Volkswagen Santana

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Volkswagen Santana
Visão Geral
Nomes
alternativos
Volkswagen Passat (Europa)
Shanghai-Volkswagen Santana (China)
Nissan Santana (Japão)
Produção 1984 - 2006
Fabricante Volkswagen
Modelo
Classe Sedan Médio
Carroceria Sedan 2P
Sedan 4P
Ficha técnica
Motor AP 1.8 8V
AP 2.0 8V
AP 2.0 16V
Transmissão 3 marchas, automática
5 marchas, manual
Modelos relacionados Ford Versailles
Chevrolet Monza
Chevrolet Vectra
Fiat Marea
Fiat Tempra
Toyota Corona
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O Santana foi um automóvel produzido pela Volkswagen em diversos países, derivado do Volkswagen Passat alemão. Foi produzido na Alemanha, Espanha, África do Sul, Japão (sob a marca Nissan), Brasil, Nigéria, México, China e Argentina. Atualmente é produzido apenas na China, pela Shangai Volkswagen. Foi eleito pela Revista Autoesporte o Carro do Ano de 1989. Recebeu o título Eleito do Ano em 1991 pela revista Quatro Rodas.

História[editar | editar código-fonte]

O Santana é uma variante da segunda geração do Passat na Alemanha. Este veículo, assim como outros projetos da linha VW/Audi, compartilhava sua plataforma com a segunda geração do Audi 80 de 1979, com diferenças sutis tanto no estilo quanto na tecnologia empregada.

Nas suspensões, era adotado o esquema "francês" de molas, com muitos elos, beneficiando o conforto em detrimento do comportamento dinâmico. O Santana, quando comparado com seu antecessor Passat, mostrava-se um tanto confortável, mas perdia boa parte da "vivacidade" e agilidade que caracterizaram o modelo de 1973. Porém, quando comparado com seu maior concorrente na época, o Chevrolet Monza, apresenta-se pouca coisa mais estável, porém, bem menos confortável.

A suspensão dianteira era do tipo McPherson e a suspensão traseira passava a adotar o mesmo conceito do Golf/Polo, com eixo traseiro de torção, mantendo o raio negativo de rolagem. A suspensão traseira trazia um bem-vindo efeito de estressante, pouco ou nada notado em situações extremas, devido isso ao uso de buchas "inteligentes", cuja deformação nas curvas foi calculada de maneira a não permitir divergência da roda externa ou de apoio.

Em Abril de 1984 a VW apresentava as primeiras séries especiais: a primeira foi o Passat GTS (Grand Tourism Sport), equipado com o motor 1.8. Alcançava velocidade máxima de 152,2 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em apenas 16,9 segundos. Tinha caracterização própria, com spoilers, bancos Recaro e rodas aro 13 com pneus 185/70. Neste mesmo ano, a VW do Brasil colocava o Santana no mercado, nas versões CS (Comfort Silver), CG (Comfort Gold) e CD (Comfort Diamond).

No Brasil[editar | editar código-fonte]

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Santana 1990.

Teve como principal concorrente o Chevrolet Monza, derivado do Opel Ascona alemão. Este teve maior sucesso no mercado brasileiro, não necessariamente por ser um produto melhor, mas sim por se apoiar na já tradicional imagem de veículos de luxo da General Motors, inaugurada pelo excelente, mas já muito antiquado Chevrolet Opala lançado em 1968 e que ainda se mantinha firme no mercado.

O Santana, por sua, vez escorava-se no sucesso do Passat, que teve a missão de apresentar ao público brasileiro todos os atributos da mecânica Audi/VW refrigerada a água. Assim como na Alemanha, o Santana surgia como uma evolução natural do Passat: mantinha os atributos básicos (qualidade, durabilidade, confiabilidade), entretanto, o padrão de acabamento e o nível de equipamentos do Santana, não o faziam compatível com seus concorrentes da GM.

