Vantagem comparativa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Em economia, a teoria das vantagens comparativas (ou princípio da vantagens comparativas) explica por que o comércio entre dois países, regiões ou pessoas pode ser benéfico, mesmo quando um deles é mais produtivo na fabricação de todos os bens. O que importa aqui não é o custo absoluto de produção, mas a razão de produtividade que cada país possui. O conceito é muito importante para a teoria do comércio internacional moderno.[1]

Na vantagem absoluta, cada país se concentra em um nicho baseado nestas vantagens, beneficiando-se com a especialização em setores nos quais é mais eficiente, e comercializando os seus produtos com outros países. [2]

Pela teoria das vantagens comparativas, mesmo que um país não possua vantagem absoluta, ele pode especializar-se nos setores em que apresenta vantagem comparativa.

Um conceito relacionado é a vantagem competitiva.

Teoria[editar | editar código-fonte]

A teoria foi formulada por David Ricardo, que criou uma explicação sistemática no seu livro The Principles of Political Economy and Taxation (1831), obra onde se deu início a análise de comércio internacional, onde este passa a ser regido pelas vantagens comparativas e não pelas vantagens absolutas, como acreditava Adam Smith (1776). Através da análise ricardiana é possível perceber que tudo remonta às falhas na teoria smithiana de preços. David Ricardo (1831) usa como exemplo Inglaterra e Portugal. Onde em Portugal, é possível produzir tanto vinho quanto tecidos com menos trabalho do que na Inglaterra. A produtividade relativa de Portugal e Inglaterra pode ser medida através da relação do quanto de trabalho é necessário empregar para cada unidade produzida do bem, onde esta relação representa os denominados coeficientes técnicos de trabalho. Analisando a relação de Portugal e Inglaterra, e vendo que o primeiro produz ambos os bens com menos trabalho do que a Inglaterra pode-se afirmar que este último possui as chamadas vantagens absolutas, estas vantagens refletem a produção em unidades absolutas, não medindo, portanto o custo relativo da produção, o qual é comparado com o salário de cada país. Agora é possível demonstrar a relação entre os coeficientes técnicos de trabalho e das vantagens absolutas. Os coeficientes técnicos de trabalho são dados pelo inverso da produtividade apresentada, isto é, se no caso da Inglaterra, ela possui uma produtividade relativa de 50 vinhos por hora de trabalho, então o coeficiente técnico deste será dado por a1* = 1/50 = 0,02. Ao passo que Portugal, por ter uma produtividade relativa menor, apresentaria um coeficiente técnico de trabalho maior, isso mostra que um país que possui vantagens absolutas num bem apresentará um coeficiente técnico de trabalho menor em comparação ao outro país, que não possui tal vantagem. Agora é possível avaliar quanto irá ser produzido dos bens 1 e 2 em cada país. As quantidades destes bens, Q1 e Q2, são determinadas através da relação entre o trabalho empregado em cada um dos bens, que em conjunto representam o trabalho total da economia, e da demanda das firmas pela tecnologia, a qual é dada pelo coeficiente técnico de trabalho. Assim o conjunto das combinações de quantidades produzidas representa o mix de produtos, o qual compõe a denominada Fronteira de Possibilidades de Produção. As quantidades produzidas apresentam uma relação negativa com tal fronteira, devido à escassez de trabalho. Podemos interpretar esta escassez a partir da situação em que, os produtores só conseguem atrair mais trabalho pagando salário melhor, tal fenômeno motivaria os trabalhadores a abandonarem um setor e irem para outro, sendo que o custo de se produzir mais de um bem representa abandonar parte da produção de outro bem, isto é chamado de custo-oportunidade. Assim um país possuirá uma inclinação mais achatada na FPP conforme seu custo-oportunidade for menor, no caso entre Inglaterra e Portugal, o primeiro apresentará uma FPP mais chata quanto estiver relacionada a vinho, evidenciando um menor custo de produção deste bem neste país quando comparado a Portugal.[3] [1]

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Os seguintes exemplos formam situações hipotéticas que explicam o raciocínio por trás da teoria da vantagem comparativa.[2]

Exemplo 1[editar | editar código-fonte]

Pedro e José vivem sozinhos numa ilha isolada. Para sobreviver, é necessário que eles realizem algumas atividades econômicas básicas como transportar água, pescar, cozinhar, e construir um lar. Pedro é jovem e muito mais forte, rápido, e mais produtivo em todas atividades do que José, que é velho, fraco e improdutivo. Das atividades econômicas mencionadas, Pedro tem uma vantagem absoluta sobre José.

