Vietname

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Cộng Hòa Xã Hội Chủ Nghĩa Việt Nam
República Socialista do Vietname / Vietnã
Bandeira do Vietname / Vietnã
Brasão do Vietname / Vietnã
Bandeira Brasão de Armas
Lema: Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc
("Independência, liberdade, felicidade")
Hino nacional: Tien Quan Ca
("As tropas estão a avançar")
Gentílico: vietnamita,
vietnamês,
vietnamense,
vietnamiano[1]

Localização do Vietname / Vietnã

Capital Hanói
21º2'N 105º51'L
Cidade mais populosa Cidade de Ho Chi Minh
Língua oficial Vietnamita
Governo Estado unitário
 - Presidente Trương Tấn Sang
 - Primeiro-ministro Nguyễn Tấn Dũng
 - Secretário-Geral do PCV Nguyễn Phú Trọng
Independência da França 
 - Declarada 2 de setembro de 1945 
 - Reconhecida 21 de Julho de 1954 
Área  
 - Total 331 689 km² (65.º)
 - Água (%) 1,3
 Fronteira República Popular da China, Laos e Camboja
População  
 - Estimativa de 2012[2] 91 519 289 hab. (14.º)
 - Censo 2009 86 025 000 hab. 
 - Densidade 253 hab./km² (46.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2014
 - Total US$ 509,466 bilhões*[3]  
 - Per capita US$ 5 621[4]  
PIB (nominal) Estimativa de 2014
 - Total US$ 187,848 bilhões*[4]  
 - Per capita US$ 2 072[4]  
IDH (2013) 0,638 (121.º) – médio[5]
Moeda Dong (VND)
Fuso horário (UTC+7)
 - Verão (DST) (UTC+7)
Org. internacionais ASEAN, ONU, FMI, OMS, OMC
Cód. ISO VNM
Cód. Internet .vn
Cód. telef. +84
Website governamental www.vietnam.gov.vn

Mapa do Vietname / Vietnã

O Vietname (português europeu) ou Vietnã (português brasileiro) ou, oficialmente, República Socialista do Vietname/Vietnã é um país localizado no leste da península da Indochina, no Sudeste Asiático. Faz fronteira com a República Popular da China a norte, Laos e Camboja a oeste, com o Golfo da Tailândia a sudoeste, e a leste e sul com o Mar da China Meridional, onde há mais de 4.000 ilhas e recifes próximas e distantes da costa, muitas destas reivindicadas pelo Vietname, sendo que ainda estão em disputa com outros países, como Taiwan, China, Malásia e Filipinas.

A região do atual país fez parte da China Imperial por mais de um milênio, a partir de 111 a.C a 938 d.C. Os vietnamitas se tornaram independente da China Imperial no ano 938, após a vitória vietnamita na Batalha de Bạch Đằng. Dinastias reais vietnamitas sucessivas floresceram quando a nação se expandiu geograficamente e politicamente para o Sudeste da Ásia, até a Península da Indochina ser colonizada pelos franceses em meados do século XIX. Na sequência de uma ocupação japonesa na década de 1940, os vietnamitas lutaram contra o domínio francês na Primeira Guerra da Indochina, que resultou na expulsão dos franceses em 1954. A partir daí, o Vietnã foi dividido politicamente em dois estados rivais, o Vietnã do Norte e o Vietnã do Sul. O conflito entre os dois lados se intensificou, com forte intervenção dos Estados Unidos, no que é conhecido como a Guerra do Vietnã. A guerra terminou com uma vitória norte-vietnamita em 1975. Após a vitória do Vietnã do Norte sobre o Vietnã do Sul, representado pela Frente Nacional de Libertação do Sul do Vietnã, o país passou a ser a República Socialista do Vietnã, mantida até os dias atuais.

Desde 1986 a economia nacional está em transição de uma economia planificada para uma de mercado.[6] Esta mudança fez com que, em 2012, as empresas estatais respondessem por apenas 40% do PIB.[6] O setor econômico vietnamita é um dos que mais crescem no mundo, de acordo com o Citigroup, estando em 11º lugar nas economias de mais rápido crescimento. Com a reforma econômica implantada no país, este tornou-se um membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2007. No entanto, o país ainda enfrenta muitos problemas, como a inflação, a falta de equilíbrio econômico, a saúde, a pobreza e a desigualdade social. Oficialmente, o Vietname estabeleceu relações diplomáticas com 178 nacões, e relações económicas, comerciais e de investimento com mais de 224 países e territórios. É membro das Nações Unidas, da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC) e da Organização Internacional da Francofonia.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome Việt Nam (em vietnamita: [viət Nam]) é uma variação do "Nam Việt" (em chinês: 南越; em pinyin: Nanyue, literalmente "Southern Việt"), um nome que pode ser rastreado até a Dinastia Trieu do século II a.C.[7] A palavra Việt originou-se como uma forma abreviada de Bách Việt (em chinês: 百越; em pinyin: Bǎiyuè), uma palavra aplicada a um grupo de povos que então viviam no sul da China e do atual Vietname.[8] A forma "Vietnam" (越南) é registrada pela primeira vez no poema oracular do século XVI, de Nguyễn Bỉnh Khiêm.[9] O nome também foi encontrado em 12 estelas esculpidas nos séculos XVI e XVII, incluindo uma em Bao Lam Pagoda, em Haiphong, datada de 1558.[10]

