Valença (Rio de Janeiro)

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Município de Valença
"Princesa da Serra"
"Cidade da Seresta"
"Cidade dos Marqueses"
"Cidade da Leitura""
Bandeira de Valença
Brasão de Valença
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 29 de setembro
Fundação 1823 (190–191 anos)
Gentílico valenciano
Prefeito(a) Álvaro Cabral (PRB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Valença
Localização de Valença no Rio de Janeiro
Valença está localizado em: Brasil
Valença
Localização de Valença no Brasil
22° 14' 45" S 43° 42' 00" O22° 14' 45" S 43° 42' 00" O
Unidade federativa  Rio de Janeiro
Mesorregião Sul Fluminense IBGE/2008 [1]
Microrregião Barra do Piraí IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Barra do Piraí, Barra Mansa, Passa-Vinte (MG), Quatis, Rio das Flores, Rio Preto (MG), Santa Bárbara do Monte Verde (MG), Santa Rita de Jacutinga (MG) e Vassouras
Distância até a capital 148 km
Características geográficas
Área 1 304 813 km² [2]
População 71 843 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 55,06
Altitude 560 m
Clima Tropical de Altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,738 (15º) – alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 637 693,813 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 8 503,38 IBGE/2008[5]
Página oficial

Valença é um município brasileiro localizado no Sul do estado do Rio de Janeiro. Está a uma altitude de 560 metros.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Possui uma área de 1.304,813 km² (a segunda maior do estado do Rio de Janeiro), estando situada no Vale do Paraíba Fluminense.

Valença possui 6 distritos: Valença (sede), Barão de Juparanã, a "Cidade dos Barões" (2º distrito), Santa Isabel do Rio Preto (3º distrito), Pentagna (4º distrito) , Parapeúna (5º distrito) e Conservatória, a "Cidade das Serestas" (6º distrito).

Atualmente a sua economia está voltada especialmente para a agropecuária e para o pólo universitário existente na sede municipal.

História[editar | editar código-fonte]

A região do vale do Paraíba do Sul no Rio de Janeiro era totalmente coberta por florestas virgens no final do século XVIII.

O território da atual sede do município de Valença era habitado na época pelos índios Coroados que dominavam toda a zona compreendida entre os rios Paraíba do Sul e Preto.[6] O nome Coroados é uma denominação geral dos portugueses para todas tribos que usavam cocares em forma de coroa. Rugendas escreveu que os Coroados da região eram resultantes do cruzamento dos Coropós com os temíveis Goitacás de Campos, fato discutível, embora, segundo Debret, Coroados e Coropós fossem muitas vezes confundidos pela semelhança. Os Coroados eram divididos em Araris e Puris (ou Paris ou Purus), sendo estes últimos em menor número. Ainda havia na região outras tribos como os Tampruns e Sazaricons, igualmente chamados Coroados.[7]

O esgotamento do ouro nas Minas Gerais causou um forte fluxo migratório de mineiros para ocupação das terras virgens existentes no vale do rio Paraíba do Sul. Entretanto, as tribos de índios viviam nômades na região geravam insegurança entre os proprietários das sesmarias que eram doadas em suas terras. Os índios Coroados eram especialmente temidos pela ferocidade que exibiam em batalhas entre si e contra os portugueses.

O vice-rei do Brasil D. Luís de Vasconcelos e Souza ordenou em 1789 que fosse iniciada a catequese dos índios da região. Em 1800, o vice-rei incumbiu o fazendeiro José Rodrigues da Cruz, proprietário da fazenda Pau Grande (atualmente no município de Paty do Alferes), de "proceder à civilização" dos índios Coroados. O então capitão de ordenanças Inácio de Souza Werneck foi incumbido de "domesticar e aldear", isto é, de reunir os índios Coroados nas matas e conduzi-los para as aldeias onde deveriam se fixar. Assim foram liberadas terras que foram divididas em sesmarias e doadas ao primeiros colonizadores da região.

