Volta do mar

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"Volta do mar", "Volta do mar largo" ou "Volta do largo" ou Volta da mina é o nome de uma manobra de navegação utilizada em longas viagens oceânicas, que remonta aos descobrimentos portugueses do século XV. Esta técnica consiste em descrever um largo arco para evitar a zona central de calmaria e aproveitar os ventos e correntes permanentes favoráveis, que giram no sentido dos ponteiros do relógio quando no hemisfério norte, e em sentido contrário no hemisfério sul, devido à circulação atmosférica e ao efeito de Coriolis1 .

História[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando a localização das principais correntes e ventos oceânicos giratórios

O nome "volta do mar largo" foi cunhado pelos navegadores portugueses no período dos descobrimentos no Oceano Atlântico Norte, quando eram obrigados, no regresso das costas equatoriais africanas, a afastar-se para o mar largo, evitando o mar dos sargaços e ganhando o Atlântico Central, para depois rodarem para les-nordeste vindo cruzar as águas dos Açores.

A importância geoestratégica dos Açores, de Ascensão e de outras ilhas oceânicas deve-se à necessidade de seguir a "volta do largo". No caso do Atlântico Norte, não era possível a navegação directa para as costas europeias, pelo que qualquer navio vindo do hemisfério sul (incluindo os vindos da Índia, China e outras regiões da Ásia via Cabo da Boa Esperança) ou das Caraíbas, era obrigado a cruzar as alturas dos Açores ou um pouco a norte daquelas ilhas. Foi esse efeito que fez da cidade de Angra a universal escala do mar ponente nas palavras do historiador Gaspar Frutuoso.

A "volta do mar" é também invocada nas controvérsias sobre o descobrimento do Brasil, considerando-se que a sua realização terá levado os portugueses a tomar conhecimento da costa sul americana antes da viagem oficial de descobrimento de Pedro Álvares Cabral.

Cabral zarpou de Lisboa para as Índias em 1500, contornando a África. A certa altura da viagem, tendo já ultrapassado as Canárias, desviou-se para Oeste a pretexto de desviar de um trecho do Oceano Atlântico conhecido pelas calmarias, ou ausência de vento - fazendo a volta do mar. Existe controvérsia sobre o motivo do desvio, pois alguns autores sugerem que os portugueses teriam vindo ao Brasil pelo menos quatro anos antes. Cabral, nessa linha de argumentação, não procurava um caminho seguro para as Índias, porque este já era conhecido anteriormente pela Armada de Vasco da Gama.

A volta do mar do Atlântico inspirou a descoberta da volta do mar no oceano Pacífico por Andrés de Urdaneta que, em 1565, descobriu um caminho de retorno de Cebu nas Filipinas para o México, inaugurando a rota do chamado galeão de Manila, que concorria com as rotas portuguesas para a Índia.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Volta da Mina Ciência em Portugal

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • COUTINHO, Gago "A náutica dos descobrimentos: os descobrimentos marítimos vistos por um navegador" Agência Geral do Ultramar, 1951
  • Bailey Wallys Diffie, Boyd C. Shafer, George Davison Winius, "Foundations of the Portuguese empire, 1415-1580", 1977 ISBN 0816607826
  • J.H. Parry, The Age of Reconnaissance 1963.
  • MARQUES, Alfredo Pinheiro, "Guia de história dos descobrimentos e expansão portuguesa"