Vera Constantinovna
| Vera Constantinovna | |
|---|---|
| Princesa da Rússia | |
| Princess Vera of Russia.JPG | |
| Governo | |
| Casa Real | Romanov |
| Vida | |
| Nascimento | 24 de Abril de 1906 |
| São Petersburgo, |
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| Morte | 11 de janeiro de 2001 (94 anos) |
| Nyack, Nova Iorque, |
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| Pai | Constantino Constantinovich da Rússia (1858-1915) |
| Mãe | Isabel de Saxe-Altenburgo (1865-1927) |
Sua Alteza, a Princesa Vera Constantinovna da Rússia, (em russo: Вера Константиновна), (24 de Abril de 1906 – 11 de Janeiro de 2001) foi a filha mais nova do Grão-duque Constantino Constantinovich e da sua esposa, a Grã-duquesa Isabel Mavrikievna. Uma bisneta do czar Nicolau I da Rússia, Vera nasceu nos tempos da Rússia Imperial e foi uma amiga dos filhos mais novos do czar Nicolau II. Perdeu muita da sua família durante a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Com 12 anos escapou da Rússia revolucionária juntamente com a mãe e o irmão Jorge para a Suécia. Passou o resto da sua longa vida no exílio, primeiro na Europa e a partir dos anos 50 nos Estados Unidos.
Nascimento e Infância [editar]
A Princesa Vera Constantinovna da Rússia nasceu em Pavlovsk no dia 24 de Abril de 1906. Era a mais nova dos nove filhos do Grão-duque Constantino Constantinovich da Rússia e da sua esposa, a Grã-duquesa Isabel Mavrikievna, nascida Princesa Isabel de Saxe-Altenburgo. Vera Constantinovna viveu os seus primeiros anos de vida no esplendor dos últimos tempos da Rússia Imperial. O seu pai, um respeitado poeta, era primo em segundo grau do czar Nicolau II.
A Princesa Vera tinha 8 anos de idade quando o Arquiduque Francisco Fernando da Áustria foi assassinado e rebentou a Primeira Guerra Mundial no Verão de 1914. Vera encontrava-se com os seus pais e o irmão Jorge na Alemanha a visitar os seus parentes do lado materno em Altenburgo na altura. O conflito apanhou-os de surpresa e cercou-os no país inimigo. Foi graças à intervenção da Imperatriz Alemã, Augusta Vitória de Schleswig-Holstein que a família pôde regressar à Rússia. Os irmãos mais velhos de Vera juntaram-se ao exército russo durante o conflito e o seu irmão favorito, Oleg, foi morto durante uma batalha. Sendo considerada demasiado nova, ela não pôde participar no funeral. Esta forte foi apenas a primeira de muitas que ocorreriam na família nos anos que se seguiram.
No ano seguinte, o seu pai morreu devido a um ataque cardíaco que Vera presenciou. Numa carta ao seu irmão, ela descreveria mais tarde que estava sentada com o seu pai no escritório quando o Grão-duque começou a arfar. A Princesa conseguiu empurrar uma porta pesada, afastando várias plantas que a separavam da sala da mãe e correu até ela dizendo que o pai não conseguia respirar. A mãe correu atrás dela, mas quando ambas chegaram o Grão-duque já estava morto.
Revolução [editar]
Durante a Revolução Russa, quatro dos irmãos de Vera foram presos pelos bolcheviques. Apenas o Príncipe Gabriel foi eventualmente libertado. Os restantes três (João, Constantino e Igor) foram mortos em Alapaevsk, juntamente com outros parentes no dia 18 de Julho de 1918. Durante a governação caótica do Governo Provisório e após a Revolução de Outubro, Vera, a sua mãe e o irmão Jorge permaneceram em Pavlovsk. Durante algum tempo viveram precariamente e a sua mãe foi obrigada a vender bens da família para manter os filhos.
Vera de 12 anos escapou para a Suécia a bordo do navio Ångermanland em Outubro de 1918 com a mãe, o irmão Jorge e os seus dois sobrinhos Teymuraz e Natália a convite da Rainha Vitória da Suécia. No porto de Estocolmo foram recebidos pelo Príncipe Gustavo Adolfo que os levou até ao palácio real.