O Santana e o Monza foram grandes adversários na década de 80. Foi lançado em 1984 nas versões CS, CG e CD, em ordem crescente de acabamento. Completo, vinha equipado com rádio toca-fitas, rodas de liga-leve, bancos especiais, vidros e travas elétricas, direção hidráulica progressiva, ar-condicionado, câmbio automático (estes três últimos itens opcionais na versão topo de linha CD) e acabamento exclusivo de boa qualidade.

Pequenas, porém significativas alterações mecânicas surgiram desde o lançamento até 1987, como alterações no câmbio (mais curto, para melhorar o desempenho) e a adoção dos motores AP contribuíram para o pequeno aumento nas vendas. 1987 também foi ano em que ocorreram as primeiras alterações de estilo na linha: os para-choques passaram a ser integrais, idênticos aos utilizados pela linha alemã do Passat desde 1985. Novas nomenclaturas foram utilizadas para diferenciar as versões C, CL, GL e GLS, sendo que a primeira era um truque da Volkswagen para pagar menos impostos e utilizada ao vender unidades do modelo CL sem opcionais, que era equivalente ao antigo CS. O GL era equivalente ao antigo CG e tinha uma imagem ligeiramente mais esportiva que os demais. Nos primeiros anos foi vendido somente com motorização a álcool. A versão de 4 portas foi fabricada somente em 1987 e seu acabamento mais simples quando comparado ao GLS, porém com o mesmo nível de equipamentos, diferenciava-o da versão top-de-linha.


'Versões do modelo

  • CS (1984-1986)
  • CG (1984-1986)
  • CD (1984-1986)


  • Até 1995 ainda existiam versões com carburador. Para diferenciação, as versões com injeção eletrônica eram identificadas pela letra "i".

Cronologia

  • 1984 - Lançamento nas versões CS, CG e CD com motor 1.8 de 86 cv a gasolina e 94 cv a álcool (abril)
  • 1984 - Motor AP 1800 de 90 cv a gasolina e 96 cv a álcool (outubro)
  • 1987 - Reestilização e versões passam a ser CL, GL e GLS


Santana brasileiro X Santana alemão[editar | editar código-fonte]

Santana 2000 chinês.

Na aparência, os VW Santana brasileiros e alemães eram praticamente iguais, apresentando sutis diferenças no acabamento interno e externo.

Uma Viatura de Polícia do VW Santana

A mais marcante discrepância entre ambos era a opção de carroceria de 2 portas, inexistente fora do Brasil, e que visava atender uma demanda específica desse país, que nutria forte preconceito contra os veículos 4 portas até o final da década de 80. Foi fabricada de 1984 a 1995, nas mesmas versões do 4 portas. Duas versões exclusivas desta opção de carroceria foram a Sport (1990 e 1993) e a Série Única (1995, ano da despedida). Pelo fato de na Alemanha o Santana ter sido fabricado somente até 1985 (de 1985-1988, chamava-se Passat)inexiste por lá, a versão reestilizada do Santana, sendo esta exclusiva dos mercados brasileiro e chinês.

Mercado e Concorrentes[editar | editar código-fonte]

Quando chegou ao mercado, o Santana tinha como principais concorrentes o Chevrolet Monza, Ford Del Rey e Chevrolet Opala este último um pouco defasado em relação aos anteriores, porém com desempenho muito superior, especialmente na versão 4.1, e era também o mais caro . O Del Rey, referência em acabamento e conforto, era uma evolução do Ford Corcel de 1968 (que por sua vez era uma variante do Renault 12 dos anos 60). Se o Del Rey não era páreo para concorrer em modernidade com o Santana, o Monza o era, tendo a vantagem de apresentar o motor na posição transversal, o que aliado a um entre-eixos maior garantia maior espaço e conforto de marcha aos ocupantes. Outra superioridade técnica do Monza frente ao Santana estava nos freios a disco ventilados e no desempenho nitidamente superior. Uma deficiência que a VW só foi sanar em 1990, no Santana Executivo foram os freios a disco solido, que passaram a ser ventilados. Apesar disso, Monza e Santana tinham públicos distintos: o Monza satisfazia aqueles que já estavam acostumados com o conforto da linha Opala, enquanto que o Santana satisfazia os aqueles que procuravam um pouco mais de uma aparente esportividade, mesmo que a custa de um menor desempenho, geralmente os antigos consumidores da linha Passat, fiéis à linha de produtos da VW.

