William Randolph Hearst

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William Randolph Hearst
William R. Hearst, em 1906.
Membro da Câmara dos Representantes
do 11º distrito de Nova Iorque Nova Iorque (estado)
Mandato 4 de março de 1903
até 4 de março de 1907
Antecessor(a) William Sulzer
Sucessor(a) Charles V. Fornes
Vida
Nascimento 29 de abril de 1863
San Francisco, Califórnia
 Estados Unidos
Morte 14 de agosto de 1951 (88 anos)
Beverly Hills, Califórnia
 Estados Unidos
Nacionalidade Povo dos Estados Unidos norte-americano
Dados pessoais
Alma mater Universidade Harvard
Cônjuge Millicent Hearst (1903 - 1951)
Partido Democrata (1896 - 1935)
Profissão Empresário, político

William Randolph Hearst (San Francisco, 29 de abril de 1863Beverly Hills, 14 de agosto de 1951) foi um magnata da imprensa estadunidense.

Na época áurea, sua empresa, a Hearst Corporation, foi proprietária de 28 jornais, entre eles o San Francisco Examiner, o Chicago Examiner, o The New York Journal e o Boston American; e 18 revistas, entre as quais a Cosmopolitan e American Weekly. Possuía também cadeias de rádio e uma produtra de cinema.

Foi, alegadamente, o responsável pela morte do pioneiro cineasta Tomas Ince, ocorrida, no iate de Hearst, numa festa oferecida por este, que durou num fim-de-semana de Novembro de 1924, onde se comemorava o aniversário de Ince. Contudo as investigações policiais foram silenciadas e duraram pouco tempo, assim como nunca se ouviram os depoimentos dos ilustres convidados do iate naquele fim-de-semana. Promoções de trabalho, invulgares e súbitas, foram feitas a alguns dos convidados depois do acidente. Este episódio é relatado no filme "O Miado do Gato" de Peter Bogdanovich.

Hearst é considerado um dos precursores da chamada "imprensa marrom". O filme Cidadão Kane, de Orson Welles, talvez tenha sido baseado em sua vida. No entanto, Welles negava publicamente.

Em 1974, sua neta Patty Hearst foi sequestrada por membros do Exército Simbionês de Libertação.

Hearst levou 15 anos para construir um castelo, seu sonho de infancia. O Hearst Castle fica na California.

Hearst não esteve sempre do "lado errado" da história. Foi, no início, um fervoroso apoiante do New Deal e os seus jornais foram, quando isso ainda não era habitual, dos mais ativos na denúncia da perseguição nazi aos judeus. [1]

Hearst também é conhecido por ter ajudado os nazistas na guerra psicologica contra a União Soviética. Hearst é o redactor americano conhecido como sendo o "pai" da chamada imprensa amarela, a imprensa sensacionalísta. William Hearst começou a carreira de redactor em 1885, quando o seu pai George Hearst, milionário da indústria mineira, senador e redactor, lhe deu a chefia do jornal São Francisco Daily Examiner. Assim começou também o império jornalistico de Hearst que de uma maneira definitiva iria deixar marcas profundas na vida e nos conceitos dos norteamericanos. Depois da morte do pai, William Hearst vendeu todas as acções da indústria mineira que herdou e começou a investir o capital no mundo jornalistico. A primeira compra que fez foi o New York Morning Journal, um jornal de tipo tradicional que Hearst transformou totalmente num jornal sensacionalístico. As notícias eram compradas a qualquer preço e quando não havia crueldades ou crimes violentos para contar cabia aos jornalistas i fotógrafos "arranjar" o assunto. É justamente esta a marca da "imprensa amarela", a mentira e a crueldade arranjada e servida como verdade. As mentiras de Hearst fizeram dele milionário e pessoa importante no mundo jornalístico, sendo em 1935 um dos homens mais ricos do mundo com uma fortuna avaliada em 200 milhões de dolares. Depois da compra do Morning Journal, Hearst continuou a comprar e fundar jornais diários e semanários por todos os EUA. Na década dos anos 40, William Hearst era proprietário de 25 jornais diários, 24 semanários, 12 estações de radio, 2 serviços de noticias mundiais, um serviço de notícias para filme, a empresa de filme Cosmopolitan e muito mais. Em 1948 comprou uma das primeiras estações de televisão dos EUA, a WBAL-TV em Baltimore. Os jornais de Hearst vendiam 13 milhões de exemplares diários com cerca de 40 milhões de leitores! Quase um terço da população adulta dos EUA lia diáriamente os jornais de Hearst! E além disso muitos milhões de pessoas em todo o mundo recebiam a informação da imprensa de Hearst através dos serviços de noticías, filmes e uma série de revistas que eram traduzidas e editadas em grandes quantidades em todo o mundo. Os números acima citados mostram bem de que maneira o império de Hearst influenciou a vida politica americana e a vida politica do mundo em geral durante muitos anos. (entre outras coisas contra a participação dos EUA na segunda guerra mundial pelo lado da União Soviética e nas campanhas anti comunistas de McCarty na década 50).