O vice-rei Dom Fernando José de Portugal nomeou em 1803 o padre Manoel Gomes Leal para o cargo de capelão, tendo-lhe o bispo Dom José Joaquim Justiniano conferido a jurisdição necessária para construir e benzer uma capela e cemitério. Uma modesta capela dedicada a Nossa Senhora da Glória foi construída no principal aldeamento de índios Coroados, o qual deu origem à atual cidade de Valença.[7] A aldeia de Valença foi habitada pelos Puris; a aldeia de Santo Antônio do Rio Bonito, que originou o atual distrito de Conservatória dos Índios, foi habitada pelos Araris.[7]

O aldeamento dos índios da região continuou procurando-se concentrar os aglomerados indígenas com outros índios que também perambulavam pela região.[6]

A aldeia de índios foi elevada a freguesia de Nossa Senhora da Glória de Valença por Carta Régia de 19 de agosto de 1807. O nome foi dado em homenagem ao vice-rei Dom Fernando José de Portugal, descendente dos nobres da cidade espanhola de Valência.

Todos historiadores elogiam a atuação de pessoas como José Rodrigues da Cruz, Inácio de Souza Werneck, padre Manoel Gomes Leal, Miguel Rodrigues da Silva, entre outros, no aldeamento e na proteção dos indígenas.[7] [8] [9] Entretanto, apesar de ter ocorrido de forma quase que pacífica, o aldeamento dizimou os indígenas da região. O contato com os colonizadores favoreceu a propagação de doenças contra as quais os índios não tinham imunidade. Foi especialmente danosa uma epidemia de varíola que se propagou nesta época por várias aldeias. Além disto, os colonizadores que chegavam entravam em confrontos constantes com os índios sem respeitar qualquer direito que estes tinham às suas terras. As sesmarias que foram pedidas ao vice-rei para estabelecimento dos índios sedentários nunca foram concedidas, exceto uma localizada na parte do sertão conhecida como Santo Antonio do Rio Bonito e depois como Conservatória dos Índios.[9] Assim como ocorreu com todas aldeias da província do Rio de Janeiro, no final restou apenas a população branca, que logo aumentou, atraída pela fertilidade do solo. Os poucos índios que sobraram mudaram-se para outras localidades como Pomba, São Vicente Ferrer e Carangola na província de Minas Gerais.[7]

O capitão de ordenanças Inácio de Sousa Vernek construiu várias estradas na região de Valença durante esta fase de colonização. A estrada Werneck, então chamada de Caminho da Aldeia, que foi a primeira estrada para o sertão de Valença, ia desde a cidade de Iguaçu até o norte da capitania do Rio de Janeiro, na liha divisória como Minas Gerais marcada pelo rio Preto.[8] As estradas construídas por Inácio de Sousa Vernek ligavam a aldeia de Nossa Senhora da Glória de Valença e a aldeia de Santo Antônio do Rio Bonito (atual distrito de Conservatória) com a Estrada Real para Minas Gerais e os caminhos auxiliares para as freguesias de Sacra Família do Tinguá (atual distrito do município de Engenheiro Paulo de Frontin), Azevedo e Pilar do Iguaçu, de onde seguiam para a vila de Iguaçu. Um atalho permitia seguir rumo a Itaguaí. A estrada de Polícia permitiu aos viajantes que vinham de Minas Gerais cruzar o rio Paraíba do Sul nas proximidades de Desengano (atual distrito de Juparanã, em Valença) pela então povoação de Vassouras até Sacra Família do Tinguá.[7]

Na Quaresma de 1814, a freguesia de Nossa Senhora da Glória de Valença contava com 119 fogos (casas), com 688 indivíduos adultos, sendo o total das pessoas superior a 700, sem contar os índios aldeados.[6] Em 1820, havia em Valença mais de 1.000 luso-brasileiros e cerca de 1.400 indígenas espalhados nas diversas aldeias da região.[7]

Mapa autógrafo de Inácio de Sousa Verneck mostrando os caminhos e rios do sertão de Valença em 1808

