Vilarinho das Furnas

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Ruínas da aldeia de Vilarinho das Furnas.

Vilarinho das Furnas (os furnenses[1] , os povos da região[2] e investigadores que estudaram a povoação chamam-lhe Vilarinho da Furna[3] [4] ) era uma aldeia da freguesia de Campo do Gerês, situada no concelho de Terras de Bouro, no distrito de Braga. Desde 1971 que esta aldeia está submersa pela albufeira da barragem de Vilarinho das Furnas.

Contudo, quando a barragem é esvaziada para limpeza ou quando desce o nível das águas em períodos de seca, podem ver-se ainda as casas, os caminhos e os muros da antiga aldeia.

Origens e Enquadramento Histórico[editar | editar código-fonte]

Vilarinho da Furna foi uma aldeia comunitária, cujas origens se perdem nas brumas da memória, desconhecendo-se a sua antiguidade. Nas Inquirições de 1220, de D. Afonso II, e de 1258, D. Afonso III, há referências à freguesia de São João do Campo, mas nada se encontra respeitante a Vilarinho da Furna. Mas, no Arquivo Distrital de Braga, encontra-se a primeira referência a Vilarinho, no Tombo da Igreja de São João do Campo, de 1540, bem como os Arquivos Paroquiais, a partir de 1623. Parece que chegou a ser uma freguesia autónoma do concelho de Terras de Bouro, tendo, posteriormente, passado a ser uma aldeia da freguesia de São João do Campo. E sabe-se que era a última povoação por que passava a célebre “Jeira” antes de entrar na Galiza, a antiga via militar de Braga a Astorga.

Na evolução humana, a organização comunitária corresponde a um ciclo cultural resultante da passagem do pastoreio nómada à agricultura sedentária. Em Vilarinho da Furna conservou-se, até 1971, uma organização comunitária bastante perfeita, o que denota a superioridade de uma economia que conjuga as potencialidades das economias pastoril e agrícola, sistema de organização comunitária, outrora muito espalhado na Europa.

Vilarinho da Furna deve filiar-se na cultura dos pastores e ganadeiros da Europa, povos indo-europeus que migraram de leste para oeste, em duas épocas. A primeira, em tempos pré-romanos, provavelmente formados por ramificações do povo celta. A segunda, por povos germânicos que invadiram a Península Ibérica aquando da queda do império Romano do Ocidente, nomeadamente Suevos.[3]

Enquadramento Natural[editar | editar código-fonte]

A 4 Km da sede da freguesia, Campo do Gerês, a aldeia encontra-se agora submersa nas águas do rio Homem que a barragem contém. Num recanto praticamente isolado e perdido entre a Serra Amarela, a Norte e Poente, e a serra do Gerês, a Sul e Nascente, está ancorada entre o vale do Ribeiro das Furnas, onde pontuavam ramadas de vinha, a deslizar por uma encosta granítica, até se alargar em terrenos de aluvião muito férteis, onde se cultivava o milho, a batata e o feijão.

O casario distribuía-se predominantemente pelo sopé da Serra Amarela, virado a Nascente, e, portanto, protegido do Norte e Poente pela Serra Amarela, na margem direita do rio Homem. Do lado da margem esquerda do rio Homem, o terreno era mais arborizado, com pequenas faixas destinadas à pastagem do gado, fazendo parte da serra do Gerês.

Era antes da confluência do Ribeiro das Furnas com o rio Homem que se situava a aldeia. O rio apresentava aqui, onde o vale era mais largo, poços fundos e transparentes, onde, a pouca distância, havia cavernas ou furnas no granito, com grandes fendas e desprendimento de blocos.[3]

Referências

  1. Manuel de Azevedo Antunes, Vilarinho da Furna, memórias do passado e do futuro, CEPAD/ULHT, Lisboa, 2005.
  2. Manuel de Azevedo Antunes, Vilarinho da Furna, memórias do passado e do futuro, CEPAD/ULHT, Lisboa, 2005.
  3. a b c Jorge Dias, Vilarinho da Furna, uma aldeia comunitária (1948), Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa, 1981.
  4. Manuel de Azevedo Antunes, Vilarinho da Furna, memórias do passado e do futuro, CEPAD/ULHT, Lisboa, 2005.

Ver também[editar | editar código-fonte]