Via de administração

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Entre os profissionais de saúde, via de administração é o caminho pelo qual uma substância interage com o organismo. Em toxicologia usa-se o termo inoculação em vez de administração.

Sem dúvida, dita a substância tem que ser transportada do ponto de entrada à parte do corpo onde deseja-se que ocorra sua ação (a menos que esse local seja na superfície do corpo). Todavia, o uso dos mecanismos de transporte do organismo para tal fim está longe de ser trivial. As propriedades farmacocinéticas de uma droga (isto é, as propriedades relacionadas a absorção, distribuição e eliminação) são bastante influenciadas pela via de administração.

Classificação[editar | editar código-fonte]

As vias de administração de fármacos podem ser a grosso modo divididas em:

  • Tópica: efeito local; a substância é aplicada diretamente onde se deseja a sua ação
  • Enteral: efeito sistêmico (não-local); recebe-se a substância via trato digestivo
  • Parenteral: efeito sistêmico; recebe-se a substância por outra forma que não pelo trato digestivo

A agência FDA americana reconhece 111 tipos diferentes de vias de administração. A seguir está uma lista breve de algumas delas.

Tópica[editar | editar código-fonte]

Parenteral por injeção ou infusão[editar | editar código-fonte]

Parenteral (que não por injeção ou infusão)[editar | editar código-fonte]

  • transdérmica (difusão através da pele intacta), p. ex. emplastro de opióide transdérmico para terapia da dor
  • transmucosa (difusão através de uma membrana mucosa), p. ex. inalação de cocaína, nitroglicerina sublingual
  • inalável, p. ex. inalação de anestésicos.

Outras[editar | editar código-fonte]

Usos[editar | editar código-fonte]

Algumas vias de administração podem ser usadas tanto para propósitos tópicos quanto sistêmicos, dependendo das circunstâncias. Por exemplo, a inalação de drogas para asma visa agir sobre as vias aéreas (efeito tópico), enquanto que a mesma inalação, porém, de anestésicos voláteis visa agir sobre o cérebro (efeito sistêmico).

Por outro lado, uma mesma droga pode produzir diferentes resultados dependendo da via de administração. Por exemplo, algumas drogas não são absorvidas significativamente na corrente sangüínea a partir do trato gastrointestinal e, por isso, sua ação após administração enteral é diferente daquela após administração parenteral. Isto pode ser ilustrado pela ação da naloxona, um antagonista de opiáceos como a morfina. A naxolona contra-ataca a ação do opiáceo, no sistema nervoso central, quando administrado por via intravenosa e por isso é usada no tratamento de overdose de opiáceos. A mesma droga, porém, quando engolida, age exclusivamente no sistema digestivo; é assim usado para tratar constipações sob terapia da dor com opiáceos e não afeta o efeito de redução da dor causado pelo opiáceo.

As vias enterais são geralmente a mais conveniente para o paciente, já que não há necessidade de se fazer punções ou utilizar procedimentos de esterilização. Medicamentos enterais são, por isso, freqüentemente os mais preferidos para deficiências crônicas. Porém, algumas drogas não podem ser administradas desta forma porque sua absorção no trato digestivo é baixa ou imprevisível. A administração transdérmica é uma alternativa confortável; há, porém, somente algumas poucas preparações medicamentosas adequadas para a administração transdérmica.

Em situações graves ou nas medicinas de emergência e de tratamento intensivo, as drogas são muito freqüentemente administradas por via intravenosa. Isto ocorre porque pacientes muito doentes podem apresentar alterações na absorção de substâncias através dos tecidos, ou alterações na motilidade digestiva, que podem causar absorção imprevisível do medicamento.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]