A freguesia foi elevada a vila de Nossa Senhora da Glória de Valença a 17 de outubro de 1823 abrangendo território desmembrado dos termos da cidade do Rio de Janeiro e das antigas vilas de São João Marcos do Príncipe e Resende ocorrendo a sua instalação a 12 de novembro de 1826. A cultura do café espalha-se rapidamente pela região. A produção cafeeira da província do Rio de Janeiro atingiu 5.122 contos em 1828 e superou a produção de açúcar que foi de 3.446 contos. Como comparação, a província de São Paulo, que incluía então o Paraná, produziu apenas 250 contos de café em 1825 e somente em 1886 é que irá produzir mais café do que açúcar.

Entre 1856 e 1859, a província do Rio de Janeiro produziu 63.804.764 arrobas de café, enquanto as províncias de São Paulo e Minas Gerais juntas produziram apenas um quarto deste total. Com o grande crescimento econômico devido à cafeicultura, a vila foi elevada a cidade em 29 de setembro de 1857.[6] Por volta de 1859, a cidade tinha cerca de 5.000 habitantes na sua sede e o todo o município tinha 40.000 habitantes entre homens livres e escravos.[6] A necessidade de mão-de-obra para as plantações de café fez com o município tivesse uma das maiores populações negras da então província do Rio de Janeiro, senão do Brasil. Em 1888 ainda trabalhavam na lavoura de café cerca de 25.000 escravos.[6]

A ferrovia "União Valenciana" chegou á cidade em 1871. O comércio atacadista prosperou na cidade incentivado pela facilidade de transporte e pelo desenvolvimento econômico devido à lavoura cafeeira.[6]

A super-exploração e mau uso causaram o empobrecimento do solo e a a produção de café caiu em toda região. Entre 1879 a 1884, a província do Rio de Janeiro ainda produziu 55,91% do total de café exportado pelo Brasil; porém, em 1894 a produção despencou para apenas 20% do total. O município, assim como todo o vale do Paraíba do Sul, entrou então em decadência econômica.

Entretanto, Valença foi menos afetada do que as outras cidades da região devido à ferrovia que passava pela cidade, o que propiciou a criação de indústrias por alguns empresários locais. As indústrias têxteis começaram a surgir por volta de 1909 fundadas pelos empresários José Siqueira Silva da Fonseca, Benjamin Ferreira Guimarães e Vito Pentagna.[6]

A economia local também foi estimulada em 1910 quando a Estrada de Ferro Central do Brasil encampou as operações da antiga estrada de ferro "União Valenciana". A Estrada de Ferro Central do Brasil instalou oficinas e um Depósito na cidade. Houve investimentos locais com a construção da variante de Esteves, do trecho ferroviário entre Marquês de Valença e Taboas e de Rio Preto a Santa Rita de Jacutinga. Com isto, a população aumentou e o comércio local prosperou.[6]

Ao mesmo tempo, as fazendas locais erradicaram os cafezais envelhecidos e passaram a dedicar-se á agro-pecuária. A produção leiteira prosperou na região.

Em 31 de dezembro de 1943, o topônimo Valença foi modificado para Marquês de Valença conforme Decreto-lei Estadual n.º 1056.[6] Dezesseis anos depois, pela lei estadual 3972, de 22/07/1959, o nome da cidade volta a ser simplesmente Valença.

Turismo[editar | editar código-fonte]

É uma cidade com um grande potencial voltado para a área de ecoturismo, tendo como principal ponto deste a Serra da Concórdia, que encontra-se a sudoeste da cidade e está situada entre os vales dos rios Preto e Rio Paraíba do Sul. É a única região que possui duas Unidades de Conservação públicas acrescendo de uma privada, sendo estes: Parque Natural Municipal do Açude da Concórdia e Estadual da Serra da Concórdia, o Santuário de Vida Silvestre da Serra da Concórdia e a Serra dos Mascates. Há também o Ronco D'Água, um balneário com cachoeira natural. Possui uma festa tradicional nomeada de Festa da Nossa Senhora da Glória, no mês de agosto, para homenagear a padroeira da cidade.

