Voo Air France 447
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F-GZCP, a aeronave envolvida no acidente |
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| Sumário | |
| Data | 1º de junho de 2009 (2 anos) |
| Causa | Queda do aparelho por causa desconhecida |
| Local | Oceano Atlântico, perto do arquipélago de São Pedro e São Paulo |
| Coordenadas | 3° 03′ N 30° 33′ W |
| Origem | Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão, Rio de Janeiro |
| Destino | Aeroporto Internacional de Paris-Charles de Gaulle, Paris |
| Passageiros | 216 |
| Tripulantes | 12 |
| Mortos | 228[1] |
| Sobreviventes | 0 |
| Aeronave | |
| Modelo | Airbus A330-200 |
| Operador | |
| Prefixo | F-GZCP, n/c 660 |
| Primeiro voo | 25 de fevereiro de 2005[2] |
Voo Air France 447 foi um voo regular de longo curso operado pela companhia francesa Air France entre Rio de Janeiro e Paris. Tornou-se conhecido pelo acidente aéreo ocorrido durante o voo da noite de 31 de maio para 1 de junho de 2009, efectuado pelo Airbus A330-203, quando a aeronave despenhou-se no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo (216 passageiros e 12 tripulantes).
O avião, um Airbus A330-203, de matrícula F-GZCP, partiu do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão a 31 de maio de 2009, às 19h03min locais (22h03 UTC), e deveria chegar ao Aeroporto de Paris-Charles de Gaulle aproximadamente 11 horas depois. O último contato humano com a tripulação foram mensagens de rotina enviadas aos controladores de terra brasileiros 3 horas e 30 minutos após o início do voo, quando o avião se aproximava do limite de vigilância dos radares brasileiros, cruzando o Oceano Atlântico en route, seguindo para a costa senegalesa, na África Ocidental, onde voltaria a ser coberto por radares. Quarenta minutos mais tarde, uma série de mensagens automáticas emitidas pelo ACARS (Acrônimo de Aircraft Communications Addressing and Reporting System, ou Sistema Digirido de Comunicação e Informação Aeronáutica, em português) foram enviadas pelo avião, indicando problemas elétricos e de perda da pressurização de cabine na aeronave, sem que houvesse outras indicações de problemas.
Após ter falhada a esperada aparição nos radares senegaleses e não ter sido possível o contato com o controle de tráfego aéreo de ambos os lados do Oceano Atlântico, teve início uma busca pelo avião. Posteriormente a aeronave foi dada como perdida, tomando como base suas reservas de combustível e o tempo decorrido.[3]
Em 2 de junho foram reportadas observações aéreas e marítimas de destroços no oceano, perto da última localização conhecida do aparelho.[4] À medida que as buscas continuaram, a França enviou o navio de pesquisa Pourquoi Pas ?, equipado com dois mini-submarinos capazes de realizar buscas a uma profundidade de 4.700 m. O Brasil enviou cinco navios para o local, dentre os quais um navio-tanque para prolongar as buscas na área. O porta voz da marinha brasileira afirmou que a existência de destroços pode ser um indício de que há sobreviventes.
Na tarde de 2 de junho o ministro da defesa do Brasil, Nelson Jobim, confirmou a queda do avião no Oceano Atlântico, na área onde foram avistados os destroços. Na noite do mesmo dia o presidente brasileiro em exercício, José Alencar, tendo em vista a localização do acidente em alto-mar, decretou luto nacional por três dias, em memória às vítimas da tragédia. A 3 de junho o Estado Maior do Exército francês confirmou que os destroços encontrados se tratam do Airbus desaparecido.
Em 3 de abril de 2011, a BEA anunciou que, após novas buscas no oceano, localizou e que iria recolher diversos destroços.[5] Também foi anunciado que corpos foram vistos entre os destroços.[6]
A investigação inicial do acidente foi muito prejudicada pela falta de testemunhas e rastreamento de radares, assim como pela falta das caixas pretas, as quais foram localizadas apenas dois anos após o acidente, em maio de 2011.
Índice |
[editar] Incidente
No dia 31 de maio de 2009, às 19h3min (horário de Brasília), partiu do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão, no bairro Galeão, localizado na Ilha do Governador, [7] 12 tripulantes e 216 passageiros, incluindo um bebê, sete crianças, 82 mulheres e 126 homens. O voo deveria pousar às 11h10min locais — 6h10min no horário de Brasília — no Aeroporto Internacional de Paris-Charles de Gaulle, em Paris.
22h03, 31 de maio
1h33, 1 de junho
2h14, 1 de junho
Esperado 9h10, 1 de junho
O último contato verbal foi à 1h33min UTC de 1 de junho, segunda-feira, ao aproximar-se do waypoint INTOL (1° 21′ S 32° 49′ W), a 565 km da cidade de Natal. A tripulação informou que esperava entrar em 50 minutos no espaço aéreo controlado pelo Senegal, no waypoint TASIL (4° 0′ N 29° 59′ W), e que o avião voava normalmente a uma altitude de 10.670 m (35.000 pés) e a uma velocidade de 840 km/h.[8][9]
O avião deixou a área de cobertura do Centro de Controle Aéreo (ACC) Atlântico à 1h48min UTC. O desaparecimento se deu após a saída da zona de cobertura pelo radar brasileiro e alguns minutos antes da entrada no espaço aéreo sob controle do ACC Dakar, o que deveria ter ocorrido às 2h20min GMT. O último contato com o avião foi quatro horas após a partida, às 2h14min UTC,[8]a cerca de 100 km do waypoint TASIL e a cerca de 1.228 km de Natal,[10] quando cerca de dez mensagens automáticas ACARS indicaram falhas em vários sistemas elétricos e um possível problema de pressurização,.[9][11][12] A troca de mensagens automática durou cerca de quatro minutos.[13] Na altura o avião atravessava uma área com formações meteorológicas pesadas.[8]
Quando isto ocorreu, a localização provável do avião era a cerca de 100 km do waypoint TASIL, assumindo que o voo decorria conforme planejado. Fontes da Air France anunciaram que as mensagens de falhas nos sistemas começaram a chegar às 2h10min UTC, indicando que o piloto automático tinha sido desativado. Entre as 2h11min UTC e as 2h13min UTC chegaram várias mensagens referentes a falhas na Air Data Inertial Reference Unit (ADIRU) (fornecendo informação de posição e navegação) e no Integrated Standby Instrument System (ISIS) (um sistema secundário que fornece altitude, velocidade, Mach, altitude e velocidade vertical), e às 2h13min UTC foram indicadas falhas no Flight Control Primary Computer (PRIM 1) e no Spoiler Elevator Control (SEC 1), e às 2h14min UTC chegou a última mensagem, um aviso sobre a velocidade vertical de cabine, o que significa que o ar externo penetrou na aeronave, o que pode indicar despressurização ou mesmo que, a essa altura, o A330 já estivesse em queda[14] na localização 3° 34′ N 30° 22′ W.[15]
O voo deveria chegar a Paris às 11h10min CEST, 9h10min UTC.[16]
A 2 de junho foi confirmada pelo ministro da defesa brasileiro Nelson Jobim a queda do aparelho, numa área próxima ao arquipélago de São Pedro e São Paulo, cerca de 270 km a sul/sudeste da última localização conhecida da aeronave[17]
[editar] Buscas iniciais
[editar] Dia 1
