Va, pensiero

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Melodia e primeiro verso de "Va, pensiero"

"Va, pensiero", também conhecido como o "Coro dos Escravos Hebreus", é um coro do terceiro ato da ópera Nabucco (1842) de Giuseppe Verdi, com libreto de Temistocle Solera, inspirado no Salmo 137. Conhecido como a obra de arte "judia" de Verdi, o coro relembra a história dos exilados judeus na Babilônia, após a perda do Primeiro Templo em Jerusalém. A ópera, com seu poderoso refrão, notabilizou Verdi como um dos maiores compositores italianos do século XIX. O incipit completo diz "Va, pensiero, sull'alli dorate", que significa "Vá, pensamento, sobre as asas douradas".[nota 1]

Papel na história política italiana[editar | editar código-fonte]

Alguns estudiosos afirmavam inicialmente que o coro pretendia ser um hino para os patriotas italianos, que buscavam unificar seu país e libertá-lo do controle estrangeiro nos anos anteriores a 1861.[1] [nota 2] Entretanto, estudiosos modernos refutaram a ideia de conexões entre as obras de Verdi nas décadas de 1840 e 1850 e o nacionalismo italiano, com exceção de alguns das opiniões expressas na ópera I Lombardi, de 1843.[2]

Outras pesquisas recentes têm discutido várias obras de Verdi a partir da década de 1840 (incluindo Giovanna d'Arco e Attila), enfatizando seu significado político ostensivo.[3] O trabalho do musicólogo e historiador americano Philip Gossett em coros da década de 1840, também sugere que as abordagens revisionistas recentes sobre Verdi e o Risorgimento podem ter superestimado a relevância política de "Va, pensiero".[4]

Em 2009, o senador Umberto Bossi propôs a substituição do hino nacional da Itália por "Va, pensiero".[5]

Em 2011, após reger "Va, pensiero" em uma seção de Nabucco, no Teatro da Ópera de Roma, o maestro Riccardo Muti fez um breve discurso, protestando contra os cortes no orçamento italiano para as artes e convidando a platéia a cantar o coro em prol da cultura e do patriotismo.[6]


Notas

  1. A primeira palavra é acompanhada de um apóstrofo na ortografia moderna ("Va'"), mas este não aparece no libreto.
  2. O tema, sobre exilados cantando sua terra natal e frases como "O mia patria, si bella e perduta" / "Oh minha pátria, tão bela e perdida" teriam sido pensados para comover os italianos.[1]

Referências

  1. a b Halsall, Paul (1997). Modern History Sourcebook: Music and Nationalism Internet History Sourcebooks. Fordham University. Página visitada em 25 de Maio de 2014.
  2. Parker, Roger (14 de maio de 2007). Verdi and Milan (palestra). Gresham College. Página visitada em 25 de Maio de 2014.
  3. Izzo, Francesco. (2007). "Verdi, the Virgin, and the Censor: The Politics of the Cult of Mary in I Lombardi alla prima Crociata and Giovanna d’Arco". Journal of the American Musicological Society 60: 557-597.
  4. Gossett 2005, pp. 339-387.
  5. Momigliano, Anna (24 de agosto de 2009). Senator wants to change Italy's national anthem – to opera The Christian Science Monitor.. Página visitada em 25 de Maio de 2014.
  6. D'Emilio, Frances (12 de março de 2011). Riccardo Muti conducts audience during Rome performance Chicago Sun-Times.. Página visitada em 26 de Maio de 2014.