Além do contato com a natureza, é também uma cidade histórica cheia de cultura com várias das Fazendas do Ciclo do Café, podendo serem visitadas aproveitando assim o dia; podemos observar isso como uma de suas atrações turísticas, tais como: Casa Léa Pentagna, Catedral de Nossa Senhora da Glória, Praça Visconde do Rio Preto (apelidada de Jardim de Cima), Praça XV de Novembro (Jardim de Baixo), Museu da Arte Sacra da Catedral, Museu Capitão Pitaluga (militar), Museu da Antiga Santa Casa de Misericórdia, Prédio da Câmara Municipal de Valença, Teatro Rosinha de Valença, Igreja Nossa Senhora do Rosário, Memorial Afro, Mirante do Cruzeiro, Museu Ferroviário, Feira de Artesanato (Jardim de Cima, nos finais de semana). Estes sendo no Centro de Valença, ainda possui diversas atrações e atrativos turísticos nos arredores e no conhecido distrito de Conservatória.

Cultura[editar | editar código-fonte]

O Quilombo e as origens do samba[editar | editar código-fonte]

Quilombo São José da Serra

O Quilombo São José é uma comunidade centenária onde moram cerca de 200 afro-descendentes de uma mesma família ancestral, que, durante a escravidão, trouxe de Angola para as fazendas de café da região Sudeste do Brasil-Colônia para o Brasil a dança do Jongo.

O jongo é uma dança de roda considerada uma das origens do samba e é reconhecida pelo Governo Federal como Patrimônio Histórico Nacional.

O Quilombo São José é o berço do jongo, no Município de Valença, Rio de Janeiro, terra da lendária jongueira e sambista Clementina de Jesus.

Essa família pertence unida há 150 anos na mesma terra e mantêm ricas tradições como o jongo, a umbanda, o calango e o terço de São Gonçalo, a medicina natural, rezas e benzeduras, a agricultura familiar entre outras. A comunidade até hoje é composta inclusive por diversos idosos com mais de 90 anos e até alguns anos atrás não possuía luz elétrica. A floresta, as casas de barro com telhados de palha, o candeeiro, o ferro à brasa e o fogão de lenha ainda fazem parte do cotidiano.

No dia 2 de fevereiro de 2009, o presidente do INCRA ( Ministério de Desenvolvimento Agrário - MDA) assinou a portaria de titulação das terras Quilombo São José e encaminhou o processo para a assinatura final do Presidente Lula, última etapa para a desapropriação dessas terras, e do dia 30 de janeiro 2013, a Associação Comunidade Negra Remanescente do Quilombo da Fazenda São José da Serra, recebeu a imissão da posse de parte de seu território. A ação – baseada no Decreto Presidencial nº 4887, de 20/11/2003 –, foi ajuizada pela Procuradoria Federal Especializada/Incra em novembro de 2011. O juiz da Vara Federal de Barra do Piraí deu, finalmente, parecer favorável ao processo encaminhado pelo Incra.

A justiça reconheceu como território do Quilombo São José da Serra as seguintes áreas, que totalizam 476 hectares: Agropastoril São José da Serra, Neusa Ferraz Pinto Viana, e Mário Carvalho Pecego.Na presença do oficial de justiça, o Superintendente do Incra, Gustavo Souto de Noronha, deu à Associação Comunidade Negra Remanescente do Quilombo da Fazenda São José da Serra a imissão da posse de 155 dos 476 hectares, referentes à Neusa Ferraz Pinto Viana e Mário Carvalho Pecego, que não se opuseram à decisão da Justiça Federal.

Após o ato de imissão da posse, a equipe do Incra seguiu com o oficial de justiça para a área da Agropastoril São José da Serra, porém seu representante não foi encontrado no local. O Incra tomará as devidas providências para notificar a Agropastoril São José da Serra sobre a etapa final do processo, a fim de que deixe a Fazenda São José da Serra em curto espaço de tempo e a comunidade ocupe toda a área que lhe é de direito.[10]

A Folia de Reis: um forte elemento da cultura local[editar | editar código-fonte]

Uma outra manifestação cultural muito comum em Valença é a Folia de Reis. Realizada anualmente comemora-se o nascimento de Cristo Jesus.