Os controladores de tráfego aéreo brasileiros contactaram o controle de tráfego aéreo em Dakar às 2h20 UTC, quando repararam que a aeronave não tinha feito o contato obrigatório, via radio, para assinalar a sua entrada no espaço aéreo senegalês, acima da Zona de Convergência Intertropical.[8]A Força Aérea Brasileira deu início a uma operação de busca e resgate a partir do arquipélago brasileiro de Fernando de Noronha, destacando cinco aviões para buscas num trecho delimitado pelo litoral das cidades do Recife, Natal e o arquipélago de Fernando de Noronha.[18] Aviões de reconhecimento franceses foram também destacados para o local, incluindo um de Dakar..[19] A base de apoio às buscas funciona na Base Aérea de Natal em Natal[20] e no Aeroporto de Fernando de Noronha com as buscas coordenadas a partir do Cindacta 3 na cidade do Recife.[21] O assessor de imprensa da Aeronáutica, coronel Henry Munhoz, disse à TV brasileira que o radar de Cabo Verde não havia captado o sinal do avião sobre o Oceano Atlântico.[22] A Marinha Brasileira deslocou também três embarcações, sendo o navio-patrulha Grajaú, a fragata Constituição e a corveta Caboclo para auxílio nas buscas..[18]No fim da manhã, o voo AF447 foi retirado da lista de voos do site dos Aeroportos de Paris.[23]
O diretor executivo da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, disse numa conferência de imprensa: "Estamos provavelmente em presença de uma catástrofe aérea." Um porta voz da Air France especulou a aeronave poderia ter sido atingida por um raio,[24] embora esta seja uma rara causa de acidentes com aeronaves.[25][26] Dois jatos da companhia aérea Lufthansa passaram por essa área, antes e depois do desaparecimento, o que coloca dúvidas acerca de um raio ter sido a causa.[27]
O ministro do ambiente francês Jean-Louis Borloo declarou que "nesta altura já terá ultrapassado o limite das suas reservas de querosene" e "Temos de vislumbrar agora o mais trágico dos cenários". Fontes do aeroporto Paris-Charles-De-Gaulle citadas pela revista francesa L'Express afirmaram que "não há esperança de que haja sobreviventes."[28][29][30]
O governo do Senegal comunicou na tarde de 1 de junho que teria localizado destroços que flutuavam nas suas águas territoriais, mas não confirmou se pertenciam ao avião desaparecido. A Aeronáutica informou que após o escurecer será realizada uma busca eletrônica com vista a tentar captar a emissão de sinal do equipamento de emergência da aeronave (ELS).[31]
No início da noite de segunda-feira, o vice-chefe do Centro de Comunicação da Aeronáutica brasileira, Jorge Amaral, confirmou que um piloto de um voo comercial da empresa TAM Linhas Aéreas reportou ter visto "pontos laranjas" no meio do Oceano Atlântico, cerca de 30 minutos após o Airbus da Air France ter emitido um informe de pane elétrica, às 2h14 UTC de domingo.[32] No entanto, uma busca efetuada por um navio francês na área assinalada pelo piloto não encontrou nada.[33]
[editar] Dia 2
Na noite de 1 para 2 de junho, um avião radar Embraer R-99B decolado às 22h35 de segunda-feira do arquipélago de Fernando de Noronha detectou por meio de sinais eletrônicos, a cerca de 1h da manhã, objetos metálicos e não metálicos. Na manhã de 2 de junho, uma aeronave C-130 avistou flutuando objetos detectados por radar no Oceano Atlântico que podem ser do Airbus. Na ocasião o radioamador André Sampaio, que auxiliava as comunicações da FAB por meio de sua estação PY0FF em Fernando de Noronha, capta as primeiras informações dos avistamentos pelo rádio em HF. O coronel Jorge Amaral confirma que os objetos foram visualizados em dois pontos distintos, distantes 60 km entre si, a cerca de 650 km a noroeste da Ilha de Fernando de Noronha. Teriam sido vistos uma poltrona, uma boia laranja, um tambor, objetos brancos, além de uma mancha de óleo e querosene. Não foi ainda confirmado se se tratam de partes do avião desaparecido.[34] Devido a estes destroços terem sido localizados, a Marinha do Brasil enviou o navio tanque Gastão Motta e a fragata Bosísio, somando 5 as embarcações deslocadas para o local.[35]O navio-tanque permitirá que os outros navios fiquem na área um mês, se for necessário. Os navios estão equipados com médicos e mergulhadores, que poderão chegar ao avião se estiver submerso perto da superfície. O primeiro navio da frota brasileira deverá chegar ao local pelas 18h de quarta-feira, 3 de junho.[36]
Três navios mercantes, dois holandeses e um francês, que circulavam perto do arquipélago de São Pedro e São Paulo desviaram as suas rotas para auxiliar nas buscas no local onde foram avistados os destroços, mas segundo a Marinha Brasileira ainda não encontraram nenhum vestígio[35] O contra-almirante Domingos Sávio Almeida Nogueira, diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha, afirmou que os destroços indicam que podem haver sobreviventes, uma vez que a temperatura da água está alta na região, em torno de 28 a 30 graus. "Sempre há esperança", disse Domingos Sávio aos jornalistas.[36]
Dois navios da Marinha Francesa, o Foudre e o Ventôse, estão a caminho do local onde se suspeita que o avião possa ter caído. Um E-3 Sentry da Força Aérea Francesa decolou às 17h00 CEST, juntando-se aos 2 aviões Atlantique 2 e a um Falcon 50 da Marinha.[37] O mau tempo está a dificultar as buscas tanto no ar como no mar.[4] Entre os navios enviados ao local também está o navio de pesquisa francês Pourquoi Pas?, equipado com dois mini-submarinos capazes de mergulhar até profundidades de 6000 m. A área do Atlântico na qual o avião terá caído tem profundidades da ordem dos 4700 m.[38]
Na tarde de 2 de junho o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, confirmou que os destroços encontrados durante a madrugada no Oceano Atlântico são do Airbus da Air France. "Os destroços são do avião. Isso não há mais dúvida", afirmou Jobim aos jornalistas. Segundo o ministro, o avião Hércules da Força Aérea Brasileira identificou diversos materiais em uma faixa de 5 km, dentro da área brasileira em torno do arquipélago de São Pedro e São Paulo. "Fios, metais, enfim, elementos que compõem a aeronave", esclareceu. Os objetos encontrados no mar serão recolhidos e embarcados no navio Grajaú da Marinha brasileira, que levará o material para Fernando de Noronha. "Até o momento não foi divisado nenhum corpo, somente destroços", disse Jobim, afirmando também que ainda não é possível determinar se a aeronave explodiu.[17]
[editar] Dia 3
Toda a operação de busca e resgate de destroços e possíveis sobreviventes do voo 447 está a ser feita a partir do (Cindacta 3), em Recife. Trinta militares revezam-se dia e noite no trabalho de planejamento e execução de tarefas, na sala do Salvaero. Segundo a explicação do coronel-aviador Luís Gonzaga Leão Ferreira, comandante do Cindacta 3, "O Salvaero é um órgão do Cindacta que, no contexto da organização, tem por responsabilidade todos esses trabalhos que nós estamos efetuando na busca da aeronave da Air France".
