West-Eastern Divan Orchestra

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Ensaio da West-Eastern Divan Orchestra em Sevilha, 2005

A West-Eastern Divan é uma orquestra jovem baseada em Sevilha, Espanha, com músicos de países do Oriente Médio - do Egito, Irã, Israel, Jordânia, Líbano, Palestina, Síria - e da Espanha.

A orquestra foi idealizada e fundada em 1999 pelo maestro judeu argentino Daniel Barenboim, pelo teórico literário cristão palestino Edward Said e por Bernd Kauffmann, responsável pelo Festival das Artes de Weimar (Alemanha), no ano em que a cidade foi escolhida como Capital Europeia da Cultura.

O objetivo da orquestra é o de promover o diálogo e a paz entre judeus e não judeus do Oriente Médio. Seu nome foi inspirado na antologia de poemas de Johann Wolfgang von Goethe O divã ocidental-oriental (West-östlicher Divan, 1819), uma composição lírica que se propõe a conciliar a rica tradição poética árabe com elementos da moderna subjetividade européia.[1] Para os fundadores da orquestra, Goethe foi um dos primeiros alemães verdadeiramente interessado em outros países. "Ele começou a aprender o árabe quando tinha mais 60 anos".[2]

O primeiro workshop da orquestra realizou-se em 1999, em Weimar, onde o grupo ficou baseado nos seus dois primeiros anos.

Em 2001, a Orquestra Sinfônica de Chicago, da qual Baremboim era o diretor musical, passou a apoiar a Orquestra do Divan. Desde 2002, o governo autônomo da Andaluzia e diferentes mecenas espanhois asseguram o financiamento da orquestra. Seus integrantes passaram a se reunir, a cada verão, em Sevilha, para ensaiar durante o mês de julho, antes de seguir em turnê mundial, no mês de agosto, sempre sob a regência de Daniel Barenboim.

Said e Barenboim receberam o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concordia em 2002, em reconhecimento ao seu trabalho à frente da Orquestra do Divan. Edward Said morreria no ano seguinte, de leucemia. Mas a orquestra se manteve. O crescente agravamento do conflito israelo-palestino, com todas as dificuldades consequentes, também não impediu que os jovens músicos continuassem a se reunir todos os anos, em Sevilha - cidade que, durante reinado de Afonso X, foi um exemplo de convivência pacífica entre cristãos, judeus e muçulmanos.

Em 2004, Daniel Barenboim recebeu no Parlamento de Israel, em Jerusalém, o Prêmio Ricardo Wolf, por sua atuação em favor dos direitos humanos e da paz mundial. O prêmio, de 100.000 dólares, foi dividido entre Barenboim e o violoncelista Mstislav Rostropovich. Os 50.000 dólares recebidos por Barenboim foram destinados à manutenção da Orquestra do Divan. O discurso pronunciado por Barenboim, ao receber o prêmio, provocou a ira da ministra da cultura, Limor Livnat, presente ao evento, e dos deputados do partido conservador Likud, sendo aplaudido pelos demais representantes do povo na câmara baixa. Após citar trechos da declaração de independência de Israel,[3] Baremboim perguntou se seria compatível a independência de um país com violação dos direitos fundamentais de outro povo e, mais ainda, se o povo judeu, cuja história está cheia de sofrimentos e perseguições, poderia ficar indiferente às violações dos direitos humanos e ao sofrimento de um povo vizinho. [4]

A orquestra tem realizado performances em todo o mundo, inclusive em Israel e nos territórios palestinos, e foi tema de um documentário produzido em 2005, intitulado Knowledge is the Beginning,[5] realizado por Paul Smaczny. O filme ganhou o Emmy de melhor documentário sobre arte de 2006.[6]

Em 2007, a orquestra recebeu o Praemium Imperiale para jovens artistas, concedido pela família imperial japonesa.

Referências

  1. Goethe como crítico literário, por Marco Aurélio Werle. Cult, ed. 130.
  2. The West-Eastern Divan Orchestera.
  3. Declaração da Independência do Estado de Israel. 14 de maio de 1948.
  4. Maestro Daniel Barenboim ganha prêmio Ricardo Wolf AFP/Uol, 13 de maio de 2004.
  5. Knowledge Is The Beginning - site do filme.
  6. Fundación Pública Andaluza Barenboim-Said. Discografia da orquestra (em inglês).