Você

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Você é um pronome de tratamento pessoal. Seu uso verbal se dá na segunda pessoa, porém, conjugado como a terceira pessoa (ele). Às vezes substitui o pronome "tu". Muito utilizado no Brasil devido sua informalidade. No resto da lusofonia, "você" é utilizado em situação formal, enquanto "tu" é usado em situação informal. Sua origem etimológica encontra-se na expressão de tratamento de deferência "vossa mercê", que evoluiu sucessivamente a "vossemecê", "vosmecê", "vancê" e você. "Vossa mercê" (mercê significa graça, concessão) era um tratamento dado a pessoas às quais não era possível se dirigir pelo pronome tu.

Em galego a expressão evoluiu para o termo vostede, em castelhano a palavra equivalente é usted (originária de "Vuestra Merced") e em catalão vostè.

História[editar | editar código-fonte]

Você é uma palavra derivada do intitulamento vossa mercê, usado desde remotos tempos, e que com o correr dos séculos se foi transformando, até chegar no atual você, passando pelas formas intermédias abreviadas por sucessiva contracção de vossa misericórdia senhor, vossa mercê, vossemecê, vomecê e vancê.

Inicialmente, mercê era o elevado tratamento dado na terceira pessoa aos reis de Portugal, durante a dinastia de Borgonha, e inícios da dinastia de Avis que se lhe seguiu. No século XV, quando os soberanos portugueses adotaram o chamamento de alteza (vossa alteza, e sua alteza) foi o título de mercê começado a ser dado às principais figuras do Reino, nas principais casas fora da Família Real, generalizando-se a dado passo como forma de tratamento adotada pelos fidalgos entre si. Este processo é lento e gradual, mantendo-se alternativamente o tratamento antigo por vós em certos setores mais elevados da sociedade portuguesa, paralelamente ao de vossa mercê. O tu já então era reservado apenas às classes burguesas, e populares, utilizado na nobreza apenas quando existisse grande grau de intimidade, geralmente intimidade familiar, e de superiores para inferiores (pais para filhos, avós para netos, fidalgos para criados e populares). Os inferiores em dignidade (sobrinhos para tios, criados para patrões etc.) respondiam ao tu com que eram tratados na terceira pessoa, ou por vós, ou pelo tratamento correspondente à dignidade reconhecida à pessoa mais importante durante o diálogo.

Com a sucessiva barroquização dos tratamentos régios na Europa, não podendo hierarquicamente os monarcas portugueses serem oficialmente designados por formas de chamamento já abandonadas por outros soberanos, viram-se obrigados a acompanhar o movimento geral.

Assim, à medida que os soberanos portugueses foram sucessivamente reservando para si os chamamentos superiores de majestade (vossa majestade, sua majestade), e de majestade fidelíssima (vossa majestade fidelíssima, e sua majestade fidelíssima), verificou-se uma inflação dos mesmos nos degraus seguinte da pirâmide social da nobreza.

O tratamento de "vossa excelência" surgiu no século XVI, já depois de D. Sebastião ter tomado título de "majestade" para os reis de Portugal, título esse adquirido por privilégio garantido oficialmente e com exclusividade apenas aos Duques de Bragança, por D. Filipe I, como forma de lhes atenuar a tomada ilegítima da Coroa Portuguesa pelos Habsburgo, Coroa a que tinham melhor direito que os reis Filipes - mas que depois se foi generalizando devagar a outros duques portugueses, e finalmente a todos os grandes do Reino, e a todos os fidalgos portugueses - sendo a restante nobreza chamada de Senhoria (Vossa Senhoria, Sua Senhoria).

No século XIX, sendo os ministros de Estado portugueses e brasileiros, os grandes, os bispos, os conselheiros, e a fidalguia lusófona em geral tratados pelo título que lhes era reservado de excelência (vossa excelência, sua excelência), o alargado e diminuído tratamento de vossa mercê, contraído no seu uso coloquial em vossemecê, e vomecê, já estava tão generalizado na Lusofonia que Camilo Castelo Branco ironiza a respeito, escrevendo risonhamente que o seu merceeiro se ofendera por ele longanimamente o ter tratado por você... segundo Camilo, o lojista quereria ser tratado por Senhoria (vossa senhoria, sua senhoria), que era o tratamento intermédio então ainda reservado a toda a nobreza distinta em geral, sem foros de fidalguia principal, ou seja, aos escalões médios e inferiores da nobreza, antes da mesma passar a chamar-se excelentíssima (excelentíssimo senhor), abandonando o título de senhoria (vossa senhoria, ilustríssimo senhor) aos burgueses e ao povo.

Com a implantação de regimes republicanos, mantém-se oficialmente em Portugal e no Brasil o tratamento oficialmente obrigado de excelência para os chefes de Estado, primeiros-ministros, ministros e algumas outras altas dignidades eclesiásticas e civis, sendo os restantes tratamentos usados cada vez menos, em meras formas de cortesia facultativa e cada vez mais em desuso.

Entretanto, o simples tratamento de vós, que se mantém em outras línguas latinas, como o francês e o espanhol, tem desaparecido do uso coloquial da língua portuguesa, exceto na prática litúrgica, em formalidades, certos dialetos do norte de Portugal e arcaísmos (romances históricos).

No entanto, em certas regiões de Portugal, especialmente nas zonas desenvolvidas como cidades, o tratamento por você é considerado diminuidor, tradicionalmente a resposta é "você é linguagem de estrebaria!", e é considerado até uma forma de insulto ou de desvalorização: "Você aí, limpe o chão que eu sujei..."

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