O R-99B da FAB fez novo sobrevoo durante a noite de 2 para 3 de junho, na tentativa de localizar mais destroços e possíveis sobreviventes. O comandante do Cindacta 3 afirmou "Nós vamos continuar dando prosseguimento às buscas, uma vez que já temos alguns pontos de localização de objetos e destroços da aeronave. Estamos colocando esses posicionamentos em mapa e isso permitirá que a gente possa ter uma otimização dos trabalhos de busca".[39] Foram encontrados vários objetos espalhados numa área circular de 5 km de raio; um objeto de 7 metros de diâmetro; dez objetos, sendo alguns metálicos; e uma mancha de óleo com extensão de 20 km.[40]
O avião militar dos Estados Unidos que está no Brasil para apoio às buscas por destroços e possíveis sobreviventes do voo 447 partiu na sua primeira missão às 3h da madrugada de quarta-feira, 3 de junho.[41] Com este avião, chega a 11 o número de aeronaves envolvidas nos trabalhos de busca. No dia 3 deverá chegar ainda um avião francês vindo de Dakar, no Senegal, para reforçar o grupo. Segundo os militares, o mais difícil da operação é o tamanho da área de busca. Até o momento, as equipes já cobriram um perímetro de 10 mil km², o que ainda é pouco em relação ao tamanho da área onde são feitas as buscas.[39]
Os destroços que forem sendo recolhidos pela Marinha serão inicialmente levados para Fernando de Noronha, podendo depois ser enviados para o Recife por aeronave, segundo informou o coronel Leão. A caixa-preta não está no foco principal das buscas. Conforme afirmou o mesmo coronel, "Estamos conduzindo o nosso trabalho para levantar a localização dos destroços e de um eventual sobrevivente. A caixa preta é primordial para o processo de investigação, mas não é nossa prioridade no momento".
Na manhã de 3 de junho o porta voz do Estado Maior do Exército francês afirmou que, embora seja preciso fazer "uma confirmação formal" quando os destroços forem resgatados, já não há espaço para dúvidas de que pertencem ao Airbus da Air France desaparecido na segunda-feira passada.[42]
Na madrugada de 3 de junho foram encontrados mais quatro pontos com objetos e materiais metálicos na região onde no dia anterior haviam sido encontradas partes do avião, a uma distância de 90 km da área anteriormente coberta pela Força Aérea Brasileira. Foram detectados vários objetos espalhados em uma área circular com raio de 5 quilômetros, entre eles uma peça de sete metros de diâmetro, ainda não identificada, que poderá ser, segundo o Comando da Aeronáutica, um pedaço da cauda ou lateral do aparelho. Foram ainda encontrados 10 objetos e uma mancha de óleo com extensão de 20 quilômetros, mas ainda não há certeza de que estes destroços pertençam também ao avião acidentado.[43] Até a noite de 3 de junho, uma área de cobertura equivalente a 176 984,37 km², o que corresponde a cerca de duas vezes o estado de Pernambuco, havia sido completada. O navio patrulha Grajaú e corveta Caboclo da Marinha do Brasil chegaram a área. As buscas prosseguiram durante a noite com as aeronaves brasileiras (três C-130 Hércules), um avião estadunidense (P-3 Orion) e um avião francês (Falcon 50).[44]
[editar] Dia 4
Em Recife com a dificuldade de encontrar sobreviventes do Airbus A330 da companhia aérea Air France, desaparecido desde a madrugada de segunda-feira (1º), a Força Aérea Brasileira (FAB) e o Comando da Marinha decidiram iniciar a coleta dos destroços localizados na área onde estão concentradas as buscas.
"Até ontem, a prioridade era localizar os corpos, mas, como não estamos encontrando, temos que recolher os destroços. Hoje já podemos colocar os dois trabalhos no mesmo nível de interesse", explicou em Recife, o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), brigadeiro Ramon Borges Cardoso.
Ao relatar à imprensa o trabalho feito nesta madrugada, Cardoso afirmou que o avião militar R-99B, que rastreou a área provável em que o Airbus caiu, identificou novos pontos de destroços a sudoeste dos penedos de São Pedro e Paulo. Nenhum corpo foi avistado. Segundo o brigadeiro, apesar de o mar estar calmo, chove e há pouca visibilidade, o que dificulta as buscas. "A cada dia que passa fica mais difícil encontrar sobreviventes, mas continuamos com essa expectativa, trabalhando para possivelmente encontrá-los."
