Vigorexia

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Vigorexia, ou transtorno dismórfico muscular, ocorre quando o volume e a intensidade de exercício físico praticado por um indivíduo excede a sua capacidade de recuperação, e pode estar associada a uma auto-imagem um tanto distorcida, em quadro psicologicamente patológico.[1]

É classificada como um Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e, mais especificamente[2], se acompanhada de uma auto-imagem distorcida, é um transtorno dismórfico corporal[3].

Foi inicialmente diagnosticada como um transtorno obsessivo compulsivo pelo médico Harrison Graham Pope Jr., professor de psicologia em Harvard, que a nomeou de vigorexia ou Síndrome de Adônis (relacionando-a com o deus grego Adônis, de grande beleza física).

Indivíduos acometidos desta síndrome são pessoas que, mesmo fortes fisicamente, ao visualizarem a sua imagem em espelhos, por exemplo, vêem-se como fracos, de maneira similar aos acometidos de anorexia que, ao se visualizarem, sempre se consideram gordos.[4]

Acomete predominantemente indivíduos do sexo masculino, ocorrendo também em indivíduos do sexo feminino em menor escala. Em ambos os casos, ocorre predominantemente associado à prática de musculação e ao fisiculturismo, embora deva destacar-se que um fisiculturista não é necessariamente afectado por esta síndrome.

Deve, assim, separar-se o quadro do indivíduo que é acometido de tal comportamento em dois grupos, ou quadros: o do indivíduo que pratica exercícios de qualquer tipo exageradamente (no que é relacionada intimamente ao termo overtraining - "sobre-treinamento" em inglês, no sentido de treinamento excessivo), do indivíduo que, além disso, ou inclusive em detrimento de fazer-se exercícios exageradamente, jamais se contenta com seu volume corporal, com enfoque na massa/volume muscular. Exemplificando, um indivíduo pode ter obsessão pela prática de exercícios, como a corrida ou a natação, levando-o ao "sobre-treinamento" (overtraining), mas não apresentando uma obsessão pelo volume muscular, para o que inclusive exercícios aeróbicos são inadequados e improducentes. Por outro lado, os obcecados por volume muscular podem passar a se exercitar adequadamente com vistas ao volume muscular, mas somarem a excessiva ingestão de suplementos alimentares e mesmo anabolizantes de diversos tipos, além de outras substâncias com as mesmas finalidades, inclusive com o abandono e até desprezo por qualquer acompanhamento médico adequado ou mesmo coerente com as prescrições farmacológicas da literatura.

Tais indivíduos, além de perseguirem o volume muscular por todos os fins e com intensidade, passam também, correspondentemente, a apresentarem comportamento depressivo quando perdem volume muscular por algum motivo (uma infecção ou um acidente limitante do exercício ou alimentação, por exemplo). Em paralelo a tal comportamento, quando apresentam reações tóxicas a medicamentos que são usados no seu aumento de volume muscular ou manutenção da qualidade de seu aspecto (no que é chamado de definição muscular, por exemplo) ou fármacos usados como auxiliares nisto, recusam-se a aceitar que necessitam cessar o uso de tais medicações ou procurar apoio médico.

O quadro de sobre-treinamento propriamente dito, igualmente, em função do desgaste que gera, ou das dificuldades de motivação para ser mantido, pode ser associado ao consumo de estimulantes de todos os tipos, desde a comum cafeína oriunda de diversas fontes, em demasia, passando pelas anfetaminas de diversos tipos, até a cocaína.

Índice

[editar] A vigorexia e os anabolizantes

O consumo crescente de esteróides anabolizantes com fins puramente estéticos é associado a esta síndrome[5], o que levou países europeus a tratarem seu comércio com os mesmos critérios legais e penais do consumo de drogas psicotrópicas. Correlatamente, proprietários de academias e instrutores da área sem escrúpulos aproveitam-se de tal mercado possível e constroem estruturas de contrabando e tráfico deste tipo de medicamentos.

Aos esteróides, acrescentam-se o consumo de insulina, o hormônio do crescimento, assim como outras drogas com a mesma finalidade de anabolizante.[6] Igualmente, existe o consumo de medicamentos de uso veterinário, especialmente para equinos, com os mesmo fins.

