Velas

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Velas
Brasão de Velas Bandeira de Velas
Brasão Bandeira
Vista parcial das Velas, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.jpg
Vista parcial das Velas.
Localização de Velas
Gentílico Velense
Área 119,08 km²
População 5 398 hab. (2011)
Densidade populacional 45,33 hab./km²
N.º de freguesias 6
Presidente da
Câmara Municipal
Luís Silveira (CDS-PP)
Fundação do município 1500
Região Autónoma Região Autónoma dos Açores
Ilha Ilha de São Jorge
Antigo Distrito Angra do Heroísmo
Orago São Jorge
Feriado municipal 23 de abril
Código postal 9800-539
Site oficial http://cm-velas.azoresdigital.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Velas é uma vila portuguesa na ilha de São Jorge, Região Autónoma dos Açores, com cerca de 1 985 habitantes.

É sede de um município com 119,08 km² de área e 5 398 habitantes (2011), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelo município da Calheta, e tem litoral no oceano Atlântico em todas as outras direcções.

Esta vila está localizada num extenso terreno relativamente plano junto à costa ao lado das montanhas e longas arribas junto a uma longa enseada.

História[editar | editar código-fonte]

A origem do nome desta localidade nunca foi esclarecida pelos historiadores. Pode no entanto, segundo esses mesmos historiadores poder remeter-nos para as "velas" das embarcações, para vigias ou para o termo velar, para o nome de povoações com o mesmo nome no continente português, para o termo "velhas" ou mesmo para a palavra "belas". É, no entanto, mais provável que o nome provenha dos termos “velas de embarcação”, ou dos termos velar/vigília. Tendo em atenção as embarcações usadas no tempo da sua fundação e a outra, tendo em atenção as forças telúricas que se movimentam nestas ilhas e que muitas vezes obrigavam as populações a ficar a velar ou de vigília durante as crises vulcânicas para poderem dar o alerta em caso de necessidade.

Vista parcial das Velas com a Ponta da Queimada ao fundo.
Porto de Velas, Velas, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.
Vista parcial das Velas, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.

Esta vila encontra-se entre os povoados mais antigos da ilha de São Jorge. E foi edificada em consequência do testamento do Infante D. Henrique datado de 1460, feito numa igreja debaixo da invocação de São Jorge. O município de Velas foi criado por volta de 1490 ou mesmo antes, sendo que a elevação da povoação à categoria de vila terá ocorrido por volta de ano de 1500, por carta de D. Manuel I de Portugal.[1] Esta localidade já surge como vila num mapa de 1507. No ano de 1570 as Velas teriam cerca de 1000 habitantes e 2000 habitantes no fim do século XVII, número que aumentaria para 4200 no ano de 1822, e que mais tarde diminuiu devido à emigração.

No dia 19 de Setembro de 1708 uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin constituída por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam a vila das Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas.

Ao primeiro ataque os habitantes da vila, comandados pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa, conseguem impedir o desembarque tentado a 19 de Setembro. No dia 20 deu-se novo ataque e os habitantes não conseguiram opor-se com êxito a esta tentativa. Pelas 9 horas da manhã em que, dividindo as suas forças em duas colunas, enviara, uma para as portas das Velas (6 barcos) e outra, mais forte (10 barcos), para os lados do Morro das Velas e, desembarcando junto ao Arco, lançaram em terra mais de 500 homens, com morte d'alguns dos sitiados.

Os franceses permaneceram nesta vila 5 dias em que saquearam completamente as igrejas e casas abastadas. Em local sobranceiro ao sitio onde se efectuou o desembarque, foi construído o Forte de Nossa Senhora do Pilar, também conhecido por Castelo da Eira.!

Jardim da Praça da República[editar | editar código-fonte]

Velas, Jardim da República, coreto, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.

O Jardim da Praça da República ocupa o largo principal da vila de Velas, local onde em tempos idos esteve localizado o mercado da localidade. Este jardim encontra-se delimitado por muros baixos dotados de um gradeamento superior, canteiros de formas variadas, arbusto e algumas árvores. Ao centro possui um coreto.

A regularização da antiga praça e a sua adaptação a jardim iniciou-se em 1836, quando a Câmara Municipal de Velas emitiu uma deliberação no sentido do arranjo urbano daquele espaço. Esse documento obrigava "os porcos do concelho a andarem com anel no focinho e a não atravessarem a praça". Depois, vieram as plantações de árvores já em meados do século; a instalação do coreto em 1898; a iluminação em 1899; os arranjos dos canteiros e outras decorações em pedra queimada, bem como os muros e gradeamentos nos inícios do século XX.