Durante a madrugada, mais cinco aviões, sendo um norte-americano e um francês, decolaram de Natal com destino aos locais onde os destroços foram localizados. Em dois pontos foi confirmada a presença de material que o brigadeiro acredita ser da parte interna do Airbus. Com isso, a FAB e a Marinha decidiram enviar para os locais o navio patrulha Grajaú e a corveta Caboclo, que já estavam na região desde o dia anterior. A previsão é que as duas embarcações cheguem aos pontos indicados pelas aeronaves no início da tarde deste dia. Elas irão recolher todo o material que for encontrado boiando. Um helicóptero Black-Hawk partiu às 8h de Fernando de Noronha (PE) para confirmar a presença de destroços avistados a cerca de 100 quilômetros a nordeste do arquipélago. De acordo com Cardoso, a opção de enviar o helicóptero na missão de rastreamento se deve ao fato de ser pouco provável que o material rastreado pelo R-99B pertença à aeronave da Air France. Se for do avião, uma embarcação terá que se dirigir ao local a fim de resgatá-lo, porque o helicóptero não pode içar o material. Segundo o brigadeiro, não há data prevista para o término da operação. Todos os equipamentos e suprimentos de que as equipes que estão em Fernando de Noronha irão precisar foram transportados hoje para o arquipélago. Cerca de 150 pessoas participam das buscas.[45]
Foram identificados novos pontos de destroços à sudoeste dos penedos de São Pedro e São Paulo. O helicóptero H-60 Black Hawk começou a ser utilizado nas missões de busca. No total, onze aeronaves estão mobilizadas na Base Aérea de Natal e em Fernando de Noronha para o trabalho de busca.[46] A fragata Constituição chegou ao local onde estão sendo feitas as buscas. A embarcação completa o conjunto de três navios da Marinha que participam nas buscas. A fragata Constituição leva tripulação de aproximadamente 200 marinheiros, incluindo mergulhadores. [47] Novos destroços foram avistados a 550 km de Fernando de Noronha. De acordo com o planejado, a aeronave orientou a fragata Constituição, até o local para que o material pudesse ser recolhido. O helicóptero Lynx, embarcado na Fragata, resgatou por volta das 13h, um suporte utilizado para acomodação de cargas em aviões (pálete), de aproximadamente 2,5 m², e duas bóias.[48] Segundo o brigadeiro Ramon Cardoso, o palete e a mancha de óleo encontrados não pertencem ao AirBus 330, pois o AirBus não utilizava paletes de madeira e a quantidade de óleo encontrada era bem superior à que um AirBus necessita, pois utiliza apenas cerca de 20 litros de óleo nos motores.[49] O almirante Edison Lawrence Mariath Dantas, comandante do 3º Distrito Naval em Natal, disse em entrevista que as buscas prosseguem durante a noite.[49]
[editar] Dia 5
Um grupo com treze parentes de algumas das pessoas que viajavam na voo 447 partiu da Base Aérea do Galeão por volta das 7h deste dia 5 em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para a sede do Cindacta 3, em Recife. O brigadeiro Ramon Borges Cardoso informou que o objetivo é esclarecer qualquer dúvida e também para que eles tomassem conhecimento das dificuldades do trabalho em uma busca no mar. Porém está descartada um sobrevoo na área de buscas pelos parentes.[50] Uma aeronave francesa Atlantique Rescue D passou a integrar o conjunto de aeronaves engajadas nos esforços de busca.[51]
Chega ao fim o quinto dia de buscas aos destroços do voo e o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), afirmou que nada de "relevante" foi encontrado ainda e também que com o passar do tempo aumentam as dificuldade de encontrar corpos e de localizar vestígios da aeronave. Mesmo assim, informou que não há prazo para o fim das operações de busca que, nos próximos dias, ganhará o reforço de mais três barcos brasileiros e três embarcações francesas. Novamente, durante a madrugada (próximo às 3h de amanhã) o avião R-99B decolará de Fernando de Noronha para dar continuidade ao rastreamento dos possíveis destroços.[52]
A Air France anunciou, em uma nota divulgada durante a manhã, que o voo AF 447 passará a ser identificado como AF 445 a partir de domingo (7 de junho) e a alteração só valerá para o trajeto Rio-Paris. O trajeto Paris-Rio continuará ser identificado como AF 444.[53]
O governo francês anunciou que enviaria o submarino Émeraude para auxiliar nos trabalhos de resgate de destroços e eventuais corpos de vítimas do acidente. O submarino possui sonares que tentarão identificar emissões acústicas das caixas-pretas do avião, porém ele só deve chegar na região das buscas na próxima semana. Mais duas outras embarcações da Marinha francesa, o TCD Foudre (que estava na costa de Portugal) e a fragata Ventôse (que vem do Caribe) foram enviadas ao Brasil e devem chegar a região no fim de semana.[54]
[editar] Dia 6
No início da manhã, o R-99B identificou uma série de pontos numa área localizada a cerca de 70 km a nordeste de onde o avião da Air France havia enviado a última mensagem. No início da tarde de 6 de junho, o coronel Jorge Amaral, da Aeronáutica, informou que dois corpos de homens foram localizados e recolhidos pela corveta Caboclo que auxilia nas buscas do avião.[55] A Aeronáutica e a Marinha também encontraram uma poltrona azul identificada com um número de série que pode ser do Airbus A 330, além de uma mochila com um cartão de vacinação e uma pasta de couro contendo uma passagem da Air France.[56] Também foram encontradas máscaras de oxigênio.
As informações disponíveis foram transmitidas aos parentes das vítimas antes de serem divulgadas à imprensa.[57]
[editar] Dia 7
Mais destroços foram localizados, incluindo uma parte metálica com inscrições da Air France. Poltronas com características das que são utilizadas pela Air France também foram resgatadas. Três corpos foram localizados e resgatados durante a madrugada, totalizando cinco corpos. Cinco navios da Marinha do Brasil e 14 aeronaves, 12 brasileiras e duas francesas, foram utilizados no resgate.[58][59] No início da noite, a Marinha e Aeronáutica anunciaram que 12 corpos foram resgatados, completando 17 ao todo já resgatados. Vários elementos estruturais da aeronave também foram resgatados. A fragata francesa Ventôse chegou a região e auxiliou no resgate. Ao todo, seis embarcações auxiliaram nas buscas em conjunto com 14 aeronaves.[60]
Segundo o capitão-de-fragata Giucemar Cardoso Tabosa, do Centro de Comunicação Social da Marinha, a fragata Constituição, que levava para Fernando de Noronha os dois corpos localizados em 6 de junho, retornou ao encontro da corveta Caboclo para reunir todos os corpos encontrados e levá-los de uma só vez. Quando a fragata atingir os 300 km de distância da ilha, os corpos serão transportados de helicópetero e lá serão preparados e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Recife, que recebeu o reforço de oito policiais federais especialistas na identificação de corpos, e será responsável pela identificação dos corpos.[61][62]
[editar] Dia 8
Ao final da manhã, a Marinha e a Aeronáutica informaram que foram resgatados 16 e não 17 corpos, como anunciado no dia anterior. O motivo informado pelas autoridades, foi uma falha de comunicação com a fragata francesa Ventôse. Também diferente do anunciado no dia anterior, foi informado que os 16 corpos já se encontravam na fragata Constituição. Os corpos estão sendo conservados nas câmeras frigoríficas do navio, com chegada prevista a Fernando de Noronha na manhã de terça (9 de junho).