Entre 1804 e 1813, o nome foi utilizado oficialmente pelo Imperador Gia Long.[11] Foi revitalizado no início do século XX, pelo nacionalista Phan Boi Chau, no livro History of the Loss of Vietnam, e mais tarde pelo Việt Nam Quốc Dân Đảng.[12] O país geralmente era chamado Annam até 1945, quando o governo imperial, em Huế, e o movimento Việt Minh, em Hanói, adotaram o nome Vietnã.[13] Uma vez que o uso de caracteres chineses foi interrompido em 1918, a ortografia alfabética Vietnam é considerada a oficial.[13]

História[editar | editar código-fonte]

Pré-história e Idade do Bronze[editar | editar código-fonte]

As escavações arqueológicas revelaram a existência de seres humanos no que é hoje o Vietname já no período Paleolítico. Fósseis de homo erectus datados de cerca de 500.000 anos a.C foram encontrados em cavernas nas províncias de Lang Son e Nghe An, e outras províncias do norte do Vietname.[14] Os fósseis mais antigos de Homo sapiens encontrados no Sudeste Asiático são de proveniência do Pleistoceno Médio, e incluem fragmentos isolados, principalmente dentes.[15] Outros fragmentos atribuídos a Homo sapiens do Pleistoceno Superior também foram encontrados em Dong Can,[16] além de outros do período do Holoceno encontrados em Mai da Dieu,[16] Lang Gao [17] e Lang Cuom.[18]

Tambor de bronze da cultura Đông Sơn.

Por volta de 1.000 anos a.C, com desenvolvimento do cultivo do arroz e a fundição do bronze em áreas próximas aos rios Ma e Vermelho, houve o florescimento da cultura Đông Sơn, notável pela elaboração de seus tambores de bronze. Nesta mesma época, ocorreu a ascensão da dinastia Van Lang, a primeira dinastia governante do Vietname, e a influência da cultura espalhou-se para outras partes do sudeste da Ásia, incluindo o arquipélago malaio, durante todo o primeiro milênio antes de Cristo. Os tambores de bronze tem sido amplamente encontrados na região, e artefatos semelhantes foram identificados no Camboja, ao longo do rio Mekong.[19] [20] [21]

Primórdios[editar | editar código-fonte]

A história do Vietname está documentada há mais de 2500 anos. Durante cerca de mil anos, esta região foi dominada por sucessivas dinastias do império chinês, mas obteve a independência em 938 quando a dinastia Ngô foi estabelecida. O período dinástico terminou no século XIX, quando o país foi colonizado pela França em 1858.

A independência do Vietname foi gradualmente corroída pela França - ajudada por grandes milícias católicas colaboradoras - em uma série de conquistas militares entre 1859 e 1885, e após esse período o país inteiro foi absorvido pela Indochina francesa. O governo francês impôs significativas mudanças políticas e culturais na sociedade vietnamita. O sistema de educação moderna foi implementado e o catolicismo romano foi propagado amplamente entre a população do país. A maioria dos colonos franceses na Indochina estavam concentrados na Cochinchina, no sul do Vietname, baseados em torno da cidade de Saigon.[22]

Com o desenvolvimento de uma economia de plantação para promover a exportação de tabaco, anil, chá e café, os franceses ignoraram amplamente as reivindicações crescentes por um auto governo vietnamita e por direitos civis. Em pouco tempo, Phan Boi Chau, Phan Chu Trinh, Phan Dinh Phung, o imperador Ham Nghi e Ho Chi Minh passaram a lutar pela independência. Entretanto, o monarquista Can Vuong foi derrotado em 1890 após uma década de resistência e o motim de Yen Bai de 1930, feito pelo Viet Nam Quoc Dan Dang, foi sufocado facilmente. O controle que a França exercia em suas colônias se manteve até a Segunda Guerra Mundial, quando a Guerra do Pacífico levou à invasão japonesa da Indochina Francesa em 1941.

Com a derrota da França na Europa em 1940, a Terceira República francesa foi substituída pelo Regime de Vichy, no qual a colônia se manteve fiel. Fortemente dependente da Alemanha nazista, a França de Vichy foi forçada a entregar o controle da Indochina francesa ao Japão, aliado da Alemanha. Os recursos naturais do Vietname foram explorados para servirem às campanhas militares do império japonês contra as colônias britânicas da Birmânia, da Península Malaia e da Índia. A ocupação japonesa tornou-se uma das principais causas da Fome no Vietnã de 1945, o que causou cerca de dois milhões de mortes, o equivalente a até 10% da população contemporânea do país.[23]

Hoi An, Vietnã.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os franceses tentaram restabelecer o controle da região, sem sucesso. Assim sendo, a França foi derrotada na Batalha de Dien Bien Phu, após oito anos de luta armada, comandada por Giap em 1954 na primeira guerra da Indochina. Mesmo com a ajuda dos Estados Unidos, o Vietname foi dividido em dois países separados, na Conferência de Genebra, conhecidos como Vietname do Norte e Vietname do Sul.[24]

