Venda a descoberto
Venda a descoberto (em inglês, short selling) é uma prática financeira que consiste na venda de um ativo financeiro ou derivativo que não se possui, esperando que seu preço caia para então comprá-lo de volta e lucrar na transação com a diferença.1 Embora ainda pouco usada pela maioria das pessoas, é uma prática tradicional de se operar/especular nos mercados financeiros para se tentar ganhar dinheiro em épocas de baixa, com a desvalorização e quedas de preço das ações.2
Em troca de um maior retorno esperado, porém incerto, num menor prazo de tempo, o especulador assume o risco de vender um ativo (geralmente de valor mobiliário), sem a necessidade de possuí-lo para tal. Tal venda pode ser executada com ou sem o aluguel/empréstimo (através de uma corretora de valores) do ativo de um terceiro - o locatário/emprestador, em geral um investidor conservador, que em troca recebe uma taxa pequena, mas certa, pelo aluguel/empréstimo de seu ativo.
A intenção neste caso é, por parte do especulador recomprar posteriormente na mesma quantidade, o ativo vendido, para obtenção do lucro esperado e, por parte do locador/emprestador, utilizar os corriqueiros momentos de desvalorização nos mercados para remunerar adicionalmente sua carteira de ações.
Após o encerramento da operação, o especulador devolve ao investidor, via corretora, as ações alugadas/emprestadas. O risco dessa operação para o especulador é que o preço do ativo negociado não apenas não caia o esperado, como suba gerando prejuízo.
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Características[editar]
O lucro máximo teórico em uma operação deste tipo é limitado ao valor creditado no momento da venda, e o negociante somente obterá esse lucro máximo teórico quando e se o preço do ativo chegar a zero. Na prática, o capital de uma empresa é fechado e ela deixa de ser negociada em Bolsa de Valores antes que tal ocorra, e do lucro sempre são descontados os custos da operação como: corretagem, impostos, aluguel/empréstimo (do ativo para a venda), eventuais - pagamento de dividendos ao locador, compra de opções (do mesmo ativo) para proteção etc.
Em relação ao prejuízo não há limite teórico, já que teoricamente não existe um teto para o preço que um ativo ou derivativo financeiro possam alcançar; podendo na teoria um negociante amargar prejuízo infinito em uma venda a descoberto.
Novamente, na prática é um pouco mais complexo: embora neste tipo de operação com opções seja relativamente comum que ocorram grandes prejuízos que levem negociantes à bancarrota; mesmo no mercado de opções, tal se dá mais em função não só do desconhecimento, como também da indiferença dos negociadores em relação a conceitos básicos para sobrevivência nos mercados financeiros como incerteza, probabilidade, expectativa matemática - positiva e negativa (como é o caso desta prática em Opções), controle de risco e avaliação da relação risco e retorno.3
Em se tratando de ações, o termo "a descoberto" no Brasil (por exemplo) é anacrônico, impreciso, já que na prática devido às regras de negociação impostas pela Bolsa Brasileira, através da CBLC para que um negociante/especulador/operador possa realizar tal operação com ações, na verdade desde o início a venda está coberta pelas garantias, em dinheiro ou ativos financeiros, exigidas para que o negociante possa efetuar a venda de ações que não possua. O montante exigido e a taxa de aluguel cobrada variam de ação para ação. Não há limite de tempo pelo qual o especulador possa manter-se "vendido", desde que haja liquidez para tal (locadores dispostos a emprestar o ativo ).
Diferença de risco entre vendas com Opções e Ações[editar]
No Brasil, em ambos os casos, tanto em opções, quanto em ações, quando as garantias exigidas já não cobrirem o montante da operação, caso esta tenha ido no sentido contrário ao pretendido/desejado pelo negociante, a mesma é encerrada pela corretora a revelia do cliente.
No caso das opções a descoberto (e qualquer venda de opções que apresente alguma forma de proteção contra prejuízos "ilimitados" já não é mais "a Descoberto"), devido à volatilidade natural destas, uma posição pode andar exponencialmente contra o operador em questão de minutos, antes que ele consiga fazer algo;
Já em relação à ações, devido às garantias exigidas, práticas de Circuit breaker, chamadas de margem, encerramento automatico de posições sem garantias, etc; para que este prejuízo "ilimitado" ocorra, e a operação seja encerrada a sua revelia, é necessário que o operador se coloque de forma irresponsável em situação de alto risco, seja negociando um número de ações muito maior do que o aconselhável para o tamanho de sua conta e finanças, seja por se manter demasiado ausente dos mercados por urgências pessoais ou mesmo incapacitação física repentina causada por problemas de saúde ou acidente, sem ter se prevenido acertando previamente com a corretora para que tais operações sejam encerradas por uma pessoa que sirva de procurador nestes casos; ou tendo já deixado ordens de stop loss agendadas, ou ter comprado opções de compra OTM da mesma ação, em quantidade igual ou superior à das ações negociadas com stop gain ajustados, entre várias medidas possíveis de controle de risco para esta eventualidade, neste tipo de operação.