O capitão Giucemar Tabosa, assessor de comunicação da Marinha, informou que a diferença do número de corpos foi constatada na transferência dos corpos da fragata francesa para a brasileira.[63] Após corrigirem esta informação, a Aeronáutica e a Marinha decidiram que não irão mais revelar à imprensa o número e o sexo dos corpos das vítimas resgatados até que estejam a bordo de navios militares brasileiros. A medida tem por objetivo evitar erros na divulgação das informações.[64]
Segundo informações dos oficiais envolvidos com as buscas mais de uma centena de destroços já foram localizados, mas a Aeronáutica só irá relacioná-los após uma identificação precisa. Esses destroços foram localizados na região a 440 quilômetros a nordeste do arquipélogo de São Pedro e São Paulo, em área que possui 3,5 mil metros de profundidade. Oito corpos de passageiros foram resgatados totalizando 24 corpos resgatados.[63][65]
Em entrevista à noite, o tenente-coronel Henry Munhoz, assessor de comunicação da Aeronáutica, reiterou que localizar a caixa-preta "não é uma prioridade" da operação brasileira, mas sim dos governos francês e estadunidense e que ações paralelas destes governos estão sendo conduzidas. O assessor também informou que o "objetivo na operação de busca e resgate é não deixar ninguém para trás", ou seja, o objetivo é resgatar os todos os 228 corpos.[65]
[editar] Dia 9
Segundo a assessoria de comunicação da Aeronáutica e da Marinha mais quatro corpos foram resgatados no início da manhã pela fragata Bosísio e permaneceram no navio, assim como os retirados ontem do mar. Como a câmara frigorífica do navio tem capacidade para até 20 corpos, somente quando for atingido essa capacidade eles serão levados a Fernando de Noronha.[65] Mais 13 corpos foram resgatados, totalizando 41 vítimas. Dois rebocadores de alto-mar contratados pela França: o Fairmount Expedition e o Fairmount Glacier, que levarão a bordo 40 toneladas de equipamentos para auxílio às buscas dos destroços. Além disso, o submarino nuclear Émeraude, o navio de pesquisa Porquoi Pas e o navio anfíbio Mistral estão seguindo para a área das buscas.[66]
Os primeiros 16 corpos resgatados entre 6 de junho e a manhã de 8 de junho já estão em Fernando de Noronha onde os especialistas da Polícia Civil de Pernambuco e da Polícia Federal farão uma identificação prévia antes de serem enviado à Recife. Inicialmente a previsão era de que os corpos chegassem à ilha logo pela manhã, mas a chuva atrasando a decolagem dos helicópteros que buscariam os corpos na fragata.[67]
À noite, o brigadeiro Ramon Borges Cardoso informou que a Aeronáutica e a Marinha vão ampliar a área a ser vasculhada seguindo a direção das correntes marítimas registradas para o Norte e que as buscas entrarão na área de Dakar. As autoridades do Senegal foram contatadas e as embarcações e aeronaves militares brasileiras foram autorizadas a ingressar na área a fim de continuar as buscas. O brigadeiro informou também que todos os 41 corpos já resgatados estavam dentro das águas jurisdicionais brasileiras.[68]
[editar] Dia 10
No início da tarde, em nota divulgada no Cindacta 3, o comando da Aeronáutica e da Marinha informou que não existem novas notícias sobre o resgate de corpos de vítimas. A nota informava ainda que os 16 corpos que estavam em Fernando de Noronha seriam levados à Base Aérea de Natal às 15h e de lá seriam encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Recife para identificação. Outra informação contida na nota é de que a fragata brasileira Bosísio, que transporta os demais 25 corpos, deve se aproximar amanhã (11 de junho) de Fernando de Noronha.[69]
O submarino nuclear francês Émeraude chegou à área onde se concentram as buscas. A principal missão do submarino é tentar localizar a caixa-preta do Airbus, mas mesmo equipado com sonares potentes, a tarefa será difícil, já que mesmo após dez dias de buscas, ainda não se sabe ao certo o ponto exato em que o Airbus caiu. Outro fator de complicação são as correntes marítimas existentes na região que têm arrastado os destroços por quilômetros. Além disso, existem na área locais que podem atingir 5 mil metros profundidade. Também já estão na região o navio francês Mistral e o rebocador Fairmount Expedition, que foi autorizado pelas autoridades brasileiras a atracar em Natal, para receber os equipamentos que serão utilizados na busca às caixas-pretas. A coordenação dos trabalhos dessas embarcações será feito pelas autoridades brasileiras para que não atrapalhem o resgate dos corpos, que continua sendo prioritário nas operações.[70]
Ao décimo dia de buscas, os militares brasileiros não conseguiram localizar nenhum novo corpo. Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Decea, as condições meteorológicas pioraram ao longo do dia, forçando as aeronaves e embarcações brasileiras a se deslocarem para locais com melhor visibilidade, mas com menos chances de localização de novas vítimas.[70]Foi anunciado que a fragata Constituição, que transportou os primeiros 16 corpos, retornaria à área de buscas no dia seguinte. No próximo dia 19 de junho, o navio desembarque Rio de Janeiro, que tem capacidade para receber até 100 corpos em suas câmaras frigoríficas, se somará à frota na região. A embarcação estava em missão no Haiti, mas foi designada para se dirigir à Fortaleza, onde serão carregados dois helicópteros e mantimentos para a missão.[70]
Pela primeira vez desde o início das buscas, a Aeronáutica e a Marinha mencionaram um prazo para o fim das operações. Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, oficiais da Aeronáutica e da Marinha se reunirão no dia 12 de junho para avaliar a possibilidade de continuar os trabalhos além do dia 19 de junho, "Este prazo é um tempo no qual imaginamos que ainda haveria possibilidade de fazermos a coleta de corpos. Se antes desta data nós fizermos outra avaliação, esses prazo pode ser estendido", concluiu Cardoso.[71]
[editar] Dia 11
No início da madrugada o avião Hercules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou na Base Aérea de Natal com os 16 corpos que seguiram diretamente para o IML de Recife e os trabalhos de identificação já foram iniciados pelos peritos. Os responsáveis por este trabalho não estabeleceram prazo para a conclusão das identificações, mesmo porque, em alguns casos, a identificação só será possível por meio de exame de DNA, e, neste caso, o trabalho será feito no Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília.[72]
Pela manhã uma pequena parte dos destroços do Airbus chegaram a Natal.[73] São 37 peças que deverão ser encaminhadas de avião para o Recife.[74]
