Viva pela espada, morra pela espada

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O beijo de Judas e Pedro cortando a orelha de Malco.
1786. Por José Joaquim da Rocha, atualmente no Museu de Arte da Bahia, no Brasil.

Viva pela espada, morra pela espada é uma frase dita por Jesus durante a sua prisão quando ele admoestava seus discípulos para que não resistissem aos guardas que vieram prendê-lo. O objetivo era mostrar que se alguém usa de violência ou meios violentos contra outras pessoas, ele pode esperar que os mesmos métodos serão utilizados contra si[1] .

Este provérbio vem de Mateus 26:52, que descreve um discípulo (identificado em João 18:10 como sendo Simão Pedro) sacando uma espada para defender Jesus no Jardim das Oliveiras, mas que é admoestado por Jesus, que lhe pede que guarde a arma:

«Então Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a espada, morrerão à espada.» (Mateus 26:52)

Interpretações[editar | editar código-fonte]

Interpretações literais[editar | editar código-fonte]

O verso é a expressão máxima do pacifismo cristão.

Após o apóstolo (ou Pedro) ter cortado a orelha do servo (que também em João é identificado como sendo Malco, servo de Caifás, o sumo-sacerdote), Jesus imediatamente a curou.

Interpretações não literais[editar | editar código-fonte]

Orígenes sugeriu que a "espada" nos evangelhos seja interpretada como uma imagem[2] , cuja exegese seria consistente com a Epístola aos Efésios:

«Tomai o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus» (Efésios 6:17)

E também com a Epístola aos Hebreus:

«Pois a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante que qualquer espada de dois gumes, e que penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e pronta para discernir as disposições e pensamentos do coração.» (Hebreus 4:12)

O psicanalista Antonio Farjani faz uma análise detalhada de Hebreus 4:12, e compara a “espada de dois gumes” ao Labrys, o sagrado machado de dois gumes da cultura minoica, cuja propriedade mágica seria a de "separar a alma do espírito”, ou seja, a parte mortal da parte imortal do homem, durante o processo de iniciação. O autor também associa esse instrumento mágico à lâmina bifurcada chamada peseshkaf, utilizada na cerimônia conhecida como Abertura da boca, e encontrada em túmulos do Antigo Egito[3] . Essa palavra, de etimologia considerada incerta pelos egiptólogos, foi interpretada em períodos mais tardios como “separador do Ka[4] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Richard A. Spears McGraw-Hill's Dictionary of American Idioms and Phrasal Verbs "Live by the sword, die by the sword" Prov. If you use violence against other people, you can expect to have violence used against you.; You can expect to become a victim of whatever means you use to get what you want.
  2. Gerard E. Caspary, 'Politics and exegesis: Origen and the two swords', (UC Press, 1979)
  3. Antonio Farjani, 2012 Mistérios da Lua, Editora Hemus, ISBN 978-85-289-0626-4
  4. Copyright © 2003 University College London. The ‘Opening of the Mouth’ Ritual.