Vortigerno

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Ambrósio revela a Vortigerno os dois dragões. Iluminura de um manuscrito de Historia Regum Britanniae.

Vortigerno[1] (em galês Gwrtheyrn) foi um dos monarcas da Britânia,[Nota 1] que conseguiu o supremo comando, porém de forma precária, dos príncipes e cidades da região, quarenta anos após a dissolução do governo romano.[2]

Ele tem sido condenado de forma quase unânime [Nota 2] pela política de convidar um formidável estrangeiro, para combater inimigos locais. Segundo estes historiadores, ele despachou embaixadores patéticos para as costas da Germânia, e convidou os saxões a enviar navios e exército para os suplicantes de uma ilha distante e desconhecida. Provavelmente os saxões já conheciam a Britânia, e eles poderiam se unir aos escotos e pictos em uma aliança de rapina e destruição.[2]

Vortigerno, assim, teve que se equilibrar entre diferentes perigos, que o atacavam de todos os lados, e sua política pode ser desculpada, por preferir a aliança de bárbaros cujo poder naval faria deles os piores inimigos ou os melhores aliados.[2]

Segundo Adam Clarke, Vortigerno convidou os saxões em 445.[3]

Hengist e Horsa, ao navegarem pela costa oriental da Britânia, aceitaram defender a ilha de ataques, e seu valor repeliu os caledônios. Eles ocuparam a ilha de Thanet, e, pelo tratado, receberam roupas e alimento, e, diante da boa acolhida, trouxeram mais cinco mil guerreiros e suas famílias, em dezessete barcos. Hengist mostrou a Vortigerno a vantagem de estabelecer, na fronteira dos pictos, uma colônia de aliados, e uma terceira frota de quarenta navios, sob o comando do sobrinho e do filho de Hengist, vindos da Germânia, devastaram as Órcades, e desembarcaram em Nortumberland (ou Lothian), no outro extremo da ilha.[2]

A relação entre os bretões e os saxões logo deteriorou, por causa de inveja mútua: os saxões exageraram o que eles haviam feito e o que haviam sofrido de um povo ingrato, e os bretões se arrependeram dos grandes benefícios que haviam dado, e que estes mercenários selvagens nunca tinham sua avareza satisfeita. Durante uma festa, os saxões, em armas, massacraram os bretões, acabando com a confidência mútua.[2]

Hengist, que pretendia conquistar a Britânia, convocou seus conterrâneos, exagerando a fertilidade do solo, a riqueza das cidades, o caráter pusilânime dos habitantes e a facilidade de atacar a ilha, acessível por todos os lados aos navios saxões. As principais tribos que invadiram foram os jutos, os antigos saxões e os anglos. Os jutos, sob a bandeira de Hengist, formaram o primeiro reino independente, em Kent. Durante a conquista, foram formados sete reinos, a Heptarquia, uma destas famílias foi ancestral, através de uma linhagem mista, dos reis da Inglaterra.[2]

A Britânia foi conquistada pelos saxões e os bretões se refugiram nas montanhas do País de Gales.[3]

Vortimero, filho de Vortigerno, derrotou os saxões por três vezes nos campos de Kent, e sua tumba, na costa, foi feita como uma marca territorial sobre os saxões.[4]

Notas e referências

Notas

  1. No texto original de Gibbon, Bretanha.
  2. Gibbon não cita quem o condena.

Referências

  1. Bihlmeyer 1964, p. 179
  2. a b c d e f Edward Gibbon, Declínio e Queda do Império Romano, Volume 3 (1781), Chapter XXXVIII: Reign of Clovis, Part IV [em linha]
  3. a b Adam Clarke, Commentary on the Bible (1831), II Reis, 20 [em linha]
  4. Edward Gibbon, Declínio e Queda do Império Romano, Volume 3 (1781), Chapter XXXVIII: Reign of Clovis, Part V [em linha]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Vortigerno (Gwrtheyrn) na Celtic culture: a historical encyclopedia (editor John Thomas Koch). ABC-CLIO, 2006. ISBN 1851094407 [1]
  • Bihlmeyer, Karl; Hiermann Tuechle. História da Igreja - Antiguidade Cristã. [S.l.]: Edições Paulinas, 1964. vol. 1.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]