Durante a Guerra Fria, o norte comunista tinha o apoio da China e da União Soviética, enquanto o sul anti comunista era apoiado pelos Estados Unidos, o que deu lugar à Guerra do Vietname (também chamada de Guerra Civil Americana, pelos vietnamitas) em que os americanos foram obrigados a abandonar, em março de 1973, a cidade de Saigon que foi tomada pelo Vietcong - frente de libertação do sul em abril de 1975.[24]

Em julho de 1976, a República do Vietname (Vietname do Sul) e a República Democrática do Vietname (Vietname do Norte) se reunificaram formando a República Socialista do Vietname/Vietnã.[25]

A reunificação política[editar | editar código-fonte]

A guerra terminou com a vitória do Vietname do Norte e com a reunificação dos dois territórios, em 1976. Completado o processo de reunificação, nasceu a República Socialista do Vietnã com posições pró-soviéticas.[25] Todavia, as consequências do conflito foram gravíssimas: os intensos bombardeamentos norte-americanos tinham destruído cerca de 70% das instalações industriais do Norte, tornado impraticáveis quase todas as vias de comunicação e queimado com bombas químicas vastas extensões de floresta (recordar em particular, sobre as devastadoras consequências do uso do napalm, uma mistura de sais alumínicos e ácidos orgânicos, usada na indústria bélica para a fabricação de bombas, precisamente pelo seu alto poder incendiário).[26]

Templo em Huế, Vietname.

De uma maneira geral, as operações militares tinham tirado mão de obra das atividades industriais, causando assim a interrupção de todos os investimentos profundos do Norte; haviam impedido as atividades agrícolas no Sul; limitado fortemente em todo o país a pesca do mar alto que, pela enorme extensão das costas vietnamitas e pela densidade demográfica ao longo da faixa litorânea, se tornando uma região de cada vez de maior importância na economia vietnamita (é da fermentação dos peixes de que se extrai o nuocman, o famoso condimento da cozinha local).

Essas problemáticas tiveram de ser imediatamente enfrentadas já na primeira fase da reconstrução, procurando uma resposta para ela, através de política de plano, em linha com os princípios ideológicos do socialismo e com o modelo de desenvolvimento já adotado nos países comunistas. Contudo, passados trinta anos, a República ainda tinha de resolver problemas importantes, entre os quais -- e não é certamente o último -- se encontra o da integração de duas estruturas econômicas , hoje profundamente diferentes uma da outra; trata-se de um problema que evoca o outro, ainda mais complexo, da reunificação social e cultural de populações que continuamente divididas durante muito tempo, portanto com expressões de modos de vida opostos.

Na realidade, as duas estruturas econômicas antes da divisão forçada apresentavam uma unidade de fundo relacionada, por um lado, com a matriz rural comum de toda a região vietnamita e não só e, por outro, com a própria história colonial do país, porque a presença francesa foi muito mais influente na Região Sul; aliás, na então Saigon, sede administrativa, se formou uma classe dirigente abertamente aos interesses estrangeiros originalmente franceses, depois, estadunidenses -, cujo foram forçados novos comportamentos territoriais.

As diferenças regionais condicionaram claramente as orientações da política empreendida pelo governo, no momento da formação da nova República. Além de uma série de procedimentos organizacionais, como a modificação do aparelho administrativo do país - reestruturado e readaptado muitas vezes após a reunificação, de modo que, das 40 províncias existentes em 1957, foram feitas várias reformas até chegarem ao número atual de 60 -, as políticas adotadas previam no campo econômico respeitando a iniciativa privada nas regiões meridionais, onde se reconhecia o direito de propriedade sobre pequenas superfícies cultivadas, quando no resto do país prevaleciam já há algum tempo formas de gestão cooperativa.

Pelo contrário, o Estado controlava em todo o território os serviços fundamentais e as atividades financeiras e comerciais. Também houve a abertura de investimentos estrangeiros para estimular o desenvolvimento industrial em todo o país, com o qual se preparou, aliás, um posterior aumento da indústria pesada; mais recentemente, para favorecer o aumento da produtividade, foram introduzidos novas formas de indústrias para a superação das quotas de produção,que tinham sido apresentadas após a realização dos planos quinquenais.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Vietname é um país longo e estreito que ocupa a costa oriental da península da Indochina, sobre o Golfo de Tonkin e o Mar da China e tem uma área de cerca de 331.688 quilômetros quadrados.

O clima de monções é quente e chuvoso. Predominam as florestas tropicais e a rede hidrográfica é muito rica. A parte norte é mais elevada, sob influência das cadeias montanhosas formadoras do Himalaia do sul da China, onde se localiza o Fan Si Pan e seus 3.144 m de altitude, o ponto mais alto do país e de toda Indochina (agrupamento geopolítico regional deste país com o Laos e o Camboja). Em toda sua fronteira oeste com o Laos e com o nordeste do Camboja, estende-se a Cordilheira Anamita, com altitudes chegando em torno dos 2.000 m., servindo de divisor de águas entre o vale do Rio Mekong, em território laosiano, e a bacia hidrográfica costeira do Mar da China Meridional. Há dois deltas importantes, o do Rio Song Cai (Red River ou Rio Vermelho), que corta a capital do país, Hanoi, ao norte; e do Rio Mekong, ao sul, mais volumoso e que corta a maior cidade do país, Ho Chi Minh (Saigon), também o rio mais importante da Indochina. A agricultura ocupa a maioria da população, sendo o arroz o principal produto.

