Vila Mimosa

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Vila Mimosa é uma das mais famosas áreas de prostituição da cidade do Rio de Janeiro.

História[editar | editar código-fonte]

Nasceu com o desembarque de mulheres do leste europeu em fuga da Primeira Guerra Mundial, pobres e sem os maridos.

O primeiro local foi a Zona do Mangue, próxima à atual Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio.

As polacas, como eram conhecidas, misturaram-se às nativas ao longo dos anos, até desaparecerem. Foram perseguidas e mudaram quase uma dezena de vezes de logradouro, à medida que a cidade se modernizava.

A prefeitura do Rio precisou de uma das instalações, e acabou removendo todas as prostitutas para a Rua Sotero dos Reis na Praça da Bandeira.

Inicialmente escrita com 'z' em decorrência do português da época teve como primeiro endereço a rua Pinto de Azevedo, localizada no Mangue, bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Mas o local foi demolido porque a prefeitura pensava na construção do centro administrativo (hoje local onde trabalha o prefeito da cidade). A transferência foi para rua Miguel de Frias, próximo ao antigo lugar, também no Mangue.

A movimentação era muito grande, principalmente na década de 1920, pois havia muitos militares combatendo revoltas e rebeliões em todo Brasil, que tinha como presidente Arthur Bernardes. O Rio de janeiro passava por momentos difíceis, os militares não queriam a posse do presidente, fizeram no Rio de janeiro a revolta do Forte de Copacabana. Mesmo sendo militares de disciplina rígida, era uma necessidade ter momentos de diversão e isso eles conseguiam na Vila Mimoza.

Um dos frequentadores mais assíduos foi o poeta Manoel Bandeira. A localização da zona se manteve até aproximadamente 94/95, quando o Estado decidiu que o prédio da TV Rio seria tombado pelo patrimônio histórico.

Hoje[editar | editar código-fonte]

A Vila Mimosa se constitui a partir de uma construção social e comercial, em que há uma configuração de estabelecimentos comerciais dos mais variados que vai além da venda de relações sexuais. Trata-se de um agrupamento de estabelecimentos localizados num mesmo espaço (ruas) e ligados pela atividade da prostituição.

Apesar de ter o nome de vila, seu começo se deu em um grande galpão, com cerca de 2500 metros quadrados, um prédio construído em forma de um quadrado, onde a parte frontal é aberta e de frente para a rua principal (Sotero dos Reis). Nas outras três linhas do quadrado e na sua parte central há estabelecimentos de prostituição. A passagem entre os dois lados desse quadrado é calçada, estreita e coberta. As duas entradas do galpão são identificadas pelos toldos amarelos e azuis colocados em cima das varandas dos estabelecimentos junto à rua principal. Os bares localizam-se na parte de baixo e os quartos, para a realização dos programas, no segundo andar. Parece uma galeria comercial, em que uma loja estaria ao lado da outra, contudo, trata-se de bares. Nesta espécie de corredor, o comércio é intenso. Há vendedores informais que expõem suas mercadorias no chão, na janela de um estabelecimento, outros perambulam pelas ruas. Os vendedores informais vendem diferentes produtos: sucos, doces, salgados (coxinhas, esfihas, sanduíches), roupas (lingeries, biquínis, tops), cosméticos (batom, sombra, desodorante, perfume, cremes), incensos, bijuterias, entre outros.[1]

A Vila Mimosa foi o celeiro de diversas atrizes cariocas de filmes adultos. A mais famosa foi Natasha Lima, que chegou a participar de um dos episódios da série Mike in Brazil.

São exatamente 70 casas na Vila, em cada uma encontram-se no mínimo 10 quartos. Na Vila quase todos os estabelecimentos funcionam 24 horas (apenas as barracas, as tendas e os trailers que vendem refeições e bebidas funcionam a partir das 15/16 horas).

Segundo a Associação dos Moradores do Condomínio e Amigos da Vila Mimosa (AMOCAVIM), nas noites de sexta-feira e de sábado há cerca de 4.500 pessoas (em torno de 3.000 homens e 1.500 mulheres) transitando no complexo da Vila Mimosa.

Para a segurança da Rua Sotero dos Reis e interna, uma equipe de segurança (à paisana) é paga pelos proprietários das casas. Não é permitido que travestis ou garotos de programa trabalhem no local, pois para preservar a tradição, somente mulheres são aceitas.

Para a legislação brasileira, manter um estabelecimento de prostituição é considerado crime, portanto, a Vila Mimosa é um negócio ilícito. No contrato legal da Vila está especificado que o galpão é um empreendimento comercial sem explicitar seu uso. As casas de prostituição localizadas em frente ao galpão são antigas moradias que foram transformadas em empreendimentos comerciais. Cada um desses bares funciona com seu registro legal de comércio.

