Vanguarda Popular Revolucionária
A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foi uma organização de luta armada brasileira de extrema esquerda que lutou contra o regime militar de 1964 no Brasil visando à instauração de um governo de cunho socialista no país, formou-se em 1966 a partir da união dos dissidentes da organização Política Operária (POLOP) com militares remanescentes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR).
Na visão de Élio Gaspari, a organização utilizava táticas de guerrilha urbana e de terrorismo[1], tendo como objetivo a derrubada da ditadura militar e a instalação de um regime socialista, segundos os moldes marxistas-leninistas no Brasil[2].
Índice |
[editar] História
De sua fusão com o Comando de Libertação Nacional (Colina), deu origem à VAR-Palmares (em homenagem ao Quilombo dos Palmares). A VPR se recompôs posteriormente, deixando a VAR-Palmares e, em 1970, passando a organizar um campo de treinamento de guerrilheiros no vale do Ribeira.
Em 1970 começou a organizar um campo de treinamento de guerrilheiros no vale do Ribeira. A segunda área utilizada com este propósito (a primeira foi abandonada por inadequação) acabou sendo descoberta pelo DOI-Codi/RJ, seguindo-se uma caçada que mobilizou cerca de 5 mil militares.
[editar] Dissolução
A VPR optou pela auto-dissolução em 1971, após a morte de José Raimundo da Costa, último comandante da VPR, cuja a localização foi indicada por Cabo Anselmo, um agente do DOPS infiltrado.
[editar] Ações
Para financiar a luta contra a ditadura militar brasileira, a VPR promovia assaltos armados e roubos de banco.
Membros da VPR, constantemente faziam trabalho de divulgação e conscientização da população com o intuito de mostrar os males que a Ditadura causara ao país.
A organização participou de assaltos e do sequestro do embaixador suíço, Giovanni Enrico Bucher, em Dezembro de 1970, e também foi responsável pelo sequestro do consul-geral do Japão em São Paulo, Nobuo Okuchi, em Março daquele ano. Esses sequestros ocorreram com o intuito de libertar presos políticos. Também assassinou em 26 de junho de 1968 o soldado Mário Kozel Filho num atentado ao Quartel General do II Exército, em São Paulo.
Referências
- ↑ Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968, coluna de Elio Gaspari na Folha de S. Paulo (12 de março de 2008)
- ↑ Gaspari, Elio (2002), A Ditadura Escancarada: As ilusões armadas, 507 páginas, Editora Companhia das Letras. ISBN ISBN 8535902996 “página 193: A luta armada fracassou porque o objetivo final das organizações que a promoveram era transformar o Brasil numa ditadura, talvez socialista, certamente revolucionária. Seu projeto não passava pelo restabelecimento das liberdades democráticas. Como informou o PCBR: "Ao lutarmos contra a ditadura devemos colocar como o objetivo a conquista de um Governo Popular Revolucionário e não a chamada redemocratização". Documentos de dez organizações armadas, coletados por Daniel Aarão Reis Filho e Jair Ferreira de Sá, mostram que quatro propunham a substituição da ditadura militar por um "governo popular revolucionário" (PC do B, Colina, PCBR e ALN). Outras quatro (Ala Vermelha, PCB, VAR e Polop) usavam sinônimos ou demarcavam etapas para chegar àquilo que, em última instância, seria uma ditadura da vanguarda revolucionária. Variavam nas proposições intermediárias, mas, no final, seu projeto resultaria num "Cubão".”
[editar] Bibliografia
- CHAGAS, Fábio Gonçalves. A Vanguarda Popular Revolucionária: dilemas e perspectivas da luta armada no Brasil. Franca, 2000. [Dissertação de mestrado] Universidade Estadual Paulista.