O norte do país é rico em antracito, linhito, carvão, minério de ferro, manganês, bauxita e titânio.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Floresta Cần Giờssa, nos arredores da Cidade de Ho Chi Minh.

O solo do país é fértil e o clima subtropical favorece uma vegetação exuberante. As florestas possuem mais de 800 espécies de árvores registradas. Na Guerra do Vietnã, foram destruídos cerca de dois milhões de hectares de floresta e manguezais. O crescimento populacional no período pós-guerra, associada à recessão econômica, contribuíram para o crescimento do desmatamento, embora o reflorestamento tenha sido adotado após alguns anos.[27] Cerca de metade da área de superfície do país é coberta por florestas.[28]

A Baía de Ha Long, no Parque Nacional de Phong Nha-Kẻ Bàng, é um Património Mundial da UNESCO.[27] No total, existem 27 parques nacionais e áreas protegidas no país, que representam, juntas, cerca de um décimo da área terrestre da nação.[28] Entretanto, florestas e áreas protegidas, como a Annamin são fragmentadas, e algumas destas possuem um défict de gestão e conservação adequada.[29]

Flora e fauna[editar | editar código-fonte]

No país, há cerca de 200 espécies de mamíferos, 800 espécies de aves, 150 espécies de répteis e uma centena de espécies de anfíbios. As zonas costeiras e águas salobras abrigam milhares de espécies de peixes, sendo que entre estes, cerca de 250 espécies são de água doce. Há uma variedade de invertebrados.[30] As densas florestas são o habitat de uma grande variedade de macacos e pequenos felinos. As montanhas do norte também abrigam o urso-negro-asiático, urso-dos-coqueiros (também conhecido como urso-do-sol), raposas e outros pequenos predadores.[30] A fronteira com o Laos é marcada pela presença rara do gado da espécie saola, e também dos muntiacus, da família cervidae. Outros animais raros são o rinoceronte-de-java, lutung-de-delacour e seus parentes, o elefante-asiático, o tigre e o leopardo-nebuloso.[27]

Demografia[editar | editar código-fonte]

O censo de 1 de abril de 2009 registrou 85,8 milhões de habitantes no Vietname, dos quais o grupo étnico vietnamita constituía quase 73,6 milhões de pessoas, ou 85,8% da população residente no país.[31] De acordo com dados da CIA, em 2013 a população atingiu 92 477 857 habitantes, fazendo deste o 14º mais populoso do mundo.[2] O Estado apresentou um crescimento populacional considerável desde o censo anterior, em 1979, que identificou 52,7 milhões de habitantes no país naquele ano.[31] Grande parte da população vietnamita está concentrada principalmente nos deltas aluviais e planícies costeiras do país.[32] A região Delta do Rio Vermelho é a mais populosa deste, com 19,5 milhões de habitantes, seguida pela Costa do Centro-Norte e Costa do Centro-Sul, com 18,8 milhões de habitantes, e Delta do Rio Mekong, com 17,2 milhões de habitantes. A região menos populosa do país é a Terras Altas do Centro, com 5,1 milhões de habitantes.[33] [34] [35] [36]

Ao menos cinco cidades vietnamitas possuem mais de um milhão de habitantes: Cidade de Ho Chi Minh, Hanói, Haiphong, Can Tho e Da Nang.

Tratando-se sobre a população urbana e rural, o Vietname tem cerca de 29,6% de seus habitantes vivendo em áreas urbanas e 70,4 % vivendo em área rural. Em relação ao gênero, existem 98 homens para cada grupo de 100 mulheres, sendo que nas regiões de planície do sudeste do país, essa representação passa a ser de 102 homens para cada grupo de 100 mulheres.[37]

Etnicidade[editar | editar código-fonte]

De acordo com o censo de 2009, o grupo étnico vietnamita soma em torno de 73,6 milhões de pessoas, ou seja, 85,8% da população. Como um enorme grupo homogêneo, tanto socialmente quanto etnicamente, os étnicos vietnamitas possuem significativa influência nas questões políticas e econômicas do país. No entanto, o Vietname possui outros 54 grupos étnicos minoritários, incluindo os Hmong, Yao, Tay, Khmers, Tais e Nùng. Os Hmong são a a etnia minoritária com a maior população, estimada em 1 068 189 habitantes,[38] Muitas etnias minoritárias - como os Muong, os quais possuem estreitas relações com os Vietnamitas - moram nas terras altas, que cobrem dois terços do território do país, especialmente nas regiões Noroeste (Província de Hoa Binh e na Costa do Centro-Norte (Província de Thanh Hoa);[39] Antes da Guerra do Vietnã, a população das Terras Altas do Centro era quase exclusividade dos Degar (incluindo outras 40 tribos); no entanto o governo sul-vietnamita de Ngo Dinh Diem decretou um programa de reassentamento dos Vietnamitas em áreas indígenas.[38] . Os povos Hoa (etnia chinesa)[39] e Khmer Krom ocupam as terras baixas. Cerca de 450 000 imigrantes de etnia Hoa deixaram o Vietname entre 1978 e 1979, devido a relação tensa entre o país e a República Popular da China à época.[40]