Cidade das Meninas[editar | editar código-fonte]

O itinerário original do projeto do trem-bala, que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo, passa pela Vila Mimosa. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, o trajeto só será oficializado após análise do Tribunal de Contas da União.

Moradores, pequenos empresários, garotas de programa da Vila Mimosa e 150 comerciantes das ruas Sotero dos Reis, Ceará, Hilário Ribeiro e Lopes de Souza, onde restaurantes, lojas e empresas geram mil empregos diretos e movimentam R$ 1 milhão por mês, ficariam desalojados com a construção da ferrovia.

O projeto da nova Vila Mimosa, já batizado de "Cidade das Meninas" pelas prostitutas, é dividido em dois complexos com cinco módulos, num total de 1.825 metros quadrados. Há espaços para anfiteatro, desfiles de moda, salas para cursos profissionalizantes, creche para 50 crianças, estacionamento para 70 carros, posto de saúde e escritórios. Foi desenhado pelo arquiteto Guilherme Rodrigues Ripardo, que se inspirou em obras de Oscar Niemeyer. A parte estrutural, sem contar com o terreno, está orçada, no mínimo, em R$ 3 milhões.[2]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Entre as personalidades conhecidas que transitavam por lá estão o pintor Di Cavalcanti e os músicos Dicró, Mr. Catra e Cartola.
  • Em 2003, a dupla MC Serginho e Lacraia fez uma música em homenagem a Vila.
  • A Vila Mimosa é a maior zona de prostituição heterossexual do mundo.carece de fontes
  • Instituições importantes como OAB e FAETEC são parceiras da Vila Mimosa.[3] [4]
  • A Vila começou a diminuir quando o prefeito Pereira Passos iniciou seu projeto de modernização da cidade, no início do século XX. A partir daí, uma série de outros acontecimentos foram colaborando para que a Vila mudasse definitivamente de lugar: as transformações sanitárias promovidas por Oswaldo Cruz e a construção do Metrô, do teleporto e da sede do Governo municipal. Dois prédios da Prefeitura ali construídos foram apelidados carinhosamente de “piranhão” e “cafetão”.[5]
  • A transferência da Vila foi obtida mediante uma indenização dada pela Prefeitura no valor de aproximadamente 300 mil reais. No entanto, há quem diga que o dinheiro foi roubado pela antiga presidente da associação de moradores. Apesar do desvio, cafetinas e prostitutas conseguiram arrecadar 100 mil reais e compraram o galpão na Praça da Bandeira, onde permanecem até hoje.
  • O programa Pânico na TV esteve duas vezes filmando na Vila Mimosa, em 2008. Outros programas que visitaram o lugar foram Boa Noite Brasil, Noite Afora, Documento Especial e Fantástico. A Vila também serviu de localidade para cenas de apoio de novelas da Rede Globo.
  • Todo ano há um concurso de beleza para escolher uma Miss entre as prostitutas que trabalham na Vila Mimosa. O nome desse concurso é "Gatinha Mimosa".[6]
  • Apesar do lugar ser conhecido como zona de prostituição de Baixo Meretrício, ou seja, de garotas de programa e clientes pobres, a Vila Mimosa movimenta por mês R$ 1 milhão.[7]
  • Há 14 anos não são constatados casos de AIDS na Vila Mimosa.[8]

Notas e referências

  1. Elisiane Pasini (2009). Sexo para quase todos: a prostituição feminina na Vila Mimosa: posto na Vila Mimosa é resposta a escassez de direitos (em português). drashirleydecampos.com.br. Página visitada em 18 de Agosto de 2009.
  2. Alessandro Costa (2010). Vila Mimosa no caminho do trem (em português). odia.terra.com.br. Página visitada em 19 de Maio de 2010.
  3. Fabiola Leoni (2009). Um condomínio chamado Vila Mimosa: Sexo, Comércio e Preconceito (em português). puc-riodigital.com.puc-rio.br. Página visitada em 18 de Agosto de 2009.
  4. O Dia Online (2009). Vila Mimosa ganha central de internet esta semana (em português). odia.terra.com.br. Página visitada em 18 de Agosto de 2009.
  5. Ordem dos Advogados do Brasil (2009). OAB-RJ: posto na Vila Mimosa é resposta a escassez de direitos (em português). direito2.com.br. Página visitada em 17 de Agosto de 2009.
  6. Gisele Netto e Jana Tabak (2003). Cartão postal secreto (em português). belezapura.org.br. Página visitada em 19 de Agosto de 2009.
  7. Fabiana Ribeiro (2005). Vila Mimosa gira R$ 1 milhão ao redor do sexo (em português). www.necnet.net. Página visitada em 18 de Agosto de 2009.
  8. Gisele Netto e Jana Tabak (2003). Nos bastidores da vida (em português). belezapura.org.br. Página visitada em 19 de Agosto de 2009.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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