A concorrência se acirrou em 1991, com a chegada do Fiat Tempra ao mercado nacional. O seda italiano não “roubou” a posição de “queridinho da classe média” dos braços do Chevrolet Monza, mas apresentou uma evolução constante, com versões de 16 válvulas (1993) e Turbo (1994).

Tanto o Monza quanto o Santana foram obrigados a evoluir: foram completamente reestilizados (1991) e o Santana ainda ganhou a companhia de um “primo”, o Ford Versailles, que aposentava o Del Rey, em 1991. O Monza sucumbiu em 1996 com a chegada da segunda geração do Chevrolet Vectra (coexistiu pacificamente com a mesma geração deste carro), enquanto que o Versailles saía de cena para dar lugar ao Ford Mondeo, em 1995. Em pouco tempo, o Tempra era substituído pelo Fiat Marea (1998), e assim o Santana passava a ser o “último dos moicanos” entre os sedãs apresentados nos anos 80, situação que perdurou até o início de junho de 2006, quando finalmente teve sua produção descontinuada.

Dois concorrentes foram o Chevrolet Vectra (1993-1996) de primeira geração e a versão brasileira do Chevrolet Omega (1992-1998). O primeiro tinha a intenção de substituir o Monza, objetivo não alcançado, tanto é que o Monza continuou no mercado até a chegada da segunda geração do Vectra. Já o segundo era o substituto oficial do Opala, que no início da década de 90 encontrava-se defasado no mercado, o Omega era um carro muito superior em termos tecnológicos mas seu preço era salgado demais para o público brasileiro.


Retorno ao Brasil[editar | editar código-fonte]

A versão fabricada no Brasil até 2006 ainda é produzida na China. Porém, o lançamento de uma nova versão, previsto para 2013, no país asiático, trouxe especulações sobre o retorno do sedan ao Brasil[1] [2] . Seus principais concorrentes seriam o Chevrolet Cobalt e o novo Fiat Tempra, cujo retorno (sob a plataforma do novo Fiat Viaggio) está marcado para 2014[3] .

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • A exemplo do Passat e Scirocco, Santana também é o nome de um vento quente e forte que sopra numa região da Califórnia, pelo cânion de Santa Ana.
  • A VW do Brasil se mostrou refratária em apresentar o VW Santana na cor branca, alegando que tratava-se de um veículo de luxo e não um utilitário. Coube ao então chefe de competições da VW, Bob Sharp, a missão de desafiar a direção da VW na tentativa de obter um Santana branco. E teve sucesso na empreitada.
  • A suspensão traseira do Santana foi rebaixada pela VW do Brasil, para adequá-la ao gosto dos brasileiros. Para isso foram substituídos os amortecedores traseiros por outros com prato de mola mais baixo, de mesmas dimensões que os da Quantum.
  • O Santana chegou a ser testado no Brasil com motor o 1.8 de 16 válvulas, do Golf e Scirocco. O motor gerava 139 cavalos a 6500 rpm, mas era muito fraco em baixas rotações. Luiz Carlos Finardi, ex-funcionário da VW do Brasil e atualmente consultor técnico da revista Oficina Mecânica alega que até mesmo os motores de 5 cilindros alemães chegaram a ser testados, mas a ideia foi descartada por conta do alto custo de produção.
  • Também foi Bob Sharp que "brigou" com a engenharia da Volkswagen do Brasil para que fossem adotados freios a disco ventilados no Santana. A fábrica tomou essa decisão tardiamente em 1990, quando toda a imprensa especializada nacional condenava o uso de discos sólidos em um carro tão pesado.
  • A produção do Santana no Brasil foi encerrada no final do mês de maio de 2006. Assim, o único país do mundo a ainda produzir este carro é a República Popular da China.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]