Va, vis et deviens

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Va, vis et deviens
Vai e Vive (PT)
 França
2005 •  
Produção
Projeto Cinema  • Portal Cinema

Um herói do nosso tempo (Brasil) / Vai e Vive (Portugal) (Vas, vis et deviens) é um filme do diretor romeno-israelense Radu Mihaileanu.

Índice

Sinopse [editar]

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O filme é sobre a vida de um menino negro cristão, vivido por Moshe Agazai, que vive na Etiópia e se passa por judeu a fim de ir para Israel e ter uma vida melhor. Sua mãe o manda com uma mãe "postiça" judia, Hana, pois apenas os etíopes judeus poderiam ir para Israel de acordo com a Lei do retorno, que permite qualquer judeu de qualquer país retornar a Israel e lá estabelecer-se. Ela foi adotada em 1950, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial e da fundação do Estado de Israel. Apesar de tal lei estabelecer Israel como o lar de todo o povo judeu, muitos povos sofrem preconceito, como é no caso dos etíopes judaicos, conhecidos como Falashas. Esse é um nome pejorativo dado pelos etíopes não judeus que significa "exilado", "estranho".

Os etíopes judeus são da linhagem do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Ela é uma rainha negra e seu nome na Etiópia significa grandeza. Eles foram os responsáveis pela lei mosaica na Etiópia. Porém, muitos judeus foram convertidos ao cristianismo. Em 1984, milhares de etíopes andaram quilômetros para chegar ao Sudão e de lá a Israel, fugindo da guerra contra a Eritreia e do governo do ditador Mengistu, de ideologia socialista. Mesmo com a Operação Moisés, na qual milhares de judeus foram levados da África para Israel com a ajuda dos Estados Unidos, metade morreu no caminho. Porém, Scholomo, o protagonista, foi um dos poucos que sobreviveram.

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Scholomo (hebraico de Salomão) torna-se seu novo nome judeu, homônimo ao do filho falecido de Hana. Ele não sabe das questões históricas e acredita que sua mãe o mandou para Israel a fim de castigá-lo, visto que ele preferia ficar na Etiópia junto a ela, a qual permitiu que ele voltasse apenas "transformado". Em Israel, Scholomo desconhece e se surpreende com tudo. Uma cena marcante é quando ele tenta tapar o ralo enquanto toma banho, pois não entende como se pode desperdiçar assim a água, escassa na Etiópia. Sua tristeza aumenta quando ele se vê sozinho, após a morte de Hana. Ele promete guardar seu segredo de não ser judeu e aprende os nomes de sua família judia, morta na caminhada até o Sudão.

Tamanha é a quantidade de judeus do mundo inteiro que vão para Israel, que a única forma de provar a religião é perguntando sobre os nomes dos pais, dos avós e os conhecimentos do Torá, o livro sagrado judeu. O governo israelense caça falsos Falashas que vão para Israel para fugir da miséria e da guerra civil da Etiópia a fim de deportá-los. Scholomo passa a freqüentar a escola judaica e não sabendo nada sobre os costumes e a religião judaica, defende o cristianismo em sua primeira aula. Na solidão e saudade de casa, torna-se um menino violento e tenta fugir, andando doze quilômetros a pé em direção à Etiópia. Ele tem seu refúgio na lua, que representa sua mãe verdadeira com a qual passa a noite conversando.

Ele, então, é adotado pelo casal Yoram e Yaël, que já têm dois filhos. Scholomo leva um tempo para adaptar-se à nova vida e família. Mesmo tendo uma cama, ele dorme no chão e ao chegar na escola, a primeira coisa que faz é tirar os tênis e sentir o chão, que o lembra de sua terra. Tudo o que quer é voltar para a Etiópia e encontrar sua mãe. Fala muito pouco, não come e vive cabisbaixo. Descobre através da TV, um representante do povo judeu etíope chamado Qes Amrah, e com sua ajuda, Scholomo manda cartas para a sua mãe esporadicamente.