Exílio [editar]
Vera viveu com a mãe e o irmão na Suécia durante dois anos, primeiro em Estocolmo e depois em Saltsjöbaden. Como a Suécia era um país demasiado caro para a família, os três mudaram-se para a Bélgica por convite do Rei Alberto I. Mais tarde Vera e a mãe mudaram-se para a Alemanha, ficando em Altenburgo, o antigo ducado do tio de Vera, o Duque Ernesto II da Saxe-Altenburgo. A Princesa viveu lá durante 30 anos, com a excepção de dois anos que passou na Inglaterra. A sua mãe morreu de cancro no dia 24 de Março de 1927 em Leipzig. O Príncipe Jorge mudou-se para os Estados Unidos e morreu em Nova Iorque em 1938. Vera permaneceu na Alemanha durante os anos difíceis da Segunda Guerra Mundial.
Durante muitos anos, como ela mais tarde recordou, Vera foi assombrada pelos acontecimentos da Revolução. Ela recordou: “Costumava ter sempre o mesmo sonho. Estava de costas para uma cova e tinha a sensação de que me iam fuzilar. O meu despertar era ainda mais aterrorizador do que o sonho porque ficava sempre com medo de abrir os olhos e ver que eles tinham mesmo chegado para me levar a ser executada.” No final da Segunda Guerra Mundial, quando as forças soviéticas ocuparam a zona leste da Alemanha, Vera mudou-se para Hamburgo. Ela não era cidadã de nenhum país ao certo, uma vez que apenas possuía o ambíguo passaporte Nansen que lhe dava liberdade para viajar onde quisesse, mas não protecção do estado. Apesar disto ela recusou a cidadania de todos os países que se ofereceram e considerava-se russa. “Eu não abandonei a Rússia”, declarou ela uma vez, “Foi a Rússia que me abandonou a mim.”
Em 1951 Vera mudou-se para os Estados Unidos. Durante as décadas que se seguiram viveu em Nova Iorque onde participava activamente em trabalhos de caridade, mas via algumas comunidades de imigrantes e alguns dos seus pedidos com cepticismo. Ela não possuía o sentimento patriótico e nostálgico da maioria deles, mas sim memórias da sua infância feliz e da sua família perdida. Quanto aos muitos curiosos que a visitavam, ela via-os com diversão e achava-os bastante ignorantes. Ela não compreendia aqueles que falavam da família imperial como santos. Quando questionada sobre a família, ela contava histórias sobre a sua humanidade e mau-comportamento. Para ela os filhos do czar continuavam a ser os seus companheiros de infância, não figuras de adoração. Também achou a canonização dos seus parentes, incluindo os seus irmãos e tio, confusa e peculiar. Vera escreveu quatro pequenos artigos sobre a sua vida para a revista "Kadetskaya pereklichka", publicada pela União de Cadetes Russos em Nova Iorque.
A Princesa Vera era uma espécie de figura histórica, sendo o último membro sobrevivente da família Romanov que ainda se lembrava da Rússia Imperial. Os seus dois irmãos e irmã que conseguiram abandonar o país morreram antes dela. O Príncipe Gabriel morreu em 1955 sem deixar herdeiros, bem como o irmão Jorge que morreu com apenas 33 anos em 1938. A sua irmã, a Princesa Tatiana, acabou por se tornar numa freira ortodoxa após ficar viúva por duas vezes. Morreu em Jerusalém em 1970.
Vera morreu no lar da Fundação Tolstoy em Nyack, Nova Iorque, no dia 11 de Janeiro de 2001, aos 94 anos. Foi enterrada ao lado do seu irmão Jorge Constantinovich no Cemitério Ortodoxo de Novo-Diveyevo em Nanuet, Nova Iorque. De todos os membros da família Romanov, apenas a sua sobrinha Catarina Ivanovna viveu mais do que ela. Vera nunca se casou e não teve filhos. Na Primavera de 2007, o Palácio de Pavlovsk, onde ela tinha nascido, organizou uma exposição sobre ela e a sua família, comemorando aquele que seria o seu 101º aniversário.