Voo NOAR Linhas Aéreas 4896

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Voo NOAR Linhas Aéreas 4896
LET L-410 prefixo PR-NOA, estacionado no aeroporto de Natal em 20 de março de 2011, similar ao aparelho destruído.
Sumário
Data 13 de julho de 2011
Causa falha mecânica seguida de erro do piloto
Local Brasil Recife
Coordenadas Gnome-globe.png Local da queda
Origem Aeroporto Internacional do Recife, Recife
Escala Aeroporto Internacional Augusto Severo, Natal, Rio Grande do Norte
Destino Aeroporto Dix-Sept Rosado , Mossoró, Rio Grande do Norte
Passageiros 14
Tripulantes 2
Mortos 16
Feridos 0
Sobreviventes 0
Aeronave
Modelo  República Checa LET L-410
Operador Brasil NOAR Linhas Aéreas
Prefixo PR-NOB
Primeiro voo 2010

O Voo NOAR Linhas Aéreas 4896 foi um desastre aéreo ocorrido no dia 13 de julho de 2011.[1]

Aeronave[editar | editar código-fonte]

O LET L-410 é uma aeronave fabricada pela empresa Let Kunovice. Desenvolvida nos anos 1960 para substituir os Antonov An-2 da Aeroflot e da Slov-Air, fez seu primeiro voo em 16 de abril de 1969. Tendo sido aprovado , o aparelho seria fabricado em escala industrial desde 1971 até os dias atuais. A aeronave acidentada foi fabricada em 2010, na planta da Let em Kunovice, distrito de Uherské Hradiště na República Checa, sob o número de construção 2722[2] e seria a segunda entregue de uma encomenda de 4 aeronaves feitas pela empresa Nordeste Aviação Regional Linhas Aéreas (NOAR) no início de 2010 [3] . A primeira aeronave seria entregue em março, recebendo o prefixo PR-NOA, enquanto que a segunda seria entregue em setembro, recebendo o prefixo PR-NOB.

Acidente[editar | editar código-fonte]

O LET L-410 prefixo PR-NOB faria o voo 4896 entre Recife e Mossoró, com escala em Natal. Às 06h 51 min, foi iniciada a decolagem da aeronave. Pilotada pelo comandante Rivaldo Paurílio Cardoso e co piloto Roberto Gonçalves, a aeronave transportava 14 passageiros. Poucos segundos depois, o motor esquerdo da aeronave entra em pane, obrigando o comandante Rivaldo informar a torre o estado de emergência e retornar ao aeroporto para tentar executar uma aterrissagem forçada na pista 36 do aeroporto. Durante a manobra para a aterrissagem de emergência, o piloto desistiu da aproximação por conta do agravamento dos problemas técnicos da aeronave e tentou realizar um pouso de emergência na praia de Boa Viagem. A aeronave caiu durante essa tentativa de pouso, incendiando-se logo em seguida. Apesar do rápido atendimento das equipes de resgate, todos os passageiros e tripulantes morreram ainda durante o choque com o solo.

Investigações[editar | editar código-fonte]

Motor turboélice Walter M-601.

As investigações foram iniciadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) logo após o acidente.[4] O violento impacto com o solo e a posterior explosão da aeronave destruíram as caixas pretas[5] , dificultando a investigação. O relatório final foi apresentado em 19 de julho de 2013, cerca de dois anos após o acidente.[6]

Segundo as investigações do CENIPA, o acidente originou-se em uma falha de motor durante a decolagem. O rompimento da palheta nº 27 do motor esquerdo modelo Walter M601, levou a uma falha fatal do motor esquerdo, que incendiou-se e precisou ser desligado. A aeronave estava voando a 400 pés quando a tripulação decidiu retornar ao aeroporto dos Guararapes, embora o manual de operações da aeronave indicasse que o procedimento de emergência para o caso de falha de motor na decolagem fosse executado a 1,5 mil pés. O procedimento efetuado abaixo da altitude recomendada pelo fabricante causou a queda da aeronave. Apesar de não ter influenciado a queda da aeronave, o CENIPA identificou um excesso de bagagem de 73 kg.[6]

A falha do motor ocorreu em um motor recém substituído três meses antes do acidente pela LET ,fabricante da aeronave. Apesar da substituição de algumas paletas, 51 foram reaproveitadas pelo fabricante e remontadas no motor, por estarem dentro de sua vida útil programada. A paleta de nº 27 era uma delas e sofreu fadiga em sua base, rompendo-se em seguida e originou a falha que causou o acidente.[6] Por conta de planos de manutenção deficientes, a NOAR não detectou a fadiga dessa paleta. [7]

O erro da tripulação foi causado por divergências entre o manual de operações da empresa aérea e o do fabricante da aeronave. Esse erro indica falta de treinamento adequado por parte da empresa aérea. Por conta de deficiências na fiscalização, esses problemas de manutenção e operação da empresa aérea não foram detectados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).[6]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Após, o acidente a companhia aérea NOAR teve suspenso seu Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo (CHETA) pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) até a conclusão das investigações pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA)[8] . Denúncias feitas pela imprensa por ex funcionários da empresa (que furtaram documentos dos hangares para serem entregues à imprensa [9] ) indicaram manutenção deficiente e operações inadequadas.

Atualmente, a NOAR possui apenas 2 funcionários (enquanto que em 2011 tinha cerca de 100) e aguarda a conclusão do inquérito para decidir se retoma as operações (com outro modelo de aeronave- a única aeronave restante da empresa, o LET-410 PR-NOA está a venda) ou se encerra definitivamente suas operações.[6]

Referências

  1. Fabio Guibu (13 de julho de 2011). Avião cai após decolagem e mata 16 em Recife Folha Online, 13 de julho de 2011- 08h02min. Visitado em 6 de abril de 2012.
  2. Aviation Safety Network. Accident description. Visitado em 6 de abril de 2012.
  3. Fernando Valduga (25 de maio de 2010). Empresa aérea NOAR inicia em junho operações com voos para o Nordeste Cavok Brasil - Asas da informação. Visitado em 6 de abril de 2012.
  4. Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. CENIPA divulga dados sobre a investigação do acidente da Noar. Visitado em 6 de abril de 2012.
  5. Veja (14 de julho de 2011). Recife: gravadores de caixas-pretas estão queimados. Visitado em 6 de abril de 2012.
  6. a b c d e Estadão (19 de julho de 2013). Falha técnica e humana causou queda de voo da Noar Uol. Visitado em 20 de juhlo de 2013.
  7. André Vargas (23 de julho de 2011). Insegurança no ar Veja. Visitado em 20 de julho de 2013.
  8. Aviação Brasil. Noar – Nordeste Aviação Regional Linhas Aéreas (Brasil). Visitado em 6 de abril de 2012.
  9. Jornal do Commercio (Recife) (1 de julho de 2011). Aviões LET-410 da Noar tinham manutenção precária. Visitado em 6 dfe abril de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre aviação, integrado ao Projeto Aviação, é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.