No início da noite o Comando da Marinha e o Comando da Aeronáutica informaram que mais 3 corpos foram resgatados, totalizando 44 vítimas ao todo. Os corpos já estão na fragata Constituição que deve chegar a Fernando de Noronha pela madrugada ou manhã de sábado (13 de junho). O comando da operações informou também que na manhã deste dia foi concluída a transferência dos 25 corpos da fragata Bosísio para Fernando de Noronha. Esses corpos passaram por perícias preliminares e serão transportados em duas etapas para Recife conforme o andamento dos trabalhos periciais. A primeira etapa deverá ser concluída na manhã do próximo sábado.[75][76]
Ainda segundo as informações do Comando, na transferência dos corpos, o helicóptero H-60 Blackhawk, da Força Aérea Brasileira, transportou 15 militares do Destacamento Aéreo Embarcado (DAE) da Marinha do Brasil para a fragata Bosísio, que passará a operar com um helicóptero AH-11A Lynx, na área de buscas. Por solicitação da Marinha francesa, continua a nota do comando da buscas, o Blackhawk também levou dois psicólogos franceses para a fragata Bosísio, que depois irão para a fragata Ventose.[76]
O tenente-brigadeiro Ramon Cardoso afirmou que as buscas às caixas-pretas estão sendo realizadas pela Marinha francesa, que não é obrigada a informar às autoridades brasileiras no caso de sucesso.[76]
[editar] Dia 14
A FAB retificou o número de corpos encontrados, informando que foram encontrados 43 corpos.[77]
[editar] Dia 17
Navio da Marinha francesa recolheu despojos avistados na área de buscas, além de bagagens. Um avião Hércules da Força Aérea Brasileira chegou a Recife transportando seis corpos que estavam em Fernando de Noronha. [78]
Em 25 de junho, foi encontrado mais um corpo. Foi confirmado pela Polícia Federal e pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco que já haviam sido reconhecidos 14 corpos de vítimas do acidente, dentre os quais 10 brasileiros. Dentre as vítimas reconhecidas estavam o comandante da aeronave e um dos comissários de bordo.[79]
[editar] Dia 26
Após 26 dias de operações de buscas por corpos e destroços do voo, os comandos da Aeronáutica e da Marinha decidiram encerrar as operações. O anúncio foi feito no final da noite, por oficiais dos centros de Comunicação Social das duas Forças na sede do Cindacta 3, em Recife. O principal motivo foi que, mesmo com a utilização de 12 aviões e 11 navios militares, nenhum corpo foi encontrado nos últimos nove dias.[80]
Durante o período de realização das buscas, foram resgatadas cerca de 600 partes de componentes estruturais da aeronave, além de bagagens dos passageiros. Doze aeronaves foram utilizadas, tendo sobrevoado por 1500 horas e percorrendo visualmente uma área de 350 mil quilômetros quadrados. A Marinha do Brasil utilizou onze embarcações, navegando por 35 mil milhas. O avião R-99 realizou busca eletrônica numa área correspondente a dois milhões de quilômetros quadrados. Estiveram diretamente envolvidos nas buscas, resgate e suporte um total de 1.344 militares da Marinha do Brasil e 268 da FAB, totalizando mais de 1.600 profissionais.[81]
[editar] Novas buscas em 2011
Em 17 de fevereiro de 2010, Jean-Paul Troadec, diretor do Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la sécurité de l'Aviation Civile (BEA) da França anunciou a terceira fase de buscas submarinas das duas caixas-pretas. Serão utilizados dois navios, um estadunidense e um norueguês, equipados com quatro sonares e dois robôs, que irão vasculhar uma área de 2 mil quilômetros quadrados ao noroeste da última posição conhecida do avião antes da queda, a cerca de 1,2 mil quilômetros da costa brasileira.[82]
| Estamos utilizando os equipamentos mais sofisticados do mundo. Essa é uma das operações de busca mais complexas já realizadas até hoje. Não podemos fazer melhor do que isso. | — Jean-Paul Troadec, diretor do BEA[82]
|
Cerca de dois anos depois do acidente, em 4 de abril de 2011, equipes de busca e resgate francesas anunciaram a descoberta de mais destroços do avião em meio ao Oceano Atlântico, e de corpos ainda presos a uma grande parte da fuselagem encontrada praticamente intacta no mar. A descoberta, anunciada pela ministra francesa dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet, dá esperanças de que a caixa preta do avião possa ser finalmente encontrada. [83] A área em que os novos destroços com corpos presos neles foram encontrados, fica no meio do oceano, cerca de dois a quatro dias de distância de navio tanto do Senegal quanto do Brasil e o fundo do mar no local é coberto de montanhas e vales. [84]
No início de maio de 2011, foram encontradas as duas caixas pretas com os dados registrados do voo, além das gravações da comunicações dos pilotos [85]. No dia 5, com a ajuda do robô submarino Remora 6000, o mesmo que descobriu os destroços e as caixas pretas, a equipe de busca resgatou o primeiro corpo do fundo do mar. As autoridades francesas informaram que, após dois anos a 3900 m de profundidade, os restos mortais encontravam-se em adiantado estado de putrefação. A notícia causou surpresa à Associação das Famílias das Vítimas do Voo 447 da Air France, já que numa reunião em abril com a BEA (Birô de Investigações e Análises), em Paris, havia ficado decidido que os corpos encontrados não seriam resgatados, permanecendo em seu túmulo no fundo do oceano.[86]
[editar] Detalhes dos passageiros
Estavam a bordo 228 pessoas, incluindo três pilotos e outros nove tripulantes. Entre os passageiros há um bebê, sete crianças, 82 mulheres e 126 homens.[8]
[editar] Nacionalidades
De acordo com uma lista oficial publicada pela Air France, a maioria dos passageiros é composta por cidadãos brasileiros e franceses.[87]
| Nacionalidade | Passageiros | Tripulação | Total |
|---|---|---|---|
| 61 | 10 | 71 | |
| 57[88]/58 | 1 | 58/59 | |
| 28[89] | — | 28 | |
| 9 | — | 18 | |
| 6 | — | 6 | |
| 5 | — | 10 | |
| 4 | — | 4 | |
| 3 | — | 9 | |
| 2 | — | 8 | |
| 1 | 1 | 2[90] | |
| 1 | — | 15 | |
| Total apurado | 217/218 | 12 | 229/230 |
| Total | 216 | 12 | 228[87] |
[editar] Alguns passageiros a bordo
Estavam a bordo do avião:
- Prof. Dr. Roberto Corrêa Chem, 65 anos. Possuía graduacão em História Natural pela PUC-RS (1965) e formado em Medicina pela Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre-FFFCMPA (atual UFCSPA) em 1969. Especialista em Cirurgia Plástica, mestre em Neuro-Anatomia e doutor em Cirurgia Plástica. Professor-titular de Cirurgia Plástica da UFCSPA. Seu brilhante trabalho salvou e ajudou muitas pessoas vítimas de graves queimaduras. Fundou, em 2005, o Banco de Pele-Tecido Humano da Santa Casa de Porto Alegre, o primeiro do RS e segundo do Brasil. Estava indo para Europa passar férias na Grécia e Turquia, com a esposa e a filha.
- Vera Chem, 63 anos. Psicóloga, estava indo passar férias na Grécia e Turquia com o marido Dr. Roberto Correa Chem e a filha Letícia Chem.
- Letícia Chem, 36 anos. Gerente de roaming internacional de uma grande operadora de telefonia celular. Estava indo passar férias na Grécia e Turquia, na companhia dos pais Roberto e Vera.
