Vencidos da Vida

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Os Vencidos da Vida (fotografia de P. Marinho, in Brasil-Portugal, a. II, 1900). Na imagem estão António Maria Vasco de Melo César e Meneses (9º Conde de Sabugosa), Luís Augusto Pinto de Soveral (1º e único Marquês de Soveral), Carlos Mayer, Francisco Manuel de Melo Breyner (4º Conde de Ficalho), Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Carlos Lobo d’Ávila, Bernardo Pinheiro Correia de Melo (1º conde de Arnoso), Eça de Queirós e J. P. Oliveira Martins

Vencidos da Vida é o nome porque ficou conhecido um grupo informal formado por algumas das personalidades intelectuais de maior relevo da vida cultural portuguesa das últimas três décadas do século XIX, com fortes ligações à chamada Geração de 70. O nome do grupo, ao que parece, foi adoptado por sugestão de Joaquim Pedro de Oliveira Martins. A denominação decorre claramente da renúncia dos membros do grupo às suas aspirações de juventude.

O grupo reunia-se para jantares e convívios semanais no Café Tavares, no Hotel Bragança ou nas casas dos seus membros, tendo-se mantido activo no período que mediou entre 1887 e 1894.

Os Vencidos da Vida foram definidos por um dos seus membros, embora tardio, o escritor Eça de Queirós, como um grupo jantante. O grupo assumia o carácter de uma sociedade exclusivista, congregando vultos da literatura, da política e da alta sociedade, com relevo para alguns dos vultos mais ilustres das rodas mundanas e aristocráticas.

Entre os membros dos Vencidos da Vida estavam alguns dos intelectuais e políticos que tinham gizado a tentativa de transformação do país subjacente à fase tardia da Regeneração, que, face ao percebido insucesso desse processo modernizador, canalizavam a sua frustração e desengano dos ideais revolucionários juvenis para um diletantismo elegante e irónico. Surge assim a idealização vaga de uma aristocracia iluminada, contraponto do socialismo utópico que alguns deles antes tinham defendido.

O grupo incluía, entre outros, José Duarte Ramalho Ortigão, Joaquim Pedro de Oliveira Martins, António Cândido Ribeiro da Costa, Guerra Junqueiro, Luís de Soveral, Francisco Manuel de Melo Breyner (3.° conde de Ficalho), Carlos de Lima Mayer, Carlos Lobo de Ávila, Bernardo Pinheiro Correia de Melo (1º Conde de Arnoso) e António Maria Vasco de Mello Silva César e Menezes (9.º conde de Sabugosa). Eça de Queirós integrou o grupo a partir de 1889.

Apesar de Vencidos da Vida, a actividade do grupo fez renascer e crescer entre os seus membros uma nova esperança, pois tinham-se tornado um círculo influente junto do príncipe herdeiro e, após a morte de D. Luís I, em 1889, passaram a influenciar o novo rei, D. Carlos I. Nesse contexto, Eça de Queiroz escreveu na Revista de Portugal logo que o príncipe subiu ao trono: O Rei surge como a única força que no País ainda vive e opera.

Chegaram a julgar que se abria um novo ciclo político, com os Vencidos da Vida a acreditarem que, por intermédio de um acrescido papel do rei e de uma nova política externa liberta da velha aliança inglesa, se conseguiria debelar a crise provocada pelo regime oligárquico da Carta. Contudo, o assassínio de D. Carlos e do príncipe Luís Filipe, acabaram por deitar por terra as suas últimas esperanças.

A publicidade feita em torno das actividades do grupo pelo jornal O Tempo, editado por Carlos Lobo de Ávila, levou a que o nome suscitasse a troça de muita da intelectualidade lisboeta, resultado do misto de desdém e de inveja que sempre tem caracterizado o relacionamento entre os membros da intelectualidade portuguesa. Esse clima de ressentimento e troça em certos sectores da vida lisboeta, conduziu a que os seus membros fossem criticados e satirizados. Sobre o tema, o dramaturgo Abel Botelho escreveu em 1892 uma peça intitulada Os Vencidos da Vida, que acabou por ser proibida pela polícia, dada a violência da sátira e dos ataques pessoais nela contidos.

[editar] Referências

  • MACHADO, Álvaro Manuel, A Geração de 70 – Uma Revolução Cultural e Literária, Instituto de Cultura Portuguesa, 1977, pág. 211;
  • QUEIRÓS, José Maria Eça de, Cartas Inéditas de Fradique Mendes e Mais Páginas Esquecidas, Porto, Livraria Chardron, 1929;

[editar] Ligações externas

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