Religião[editar | editar código-fonte]

Durante grande parte da história vietnamita, o Budismo Mahayana, o taoísmo e o confucionismo tem sido as religiões predominantes, influenciando fortemente a cultura nacional. Cerca de 85% dos vietnamitas se identificam com o budismo, embora a prática da religião não seja regularmente.[41] De acordo com o Escritório de Estatísticas Gerais do Vietname, em abril de 2009, 6,8 milhões de vietnamitas (ou 7,9% da população total) são budistas; 5,7 milhões (6,6%) são católicos; 1,4 milhão (1,7%) são adeptos do Hoa Hao; 0,8 milhão (0,9%) praticam o Cao dai e 0,7 milhão (0,9%) são protestantes. No total, 15 651 467 vietnamitas (18,2%) são formalmente registrados em uma religião. De acordo com o censo de 2009, enquanto mais de 10 milhões de pessoas eram seguidoras das Três Jóias do budismo,[42] a grande maioria dos vietnamitas mostram-se adeptos de cultos e práticas ancestrais. De acordo com um relatório de 2007, 81% dos vietnamitas não acreditam em Deus.[43]

Cerca de 8% da população são cristãos, num total de cerca de seis milhões de católicos romanos e menos de um milhão de protestantes, de acordo com o censo de 2007. O cristianismo foi introduzido no Vietname por comerciantes portugueses e holandeses, nos séculos XVI e XVII, e foi ainda mais propagado por missionários franceses, nos séculos XIX e XX e, em menor medida, pelos missionários protestantes americanos durante a Guerra do Vietnã, em grande parte entre o montanheses do sul do Vietnã. As maiores igrejas protestantes são a Igreja Evangélica do Vietnã e da Igreja Evangélica Montanheses. Dois terços dos protestantes do Vietnã são supostamente membros de minorias étnicas.[44] A Igreja do Vaticano está oficialmente proibida, e somente organizações católicas controladas pelo governo são permitidas. No entanto, o Vaticano tentou negociar a abertura de relações diplomáticas com o Vietname nos últimos anos.[45]

Várias outras religiões minoritárias estão presentes no país. Cerca de 3% da população são adeptos do Cao Dai, uma religião sincrética moderna cujos seguidores estão, em grande parte, concentrados na província de Tay Ninh. O Islamismo é praticado principalmente pela minoria étnica Cham, embora haja também alguns adeptos vietnamitas no sudoeste. No total, existem cerca de 70 mil muçulmanos sunitas no Vietname, enquanto outros 50 mil hindus e um pequeno número de bahá'ís.[46]

A posição oficial do estado sobre a religião é que todos os cidadãos são livres para seguir suas crenças, e que todas as religiões são iguais perante a lei.[47] No entanto, somente as organizações religiosas aprovadas pelo governo possuem permissão para a atuação no país.[48]

Política[editar | editar código-fonte]

A República Socialista do Vietname, juntamente com a China, Coreia do Norte, Cuba e Laos, é um dos cinco países socialistas do mundo de partido único, defendendo oficialmente o comunismo. A sua constituição atual, que substituiu a constituição de 1975 em abril de 1992, afirma o papel central do Partido Comunista do Vietnã, em todos os órgãos do governo, política e sociedade. O Secretário-Geral do Partido Comunista realiza inúmeras funções administrativas e executivas importantes, controlando organizações estaduais e compromissos nacionais do partido, bem como a definição de políticas. Somente organizações políticas afiliadas ou endossadas pelo Partido Comunista do país estão autorizadas a disputar eleições no Vietnã. Estes incluem o Frente Patriótica Vietnamita e sindicatos de trabalhadores. Embora o Estado continua a ser oficialmente comprometido com o socialismo como o seu credo define, suas políticas econômicas têm crescido cada vez mais capitalistas.[49]

O Congresso, sob a Constituição, é o mais alto órgão representativo do povo, os corpos mais elevados da República Socialista do Vietnã. O Congresso é o único organismo com constitucionais poderes legislativos. A missão da Assembleia Nacional é monitorar e decidir a política de base interna e externa, a tarefa da economia, relações sociais, defesa e segurança, os princípios fundamentais do aparelho do Estado.[50]

O Presidente do Vietnã é o chefe titular de Estado e o chefe comandante-em-nominal dos militares, servindo como Presidente do Conselho Supremo de Defesa e Segurança. O primeiro-ministro do Vietnã é o chefe de governo, presidindo um conselho de ministros composto por três vice-primeiros-ministros e os chefes de 26 ministérios e comissões.[51]

A Assembleia Nacional do Vietnã é o orgão legislativo unicameral do país, composto por 498 membros. Chefiada por um Presidente, que é superior aos poderes Executivo e Judiciário, com todos os ministros do governo sendo nomeados por membros da Assembleia Nacional. O Tribunal Popular Supremo do Vietnã, chefiado por um Chefe de Justiça, é o mais alto tribunal de apelação do país, embora ele também seja responsável perante a Assembleia Nacional. Sob o Tribunal Popular Supremo, estão os tribunais municipais e provinciais e numerosos tribunais locais. Os tribunais militares possuem foro especial em matéria de segurança nacional.[51]

