são processados os pedidos para o retalhista, ficando também registada a informação junto do planeamento da produção.[6]

Implementação do IGF[editar | editar código-fonte]

Aspectos importantes na implementação do IGF:[7]

  • Negociação dos termos do contrato entre as partes que deve incluir factores como a responsabilidade das ordens de compra, nível de estoque e aspectos financeiros;
  • Se for comprovada a inexistência destes, devem ser desenvolvidos sistemas de informação que sirvam ambas as partes retalhista e fornecedor);
  • Deverão ser desenvolvidas e efectivamente utilizadas técnicas de previsão;
  • Dependendo da natureza da cooperação, deverão ser coordenadas políticas de transporte e utilizadas ferramentas auxiliares na gestão do estoque.

Outro dos factores de destaque na utilização do IGF está relacionado com o efeito chicote. A implementação do IGF contribui para a eliminação do racionamento e formação de lotes de compra e de produção como fontes causadoras do efeito chicote na cadeia de abastecimento.[8]

Processo tipo de IGF[editar | editar código-fonte]

Principais fases hierarquizadas do processo de IGF:[5]

  1. Definição de objectivos;
  2. Avaliação das capacidades internas dos parceiros de negócio;
  3. Desenvolvimento da lista de verificação conjunta;
  4. Troca de informação com o início da parceria;
  5. Implementação e verificação do projecto inicial;
  6. Alargamento do âmbito do IGF.

Vantagens do IGF[editar | editar código-fonte]

Vantagens resultantes da implementação do IGF, nas perspectivas do fornecedor e dos vendedores:[9] [10]

Fornecedor e cliente[editar | editar código-fonte]

  • Falhas de comunicação são reduzidas e todo o processo é realizado em menor tempo e com maior eficácia;
  • Redução dos níveis de estoque;
  • Atenuação de incerteza na gestão do estoque;
  • Redução de lead time na cadeia de abastecimento;
  • Redução da probabilidade da ocorrência de rupturas de estoque;
  • A estreita relação entre as partes permite a automatização de actividades;
  • Menor incerteza na previsão da procura;
  • Melhoria dos níveis de serviço;
  • Maior eficiência na gestão do armazém;
  • Minimização dos custos de expedição;
  • Optimização da gestão de transporte e da capacidade de distribuição;
  • Redução dos custos administrativos;
  • Melhoria na gestão de recursos;
  • Aumento do número de vendas;
  • Redução nos custos de encomenda;
  • Diminuição de produtos devolvidos;
  • Redução de custos de processamento de encomendas;
  • Redução de custos de transporte, posse e de aprovisionamento;
  • Maior satisfação por parte do cliente final.

Vendedor[editar | editar código-fonte]

  • Aumento do número de vendas;
  • Diminuição do número de produtos devolvidos;
  • Redução dos níveis de estoque;
  • Redução da probabilidade da ocorrência de rupturas de estoque;
  • Melhoria dos níveis de serviço;
  • Melhoria dos níveis de satisfação do cliente;
  • Diminuição dos custos de armazenamento;
  • Redução nos custos de processamento de encomenda;
  • Redução dos custos logísticos.

Desvantagens[editar | editar código-fonte]

Alguns problemas relacionados com a implementação do IGF:[10] [11]

  • A obrigatoriedade da existência de uma relação fortalecida entre fornecedor e retalhista;
  • A necessidade de utilizar avançadas tecnologias o que traz um acréscimo de custos;
  • A extrema confiança que terá que existir entre as duas partes;
  • A dependência entre as partes poderá ser vista muitas vezes como uma perda de controlo no seio das organizações;
  • A aceitação por parte dos funcionários de ambas as partes da sua responsabilidade, assim como dos objectivos do IGF;
  • O aumento de custos para o fornecedor que poderá ser directamente proporcional ao aumento da sua responsabilidade com a gestão do estoque;
  • A inexistência de regras claras em relação aos custos com a gestão de estoques, com incidência no fornecedor;
  • A implementação do EDI (Electronic Data Interchange) que deverá ser testada para garantir a confiabilidade dos dados;
  • Os retalhistas ainda recorrem a processos como o ERP/MRP em situações de reposições mais complexas.

Referências

  1. Raghunathan 2001, p. 406
  2. Mishra 2004, p. 445
  3. Andraski 1994, p. 1
  4. Simchi-Levi 2003, p. 154
  5. a b Carvalho 2000, p. 129
  6. Business-to-consumer E-Commerce (em inglês). Visitado em 18-12-2014. Cópia arquivada em 03-06-2014.
  7. Simchi-Levi 2003, p. 157
  8. Disney 2003, p. 625
  9. [http:http://projects.bus.lsu.edu/independent_study/vdhing1/othertopics/crp.htm Continuous Replenishment Progam (CRP)] (em inglês). Visitado em 18-12-2014. Cópia arquivada em 20-08-2014.
  10. a b Simchi-Levi 2003, p. 158
  11. Vendette 2007

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Carvalho, José Mário Crespo; Dias, Eurico Brilhante. e-Logistics e e-Business. Lisboa: Sílabo, 2000. ISBN 978-972-618-238-2.
  • Simchi-Levi, David; Kamisky, Philip; Simchi-Levi, Edith. Designing and managing the supply chain: concepts, strategies and case studies. Nova Iorque: McGraw-Hill, 2003. ISBN 978-0-07-119896-7.
  • Vendette, Daniel; Ornstein, Daniel. (2007). "Continuous Replenishment". CGI - Procurement Insight 6 (2).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]