No quadro de obsessão por volume muscular, é comum o quadro de indivíduos do sexo feminino, que além do volume muscular extremamente grande, somam, pelo consumo de hormônios com caráter masculinizante (derivados, relacionados e modificados da testosterona natural ou sintética), passam a apresentar características sexuais secundárias e terciárias, como pelos (incluindo barba) e perda do cabelo na cabeça no que chamamos "entradas" e inclusive a típica calvície masculina, além de aumento do volume dos grandes lábios da vulva e clitóris. Mesmo com este quadro, a vigorexia se manifesta como uma obsessão tão dominante sobre os hábitos do indivíduo que estas não abandonam suas práticas de dosagem de tais drogas, com vista aos ganhos musculares.[7]

Tratamentos

É necessário o tratamento medico, terapia e ajuda nutricional. Podem acontecer recaídas, por isso é bom ter um acompanhamento ao longo do período.

[editar] A injeção de óleos e próteses

A aplicação de próteses de silicone com vistas a suplementar volume muscular não é incomum, e inclusive, tem seu lado em cirurgia plástica de recuperação estética de indivíduos atingidos por acidentes deformantes, como os automobilísticos e com animais (tubarões são um exemplo típico), ou ainda queimaduras graves.

Mas existe também a injeção de óleos nos grupos musculares com vista a doar volume adicional, pelo seu entumescimento. Entre tais produtos citam-se Esiclene (formebolone, hubernol), Synthol (Pump N Pose) (composto de triglicérides de cadeia média, álcool benzílico e lidocaína), que é uma modificação do Esiclene, o ADE (composto vitamínico que em cada 100 ml, normalmente é composto de 2.500.000 a 25.000.000 Ul de vitamina A, 500.000 a 7.000.000 Ul de vitamina D e 1.650 a 7.000 Ul vitamina E), é normalmente usado no tratamento de carências vitamínicas e infecções em bovinos, equinos, suínos, ovinos, caprinos e coelhos (há claras recomendações para evitar-se seu uso em cães e gatos). Note-se que tais produtos, altamente perigosos, não causam anabolia, apenas o aumento do volume muscular, sem aumento do seu tecido propriamente dito, ou mesmo força (sempre relacionada a seu volume, ainda que complexamente).[8]

[editar] A vigorexia e a definição muscular

Determinados indivíduos, ao serem acometidos de vigorexia, podem desenvolver uma obsessão não apenas pelo volume muscular, mas também pela aparência deste, e seu volume de gordura subcutânea que os revela. A esta característica, chama-se definição muscular. Este factor é importante entre os fisiculturistas competidores, e até importante nos atletas de diversos desportos, no teor de gordura corporal, sem considerar diretamente factores estéticos.

Tais indivíduos podem somar ao excesso de treino e/ou o consumo de anabolizantes diversos, ou mesmo excesso de alimentação baseada em proteínas, somam medicamentos e substâncias que auxiliam ou potencializam a queima de gordura corporal, "fat burners" ("queimadores de gordura", em inglês), como a cafeína e a efedrina e suas combinações, as combinações de anfetaminas e inibidores de apetite diversos e outros fármacos com estes fins, inclusive em dosagens perigosas, até mesmo pelos baixos níveis de gordura corporal que atingem, e sua relacionada assimilação e processamento de vitaminas lipossolúveis.

[editar] Sintomas

Os sintomas abaixo referem-se propriamente ao quadro de prática exagerada de exercícios (a sobrecarga de treino, popularizada termo em inglês ou overtraining).

[editar] Referências

  1. Ballone GJ, Moura EC - Transtorno Dismórfico Corporal e Muscular - in. PsiqWeb Internet, disponível em virtualpsy.locaweb.com.br - revisto em 2008
  2. Diaz Marsa M, Carrasco JL, Hollander E.- Body dysmorphic disorder as an obsessive-compulsive spectrum disorder- Actas Luso Esp Neurol Psiquiatr Cienc Afines 24(6): 331-7, 1996
  3. TRANSTORNO DISMÓRFICO CORPORAL - VIGOREXIA - gballone.sites.uol.com.br
  4. Choi PY, Pope HG Jr, Olivardia R. - Muscle dysmorphia: a new syndrome in weightlifters - Br J Sports Med. 2002 Oct;36(5):375-6; discussion 377.
  5. Kanayama G, Cohane GH, Weiss RD, Pope HG. - Past anabolic-androgenic steroid use among men admitted for substance abuse treatment: an underrecognized problem? - J Clin Psychiatry.64(2):156-60, 2003.
  6. GH - Hormônio do Crescimento - virtualpsy.locaweb.com.br
  7. Kanayama G, Pope HG, Cohane G, Hudson JI. - Risk factors for anabolic-androgenic steroid use among weightlifters: a case-control study - Drug Alcohol Depend.71(1):77-86, 2003.
  8. Paulo Gentil; Óleos para crescimento localizado (Esiclene, Synthol e ADE); 03/05/2004 - www.gease.pro.br

[editar] Ligações externas

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