Viriato Clemente da Cruz

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Viriato Francisco Clemente da Cruz (Kikuvo (Porto Amboim), 1928 - Pequim (China), 13 de Junho de 1973). Foi considerado um dos mais importantes impulsionadores de uma poesia regionalista angolana, nas décadas de 40 e 50, e um dos lideres da luta pela libertação de Angola.

Índice

[editar] Contexto Histórico

Nos inícios do século XX vários países Europeus dirigiam o destino de África. Dividida e explorada entre os senhores colonialistas, sob o pretexto de "missão civilizadora" e "educacional", estes exerciam a sua máxima influência politica e cultural. Portugal não era excepção, em S.Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique, exerciam a sua presença (assim como nalgumas possessões na Ásia).

A literatura angolana começará a florescer ainda no século XIX (considerando o ano do seu nascimento em 1860, com grande influência do romantismo português). Essa literatura modificar-se-á a partir da segunda guerra mundial, irá então buscar a sua influência à literatura brasileira.

A partir de 1945 toda situação politica modifica-se, surgirão por todos os países africanos diversos movimentos de libertação, eram os ventos da mudança que assolavam toda a velha cultura europeia.


[editar] Actividade Política

Viriato fez os estudos liceais em Luanda,no liceu Salvador Correia (durante anos, centro do intelectualismo angolano), as dificuldades financeiras derivadas da ausência do pai (que cedo abandonou a família) causaram uma vida de dificuldades que o fizeram abrir os olhos à ideologia marxista. Abandonou Angola por volta de 1957 para se dirigir a Paris onde se encontrou com Mário Pinto de Andrade, desenvolvendo uma intensa actividade política e cultural.

Na década de 60 tornou-se Secretário-Geral do MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola, partido esse que ajudou a fundar, juntamente com Mário Pinto de Andrade. Mais tarde dissabores com agostinho Neto irão obriga-lo a abandonar o partido; Neto defendia um comunismo soviético, e Viriato, um comunismo maoista.

[editar] Exilado na China

Vai para Pequim, na década de setenta, os dirigentes chineses recebem-no de braços abertos, pois tinha demonstrado uma enorme capacidade na criação do MPLA, primeiro em Conackry e, depois, no Congo Belga (neste foi detido e sofreu torturas, por defender ideias contrárias às estabelecidas). Os chineses entendiam que Viriato da Cruz poderia facilitar a penetração ideológica do socialismo maoísta no continente africano - o que não sabiam era que estavam profundamente enganados; daí nasceu um grave mal-entendido com consequências trágicas para Viriato e para a sua família.

Elabora um relatório onde afirma que os países Africanos, mesmo os mais desenvolvidos, não estão preparados para uma revolução socialista. Demonstra então grande firmeza ao recusar-se a mudar o relatório. Esse aspectos do seu carácter já lhe tinha valido graves dissabores na sua curta vida política quando da crise de 1962-63, no seio do MPLA. O relatório pessimista elaborado por Viriato ia contra a doutrina maoísta da iminência da revolução mundial.

Os chineses começaram a ver que Viriato se distanciava cada vez mais das teses maoístas e mantiveram-no como refém. Ele não entendia porque não o expulsavam. Mas os Chineses temiam a inteligência superior de Viriato e as consequências negativas que ele poderia causar à causa maoísta se saísse da China.

[editar] Últimos anos de vida

Os últimos anos de vida de Viriato foram marcados por falta de alimentos, colidindo na fome que acabou por fragilizá-lo. Veio a falecer no dia 13 de Junho de 1973. No entanto, a derradeira humilhação foi a maneira abjecta como foi levado para o cemitério dos estrangeiros: entaipado entre quatro tábuas, transportado num camião militar.

[editar] Principais obras

  • Poemas (1961). Entre os seus textos poéticos, destacam-se Namoro, Sô Santo e Makézu.

[editar] Ver também

[editar] Bibliografia

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