O jardim encontra-se no centro de uma envolvente de edifícios e integrado num espaço que não lhe dá qualquer hipótese de crescer. Beneficia no entanto de uma excelente enquadramento arquitectónico dos prédios urbanos que tem em volta. Desses edifícios sobressai o edifício da Câmara Municipal, um dos exemplos máximos do barroco insular na ilha de São Jorge. Do lado oposto a este, ergue-se o edifício da sociedade filarmónica velense, ostentando a sua fachada Art déco característica dos anos 20 e 30 do século XX, de forte colorido, apresenta amplas fenestrações por entre elementos decorativos estilizados da tradição beaux artiana.

Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas[editar | editar código-fonte]

Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas.

O Auditório Municipal e Centro Cultural das Velas apresenta-se como uma construção moderna, construída nos finais do século XX dentro das muralhas do antigo Forte de Nossa Senhora da Conceição. Este Auditório foi dimensionado para albergar várias valências: podendo ser auditório multiuso, para teatro, cinema e concertos, biblioteca e espaço de exposições.

Tem uma arquitectura contemporânea a fazer lembrar as velas das embarcações, não fossem as Velas uma localidade de mar. Foi pintado com cores fortes, fazendo-se assim sobressair no perfil urbano das Velas.

Largo João Inácio de Sousa[editar | editar código-fonte]

O Largo João Inácio de Sousa antigamente chamava-se "Largo do Mercado" e, antes ainda, "Praça Velha". Caracteriza-se por se localizar num dos locais mais nobres da vila, encontra-se em frente à Igreja Matriz de São Jorge e ao lado do edifício da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Velas.

Para que fosse possível construir esta praça foi necessário proceder à expropriação de parte da quinta do Dr. Miguel Teixeira Soares de Sousa, bem como uma capela e algumas casas.

Esta antiga praça que foi local de venda de frutas e hortaliças, tem actualmente o nome de um dos beneméritos da ilha de São Jorge, que emigrado para os Estados Unidos acabou por fazer fortuna nesse país na área dos petróleos, tendo depois dado apoio a várias instituições da ilha, nomeadamente à misericórdia de velas, conforme é possível ler numa plana aplicada na estatua de João Inácio de Sousa, que foi posta no centro do largo.

Cemitério de Velas[editar | editar código-fonte]

O cemitério das Velas localiza-se no sítio da Conceição e foi construído dentro da cerca do antigo Convento de São Francisco. O convento cedeu em 1838 parte do seu espaço para esse fim. Este acontecimento deu-se quatro anos depois de ter sido estabelecido que os sepultamentos deixariam de se poderem fazer dentro das igrejas. No entanto este cemitério só foi benzido no ano de 1856.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

século XV[editar | editar código-fonte]

século XVI[editar | editar código-fonte]

  • 1500 – Elevação da povoação de Velas à categoria de vila.
  • 1507 – A Vila das Velas surge pela primeira vez num mapa com esta denominação.
  • 1543 – Data de construção da primeira ermida erigida no povoado de Santo António e que foi substituída pelaIgreja de Santo António, mandada fazer por Jorge de Lemos e sua mulher Maria de Ávila, moradores na Vila das Velas.[4] [6]
  • 1550 – As Manadas tinham 250 habitantes.
  • 1559 – A freguesia das Manadas aparece na documentação deste ano como freguesia, embora se creia que a sua elevação a freguesia tenha sido em data anterior.
  • 1568 – A freguesia das Manadas era uma das seis paróquias que neste ano existiam na ilha de São Jorge.
  • 1568 – 30 de Junho, Carta Régia do Rei D. Sebastião, promulgada na Vila de Sintra, em que se passam congruas à Igreja de Santa Bárbara das Manadas, classificada como Monumento Nacional.[5]
  • 1568 - Os Rosais aparecem como freguesia da documentação deste ano.
  • 1568 – Referências documentais à Igreja da Nossa Senhora do Rosário, dos Rosais, que no entanto se sabe ser de data anterior.[7] [8]
  • 1570 – A Vila de Velas soma cerca de 1000 habitantes.
  • 1570 – O Norte Grande, uma das maiores localidades do norte de São Jorge, da altura vê abrirem-se estradas que o ligam a outros povoados da ilha.
  • 1580Erupção do vulcão da Queimada, ilha de São Jorge - Na noite de 28 de Abril a terra tremeu 30 vezes e 50 no dia seguinte. No dia 1 de Maio os tremores recrudesceram e nesse mesmo dia ocorreu uma explosão vulcânica no cimo da encosta sobranceira à Queimada. Outra explosão ocorreu posteriormente no alto da Ribeira do Nabo, 2 km a leste da inicial. Outra emissão de lavas teve a sua origem junto à Ribeira do Almeida e Santo Amaro. A erupção durou 4 meses com emissão de grandes correntes de lava que atingiram o mar e de muitas cinzas que recobriram a ilha, atingindo mesmo a ilha Terceira. Uma nuvem ardente matou pelo menos 10 pessoas. Mais de 4000 cabeças de gado pereceram de fome e devido aos gazes e cinzas que destruíram as pastagens.
  • 1588 - 8 de Novembro, Inundações nas Velas, com enxurrada associada a chuvas fortes que causou muitos estragos e deu origem a um romance popular.
  • 1593 - Mau ano agrícola provoca fome em São Jorge, facto que esteve relacionado com as más colheitas e com a guerra de 1580-1583, com os saques ocorridos, com pesados tributos para manutenção da força de ocupação castelhana. Morreram pessoas à fome.

