Wallace Souza

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Francisco Wallace Cavalcante de Souza
Vereador de Manaus Bandeira de Manaus.svg
Período de governo 1º de janeiro de 1997
31 de dezembro de 2000
Vereador de Manaus Bandeira de Manaus.svg
Período de governo 1º de janeiro de 2001
31 de dezembro de 2004
Vereador de Manaus Bandeira de Manaus.svg
Período de governo 1º de janeiro de 2005
31 de janeiro de 2007
Deputado Estadual do Amazonas Bandeira do Amazonas.svg
Período de governo 1º de fevereiro de 2007
1º de outubro de 2009
Vida
Nascimento 12 de agosto de 1958
Manaus, Amazonas
Morte 27 de julho de 2010 (51 anos)
São Paulo
Dados pessoais
Profissão Político e apresentador de televisão

Francisco Wallace Cavalcante de Souza, mais conhecido como Wallace Souza (Manaus, 12 de agosto de 1958 - São Paulo, 27 de julho de 2010) foi um político, apresentador de televisão e criminoso brasileiro, acusado de comandar crime organizado no estado do Amazonas, ao assassinar traficantes e viciados de drogas na Grande Manaus para exibir os casos no Programa Canal Livre, apresentado por ele e exibidao pela TV Em Tempo.

Sofrendo de ascite, foi internado em estado grave na UTI do Hospital Bandeirantes, São Paulo, vindo a morrer em julho de 2010 em decorrência de uma parada cardíaca.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Wallace Souza nasceu em Amazonas, e teve outros irmãos, Carlos Souza e Fausto Souza.

Souza ingressou na Polícia Civil em Manaus, em 1979. Foi expulso da corporação em 1987 após ser flagranteado desviando combustível da própria polícia.[1]

Depois da expulsão da corporação,[1] iniciou a política em 1996, como candidato a vereador de Manaus, que foi eleito e assumiu em 1997.[2]

Foi reeleito vereador de Manaus em 2000.

Ingressou na TV, com o Canal Livre na TV Rio Negro (hoje TV Bandeirantes Amazonas). O programa mudou de emissora e foi para TV Manaus (hoje TV Em Tempo) com o novo nome Programa Canal Livre. Ao lado dos irmãos, comandava o programa com casos policiais, mostrando assassinatos, seqüestros e operações de repreensão ao tráfico.[2]

Foi reeleito vereador de Manaus em 2004, uns dos mais votado da história de Manaus.

Em 2006, renunciou ao mandato de vereador e se candidatou a vaga de deputado estadual na Assembléia Legislativa do Amazonas. Foi eleito no mesmo ano, mais votado do Estado, pelo Partido Progressista (PP), com 48.965 de votos.[2]

Associação criminal[editar | editar código-fonte]

Em 2008, o ex-policial militar Moacir Jorge Pereira da Costa, conhecido como "Moa", denunciou que Wallace Souza e seu filho, Raphael Souza, comandavam quadrilha de esquadrão da morte e crime organizado no Amazonas.[3] Em depoimento à polícia, diz que ao menos um assassinato foi cometido de acordo com determinação do deputado e gravado pela equipe de seu programa.[1]

No dia 25 de abril de 2009, a Policia Civil, que investigava desde 2008 as suspeitas de associação ao tráfico e até assassinato de traficantes adversários para exibição no programa de TV, entram na casa do parlamentar e apreenderam grande quantidade de dinheiro e ouro, além de armas e munição.[2]

O filho, Raphael Souza, assumiu ser dono do material e recebeu voz de prisão. A operação foi muito tumultuada, pois Wallace, os irmãos Carlos e Fausto Souza, ao chegarem ao local, tentaram impedir a ação da polícia.[2]

Wallace Souza era investigado pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de drogas, ameaça a testemunhas e porte ilegal de armas. O trio dos irmãos foram logo acusados de associação ao tráfico, mandar matar traficantes adversários apenas para mostrar no programa de TV para aumentar a audiência e liderarem o crime organizado no Amazonas.[2]

Em julho, por determinação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), o deputado estadual Wallace Souza seria investigado por formação de quadrilha, associação ao tráfico de drogas e porte ilegal de armas, determinar a execução de crimes para que fossem exibidos no programa Canal Livre.[1]

Em 2 de agosto, o programa Fantástico, da Rede Globo, através da reportagem feita da afiliada TV Amazonas, mostrou as graves denúncias (comparando ao “Caso Moto-serra” do político no Acre Hildebrando Pascoal), com o nome do “Caso Wallace”, tornando-se conhecimento nacional e até no exterior.[2]

Cassação[editar | editar código-fonte]

No dia 1º de outubro de 2009, a Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) iniciou a sessão de cassação do mandato de Wallace Souza. Vestido de branco e com uma Bíblia nas mãos, Wallace chorou em plena ALE, recebendo o apoio apenas do deputado Wilson Lisboa, presidente da sessão.[2]

Mesmo assim, deputados da ALE-AM cassaram o mandato de Souza, por quebra de decoro parlamentar. Em votação secreta, 16 deputados votaram a favor da perda de mandato. O placar marcou quatro votos contra e três abstenções.[2]

Após o resultado da cassação, Wallace Souza passou mal e foi levado em uma maca a uma audiência na ALE-AM.[2]

Prisão[editar | editar código-fonte]