- Príncipe Dom Pedro Luís de Orléans e Bragança, 26 anos, quarto na linha de sucessão ao trono brasileiro[91]
- Giambattista Lenzi, conselheiro regional (deputado) da região italiana Trentino-Alto Ádige pelo partido A União
- Luigi Zortea, prefeito da comunidade italiana de Canal San Bovo
- Marcelo Parente Gomes de Oliveira, chefe de gabinete do prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes[92]
- Luis Roberto Anastacio, diretor-executivo para a América Latina do Grupo Michelin[93]
- Antonio Gueiros, diretor regional de informática do Grupo Michelin no Rio de Janeiro.[93]
- Christine Pieraerts, funcionária do Grupo Michelin na França[93]
- Erich Heine, presidente da filial brasileira da siderúrgica ThyssenKrupp[93][94]
- Adriana Van Slouijs, do departamento de comunicação da Petrobras[94]
- Dez funcionários da empresa francesa CGED e nove cônjuges, que haviam viajado ao Brasil como prêmio por seu bom desempenho[94]
- Maestro Sílvio Barbato, regente da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro[33]
- Marco Antonio Camargos Mendonça , Diretor da Vale
- Juliana de Aquino, cantora brasileira[33]
- Fatma Ceren Necipoğlu, harpista clássica turca;
- Olivier Guillot-Noël, físico do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês;
- Ivan Lorgeré, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês;
- Octavio Augusto Ceva Antunes, professor do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a esposa e o filho de três anos a bordo[95]
- Moritz Kock, arquiteto alemão[94]
- Carlos Eduardo Lopes de Mello, procurador da Procuradoria Federal Especializada junto à Comissão de valores mobiliários (CVM) do Rio de Janeiro, acompanhado da sua esposa, a médica Bianca Cotta. Os dois se casaram no sábado anterior (30 de maio) em Niterói e seguiam para a lua-de-mel na França[96]
- Izabela Maria Furtado Kestler, acadêmica membro do Programa de Mestrado em Linguística Aplicada e professora associada de nível 1 em língua e literatura alemã da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Bianca Cotta, médica, se formou em dezembro de 2008. Viajava acompanhada de seu marido Carlos Eduardo Lopes de Mello. É filha do professor Renato Cotta, pesquisador do instituto de engenharia da UFRJ, da COPPE[96]
[editar] Reações
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, esteve no aeroporto Roissy-Charles de Gaulle para acompanhar as investigações sobre o desaparecimento do avião. Segundo o Nouvel Observateur, os familiares dos passageiros foram levados a um espaço reservado para receber apoio da companhia aérea.[97]
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, decretou em 1º de junho, luto estadual por três dias.[92] No mesmo dia, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes decretou luto por três dias, devido a morte de um dos funcionários da prefeitura e aonde o avião partiu.
A Air France organizou uma celebração ecuménica na Catedral de Notre Dame, em Paris, pelas 16h locais de 3 de Junho, em homenagem aos passageiros desaparecidos sobre o Oceano Atlântico.[98]
Na noite de terça feira, 2 de junho, após a confirmação da queda do avião, o presidente brasileiro em exercício José Alencar decretou luto nacional por três dias, em memória das vítimas do acidente aéreo.[99]
Um ato ecumênico foi realizado na manhã de 4 de junho na Igreja da Candelária com representantes de oito religiões. Participaram do ato parentes e amigos de passageiros que estavam no Voo 447, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chanceler francês Bernard Kouchner, além de outras autoridades do Brasil e da França.[100]
Uma missa foi realizada na tarde de 5 de junho em memória dos passageiros na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O príncipe dom Antônio de Orleans e Bragança, pai de Pedro Luis, estava presente.[101]
Durante a manhã do dia 29 de junho, a Marinha e a Aeronáutica do Brasil realizaram uma cerimônia no mar nas proximidades de Recife em homenagem as vítimas do Voo 447. A cerimônia teve a participação da Fragata Bosísio e de mais cinco embarcações utilizadas nas buscas, além de quatro helicópteros. Um culto ecumênico foi realizado e flores foram lançadas ao mar. Autoridades da França também estiveram presentes na homenagem.[102][103][104][105][106]
[editar] Inquérito
O piloto tinha 11 000 horas de voo[107] e o Airbus, colocado ao serviço em 2005 e contando 18 870 horas de voo,[107][108] não possuia qualquer defeito que tivesse sido constatado no seu último controle técnico, a 16 de abril de 2009.[107]
A responsabilidade das investigações é da França, país a que pertence a empresa da aeronave, de acordo com a legislação da ICAO, Organização de Aviação Civil Internacional (OACI),[17]estando entregue ao Bureau d'enquêtes et d'analyses (BEA)..[109] O Brasil ficará responsável pela busca de corpos, resgate de vítimas e destroços.[17]
O avião desapareceu dos radares ao atravessar a Zona de Convergência Intertropical. As imagens de satélite mostram uma grande concentração de nuvens cúmulo-nimbos, que chegam a atingir os 16.000 metros de altura, com intensas descargas elétricas, sobre o Oceano Atlântico na região do arquipélago de São Pedro e São Paulo, perto da última posição conhecida da aeronave e do local onde foram encontrados os destroços. Este é, no entanto, um fenómeno frequente na região e com o qual os pilotos estão muito acostumados, geralmente sobrevoando no topo das nuvens, a 15.000 metros de altitude, que é a zona menos perigosa. Os aviões dispõem ainda de um radar de proa que avisa sobre a proximidade de nuvens particularmente densas, permitindo que o aparelho desvie a rota a fim de evita-las.[110]
Uma vez que o sistema ACARS reportou uma sucessão de avarias num curto intervalo de tempo, a falência do sistema elétrico e a despressurização do aparelho, existem muitas hipóteses possíveis. De acordo com o CEO da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, estas falhas criaram uma "situação totalmente inédita no avião".[111] Segundo o diretor de comunicações da companhia aérea, uma das hipóteses é a incidência de um raio, que conjugado com outros problemas teria despoletado uma avaria elétrica..[112][113] O secretário de Estado de Transportes da França, Dominique Bussereau, comentou que apesar de nada se saber sobre o desaparecimento da aeronave, "parece mais uma perda de controle do aparelho". Bussereau considerou ainda que a tese da Air France para explicar um possível acidente causado por um raio é incompleta.[114]
Entre as outras hipóteses avançadas, têm especial relevo as avarias sucessivas devidas à turbulência[113]ou um ataque terrorista,[112]embora neste momento não exista qualquer elemento que permita avançar essa hipótese.[114]
Há também a referir que a EASA tinha alertado em Janeiro de 2009 os pilotos dos aviões Airbus A330 e A340, na sequência do incidente com um voo da Qantas, em Outubro de 2008, em que mais de 50 pessoas ficaram feridas quando o voo da Qantas, que fazia a ligação entre Singapura e Perth, registou uma queda abrupta de vários metros quando viajava em velocidade de cruzeiro.