Venda pura[editar]
Chama-se naked short selling à prática de venda a descoberto literal, ou seja, sem ter alugado o ativo ou sem que haja segurança de que o ativo possa ser encontrado para ser alugado. As regras para sua utilização variam de País para país.
No Brasil, tal operação com Ações só é permitida no intraday. Caso o negociante não encerre tal operação até o final do pregão do mesmo dia em que a abriu e, ou não tenha garantias para alugar as ações vendidas, ou não demonstre interesse em carregar a posição além daquele dia, ou naquele dia não haja ações do ativo negociado para serem alugadas na quantidade necessitada; a posição é encerrada/zerada automaticamente pela corretora ao final do pregão principal, antes do after-market.
Já nos Estados Unidos, pelas características locais da compensação referente ao aluguel/empréstimo, a exigência é que quem vendeu a descoberto alugue/empreste as ações que negociou em até D+3 (3º dia útil após a abertura da posição), caso queira manter aberta tal posição.4
Venda Alugada[editar]
No Brasil, no caso das corretoras que trabalham com este tipo de operação, a dinâmica é:
1) uma vez que através de seu método de negociação, o negociante tenha identificado uma Ação cujo preço esteja caindo ou possa vir a cair ainda mais, e que dentro do controle de risco por ele adotado, um determinado número de ações compatível com o tamanho de seu financeiro, se vendidas, apresentem uma relação provável de risco-retorno positiva, este calcula os respectivos Stop loss (ponto de encerramento de uma operação para manter o prejuízo em nível aceitável, caso a mesma se revele um equívoco), Break Even (ponto ao que o preço da operação tem de chegar para cobrir todos os custos da mesma) e Stop Gain (ponto de encerramento da operação, caso a mesma se mostre lucrativa);5
2) No caso da operação em vista não ter previsão de encerramento para o mesmo dia e já tendo adentrado no sítio eletrônico da CBLC e checada a compatibilidade da taxa de aluguel da ação selecionada, o especulador telefona para sua corretora de valores (ou através do Home Broker da mesma) e se certifica que há disponíveis para aluguel, ações da companhia escolhida na quantidade desejada, e em caso positivo as aluga para executar a venda;
3) O negociante vende a ação na quantidade alugada (como já explicado acima, no caso da operação ter previsão de encerramento para o mesmo dia, independente de resultado positivo ou negativo, os passos de números 2 e 5 são dispensáveis);
4) Uma vez atingido o Stop, seja financeiro (Loss ou Gain) ou no Tempo, o negociante encerra a operação (re)comprando as ações vendidas;
5) Em D+3 (3º dia útil após o encerramento da operação), o negociante confirma junto à corretora a devolução das ações alugadas, já que se tal não for feito, como a devolução não é automática corre-se o risco de continuar pagando aluguel sobre o que não se está mais usando.
Veja Também[editar]
Referências[editar]
- ↑ O'Neil; William J. "How to Make Money Selling Stocks Short" John Wiley & Sons 2005 ISBN 0471710490
- ↑ Ibidem O'Neil 2005
- ↑ Elder; Alexander "Aprenda a Vender e a Operar Vendido", Campus Elsevier 2009 Capítulo 5; Seção 'O Triângulo de Ferro' ISBN 8535233571
- ↑ "Practice related to Naked Short Sellings Complaints & Referrals" editado pela Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos; Escritório de Auditoria do Inspetor Geral (inglês) Memorando nr. 450 de 18 de março de 2009; Pág. 07
- ↑ Ibidem Elder 2009
Ligações externas[editar]
- U.S. Issues New Rules on Short-Selling. The Wall Street Journal, 29 de julho de 2009. Artigo do WSJ sobre a nova regulamentação das vendas a descoberto nos EUA, suas vantagens e desvantagens.
- "Como aumentar suas chances na Bolsa de Valores" Título de Vídeo educacional no canal Bastter.com no YouTube