Vazio urbano

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Vazios urbanos constituem-se normalmente de espaços não construídos e não qualificados como áreas livres no interior do perímetro urbano de uma cidade. A definição, no entanto, varia entre diferentes autores: espaços como parques podem eventualmente ser considerados "vazios urbanos" em algumas definições e noutras não, visto que constituem-se de espaços urbanos com função social. Da mesma forma, também podem ser considerados "vazios urbanos" grandes vazios demográficos em áreas urbanas densamente construídas - o que rompe que a idéia de que "vazio urbano" seja um espaço sem construção alguma. Processos como os de gentrificação, degradação e abandono do Estado de algumas regiões urbanas levam à sua desocupação parcial ou total, ou à substituição do perfil populacional, reduzindo as densidades locais. Desta forma, áreas que antes eram densamente ocupadas podem vir a se transformar em vazios populacionais no interior das cidades.

Grandes espaços efetivamente vazios também podem ser resultado da transformação de usos urbanos, como os de antigas áreas ferroviárias, portuárias e fabris. Em cidades que passaram por alteração do perfil econômico nas últimas décadas do século XX (especialmente naquelas de perfil industrial que passaram a apresentar caráter predominantemente terciário), notam-se normalmente grandes espaços abandonados e estruturas construídas vazias, como galpões, páteos de manobra e logística, docas, entre outros, que agora não mais possuem função e encontram-se ociosos. Na bibliografia anglófona, tais regiões costumam ser chamadas brownfields.

Vazios urbanos demográficos[editar | editar código-fonte]

Países periféricos[editar | editar código-fonte]

Metrópoles brasileiras[editar | editar código-fonte]

Vandalismo em um edifício do Centro de São Paulo, a região menos populosa da cidade e aquela com maior índice de vacância imobiliária.

O centro de São Paulo, por exemplo, pode ser tomado como um caso paradigmático de "vazio demográfico", quando comparado a alguns bairros periféricos. A população de baixa renda tem sofrido pressão econômica, dado o aumento do preço da terra nas áreas centrais e pericentrais, para que passasse a ocupar áreas cada vez mais periféricas, como aquelas dos extremos Leste e Sul. Enquanto a região central possui 374.002 habitantes, a Zona Leste(englobando as três divisões que a mesma possui) conta com 4.244.882 habitantes (ou seja, se fosse uma cidade, seria a 3ª mais populosa do Brasil), a zona sul (englobando sua divisões em sul e centro-sul) possui 2.770.396 habitantes, a zona norte (englobando sua subdivisões) conta com 2.404.604 habitantes e a zona oeste com 888.623 habitantes. Os dados demográficos do IBGE e de instituições como SEADE e Emplasa indicam a origem da situação: nos últimos anos o decréscimo populacional na zona central chegou a 20% e, ao mesmo tempo, um aumento de 25% na população da zona sul,[1] que adensa-se ainda mais. Este fenômeno está associado ao aumento do número de favelas e de ocupação irregular de mananciais, visto que tais populações não têm acesso às terras urbanizadas formais. Algumas das áreas centrais, no entanto, passam a apresentar baixos índices de densidade e ocupação imobiliária, podendo vir a ser configuradas como "vazios".

Outras metrópoles que sofreram com o esvaziamento populacional das áreas centrais foram Rio de Janeiro e Salvador. No caso da capital fluminense, a população mais carente migrou para outras áreas da cidade, aumentando muito o número de favelas, apesar de se manterem próximos ao centro alguns bolsões de pobreza.

Países centrais[editar | editar código-fonte]

Metrópoles estadunidenses[editar | editar código-fonte]

Em Nova Iorque, a população mais carente vive em conjuntos habitacionais, edifícios mais simples ou guetos na ilha de Manhattan, no centro da cidade, e no distrito de Bronx, o mais pobre e violento da cidade. Enquanto os habitantes de maior renda vivem em subúrbios, muitas vezes em cidades vizinhas, além daqueles que habitam os grandes edifícios de luxo da região central.

Referências

  1. Dados baseados na comparação entre os Censos do IBGE de 1991 e de 2000.

Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • VILLAÇA, Flávio; Espaço intra-urbano no Brasil; São Paulo: Nobel, 1998
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