Vasile Alecsandri

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Vasile Alecsandri
Nascimento 21 de julho de 1821
Bacău
Morte 22 de agosto de 1890 (69 anos)
Mirceşti
Nacionalidade Roménia romeno
Ocupação poeta, dramaturgo, político, diplomata
Assinatura Alecsandri signature.png
Selo romeno, Vasile Alecsandri, 1965.

Vasile Alecsandri (Bacău, 21 de julho de 1821Mirceşti, 22 de agosto de 1890) foi um poeta, dramaturgo, político e diplomata romeno. Coletou canções folclóricas romenas e foi um dos principais animadores do movimento do século XIX para a identidade cultural romena e união da Moldávia e Valáquia.[1]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Alecsandri nasceu em Bacău, na Moldávia, em uma família de latifundiários. Seus pais eram Vasile Alecsandri e Elena Cozoni, e sua mãe era filha de um comerciante greco-romeno. Seus pais tiveram sete filhos, dos quais três sobreviveram: uma filha, Catinca, e dois filhos, Iancu - um futuro coronel do exército - e Vasile.

A família prosperou no lucrativo negócio do sal e no comércio de cereais. Em 1828, compraram uma grande propriedade em Mirceşti, um vilarejo perto do rio Siret. O jovem Vasile passou algum tempo lá estudando com um dedicado monge de Maramureş, Gherman Vida, e brincando com Vasile Porojan, um menino cigano que se tornou um amigo querido. Mais tarde os dois personagens iriam aparecer em sua obra.

Entre 1828 e 1834, estudou no 'pensionnat' de Victor Cuenim, uma escola de elite para meninos em Iaşi. Mudou-se para Paris em 1834, onde se interessou por química, medicina e direito, mas logo abandonou tudo em favor do que chamou de sua "paixão ao longo da vida", a literatura. Escreveu seus primeiros ensaios literários, em 1838, em francês, que aprendeu com perfeição durante a sua estadia em Paris. Depois de um breve regresso ao seu país, partiu novamente para a Europa ocidental visitando a Itália, Espanha, e o sul da França.

Interesse romântico[editar | editar código-fonte]

Um ano depois, Alecsandri participou de uma festa comemorando o dia do nome de Costache Negri, um amigo da família. Ficou apaixonado pela irmã de Negri. Os vinte e um anos de idade e há pouco tempo divorciada, Elena Negri respondeu com entusiasmo às declarações de amor do jovem de vinte e quatro anos. Alecsandri começou a escrever poemas de amor até que uma doença súbita forçou Elena a viajar para Veneza. Ele encontrou com ela lá, onde compartilhavam dois tórridos meses.

Atravessaram a Áustria, Alemanha, e França. A doença no peito de Elena se agravou em Paris, e após um breve período na Itália, os dois embarcaram em um navio francês para voltar para casa em 25 de abril de 1847. A tragédia se abateu sobre o navio, quando Elena morreu nos braços de seu amado. Alecsandri canalizou seu pranto em um poema, "Steluţa" (Estrelinha). Mais tarde, dedicou-lhe sua coleção de poemas, "Lăcrimioare" (Pequenas Lágrimas).

Envolvimento político[editar | editar código-fonte]

Em 1848, se tornou um dos líderes do movimento revolucionário baseado em Iaşi. Escreveu um poema, muito lido na época, incitando o público a aderir à causa, "Către Români" (Para os romenos), mais tarde renomeado para "Deşteptarea României" (O Despertar da Romênia). Juntamente com Mihail Kogălniceanu e Costache Negri, escreveu um manifesto do movimento revolucionário na Moldávia, "Dorinţele partidei naţionale din Moldova" (Desejos do Partido Nacional da Moldávia).

Contudo, como a revolução fracassou, fugiu da Moldávia através da Transilvânia e da Áustria, indo até Paris, onde continuou a escrever poemas políticos.

Realizações literárias[editar | editar código-fonte]

Depois de dois anos, retornou para uma encenação triunfal de sua nova comédia, "Chiriţa în Iaşi". Percorreu o interior da Moldávia, coletando, revisando, e organizando uma vasta gama de folclore romeno, que publicou em duas etapas, em 1852 e em 1853. Os poemas incluídos nestas duas coleções muito populares tornaram-se a pedra angular da identidade emergente romena, especialmente as baladas "Mioriţa", "Toma Alimoş", "Mânăstirea Argeşului", e "Novac şi Corbul". Seu volume de poesia original, "Doine şi Lăcrămioare", cimentou a sua reputação.

Amplamente reverenciado nos círculos culturais romenos, supervisionou a fundação da "România Literară", para a qual contribuíram escritores da Moldávia e da Valáquia. Foi um dos unionista mais atuantes, apoiando a união das duas províncias romenas, Moldávia e Valáquia. Em 1856, publicou no jornal de Mihail Kogălniceanu, o Steaua Dunării, o poema "Hora Unirii", que se tornou o hino do movimento de unificação.

Novo interesse romântico[editar | editar código-fonte]

Ion Ghica (sentado) e Vasile Alecsandri, fotografados em Istambul (1855).

O final de 1855 viu Alecsandri perseguindo um novo interesse romântico, apesar das promessas feitas a Elena Negri em seu leito de morte. Aos trinta e cinco anos, o poeta de renome e agora figura pública apaixonou-se pela jovem Paulina Lucasievici, filha de um estalajadeiro. O romance se movia a uma velocidade relâmpago: passaram a morar juntos na casa de Alecsandri em Mirceşti e, em 1857, nasceu sua filha Maria.

Realização política[editar | editar código-fonte]

Alecsandri achou satisfação no avanço das causas políticas que há muito defendia. As duas províncias romenas uniram-se e Alecsandri foi nomeado ministro das Relações Exteriores por Alexandru Ioan Cuza. Percorreu o Ocidente, pleiteando a alguns de seus amigos e conhecidos em Paris, o reconhecimento da recém-formada nação e o apoio ao seu surgimento na turbulenta região dos Balcãs.

Retiro em Mirceşti[editar | editar código-fonte]

As visitas diplomáticas cansaram-no. Em 1860, estabeleceu-se em Mirceşti para o que seria o resto de sua vida. Casou-se com Paulina mais de uma década e meia depois, em 1876.

Entre 1862 e 1875, Alecsandri escreveu quarenta poemas líricos, incluindo "Miezul Iernii, "Serile la Mirceşti, "Iarna," "La Gura Sobei", "Oaspeţii Primăverii", e "Malul Siretului". Interessou-se também por poemas épicos, reunidos na coletânea "Legende", e dedicou uma série de poemas para os soldados que participaram da Guerra de Independência da Romênia.

Em 1879, o seu drama "Despot-Vodă" recebeu o prêmio da Academia Romena. Continuou a ser um escritor prolífico, terminando uma comédia fantástica, "Sânziana şi Pepelea," (1881) e dois dramas, "Fântâna Blanduziei" (1883) e "Ovidiu" (1884).

Em 1881, escreveu Trăiască Regele (Longa Vida ao Rei), que se tornou o hino nacional do Reino da Romênia até a abolição da monarquia em 1947.

Após sofrer muitos anos de câncer, Alecsandri morreu em 1890 em sua propriedade em Mirceşti.

Referências

  1. Christopher John Murray. Encyclopedia of the Romantic Era, 1760-1850. [S.l.]: Taylor & Francis, 2004. isbn 1579584233

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

  • G. C. Nicolescu, "Viaţa lui Vasile Alecsandri" Bucareste, 1975