De acordo com o alerta em causa, esses dois tipos de aviões registam ocorrências anormais no equipamento Ecam (Electronic Centralised Aircraft Monitor) o que levaria a um comportamento anormal que provocaria, por exemplo, mergulhos em pleno voo. [115]
O Tribunal de Paris anunciou no dia 5 de junho a abertura de processo, a ser conduzido pela juíza Silvie Zilmmerman, por homicídio culposo sobre o desaparecimento do Airbus A330 da companhia aérea Air France. [116]
O Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil da França divulgou nota no dia 5 de junho em que afirma: [117]
| “ |
Uma grande quantidade de informações mais ou menos corretas e tentativas de explicações a respeito do acidente estão sendo veiculadas. O BEA lembra aqueles envolvidos nessa divulgação que é recomendavel que se evite todo tipo de interpretação apressada e especulativa baseada em informações parciais e não confirmadas. No estágio atual da investigação, os únicos fatos concretos são: * a presença significativa de nuvens da zona de convergência intertropical, típicas da região equatorial, próximas a rota planejada do avião pelo Atlântico; * baseando-se na análise das mensagens automáticas enviadas pelo avião, existem incoerências entre as várias velocidades medidas. |
” |
|
—BEA , Nota enviada a imprensa em 5 de junho de 2009 - Voo AF 447 de 31 de maio de 2009 |
||
No dia 10 de junho de 2009 o jornal francês L'express publicou reportagem relatando que a possibilidade do acidente ter ocorrido em função de um atentado terrorista não estava totalmente descartada, visto que o nome de dois dos passageiros são similares ao de figuras ligadas com entidades que patrocinam esses tipos de atentados. No entanto, a falta da data de nascimento na ficha de embarque não permite que isso seja realmente constatado, pois pode-se tratar simplesmente de homônimos que possuiam a mesma nacionalidade desses terroristas.[118]
[editar] A quebra do leme
De acordo com informação divulgada pela TV France 2, sem contestação da Air France ou do fabricante do aparelho, a quebra do leme consta de um dos 24 alertas emitidos automaticamente pelo avião. A mensagem, enviada no primeiro dos quatro minutos finais do AF 447, indicava um CTL RUD TRV LIM FAULT, ou seja, falha no controle de limitação do curso do leme. Quer dizer, o computador acusou a quebra do leme. Isto poderia ter origem na tentativa de desvio do curso do avião, para evitar as nuvens de maior risco ao voo, em que o giro do leme teria excedido o limite aceitável para a velocidade efetivamente praticada naquele instante pelo aparelho. Informações errôneas dos sensores de velocidade, derivadas do mau funcionamento de um tubo de Pitot bloqueado ou defeituoso, poderiam levar o computador que controla o avião a permitir a manobra potencialmente perigosa do leme, causando sua ruptura. Um memorando enviado em 5 de junho pela Air France aos seus pilotos informou que a empresa aérea iria substituir os sensores de velocidade de seus aviões Airbus nas próximas semanas.
Um alerta da Airbus emitido depois do acidente determina que a tripulação deve conservar a potência dos motores e o ângulo correto para manter a aeronave na linha de voo, em caso de condições meteorológicas difíceis. Quando ocorre a quebra do leme de uma aeronave, em condições atmosféricas favoráveis, o controle do avião é quase impraticável. No caso do AF447, teria sido impossível. A despressurização da cabine teria sido causada pela perda do leme, tal como ocorreu com o Boeing 747 do Voo Japan Airlines 123.[119]
[editar] Imagens relacionadas
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Avião R-99B equipado com radares capazes de rastrear destroços do Airbus A330.
-
O submarino utilizado para achar os destroços do RMS Titanic ajudou também a localizar a caixa-preta da aeronave da Air France.
-
O tenente-coronel Henry Munhoz assessor de imprensa do comando da Aeronáutica divulga informações dos destroços do Voo 447.
-
Coletiva de imprensa sobre informações do Voo 447 com repórteres do mundo todo.
Referências
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- ↑ Air France F-GZCP. AirFleets.net (2009-06-01). Página visitada em 2009-06-01.
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- ↑ a b "Storms hamper lost plane search", 2 June 2009. Página visitada em 2 June 2009.
- ↑ Ben Quinn and press agencies. "Air France 447 search yields fresh hope with discovery of debris on seabed", The Guardian, 3 April 2011. Página visitada em 4 April 2011.
- ↑ "Voo 447: governo da França diz que encontrou corpos entre os destroços do avião", O Globo, 4 April 2011. Página visitada em 4 April 2011. (em Portuguese)
- ↑ "Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim". Infraero. Visto em 2 de junho de 2009.
- ↑ a b c d e "French plane lost in ocean storm", BBC News, 2009-06-01. Página visitada em 2009-06-01.
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- ↑ BBC Brasil. "Aeronáutica encontra destroços que podem ser do Airbus" (em português). 2 de junho de 2009. (página da notícia visitada em 2 de junho de 2009)
- ↑ "Multiple factors eyed in case of missing jet", MSNBC, 2009-06-01. Página visitada em 2009-06-02.
- ↑ "Could lightning have brought down Air France plane?", CNN, 2009-06-02. Página visitada em 2009-06-02.
- ↑ Jornal da Tarde. "As mensagens finais" (em português). 3 junho de 2009. . (página da notícia visitada em 4 de junho de 2009)
- ↑ Aviation Herald - Crash: Air France A332 over Atlantic on June 1st 2009, aircraft lost, 2 June 2009
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- ↑ Deux passagers suspects sur le vol AF447. L'express (10 June 2009). Página visitada em 10 de junho de 2009.
- ↑ Folha Online. Mensagem indica quebra do leme do Airbus-330 da Air France. Página visitada em 2009-06-06.
[editar] Ligações externas
- Flight Air France 447 Rio de Janeiro - Paris-Charles de Gaulle (em inglês) - Air France (em português)/
- AF447 - Air France (em português)/(em inglês)/(em alemão)
- Informações sobre o voo AF 447 - Força Aérea Brasileira
- Desaparecimento Do Voo Air France 447 - Embaixada da França no Brasil
- Descrição do acidente (em inglês) Aviation Safety Network (aviation-safety.net). Página visitada em 2 de maio de 2009
- Foto do avião desaparecido - Airbus A330-203 F-GZCP. aviation-safety.net. Página visitada em 2009-06-02.
- Fotos do avião desaparecido (Plane Pictures). www.planepictures.net. Página visitada em 2009-06-02.
- Fotos do avião desaparecido (Flickr)
- G1 > Mundo - NOTÍCIAS - Air France voo 447: cobertura completa. g1.globo.com. Página visitada em 2009-06-02.
- Vol AF447 (em francês) - Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la sécurité de l'Aviation Civile
- Vol AF447 (em português) - Balanço da investigação sobre o acidente do voo AF 447 ocorrido em 1º de junho de 2009
- Operações de busca no mar (em português) - Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la sécurité de l'Aviation Civile
- Air France Flight AF 447 (em inglês) - Airbus
- Voo 447 Air France: cobertura completa. ultimosegundo.ig.com.br.