A Folia de Reis foi introduzida no Brasil-Colônia pelos portugueses no século XIX. É um espetáculo popular das festas de Natal e Reis, cuja ribalta é a praça pública, a rua, podendo também ser apresentado em residências.

A Folia de Reis constitui um dos mais originais folguedos folclóricos. É uma folia conhecida também em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo. No interior, é uma dança do período natalino em comemoração aos nascimento do Menino Jesus e em homenagem aos Reis Magos: Gaspar, Melchior e Baltasar, que levaram ouro, incenso e mirra, que representam as três dimensões de Cristo (realeza, divindade e humanidade).

Existem em Valença inúmeros grupos de Folia de Reis que se apresentam todos os anos, no dia de Reis, (6 de janeiro) e se reúnem na Catedral de N.S. da Glória no Encontro de Foliões.

A Folia de Reis é composta por quatro a seis mascarados, que brincam e entretêm a festa. Eles também devem proteger o Menino Jesus e confundir os soldados de Herodes. Uma orquestra de violas, banjos, violões, zabumba, Triangulos, pandeiros, maracás e sanfonas pulsam na regularidade de um organismo. Seus acordes servem de orientação as vozes e ordenam a evolução do espetáculo. O tempo da toada é circular, um convite ao desprendimento mundano e a busca de uma aliança com o divino. A paleta acorda o cavaquinho para ressoar um som que deve agradar o ouvido dos santos. A história narrada por intermédio de cantos são contadas por um solista e um coro responde a ele em uníssono por repetidas vezes.[11]

Seresta: música e tradição[editar | editar código-fonte]

A seresta é muito comum em Conservatória, distrito do município e até mesmo na sede municipal.

A história conta que, no período de 1860 a 1880, com o desenvolvimento de Conservatória, devido às grandes lavouras de café e ao escoamento das produções de Minas Gerais, a influência da côrte trouxe para a Vila alguns professores de música, principalmente de piano e violino, instrumentos que a alta sociedade desfrutava àquela época. Daí, sabe-se que professores de música: Venâncio da Rocha Lima Soares, Carlos Janin, Geth Jansen e Andréas Schmidt ficaram famosos, principalmente este último, que era virtuoso no violino. Os artistas da côrte vinham periodicamente a Conservatória fazer saraus, quando alegravam as famílias dos nobres que habitavam estas paragens. Esses artistas, em noites enluaradas se reuniam na Praça da Matriz, ao lado do chafariz, do poste de luz a querosene e dos bancos da praça e faziam uma verdadeira serenata aos fazendeiros, barões e suas famílias e o povo se postava à distância assistindo e aplaudindo.

Foi na década de 50, com a partida do notável seresteiro Emérito Silva ("Merito"), que Joubert e José Borges assumiram, gradualmente, a liderança da serenata. José Borges formou-se advogado e Joubert em professor de matemática. Trabalharam nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa época as serenatas aconteciam apenas no período das férias escolares e nos feriados prolongados, porém, diariamente.

Foi por volta da década de 60, na residência de José Borges, na rua Oswaldo Fonseca, que os amantes da boa música começaram a se reunir antes das serenatas e isso formou um hábito e as lembranças e fotos antigas começaram a ser colocadas em suas paredes, tornando-se o ponto de encontro dos seresteiros. O povo começou a chamar esse local de "Museu da Seresta" que surgiu por acaso, não foi planejado, aconteceu. Nessa velha casa de apenas uma porta e duas janelas, bem altas, construção antiga com seus beirais enormes, telhas coloniais, é que se encontra todo um mundo de saudades e de recordações com um completo documentário sobre as serenatas de Conservatória. Velhos discos, fotografias, recortes de jornais, livros, pinturas de vários artistas sobre Conservatória, troféus, mensagens de carinho, formando um acervo riquíssimo sobre músicas de serenatas. E a serenata foi se tornando cada vez mais conhecida. As notícias nos jornais sobre o romantismo existente em Conservatória aumentava sem parar. Novos seresteiros continuaram a despontar.