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

Ao longo de sua história, o Vietname mantém relações diplomáticas com diversos países, principalmente com a República Popular da China, seu país vizinho, do qual o Vietname fez parte do império. Os princípios de soberania do Vietname e a insistência na independência foram estabelecidos em inúmeros documentos ao longo dos séculos, como no poema patriótico Nam Quoc Son Ha, originário do século XI, e a proclamação da independência Bình Ngô đại Cao, datada de 1428. Embora a China e Vietname, nos dias atuais, estejam formalmente em paz, significativas tensões territoriais permanecem entre os dois países.[52]

Atualmente, a declaração de missão formal da política externa vietnamita é: "Implementar de forma consistente a linha de política externa de independência, auto-confiança, paz, cooperação e desenvolvimento, a política externa de abertura e diversificação e multi-lateralização de relações internacionais de forma proativa. Se engajar ativamente na integração econômica internacional, enquanto a expansão da cooperação internacional em outros campos".[53] O país declara-se "um amigo e parceiro de confiança de todos os países da comunidade internacional, a participar ativamente nos processos de cooperação internacional e regional".[53]

Até fevereiro de 2009, o Vietname havia estabelecido relações diplomáticas com 178 países, incluindo os Estados Unidos, que passou a ter relações normalizadas com o país em 12 de julho de 1995.[54] O primeiro país a estabelecer relações diplomáticas com o Vietname foi a República Popular da China, em 18 de janeiro de 1950, seguido da República Democrática da Coreia e República Checa, em 31 de janeiro e 2 de fevereiro de 1950, respectivamente. Entre os países lusófonos, as relações diplomáticas entre o Vietname e Portugal deram início em 1 de julho de 1975 e, com o Brasil, em 8 de maio de 1989.[54] O país possui participação em 63 organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Movimento Não Alinhado (MNA), Organização Internacional da Francofonia (OIF) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Além destas, é membro de cerca de 650 organizações não-governamentais.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Regiões do Vietname
Províncias do Vietnã

O país é subdividido em 58 províncias e 5 cidades com estatuto de província.

As 5 cidades com estatuto de província são:

As 58 províncias são:

As províncias estão agrupadas em 8 regiões. As regiões não possuem fins administrativos, apenas econômicos e estatísticos. São elas:

Crianças de Người Ê Đê.

Economia[editar | editar código-fonte]

O Vietnã é um país densamente povoado em desenvolvimento.[4]

Entre os países do Sudeste Asiático, foi o Vietnã quem seguramente atingiu a independência política com maiores dificuldades e com altos custos sociais e ambientais. A região a norte do paralelo 17 obteve a independência da França em 1954 e organizou-se como República Democrática. O novo regime exerceu imediatamente um controle direto sobre a economia, nacionalizando as empresas industriais estrangeiras e implantando outras, especialmente nos sectores de base; nos campos, depois das expropriações dos latifúndios e das grandes propriedades, formaram-se primeiro cooperativas e, depois, empresas agrícolas estatais. A seguir, a República empreendeu, graças às ajudas soviéticas, uma guerra para alcançar a reunificação das províncias do Sul, ainda colónia francesa. Depois da derrota da França, os Estados Unidos, determinados a impedir o avanço do comunismo, envolveram-se cada vez mais no conflito e, a partir de 1965, intensificaram a sua presença no país (fala-se de cerca de meio milhão de soldados no pico máximo da presença bélica, entre homens do exército governamental e forças norte-americanas). Está listado entre as economias dos "próximos onze".[55]

A agricultura[editar | editar código-fonte]

Pelo menos até finais da segunda metade dos anos oitenta, o desenvolvimento económico aconteceu nesta base, fazendo registar um crescimento constante, mas sem acelerações especiais. Nos campos, disponibilizaram-se globalmente 500 000 hectares de terras abandonadas ou danificadas pela guerra; arrotearam-se mais de um milhão de novas terras; introduziram-se maquinarias e fertilizantes.[56]

A agricultura, já amplamente colectivizada, conseguiu superar as dificuldades subsequentes à guerra e alcançar resultados bastante positivos; a produção de arroz, distribuída por cerca de 90% das terras cultivadas, mostrou um crescimento notabilíssimo, a ponto que, pela primeira vez, o Vietname - um país eminentemente agrícola tal como outros estados da península da Indochina - se ter tornado auto-suficiente quanto ao consumo interno de arroz, de que é também exportador (5º produtor mundial).

Deve-se, na verdade, realçar que os produtores agrícolas independentes são excluídos dos benefícios directos do crescimento das exportações, porque a rede de comercialização interna e internacional ainda é controlada pelas empresas agrícolas públicas, que compram a um preço mais baixo que o mercado internacional os produtos destinados ao consumo externo. Além da orizicultura, estão em expansão as culturas do milho, batata-doce, mandioca, hortaliças, fruta (ananás e citrinos), cana-de-açúcar, borracha, chá, café (de que é o 2º produtor mundial depois do Brasil).