Os conceitos de William Hearst eram extremamente conservativos, nacionalistas e anti-comunistas. A sua politica era a politica da extrema direita. Em 1934 fez uma viagem à Alemanha onde foi recebido por Hitler como convidado e amigo. Depois desta viagem os jornais de Hearst tornaram-se ainda mais reacionários, sempre com artigos contra o socialismo, contra a União Soviética e em especial contra Stáline. Hearst tentou também utilizar os seus jornais para fazer propaganda nazi abertamente, com uma série de artigos de Göring, a mão direita de Hitler. No entanto os protestos de muitos leitores obrigaram-no a parar a publicação e retirar os artigos. Depois da visita a Hitler os jornais sensacionalistas de Hearst vinham cheios de "revelações" sobre acontecimentos terríveis na União Soviética como assassinios, genocídios, escravidão, luxo para os governantes e fome para o povo, sendo estas as grandes "notícias" diárias. O material era dado a Hearst pela Gestapo, a policia política da Alemanha nazi. Nas primeiras páginas dos jornais havia muitas vezes caricaturas och imagens falsas da União Soviética onde Stáline era retratado como um assassino de faca na mão. Estes artigos eram lidos diariamente por 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos e milhões de outras em todo o mundo. [2]

O mito da fome na Ucrânia[editar | editar código-fonte]

Uma das primeiras campanhas da imprensa de Hearst contra a União Soviética foi sobre os supostos milhões de mortos, vitimas da fome na Ucrânia. A campanha iniciou-se em 18 de fevreiro de 1935 no jornal Chicago American com um titulo na primeira página, "Seis milhões de mortos de fome na União Soviética". Utilizando material vindo da Alemanha nazi começou assim o simpatizante do nazismo e magnata da imprensa William Hearst a publicar histórias fantásticas sobre um genocidio provocado pelos bolcheviques com muitos milhões de mortos de fome na Ucrânia. A realidade era bem diferente. O que se tinha passado na União Soviética no principio da década de 1930 foi uma grande luta de classes em que os camponeses pobres e sem terra se levantaram contra os grandes agrários ricos, os kulaks, e iniciaram a luta pelos colectivos agricolas, os kolchozes. Esta grande luta de classes que envolvia directa ou indirectamente 120 milhões de camponeses causou instabilidade na produção agrícola e em algumas regiões falta de produtos alimentares. A falta de comida enfraquecia as pessoas, o que contribuiu para um aumento de vitimas de epidemias infecciosas. Este tipo de epidemias era nessa altura um acontecimento tristemente comum no mundo. De  1920 uma epidemia infecciosa conhecida como a gripe espanhola fez milhões de mortos nos EUA e na Europa (mais de 20 milhões), mas nunca ninguém  acusou os governos desses paises de matarem os seus cidadãos. O facto é que os governos nada podiam fazer contra epidemias desta espécie. Só com o aparecimento da penicilina durante a segunda guerra mundial é que as epidemias infecciosas poderam começar a serem combatidas com exito no fim da década de 1940.

Os artigos na imprensa de Hearst sobre os milhões de mortos de fome na Ucrânia que tinha sido "provocada pelos comunistas" eram detalhados e terríveis. A imprensa de Hearst utilizou tudo ao seu alcançe para fazer da mentira realidade, provocando a opinião pública nos países capitalistas a voltar-se fortemente contra a União Soviética. Assim se originou o primeiro grande mito dos milhões de mortos na União Soviética. Na vaga de protestos contra a fome "provocada pelos comunistas" que se seguiu na imprensa ocidental ninguém quiz escutar os desmentidos da União Soviética, sendo o completo desmascaramento das mentiras da imprensa de Hearst em 1934, adiado até 1987! Durante mais de 50 anos e na base destas calunias, várias gerações de pessoas em todo o mundo foram levadas a formar uma visão negativa do socialismo e da União Soviética.

O império massmedial de Hearst ano 1998![editar | editar código-fonte]

William Hearst morreu em 1951 na sua casa  na Califórnia. Hearst deixou um império massmedial que ainda hoje continua a espalhar a sua mensagem reacionária por todo o mundo. A empresa The Hearst Corporation é uma das maiores do mundo em que vivemos, reunindo mais de 100 companhias onde trabalham 15 000 pessoas. O império de Hearst abrange hoje jornais, revistas, livros, radio, televisão, TV cabo, agencias de noticias e multimedia.

Referências