Vladimir Kirillovich da Rússia

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Vladimir da Rússia
czar pretendente da Rússia
Governo
Consorte Leonida Bagration-Mukhrani
Casa Real Romanov
Vida
Nascimento 30 de Agosto de 1917
Porvoo, Flag of Finland.svg Finlândia
Morte 21 de abril de 1992 (74 anos)
Miami, Flag of the United States.svg Estados Unidos da América
Sepultamento Jazigo dos Grão-Duques, Fortaleza de São Pedro e São Paulo, São Petersburgo, Rússia
Filhos Maria Vladimirovna da Rússia
Pai Cyril Vladimirovich
Mãe Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota

Vladimir Kirillovich da Rússia (em russo: Влад́имир Кир́иллович Ром́анов), (30 de agosto de 191721 de abril de 1992) foi o pretendente a chefe da família imperial russa e a "Czar e Autocrata de todas as Rússias" de 1938 até à sua morte.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascido príncipe Vladimir Kirillovich da Rússia, em Porvoo no grão-ducado da Finlândia, foi o único filho do grão-duque Kiril Vladimirovich e da grã-duquesa Vitória Feodorovna (nascida princesa Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota). Os seus avós paternos eram o grão-duque Vladimir Alexandrovich e a grã-duquesa Maria Pavlovna (nascida duquesa Maria de Mecklenburg-Schwerin). Os seus avós maternos eram o duque Alfredo de Saxe-Coburgo-Gota e a grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia.

A família de Vladimir tinha fugido para a Finlândia depois da Revolução Russa de 1917 de onde sairiam apenas em 1920, quando se mudaram para Coburgo, na Alemanha. A 8 de agosto de 1922, o pai de Vladimir auto-declarou-se curador do trono russo. Dois anos depois, a 31 de agosto de 1924, o seu pai deu um passo mais longe e assumiu o título de "Czar e Autocrata de Todas as Rússias. Com a assumpção do título imperial, Vladimir passou a ser czarevich e grão-duque com o estilo de "Alteza Imperial". Em 1930, a sua família deixou a Alemanha para viver em Saint-Briac, na França onde o seu pai montou a corte.

Nos anos 1930, Vladimir viveu por algum tempo em Inglaterra enquanto estudava na Universidade de Londres e trabalhava na fabrica de equipamento agrícola Blackstone em Lincolnshire. Mais tarde regressou à França, mudando-se para a Bretanha onde se tornou senhorio.

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Com a morte do pai a 12 de outubro de 1938, Vladimir assumiu a liderança da família imperial russa. Em 1938, houve sugestões de que ele fosse feito regente da Ucrânia, mas ele recusou a ideia, afirmando que nunca ajudaria à dissolução da Rússia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Vladimir viveu em Saint-Briac-sur-Mer. Em 1942 tanto ele como a sua comitiva foram colocados num campo de concentração em Compiègne depois de Vladimir se ter recusado a escrever um manifesto onde incentivasse os refugiados russos a apoiar os nazis contra a União Soviética.

Em 1944, o exército alemão mudou a família para o continente, receando uma invasão costeira. Os alemães estavam a levá-los para Paris quando surgiu uma ordem para mudar para Wittel. No entanto até Wittel provou ser pouco segura, por isso eles foram mudados para a Alemanha. Vladimir viveu num castelo pertencente ao marido da sua irmã mais velha Maria Kirillovna, em Amorbach, Baviera até 1945. Após a derrota da Alemanha, Vladimir decidiu não continuar a viver na Alemanha, temendo vir a ser capturado pelos soviéticos. O czar pretendente mudou-se depois para a Áustria, perto da fronteira com o Liechtenstein. Depois tentou mudar-se com o exército do general Smyslovsky para atravessar a fronteira, mas nem o Liechtenstein nem a Suíça lhe permitiram visto para entrar, por isso ele permaneceu na Áustria, vivendo numa zona ocupada pelos Estados Unidos.

A tia materna de Vladimir, a infanta Beatriz de Saxe-Coburgo-Gota, conseguiu finalmente um visto espanhol. Subsequentemente viveu em San Lucar.

Vida depois da guerra e casamento[editar | editar código-fonte]

Vladimir Kirillovich com os pais e a irmã Kira

Depois da guerra, Vladimir passou a viver a maior parte do tempo em Madrid, mas com visitas frequentes à sua propriedade na Bretanha, bem como em Paris.

Vladimir casou-se com a princesa Leonida Georgievna Bagration-Moukhransky a 13 de agosto de 1948 em Lausanne. As leis paulinas que regiam a família imperial ditavam que apenas os filhos resultantes de “casamentos igualitários”, ou seja, entre um Romanov e uma princesa vinda de uma casa real do mesmo estatuto dos Romanov, podiam ser incluídos na linha de sucessão. Filhos de casamentos morganáticos estão excluídos da sucessão. Apesar de a dinastia de Leonida, os Bagrationi, ter sido reinante na Geórgia desde a idade média, os seus representantes não tinham um trono desde 1505, altura em que tinham passado a ser simplesmente nobreza russa desde então. Alguma controvérsia ergue-se desde então sobre a questão de o casamento de Vladimir ser ou não igualitário, e, por isso, se os seus direitos a pretendente do trono russo passaram realmente para a sua única filha, Maria, ou então para outro ramo da família após a sua morte. A posição que tanto Vladimir como Maria tomaram foi a de que o casamento era igualitário e por isso os direitos são naturalmente de Maria. O estatuto real da Casa de Begration foi reconhecido permanentemente pela Rússia no Tratado de Georgievsk de 1783 e foi confirmado por um decreto de 1946 redigido por Vladimir.

Os chefes de outros ramos da família imperial, o príncipe Vsevolod Ioannovich (Constantinovich), Roman Petrovich (Nikolaevich) e Andrei Alexandrovich (Mikhailovich) escreveram a Vladimir em 1969 para o informar de que ele se tinha casado de forma desigual e que a sua esposa não tinha origens mais nobres do que outras esposas de príncipes Romanov.

Em 1952, ele apelou às potências ocidentais para entrarem numa guerra contra a União Soviética. A 23 de dezembro de 1969 Vladimir escreveu um decreto controverso onde, na eventualidade da sua morte, tornaria a sua única filha Maria "curadora do trono imperial". Isto foi visto como uma tentativa por parte de Vladimir para se certificar que o trono permaneceria no seu ramo da família, mas os outros ramos sempre consideraram a acção ilegal.

Vladimir conseguiu visitar a Rússia pela primeira e única vez em novembro de 1991 quando foi convidado do presidente da câmara de São Petersburgo, Anatoly Sobchak.