Mazama gouazoubira

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Como ler uma caixa taxonómicaMazama gouazoubira[1]
Mazama gouazoubira (AU)-right 01.JPG

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Cervidae
Género: Mazama
Espécie: M. gouazoubira
Nome binomial
Mazama gouazoubira
Fischer, 1814
Distribuição geográfica
Mazama gouazoubira distribution.png

Mazama gouazoubira, conhecido popularmente por veado-catingueiro, veado-virá, virá, virote, guaçutinga, guaçucatinga e guaçubirá,[3] é uma espécie de cervídeo sul-americano de pequeno porte, do gênero Mazama. O nome Mazama simplicornis foi largamente utilizado, assim como o nome Mazama gouazoupira (tal nome tem origem na descrição de Félix de Azara do "gouazoubira", nome comum da espécie em tupi).[4] Tais nomes foram utilizados até o trabalho de Philip Hershkovitz, de 1951, em que reconheceu que o nome dado por Fischer (gouazoubira) era anterior ao dado por Illiger (simplicornis).[4] Hershkovitz também percebeu que gouazoupira era resultado de um erro ortográfico. Apesar do nome origina ser gouazoupira, o largo uso do nome gouazoubira tornou esse o nome oficial da espécie.[4]

A espécie ocorre desde o sul da região Amazônica até o Uruguai e região central da Argentina ocupando todo o leste das regiões pré-andinas até o litoral brasileiro.[5] Parece evitar florestas altas, preferindo áreas de floresta secundária, com alta quantidade de vegetação arbustiva no sub-bosque, como capoeiras e bordas de mata.[5] Dado sua alta adaptabilidade, o veado-catingueiro pode habitar áreas altamente modificadas pelo homem, e pode ocorrer mesmo em monoculturas agrícolas, como canaviais e plantios de Eucalyptus e Pinus.[5] Provavelmente, a própria ação humana tenha beneficiado a espécie em algumas localidades, o que causa preocupações dado o alto potencial invasor da espécie, que pode competir com outras espécies do gênero Mazama, que são mais raras, como Mazama nana e Mazama bororo.[5]

É um cervídeo de pequeno porte, pesando cerca de 18 kg.[5] Mede entre 88,2 e 106 cm de comprimento e possui entre 50 e 65 cm na altura da cernelha.[4] A coloração varia desde o avermelhado até o cinza, com cor mais clara no ventre, e áreas brancas na parte inferior da cauda e interior das orelhas.[5] Possui uma mancha branca acima dos olhos, que é característica dessa espécie.[5] Os chifres não são ramificados, possuem entre 6 e 12 cm de comprimento e são observados principalmente entre maio e julho, no Brasil.[6] São animais geralmente diurnos e solitários, mas podem formar pequenos grupos em período de escassez de alimentos.[7] Os machos são territoriais e a área de vida da espécie varia de 30 a 300 hectares.[6] A onça-pintada (Panthera onca) e a onça-parda (Puma concolor) são seus principais predadores.[6] Sua dieta se constitui principalmente de frutos e folhas. A gestação dura cerca de 7 meses e dão à luz um filhote por vez.[7] Este, nasce com pintas brancas na pelagem, que desaparecem depois de 3 ou 4 meses.[7] O ciclo reprodutivo do veado-catingueiro é rápido, com as fêmeas podendo ter até duas prenhez por ano.[7]

A IUCN lista a espécie como de "baixo risco", assim como não consta na lista do IBAMA, de animais em extinção.[2] [8] Provavelmente, é a espécie de cervídeo mais abundante do Brasil.[5] Entretanto, parece ameaçado de extinção no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.[5] A caça é a principal ameaça à espécie, e calcula-se que até 2000 animais são mortos por mês na Argentina.[7] Apesar do desmatamento ter favorecido a expansão da espécie, o contato com animais domésticos pode ser prejudicial ao transmitir zoonoses.[7]

Referências

  1. Grubb, P.. Order Artiodactyla. In: Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.). Mammal Species of the World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. 117 p. ISBN 978-0-8018-8221-0 OCLC 62265494
  2. a b Black, P. & Vogliotti, A. (2008). Mazama gouazoubira (em Inglês). IUCN 2013. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2013 Versão 2. Página visitada em 31 de janeiro de 2014.
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 757
  4. a b c d Black-Décima, P. et al. In: Duarte, J.M.B.; González, S.. Neotropical Cervidology: Biology and Medicine of Latin American Deer. Jaboticabal, Brasil: FUNEP, 2010. Capítulo: Brown Brocket Deer Mazama gouazoubira (Fischer, 1814). , 190-201 p. ISBN 978-85-7805-046-7
  5. a b c d e f g h i Duarte, J.M.B.; Piovezan, U.; Zanetti, E.S.; Ramos, H.G.C.. In: Duarte, J.M.B.; Reis, M.L.. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Cervídeos Ameaçados de Extinção. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 2012. Capítulo: Espécies de Cervídeos Brasileiros Não Ameaçadas de Extinção. , 20-27 p.
  6. a b c Mattioli, S.. In: Wilson, D.E.; Mittermeier, R.A.. Handbook of the Mammals of the World - Volume 2:Hoofed Mammals. Barcelona: Lynx Edicions, 2011. Capítulo: Family Cervidae (Deer). , 336-350 p. ISBN 978-84-96553-77-4
  7. a b c d e f Duarte, J.M. et al. (2012). "Avaliação do risco de extinção do Veado-catingueiro Mazama gouazoubira Fischer, 1814, no Brasil". Biodiversidade Brasileira 3: 3-14.
  8. Chiarello, A.G.; Aguiar, L.M.S., Cerqueira, R.; de Melo, F.R.; Rodrigues, F.H.G.; da Silva, V.M.. In: Machado, A.B.M.; Drummond, G.M.; Paglia, A.P.. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Volume 2. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2008. Capítulo: Mamíferos. , 680-883 p. ISBN 978-85-7738-102-9

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