Villa Pisani (Bagnolo di Lonigo)

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Imagem: Cidade de Vicenza e Villas de Palladio no Véneto A Villa Pisani (Bagnolo di Lonigo) está incluída no sítio Cidade de Vicenza e Villas de Palladio no Véneto, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg
Fachada da Villa Pisani.

A Villa Pisani é uma villa italiana do Véneto, situada em Bagnolo di Lonigo, Província de Vicenza, projectada pelo arquitecto Andrea Palladio, em 1542, por encomenda dos irmãos Pisani, de Veneza. A villa surge na proximidade do rio Guà, num ponto estratégico, perfilando-se, por outro lado, sobre a estrada que liga a fracção de Bagnolo à vizinha Spessa.

Idealizada como villa de campo, cuja finalidade se pode verificar pela presença dos barchesse (armazéns agrícolas) a ela adjacentes, provavelmente só com a presença duma parte daqueles na origem, apresenta um parque que se liga posteriormente ao edifício. A Villa Pisani responde a dois objectivos: simbolizar a presença dos Pisani no seu senhorio, que detinham desde 1523, e ser funcional para a gestão do domínio agrícola. Trata-se, todavia, duma construção incompleta, embora fosse uma das primeiras de Palladio, pois é privada do pátio com arcada provavelmente apoiada à villa. O interior apresenta um majestoso salão central afrescado.

Está classificada pela UNESCO, desde 1996, como Património Mundial, integrada no sítio Cidade de Vicenza e Villas de Palladio no Véneto.

História[editar | editar código-fonte]

A Villa Pisano vista da margem do rio.

A realização da Villa Pisani em Bagnolo di Lonigo, a partir de 1542, costituiu um verdadeiro ponto de viragem para a carreira do jovem Palladio. Os irmãos Vettore, Marco e Daniele Pisani faziam, de facto, parte da elite aristocrática da República de Veneza, com o consequente nítido salto no estatuto da clientela palladiana, até então sobretudo vicentina.

O vasto domínio agrícola, com mais de 1200 campos, estava na posse dos Pisani desde 1523, e nela existia uma casa dos proprietários anteriores, os vicentinos Nogarola, provavelmente absorvida na nova construção.

Em 1545, o corpo senhorial estava realizado e, num mapa de 1562, é visível no fundo do pátio uma grande barchessa, encimada por dois pombais, que foi admirada por Giorgio Vasari mas posteriormente destruída e substituída pela actual estrutura oitocentista localizada no lado longo, estranha ao projecto palladiano.

Depois dum bombardeamento ocorrido em 1945, apenas restou um lado da arcada. A villa foi restaurada e aberta ao público em 1993 (visitável sob marcação).

Detalhes arquitectónicos[editar | editar código-fonte]

A Villa Pisani nos Quattro Libri de Palladio (livro II), 1570.

O objectivo de Palladio, no seu projecto para esta villa, era ambicioso: realizar uma casa de campo adaptada aos gostos refinados dos irmãos Pisani e, paralelamente, capaz de oferecer uma resposta concreta e racional para a organização de todos os anexos agrícolas. Com efeito, Palladio inseriu num único desenho a casa senhorial, os estábulos, as barchesse e o pombal, esses elementos que na villa do século XV estão inscritos numa disposição espacial fortuita, sem hierarquia funcional e formal.

Interior do grande salão.

Ao mesmo tempo, as necesidades práticas da vida agrícola são traduzidas por formas inéditas, numa nova linguagem inspirada pela arquitectura antiga. Como um templo romano, a villa eleva-se sobre uma alta base que dá um realce ao edifício e alberga as instalações de serviço.

O grande salão central em "T" é coberto por uma abóbada de berço como os edifícios termais antigos, sendo ricamente decorado e iluminado por uma ampla janela termal: um espaço radicalmente diferente, pelas dimensões e qualidade formal, das salas das villas pré-palladianas, tradicionalmente mais pequenas e cobertas por um tecto plano com traves de madeira. Uma rica decoração pictórica a fresco, com cenas tiradas das Metamorfoses de Ovídio devidas, provavelmente, à mão de Francesco Torbido (1482/84-1561), dialóga com o espaço arquitectónico exaltando-lhe a monumentalidade.

Um rico dossier de desenhos autografados, hoje conservado em Londres, documenta a evolução do projecto palladiano. Nas primeiras hipóteses abundaram sugestões derivadas da arquitectura antiga e moderna visitada na viagem acabada de fazer a Roma (da Villa Madama de Raffaello ao Belvedere bramantesco, passando pela Cappella Paolina de Sangallo) ao lado de elementos mais especificamente vénetos: a disposição das salas, a loggia ladeada por duas torretas, como na Villa Trissino em Cricoli, ou o poderoso colmeado sanmicheliano da fachada virada ao rio.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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