Vojislav Šešelj

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Vojislav Šešelj, no alfabeto cirílico Војислав Шешељ, (Sarajevo, 11 de outubro de 1954) é um político radical sérvio, fundador e presidente do Partido Radical Sérvio (SRS) - o maior partido no parlamento da Sérvia. Ele foi indiciado por crimes de guerra e contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia e atualmente está mantido sob custódia na Haia aguardando julgamento.

Ao contrário da maior parte dos outros acusados nas guerras da Iugoslávia, Šešelj não foi entregue ao pessoal da ONU, mas apresentou-se voluntariamente em fevereiro de 2003.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Vojislav Šešelj (AFI[/ˈvɔjislav ˈʃɛʃɛʎ/], pronuncia-se "Voislav Chechêli") nasceu na então República Federada Socialista da Bósnia e Herzegovina e cresceu na aldeia herzegovina de Popovo Polje, perto de Trebinje. Ele se formou em Direito pela Universidade de Saraievo, e obteve doutorado em 1979. Deu aulas de ciência política na mesma instituição até 1984. Naquele ano, as autoridades da Iugoslávia o condenaram por “atividades contra-revolucionárias” e ele foi sentenciado a oito anos de prisão. No entanto, o Supremo Tribunal do país comutou a sentença e ele foi solto em 1986.

Em 1989, Šešelj foi para os EUA, onde Momčilo Đujić, o líder tchetnik da Segunda Guerra Mundial, transferiu a ele o título de voivoda (Grão-Duque) dos Tchetniks.

Junto com Vuk Drašković e Mirko Jović, Šešelj fundou o Partido da Renovação Sérvia (SNO), anticomunista, em 1989. Mais tarde, Šešelj rompeu com eles e levou sua facção para formar o Partido Radical Sérvio. Eles mantinham relações amigáveis com o Partido Socialista de Slobodan Milošević durante os primeiros anos das Guerras da Iugoslávia, até setembro de 1993, quando Milošević retirou seu apoio à República Sérvia na Guerra da Bósnia. Šešelj começou a fazer oposição a Milošević e foi preso novamente em 1994 e 1995.

Em 1998, com o aumento da violência na província sérvia do Kosovo, Šešelj entrou para o governo de unidade nacional de Milošević. Šešelj era contra a atuação de entidades de direitos humanos e mídia estrangeiras na Iugoslávia, e teria dito na época “Se não podemos pegar todos os aviões deles (da OTAN), podemos pegar os que estão ao nosso alcance, como vários comitês de Helsinque e grupos Quisling” e “Àqueles que provarmos terem participado do serviço de propaganda estrangeira, que são a Voz da América, Deutsche Welle, Rádio Europa Livre, Radio France International, e a BBC etc. Se os encontrarmos no momento da agressão, não devem esperar nada de bom .”.[1]

Ele se tornou vice-presidente do governo sérvio entre 1998 e 2000. Durante a Guerra do Kosovo e o bombardeio da OTAN à Iugoslávia, ele e seu partido político estavam dispostos a apoiar Milošević, e depois de três meses de bombardeio, foram o único partido a votar contra a rendição às forças da OTAN.

No final de fevereiro de 2003, Šešelj se apresentou espontaneamente ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) pelo indiciamento por "oito acusações de crimes contra a humanidade e seis acusações de violações das leis ou costumes de guerra por alegada participação numa empreitada criminosa conjunta".[2]

Em custódia, ele escreveu um livro intitulado „Kriminalac i ratni zločinac Havijer Solana” (“O Punk e Criminoso de Guerra Javier Solana”), com críticas ao então secretário-geral da OTAN (e atual Alto Representante para Política Externa e de Segurança Comum da União Européia e secretário-geral tanto do Conselho da União Européia e da União da Europa Ocidental) que liderou a agressão de 1999 à Iugoslávia.[3]

Em 2 de dezembro de 2006, cerca de 30 mil pessoas fizeram uma passeata em Belgrado em apoio a Šešelj durante sua greve de fome de 28 dias na Haia - depois que o TPII negou o direito a escolher sua própria equipe de defesa. Em discurso à multidão, o secretário do Partido Radical Aleksander Vučić disse "Ele não está lutando apenas pela vida. Está lutando por todos de nós que estamos reunidos aqui. Vojislav Šešelj está lutando pela Sérvia!"[4] [5] Šešelj encerrou a greve de fome em 8 de dezembro depois de ser autorizado a escolher sua própria defesa.[6]

Šešelj concorreu no topo da lista de candidatos da eleição parlamentar na Sérvia em janeiro de 2007.[7]

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

  • Šešelj tornou-se conhecido orador apesar de ter rotacism acentuado.
  • Na época da ruptura da relação política com o governo de Slobodan Milošević sobre a perspectiva de negociações de paz com as potências ocidentais na Guerra da Bósnia, Milošević definiu Šešelj como “a personificação da violência e do primitivismo”.[8]
  • Em 2005, Šešelj ganhou manchetes na Internet ao pedirem para que ele lesse uma carta escrita anos antes para o TIPI em que declarava sua culpa ao tribunal.[9] O incidente foi um sucesso instantâneo nos países de língua servo-croata.
  • Certa vez, Saddam Hussein expressou simpatia por Šešelj, e pediu ao advogado do sérvio que o defendesse em julgamento.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]