Apesar do fato de Pedro ter uma vantagem absoluta em tudo, não é de seu interesse (e muito menos de José) que se isolem para conduzir todas atividades econômicas por conta própria. Se os dois homens dividirem o trabalho de acordo com suas vantagens comparativas, Pedro se concentrará nas atividades em que ele é mais produtivo. No caso, transportar água e construir um lar. Enquanto José se concentrará em pescar e preparar a comida. Mesmo que Pedro conseguisse pescar e cozinhar de maneira muito mais eficaz que José, ele irá dedicar todo seu tempo para a construção e coleta de água, e deixará a comida por conta de José. E no fim, por meio de uma troca voluntária de bens e serviços, ambos estarão numa condição muito melhor do que se conduzissem essas mesmas atividades por conta própria.

Exemplo 2[editar | editar código-fonte]

Suponhamos que nos 2 países, Abacatópolis e Jacalândia, produzam e consumam 2 produtos: Arroz e Tijolo. A eficiência de produção anual de ambos países difere da seguinte maneira:

Se ambos produzissem somente Arroz a produção anual seria a seguinte:

  • Abacatópolis: 100 toneladas
  • Jacalândia: 200 toneladas

Se ambos países produzissem somente Tijolo, a produção anual de cada pais seria:

  • Abacatópolis: 50 toneladas
  • Jacalândia: 400 toneladas

Jacalândia tem uma vantagem absoluta de produção sobre Abacatópolis. A primeira impressão seria que não há benefício mutuo de troca entre as economias, já que Jacalândia é mais eficiente em tudo. Mas isso seria se não levássemos em consideração o custo de oportunidade que ambos países apresentam. Em Jacalândia, para cada 1 tonelada de Arroz produzida, o custo de oportunidade seria 2 toneladas de Tijolo. Em Abacatópolis para cada 1 tonelada de Arroz produzida, o custo de oportunidade seria 0,5 toneladas de Tijolo. Como se observa na produção de arroz, o custo de oportunidade de Abacatópolis é menor do que o de Jacalândia. Portanto na produção de Arroz, Abacatópolis tem uma vantagem comparativa sobre Jacalândia.

Se os dois países se especializarem nas áreas de produção que têm o menor custo de oportunidade, ambos se beneficiarão mutuamente por meio de troca. Para demonstrar como acontece esse processo segue o exemplo:

Presumimos que não há troca e ambos somente consomem o que produzem:

Produção e Consumo Sem Troca
País Arroz Tijolo
Abacatópolis 50 25
Jacalândia 100 200
TOTAL 150 225

Se ambos se especializarem nos produtos em que tenham vantagem comparativa, suas produções seriam as seguintes:

Produção Com Troca
País Arroz Tijolo
Abacatópolis 100 0
Jacalândia 50 300
TOTAL 150 300

Observa-se que com a especialização e troca de produtos, a produção de Arroz continua a mesma e há mais 75 toneladas de Tijolo produzidas.

Crítica[editar | editar código-fonte]

A teoria ricardiana recebeu críticas da corrente estruturalista (escola cepalina) de Raúl Prebisch por desconsiderar a dinâmica de longo prazo dos preços dos bens cuja produção foi especializada pelos países. Além disso, a teoria não leva em conta outras questões, como o custo de transporte e ganhos de escala.[4]


Referências

  1. a b A TEORIA DO COMÉRCIO INTERNACIONAL
  2. a b Teoria do comércio Internacional
  3. Diferenças Tecnológicas e Vantagens Comparativas: O modelo Ricardiano
  4. O pensamento da CEPAL nos anos 1950

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal
A Wikipédia possui o
Portal da economia.