Na década de 70 surgiu o projeto das plaquinhas de metal colocadas nas esquinas, constando além do nome da música, o nome do compositor. O intuito era imortalizá-lo. Era o início do projeto "em cada esquina uma canção", (frase esta criada para sentir a opinião da população local com relação às plaquinhas), idealizado pelos irmãos Freitas. Os moradores se interessaram e quiseram uma plaquinha com o nome de sua música preferida fixada em suas residências. E cada vez mais, num crescente constante, Conservatória passou a respirar música, amor e poesia, tornando-se a "Vila das ruas Sonoras" e, o projeto inicial "em cada esquina uma canção", transformou-se para "em toda casa uma canção".

O substancial número de turistas todos os finais de semana provocou modificações na serenata, que evoluiu do canto à janela da amada, no silêncio da madrugada, até a emocionante confraternização musical que acontece atualmente, pelas ruas do centro urbano, nas noites de sextas e sábados e, mais recentemente, nas manhãs de domingo.

Fiéis a tradição, os "cantadores" e "violeiros" apresentam-se sem qualquer ajuda de equipamento eletrônico, contando exclusivamente com a participação dos visitantes, seja para acompanhar na cantoria, ou para fazer silêncio, de forma que todos possam ouvir. Ao visitar Conservatória, descobre-se a diferença entre seresta e serenata: a primeira refere-se ao canto em ambiente fechado, a segunda, ao canto sob o sereno, à luz das estrelas e do luar. É a serenata que diferencia Conservatória de qualquer outro lugar do país. No entanto, divulgações equivocadas, referem-se a Conservatória como "Cidade das Serestas" quando o mais correto seria "Cidade das Serestas e Serenatas", ou simplesmente "Capital da Serenata", no dizer do jornalista Gianni Carta, em publicação na Inglaterra.

Cultura jovem[editar | editar código-fonte]

Como já foi mostrado, Valença tem uma evidente cultura musical devido às muitas heranças por ela recebida. A seresta, o jongo, o chorinho, o samba fazem parte da cultura da cidade por parte de sua história como uma grande cidade cafeeira. Entretanto, o rock alternativo, o heavy metal, o funk, o pagode e outros estilos tem feito parte do cotidiano da cidade. Existem vários grupos musicais em crescimento nos mais diversos estilos, dando destaque ao funk e ao pagode. D&L Existe também em Valença, algumas casas noturnas e bares onde os jovens se reúnem para aproveitar o fim de semana . Devemos dar destaque aos eventos que acontecem e/ou aconteceram como por exemplo a "Underfest" e o "Metalfest", que reúnem várias bandas de heavy-metal e hard-rock da cidade, passando pelo punk e grunge; o "Festival de Inverno de Valença", que, promovido pela Rede Jovem Valenciana, visava reunir arte como artesanatos, dança e etc com música, em especial, serestas, bossa nova, MPB e samba[12] e o projeto "Café, Cachaça e Chorinho", que também era realizado em outras cidades do Vale do Café.[13]

Educação[editar | editar código-fonte]

Fundação Dom André Arcoverde CESVA: Centro de Ensino Superior de Valença[editar | editar código-fonte]

A Fundação Educacional Dom André Arcoverde foi iniciada a partir do projeto do vereador Prof. Miguel Augusto Pellegrini no dia 29 de março de 1965. Seu nome presta uma homenagem ao bispo da diocese de Valença, nos anos de 1925 à 1936, Dom André Arcoverde, que foi um dos primeiros educadores da cidade. A Fundação Educacional Dom André Arcoverde, cuja sigla é FAA, foi criada em Assembleia Geral no dia 3 de julho de 1966, como pessoa jurídica de direito privado sendo uma entidade educativa de natureza filantrópica, com sede e foro na cidade de Valença. A FAA é a mantenedora do Centro de Ensino Superior de Valença (CESVA) que reúne várias faculdades e um colégio.