Sem foro privilegiado por ter o mandato cassado, Wallace teve a prisão preventiva decretada no dia 5 de outubro, por associação ao tráfico. Agentes da Policia Civil e Federal procuraram o ex-parlamentar por toda cidade de Manaus, chegando a armar barreiras nos portos e aeroportos da capital. Após quatro dias foragido, Wallace se entregou a polícia, em 9 de outubro.[2]

Mesmo sem ter curso superior, Wallace foi levado para uma cela especial no 1º Batalhão da Polícia de Choque, localizado no km 17, da AM 010. A Policia temia pela segurança do acusado.[2]

Outras prisões[editar | editar código-fonte]

Após a cassação do Wallace Souza, surgiu o caso de Vanessa Lima, ex-produtora do programa Canal Livre. Ela foi denunciada por Patrícia Almeida, irmã do traficante "Franquezinho do 40", preso no Mato Grosso do Sul, por manter associação com o tráfico de drogas no Amazonas.[4]

Em 11 de novembro de 2009, Vanessa foi ouvida por três horas na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Amazonas. No depoimento, a ex-produtora nega que tenha telefonado para Patrícia e diz que recebeu ligação da irmã do traficante após a prisão de Raphael Souza, filho do ex-deputado, condenado a 11 anos de prisão por associação ao tráfico.[4]

No mesmo dia, o Ministério Público do Amazonas decretou pedido de prisão preventiva de Vanessa Lima, que foi indiciada por associação ao tráfico de drogas no estado.[4] Foi presa na tarde de 10 de dezembro, também sob acusação de associação para tráfico de drogas.[5]

Internações[editar | editar código-fonte]

Após a cassação, a saúde do criminoso piorou desde então.

A primeira internação foi no dia 2 de novembro de 2009. Ele deixou a prisão e foi encaminhado à Beneficente Portuguesa, Centro de Manaus. Com dores no abdômen e no tórax, Wallace ficou internado por três meses e meio, quando recebeu alta no dia 16 de fevereiro de 2010 e voltou para casa, para cumprir prisão em regime domiciliar.[2]

No dia 18 de março de 2010, com doença crônica no fígado, foi transferido para o Hospital Bandeirantes, em São Paulo.[2]

No dia 11 de junho, o quadro clínico de Souza piorou, devido a complicações nos rins e nos pulmões. Wallace deu entrada na Unidade de Tratamento Intensivo, chegando a ficar sob coma induzido e respirando por aparelhos.[2]

Durante todo esse período ele ficou sob guarda de agentes da Polícia Federal. A família de Wallace tentou retirar a escolta policial e até transferi-lo para tratamento em Miami, nos Estados Unidos, mas a Justiça negou os pedidos.[2]

Novas denúncias[editar | editar código-fonte]

Paralelo a isso, no dia 11 de maio de 2010, a produtora e repórter do Canal Livre, Gisele Vaz, afirmou em depoimento prestado na 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecente (2ª Vecute), que participou de pelo menos uma das reuniões em que Wallace Souza tramava, junto a mais três pessoas, o assassinato da juíza federal Jaiza Fraxe.[2]

No dia 7 de julho, o juiz responsável pela investigação do “Caso Wallace”, Mauro Antony, declarou que o processo está perto de chegar ao fim. Até aquela data, foram ouvidas 12 réus e testemunhas de defesa. Mauro Antony espera encerrar o caso em dezembro deste ano.[2]

Morte[editar | editar código-fonte]

Souza morreu às 16h do dia 27 de julho de 2010 após sofrer uma parada cardíaca.

O hospital divulgou nota oficial:

O ex-deputado estadual do Partido Progressista (PP-AM), Francisco Wallace Cavalcante de Souza, 51 anos, internado no Hospital Bandeirantes, em São Paulo desde o dia 18 de março de 2010, faleceu às 16h desta terça-feira (27/7), em decorrência de uma parada cardíaca. O paciente sofria de uma ascite refratária decorrente da Síndrome de Budd Chiari. Os médicos que acompanharam o paciente foram coordenados pelo diretor-clínico Dr. Mário Lúcio Alves Baptista Filho.[6]
Hospital Bandeirantes

Wallace Souza era casado e deixou três filhos.

Referências

  1. a b c d Deputado é acusado de encomendar crimes para exibir em seu programa de TV Portal Imprensa (3 de agosto de 2009, 15:11). Visitado em 27-07-2010.
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Felipe Carvalho (27 de Julho de 2010, 19:05). Carreira de Wallace Souza teve início fulminante e começou a ruir em 2009 Portal D24 AM. Visitado em 27-10-2010.
  3. Morre ex-deputado acusado de encomendar crimes para exibir em programa de TV Portal Imprensa (27 de julho de 2010, 19:27). Visitado em 27-10-2010.
  4. a b c Produtora do ex-deputado Wallace de Souza (AM) é indiciada por tráfico Portal Imprensa (13 de novembro de 2009, 08:52). Visitado em 27-07-2010.
  5. Ex-produtora de programa de TV do ex-deputado Wallace Souza, do AM, é presa Portal Imprensa (10 de dezembro de 2009, 19:38). Visitado em 27-07-2010.
  6. Morre em SP o ex-deputado Wallace Souza Portal G1 (27 de julho de 2010, 17h32; Atualizado às 18h29). Visitado em 27-07-2010.