Apesar disto, as produções nacionais, sobretudo relativamente às carnes, ainda não cobrem as necessidades nacionais. É bastante mais visível a repartição das produções à escala regional: no Norte, além do arroz - de que no Tonquim se obtêm duas colheitas por ano.

Automobilística: Atualmente o Vietnã é detentor das marcas Volkswagen, Audi, Ferrari e Chevrolet, tendo o maior complexo automobilístico do mundo, fabricando para diversos países como EUA, Brasil, Rússia e Iugoslávia.[carece de fontes?]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Em 2009, a expectativa de vida no Vietname era de 76 anos para mulheres e 72 para os homens, e a taxa de mortalidade infantil era de 12 por mil nascidos vivos. Até 2009, 85% da população tinha acesso à água potável. No entanto, a desnutrição ainda é comum nas regiões rurais. em 2001, os gastos do governo em saúde corresponderam a apenas 0,9% do produto interno bruto (PIB) do Vietname, com subsídios estatais que cobrem apenas cerca de 20% da saúde despesas de cuidados.

Em 1954, o Vietnã do Norte estabeleceu um sistema de saúde público de caráter descentralizado. Após a reunificação nacional em 1975, um serviço nacional de saúde foi estabelecido. Na década de 1980, a saúde passou a ser administrada apenas do governo provincial, retirando a responsabilidade do governo nacional para as províncias. A medida foi desfeita tempos depois. Em 2000, o Vietname possuía apenas 250.000 leitos hospitalares, ou 14,8 leitos por 10 mil habitantes, de acordo com o Banco Mundial.

Mídia[editar | editar código-fonte]

O setor de mídia no Vietnã é regulado pelo governo, de acordo com a Lei de 2004, que trata sobre Publicação e afins.[57] A área de mídia e comunicação é controlada pelo governo e segue a linha oficial do Partido Comunista, com exceção de alguns jornais.[58] O serviço de radiodifusão oficial estatal nacional de rádio, Voice of Vietnam, é transmitindo internacionalmente via ondas curtas usando transmissores alugados em outros países, e fornecendo transmissões a partir do seu site. O Vietnam Television é a empresa nacional de radiodifusão televisiva.

Desde 1997, o Vietnã tem amplamente regulamentado o acesso à internet, através de meios legais e técnicos. O bloqueio resultante é amplamente conhecido como "Bambu Firewall".[59] O projeto de colaboração OpenNet Initiative classifica o nível de censura política on-line no Vietnã como "pervasivo",[60] enquanto o Repórteres sem Fronteiras considera o Vietnã como um dos 15 "inimigos da Internet" no mundo.[61] Embora o governo do Vietnã reivindica proteger o país contra conteúdo obsceno ou sexualmente explícito através de seus esforços de bloqueio, muitos sites políticos e religiosos também são proibidos.[62]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A música tradicional vietnamita combina as influências provenientes da China e da Índia. Os instrumentos típicos são o violino monocorde (lan dóc huyen) e a cítara vietnamita. Cada etnia possui seu estilo musical particular, seus trajes típicos e instrumentos.

O teatro vietnamita combina dança, mímica, música, canções e declamação num só espetáculo. Costumam ser montagens muito vistosas e originais, desde os mais tradicionais aos mais modernos. Numerosas companhias atuam constantemente por todo o país. Um dos espetáculos mais atrativos é o das "Marionetes de Água", onde narram-se histórias simples através de marionetes sobre água e que são manejadas com destreza por homens e mulheres ocultos trás o cenário.

A tradição literária vietnamita começa com a tradição oral, que incluí lendas, mitos e canções populares. Outras das expressões literárias é a que aparece representada em caracteres chineses, e data da época do primeiro reino independente vietnamita. Dominavam naquela época os textos de caráter budista e confuciano, nos que a rima e o verso guardavam formas muito rígidas. A literatura moderna combina todas estas formas e outros escritas em nom e em quoc ngu.

Uma das artes em que se destaca é a cerâmica; sua produção gozou de uma grande reputação ao largo da história.

Áo dài[editar | editar código-fonte]

Garota vietnamita usando um Áo dài vermelho.

O áo dài é o traje típico vietnamita para as mulheres. Em sua forma atual, é um vestido de seda de corte apertado, utilizado sobre calças.

Áo dài é pronunciado /ˈáʊ ˈjà/ no sul do Vietnã e /ˈáʊ ˈzàɪ/ no norte. Áo vem duma palavra do chinês medieval que significa "casaco acolchoado" (襖). Na língua vietnamita atual, áo se refere a um item de vestimenta que cobre o corpo inteiro a partir do pescoço, enquanto dài significa "longo." O termo áo dài vem sendo aplicado a diversos tipo de roupas, historicamente, incluindo o áo ngũ thân, uma vestimenta aristocrática do século XIX. Inspirado pelas modas de Paris, o artista Nguyễn Cát Tường, de Hanói, redesenhou o ngũ thân como um vestido, em 1930. Na década de 1950, os estilistas de Saigon apertaram o caimento do vestido, produzindo a versão utilizada pelas mulheres vietnamitas hoje em dia. O vestido foi extremamente popular no Vietnã do Sul na década de 1960 e no início da década de 1970. Os comunistas, no entanto, que dominaram todo o país a partir de 1975, não aprovavam o vestido e favoreceram estilos mais frugais e andróginos. Na década de 1990 o áo dài reconquistou popularidade. A roupa equivalente para os homens, chamada de áo gấm ("roupão de brocado"), também é vestida em ocasiões especiais, como casamentos e aniversários de morte.