Dentre os cursos superiores por ela mantido, os que se destacam são os cursos de direito, medicina, medicina veterinária, história, pedagogia, economia, odontologia, enfermagem e outros mais.

Colégio Valenciano São José de Aplicação[editar | editar código-fonte]

O Colégio São José, assim como o CESVA, é mantido pela FAA sendo autorizado a funcionar no dia 6 de junho de 1968. No colégio funcionam o Ensino Médio, nos horários da manhã e da tarde e Educação Profissional - Curso Técnico de Enfermagem durante a noite.

Instituto de Educação Deputado Luiz Pinto[editar | editar código-fonte]

É uma tradicional instituição de ensino da cidade, funciona desde o ano de 1964. Desde sua fundação é oferecido o Curso Normal, hoje denominado Magistério ou Curso de Formação de Professores. Até o ano de 2007 a escola mantinha as séries iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil em seu prédio anexo, entretanto essas foram municipalizadas deixando apenas as séries do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Magistério e o prédio anexo conhecido Prédio Rosa, por ser da cor rosa, foi ameaçado de passar para prefeitura.

A municipalização das séries iniciais causou muita polêmica e geral diversas manifestações por parte de professores e alunos.[14]

Colégio Sagrado Coração de Jesus[editar | editar código-fonte]

É um dos mais antigos e tradicionais colégios de Valença. É uma instituição religiosa administrada pela Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência fundada pela Beata Madre Teresa Grilo Michel, na Itália. É também, uma instituição muito antiga, pois tem 80 anos de idade e na atualidade o colégio oferece as modalidade do Maternal até o Ensino Médio.

Artesanato Nossa Senhora Aparecida[editar | editar código-fonte]

É mais um tradicional colégio da cidade, iniciando os seu trabalhos com aulas de artes tendo logo depois o Ensino Fundamental. Foi, assim como o Colégio Sagrado Coração de Jesus, fundado por Irmãs, que construíram um amplo prédio em um terreno doado pela Família Jannuzzi.

No início da década de 1980, o colégio deixou de ser Noviciado, mas continuou sendo Casa de Formação, acolhendo Aspirantes e Postulantes. Nesse período entrou em atividade a Educação Infantil e a Classe de Alfabetização. No ano de 1984, iniciou-se uma obra de atendimento à crianças e adolescentes carentes da cidade e arredores.

Desde 1993, o colégio recebeu a autorização de ministrar o Ensino Fundamental de 1ª a 4ª séries, sendo que a partir de 1999 encaminhou-se a implantação de 5ª a 8ª série, que hoje se torna disponível.

Associação Balbina Fonseca / Escola Municipal Balbina Fonseca[editar | editar código-fonte]

A Associação Balbina Fonseca mantém, em conjunto com a Prefeitura Municipal, a Escola Municipal Balbina Fonseca. Foi fundada no dia 1º de março de 1939 pelo Comendador José Siqueira Silva da Fonseca, em homenagem a sua esposa Balbina Fonseca. Atualmente funciona apenas o Ensino Fundamental no colégio. Possui um grande ginásio poliesportivo que leva o nome do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio, José Gomes Graciosa; e agora possui também um teatro super equipado que leva o nome de Paulo Demarchi Gomes; e junto a todo o projeto educacional, a Banda de Tambores da ABF veio com o intuito de trazer lazer e diversão, a quem deseja participar, e muito mais.

Colégio Estadual Theodorico Fonseca[editar | editar código-fonte]

O Colégio Theodorico Fonseca é uma das obras arquitetônicas históricas mais antigas da cidade. A princípio não era uma escola, mas sim, a casa de um rico francês chamado Seule que vendeu o imóvel ao seu vizinho Manoel Jacinto Soares Vivas. Vivas vendeu o imóvel para o Visconde do Rio Preto, que era um dos maiores cafeicutores da região de Valença. O colégio em si só foi tomar forma quando a Viscondessa do Rio Preto vendeu o palacete para quitar algumas dívidas. Após isso, o palacete se tornou Clube Recrativo de Valença, no ano de 1893 sendo vendido e alugado por algumas pessoas.