século XVII[editar | editar código-fonte]

século XVIII[editar | editar código-fonte]

século XIX[editar | editar código-fonte]

século XX[editar | editar código-fonte]

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Bandas Filarmónicas[editar | editar código-fonte]

A filarmonia é uma importante parte da vida de todos os Açorianos, e como não podia deixar de ser, em São Jorge e nas Velas também. No Concelho das Velas existem 6 bandas filarmónicas:

  • Sociedade Filarmónica Nova Aliança (Freguesia de Velas)
  • Filarmonica Lusitânia Liberdade (Freguesia de Velas)
  • Sociedade Recreio Amarense (Freguesia de Santo Amaro)
  • Filarmónica União Rosalense (Fregusia dos Rosais)
  • Sociedade Filarmónica Recreio Nortense (Freguesia do Norte Grande)
  • Sociedade Filarmónica União Urzelinense (Freguesia da Urzelina)

Património edificado[editar | editar código-fonte]

Património natural[editar | editar código-fonte]

Morro Norte ao por-do-sol, Velas, Ilha de São Jorge
População do concelho de Velas (1849 – 2011)
1849 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2004 2011
10166 8405 7328 8466 5927 5707 5605 5585 5398

As freguesias de Velas são as seguintes:

Referências

  1. a b Guida das Velas 2009/2010, pág. 8. Nova Gráfica, Lda. Dep. Legal, n.º 268828/08.
  2. a b c d e f g Açores, Guia Turístico 2003/2004, Ed. Publiçor
  3. a b c d e f g h i j k Jornal Açores, 1955.
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s São Jorge, Açores, Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View – Actividades Turísticas, Lda. Dep. Legal n.º 197839/03. ISBN 972-96057-2-6, 1ª edição, 2003.
  5. a b c d http://pg.azores.gov.pt/drac/cca/inventario/ver.aspx?id=189 Classificação como Imóvel de Interesse Público pelo Governo Regional dos Açores da Igreja de Santa Bárbara das Manadas.
  6. a b Jornal Açores, 1955.
  7. Silveira Avelar, A Ilha de São Jorge, pág. 289.
  8. Arquivo dos Açores, VI, 193
  9. a b BASTOS, Barão de. Relação dos fortes, Castelos e outros pontos fortificados, que se acham ao presente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defesa do Pais, com declaração daqueles que se podem desde já desprezar (Arquivo Histórico Militar). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LV, 1997.
  10. a b VIEIRA, Alberto. Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. XLV, Tomo II, 1987.
  11. http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/sre-drt/textoImagem/2SJ.htm Governo Regional dos Açores.
  12. http://www.saojorgedigital.info//povoacoes/freguesias/urzelina/urzelina.php Saojorgedigital.
  13. a b Jornal "O Angrense" nº 3013 de de 17 de Março de 1905, depósito da Biblioteca Publica e Arquivo de Angra do Heroísmo. (Palácio Bettencourt).
  14. Guia do Património Cultura de São Jorge, Dep. Legal nº 197839/2003
  15. a b http://www.acores.com/sjorge/index.htm Acores.com
  16. Guia do Património Cultural - São Jorge, 1ª Edição/2003, (ISBN 972-96057-2-6), Dep. Legal 197839/03.
  17. Guia do Património Cultural - São Jorge, 1* Edição/2003, (ISBN 972-96057-2-6), Dep. Legal 197839/03.
  18. a b Eduardo Carvalho Vieira Furtado. Guardiães do Mar dos Açores: uma viagem pelas ilhas do Atlântico. s.l.: s.e., 2005. 298p. mapas, fotos. ISBN 972-9060-47-9
  19. Eduardo Carvalho Vieira Furtado. Guardiães do Mar dos Açores: uma viagem pelas ilhas do Atlântico. s.l.: s.e., 2005. 298p. mapas, fotos. ISBN 972-9060-47-9.

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]


Concelhos da Região Autónoma dos Açores Bandeira dos Açores
Angra do Heroísmo
Calheta
Corvo
Horta
Lagoa
Lajes das Flores
Lajes do Pico
Madalena
Nordeste
Ponta Delgada
Povoação
Praia da Vitória
Ribeira Grande
Santa Cruz da Graciosa
Santa Cruz das Flores
São Roque do Pico
Velas
Vila do Porto
Vila Franca do Campo
Angra do Heroísmo
Calheta
Corvo
Horta
Lagoa
Lajes das Flores
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Ponta Delgada
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