O comentário acadêmico sobre o áo dài enfatiza a maneira que a roupa associa a beleza feminina ao nacionalismo vietnamita, especialmente na forma de concursos de "Miss Aodai", populares tanto entre vietnamitas expatriados como no próprio Vietnã.[63] "Aodai" é uma das poucas palavras do vietnamita que chegaram a aparecer em dicionários do idioma inglês.

Nón là[editar | editar código-fonte]

Estudante usando um áo dài branco e um nón lá.

O nón lá ("chapéu de folhas") é um símbolo de vida tradicional vietnamita. É prático, elegante e extremamente durável, muito leve no peso e oferece proteção contra o sol tropical e das chuvas de monção. É usado em todo o país e também nas zonas rurais do Laos e áreas fronteiriças do Camboja. É usado por agricultores, pescadores, comerciantes, modelos de moda, camponeses, estudantes, adultos, crianças, homens, mulheres e moradores da cidade . Vê-se nos campos, nas ruas, nas praças e em cerimônias tradicionais. O nón lá tambem é usado para carregar água, colher e transportar frutas e legumes.

São feitos em todo o país. Diferentes regiões têm suas próprias versões de design. A área ao redor de Hue, no centro do país, é muito conhecida por seus chapéus de arte, que tambem são leves, resistentes e decorados com frases e imagens de conhecidos marcos históricos e culturais da região.

Culinária[editar | editar código-fonte]

Pho, um dos pratos vietnamitas mais populares.

A culinária vietnamita tradicionalmente apresenta uma combinação de cinco elementos fundamentais, definidos pela cultura vietnamita: Picante (metal), azedo (madeira), amargo (fogo), salgado (água) e doce (terra).[64] Os pratos comuns da culinária do país incluem o molho de peixe, pasta de camarão, molho de soja, arroz, ervas frescas, frutas e legumes. Receitas vietnamitas comumente usam capim-limão, gengibre, hortelã, hortelã vietnamita, coentro, canela, pimenta, limão e folhas de manjericão.[65] A cozinha vietnamita tradicional é conhecida por seus ingredientes frescos, o uso mínimo de óleo e a dependência de ervas e vegetais, além de ser considerada uma das culinárias mais saudáveis ​​em todo o mundo.[66]

No norte do Vietnã, os pratos típicos são muitas vezes menos picantes do que os alimentos do sul, tendo em vista que o clima da região é mais frio e limita a produção e disponibilidade de especiarias. A pimenta-preta é usada no lugar da pimenta para produzir os sabores picantes. O uso de carnes, como carne de porco, carne bovina e de frango, são relativamente limitados, sendo que o consumo de peixes de água doce e crustáceos - especialmente caranguejos e moluscos - passou a ser amplamente utilizado. Molhos de peixe, de soja, de camarão e de limão estão entre os principais ingredientes aromatizantes. Entre os pratos típicos vietnamitas mais populares estão o Bún riêu e o Bánh cuốn, este último originário do norte vietnamita e levado por migrantes para outras partes do país, como a região central e sul.[67]

Esportes[editar | editar código-fonte]

O esporte nacional que prevalece no Vietnã são as artes marciais.[68] O Viet vo dao e o Qwan ki do são duas das principais artes marciais oriundas do país, reconhecidas mundialmente e ambas utilizando técnicas de torções, imobilizações, chutes, projeções, defesa pessoal e o manejo de diversas armas tradicionais chinesas e vietnamitas. Outra importante arte marcial surgida no Vietnã, embora menos praticada, é o Vovinam. Esta arte marcial pode ser praticada com ou sem o auxílio de armas, apresentando técnicas como socos e chutes, e por vezes praticada com uma espada, , machado ou leque.[69] Diferente do Viet vo dao e do Qwan ki do, o Vovinam está mais centrado na reação do adversário.[69]

O futebol é o esporte coletivo mais popular no país.[70] A seleção de futebol vietnamita venceu o Campeonato da ASEAN em 2008. Apesar disto, o Vietnã nunca participou de qualquer edição da Copa do Mundo FIFA, sem nunca ter se classificado nas eliminatórias do evento. Outros esportes ocidentais, como badminton, tênis, voleibol, tênis de mesa e xadrez, também são muito populares.

O Vietnã tem participado dos Jogos Olímpicos de Verão desde 1952, quando competiu como o Estado do Vietnã. Após a divisão do país em 1954, apenas o Vietnã do Sul continuou a competir nos Jogos, com o envio de atletas sul-vietnamitas para os Jogos Olímpicos de 1956 e 1972. Desde a reunificação da nação, em 1976, este passou a competir como a República Socialista do Vietname, participando de todos os Jogos Olímpicos de Verão a partir de 1988. O Comitê Olímpico do Vietnã foi criado em 1976 e reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1979.[71] O país nunca participou dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e Referências

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