Scholomo sofre preconceitos racial, étnico e religioso. Sua mãe beija e lambe seu rosto para mostrar aos pais e alunos da escola que Scholomo é saudável e que não tem nenhuma doença da África, como acham os pais. O preconceito começa até em sua casa, quando seu irmão o chama de cuche, que entre outros significados, quer dizer crioulo. Além do preconceito racial, não só Scholomo, mas todos os etíopes judeus sofrem um preconceito étnico, não sendo aceitos em Israel nem na Etiópia. Ao consultar um curandeiro etíope, Yaël descobre como se comunicar com Scholomo, e é quando ele se adapta à nova família.

Viva [editar]

Quando fica mais velho, Scholomo já tem uma relação mais aberta com sua mãe, porém o mesmo não acontece com seu pai. Ele tem que lidar com a adolescência e ainda enfrentar a intolerância racial. Scholomo, já com treze anos de idade, recebe o B'nai Mitzvá, uma cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica. Ele torna-se um "filho do mandamento", sendo, assim, responsável pelos seus atos. Ao tornar-se um Bar Mitzváh, Scholomo é convidado para fazer sua primeira leitura do Torá. O Bar Mitzváh, além de ter uma comemoração de aniversário, passa também por uma cerimônia de mazan-tov, para desejar boa sorte ou felicidade. Parte da cerimônia é feita com Scholomo em cima de uma cadeira, e ele é levantado várias vezes. Scholomo pode participar em todas as áreas da comunidade judaica, assumindo a responsabilidade de seguir as leis judaicas de tradição e ética.

Ele decide participar de um debate sobre os conhecimentos da religião judaica para provar ao pai de Sarah, menina judia pela qual ele se apaixonou, que a cor de sua pele nada tem a ver com sua religiosidade. O tema do debate é a cor de Adão e o que ele representa no judaísmo. A cena do debate mostra como a discriminação racial não faz sentido na religião. O oponente de Scholomo defende a tese de que Adão foi feito à imagem de Deus, branco, e que a cor da pele negra foi um castigo aos povos antigos da África. Scholomo defende a tese de que Adão surgiu do hebraico adom, que significa vermelho, de dam, que significa sangue e de adamá, que significa solo vermelho, o tipo de solo existente na África. E, portanto, Adão não é branco nem negro, mas sim, vermelho, como Sarah chama Scholomo, pele-vermelha. Ele convence todo o Conselho, menos o pai de Sarah, mas isso não os impede de se encontrarem.

A opressão racial que Scholomo muitas vezes sofre, o faz contar a verdade a Qes, de que não é judeu. Porém, ele já sabia desse fato desde a época em que estavam na Etiópia, pois fora ele quem enterrara o verdadeiro filho de Hana. No entanto, isso não muda a relação entre eles. Mesmo em momentos de perigo, como quando a situação no país se agrava, com alarmes de ataques palestinos a qualquer hora, Qes o apóia.

Transforme-se [editar]

Já adulto, Scholomo participa de passeatas contra a guerra entre Israel e a Palestina, e em 1993, ele assiste a uma marcante cena: o governante de Israel, Yitzhak Rabin cumprimenta o líder palestino Yasser Arafat na presença do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton; eram os Acordos de Oslo, nos quais ambos comprometiam-se a colaborar para a manutenção de paz entre os dois povos. Porém, Scholomo sofre com a seca que assola a Etiópia, pois apesar de já estabelecido em Israel, ele não se esquece de sua mãe e fica mais preocupado quando a situação na Etiópia piora, com o aumento de mortes devido às mazelas da guerra contra a Eritréia, que dura há quase trinta anos, e a fome. O país, apesar da miséria da guerra, não recebe ajuda dos EUA, o qual, mesmo tendo a capacidade, apenas o faz para com o Sudão.

Em 1993 a Eritreia conquista a independência em relação à Etiópia. Porém, a guerra é retomada em 1998. Frente a tanto sofrimento, Scholomo decide o que quer fazer: ajudar as pessoas que vivem uma situação como ele vivia, tornando-se médico; algo contra os princípios de seu pai de servir ao exército e defender seu país. Apenas com o apoio de sua mãe, Scholomo vai à França estudar medicina. Em Paris, surpreende-se com a beleza da cidade e a grandeza dos monumentos. Apesar da solidão, mantém contato com Sarah.