Em 1902, o Sr. José Facieira compra o palacete e funda o Colégio Cruzeiro do Sul. No ano de 1905, o patrimônio foi transferido a D. Maria Rita de Melo Faceira por falecimento de seu marido.

Em 1908, a viúva vende ao Comendador Antonio Jannuzzi, que posteriormente foi doado à Igreja Presbiteriana de Valença. Jannuzzi, que era presbiteriano, transformou o palacete em Atheneu Valenciano Presbiteriano.

No ano de 1925 a Igreja Presbiteriana vende o imóvel para o Coronel Manoel Joaquim Cardoso, que o incorporou à sua firma transformando o então Ateneu Presbiteriano na Pensão de Dona Carola.

Em 1938, o imóvel é adquirido pela Associação Protetora da Criança (Associação Balbina Fonseca) de José Fonseca que realiza grandes reformas internas no casarão. Ele o transforma mais uma vez em colégio, popularmente chamado de abrigo ou Lar José Fonseca.

Com o fechamento do abrigo, o casarão passa a ser ocupado pelo Colégio Estadual Theodorico Fonseca, situação que se encontra atualmente. Em 2000, o Governo do Estado do Rio de Janeiro desapropria o imóvel, permanecendo assim com a mesma função. Hoje o Theodorico Fonseca oferece apenas as séries secundárias do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries), no horário da manhã, Ensino Médio no horário da tarde e Ensino Médio e Técnico à noite.[15]

Colégio Estadual Benjamim Guimarães[editar | editar código-fonte]

O Colégio Benjamim Guimarães teve início no ano de 1921 com este nome. Entretanto, assim como o Theodorico Fonseca, o colégio passou por várias fases. O Benjamim Guimarães foi fundado em 1900, quando o Governo criou o Grupo Escolar Alonso Adjunto, porém um lamentável incêndio destruiu por completo o colégio na noite de 29 de junho de 1901. Em 1919, por iniciativa do Presidente do Estado Raul de Moraes Veiga, é reconstruído no mesmo local o Grupo Escolar Casimiro de Abreu. Pelo decreto de nº 208 de 30/08, o Grupo Escolar passa a se chamar Cel. Benjamim Guimarães.

Atualmente o colégio dispõeEnsino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Médio Profissionalizante.[16]

Outras Instituições[editar | editar código-fonte]

Existem outros cursinhos, supletivos, colégios importantes como o Colégio Estadual José Fonseca, o Colégio Estadual Dr. Oswaldo Terra , o Colégio Estadual Coronel Benjamin Guimarães, o Centro de Ensino Supletivo, o Centro Interescolar de Agropecuária Monsenhor Tomás Tejerina de Prado mais conhecido com Pólo Agrícola, o Colégio LAF e tantos outros.


Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 29 de Julho de 2013..
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  6. a b c d e f g h i j História de Valença. Visitado em 1 de outubro de 2008.
  7. a b c d e f g IORIO, Leoni. "Valença de Ontem e Hoje - 1789-1952 – Subsídios para a História do Município de Marquês de Valença" – 1ª. edição. Juiz de Fora/MG:Companhia Dias Cardoso, 1953.
  8. a b CASTRO, Maria Werneck de. "No Tempo dos Barões". Rio de Janeiro: Bem-te-vi Produções Literárias, 2006. pp.78-80
  9. a b BRAGANÇA Júnior, Álvaro Alfredo. "O Topônimo Conservatória à Luz da Corrente 'Wörter und Sachen'" (Visitada em 2 de outubro de 2008)
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  12. www.overmundo.com.br/…/ii-festival-de-inverno-de-valenca
  13. www.cafecachacaechorinho.com
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]