Um novo homem [editar]

Quando se forma e volta para Israel, atua como médico no exército de Israel. Em uma missão, tenta salvar a vida de uma criança palestina, mas o pai desta não aceita a ajuda de um israelense. O comandante do exército também não permite Scholomo salvar vidas que não sejam as de seus compatriotas, não o deixa salvar o "inimigo", mesmo este sendo um cidadão em meio à guerra. É nesse momento que Scholomo leva um tiro, mas não fatal. Ele é recebido como um herói por seu pai, que não aceitava o fato de ele ser médico. No hospital, conhecendo Sarah há dez anos, Scholomo decide pedi-la em casamento. Eles se casam, apesar de Sarah desconhecer a verdadeira história de Scholomo. Ele só decide contá-la depois de um tempo casados, e a reação de Sarah, grávida, é de espanto, pois ela foi rejeitada pela família por ter se casado com um judeu negro; escolheu Scholomo à sua própria família. Ela o abandona, mas pouco lhe importa a cor da pele de Scholomo, ela apenas não aceita tantos anos de mentira. Porém, após a intervenção de Yaël, Sarah volta com a condição de que Scholomo encontre sua verdadeira mãe.

Na procura de sua mãe, Scholomo vai à Etiópia prestar serviços humanitários como médico. Enquanto fala com Sarah e seu filho ao telefone, Scholomo reconhece um rosto familiar, sua mãe.

O filme tem um roteiro que combina conflitos étnico-religiosos com a determinação de uma criança em atingir seu sonho, representando a busca por uma identidade. O filme mostra como uma pessoa pode ultrapassar todas as dificuldades da vida, mesmo quando todos parecem querer derrubar-lhe. Scholomo, conseguindo conciliar sua formação cristã com os novos conhecimentos judaicos, luta contra todo tipo de preconceito e perdoa quem o ofende, pois acredita que há algo melhor na vida. O título original do filme é Vá, viva e transforme-se (Va, vis et deviens), sendo que o representa a infância, na qual é dado o primeiro passo, o da decisão de uma vida nova; o viva, a adolescência, na qual Scholomo experimenta novas coisas e começa a formar seu caráter; e por fim, o transforme-se representa a vida adulta, quando Scholomo descobre sua identidade, seu propósito no mundo.

Elenco [editar]

  • Yaël Abecassis.... Yaël Harrari
  • Roschdy Zem.... Yoram Harrari
  • Moshe Agazai.... Schlomo (criança)
  • Moshe Abebe.... Schlomo (adolescente)
  • Sirak M. Sabahat.... Schlomo (adulto)
  • Roni Hadar.... Sarah
  • Yitzhak Edgar.... Qès Amrah
  • Rami Danon.... Papy

Premiações [editar]

Melhor filme: Grande Prêmio do Júri, Grande Prêmio do Público e Prêmio do Júri Ecumênico.

Melhor filme e Melhor Roteiro.

Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora.

Ficha técnica [editar]

  • Título Original: Va, Vis et Deviens
  • Gênero: Drama
  • Tempo de Duração: 140 minutos
  • Ano de Lançamento (França / Bélgica/ Israel / Itália): 2005
  • Distribuição: ArtFilms
  • Direção: Radu Mihaileanu Título Original: Va, Vis et Deviens
  • Site Oficial: www.vavisetdeviens-lefilm.com
  • Estúdio: Canal+ / France 3 Cinéma / Eurimages / RTL-TVi / Ciné Cinémas / Elzévir Films / Oï Oï Oï Productions / Cattleya / K2 SA / Transfax Film Productions / Centre National de la Cinématographie / *Medusa Film S.p.a. / Kiosque / Backup Films
  • Roteiro: Alain-Michel Blanc e Radu Mihaileanu
  • Produção: Denis Carot, Marie Masmonteil, Marek Rozenbaum, Radu Mihaileanu e Itai Tamir
  • Música: Armand Amar
  • Fotografia: Rémy Chevrin
  • Desenho de Produção: Eitan Levi
  • Figurino: Rona Doron
  • Edição: Ludo Troch

Ver também [editar]

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