Xapuri

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Município de Xapuri
"Princesinha do Acre"
"Cidade de Chico Mendes"
Igreja de São Sebstião - Xapuri/Ac

Igreja de São Sebstião - Xapuri/Ac
Bandeira de Xapuri
Brasão de Xapuri
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 22 de março de 1904 (110 anos)
Gentílico xapuriense
Prefeito(a) Macinho Miranda[1] (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Xapuri
Localização de Xapuri no Acre
Xapuri está localizado em: Brasil
Xapuri
Localização de Xapuri no Brasil
10° 39' 07" S 68° 30' 14" O10° 39' 07" S 68° 30' 14" O
Unidade federativa  Acre
Mesorregião Vale do Acre IBGE/2008[2]
Microrregião Brasiléia IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Limita ao norte com o município de Rio Branco, ao sul com o município de Epitaciolândia, a leste com o município de Capixaba, a oeste com o município de Sena Madureira e a sudoeste com o município de Brasiléia.
Distância até a capital 175 km
Características geográficas
Área 5 250,931 km² [3]
População 16 016 hab. IBGE/2010[4]
Densidade 3,05 hab./km²
Altitude 150 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC-5
Indicadores
IDH-M 0,599 baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 129 949,450 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 8 751,98 IBGE/2008[6]
Página oficial

Xapuri é um município que fica localizado no sudeste do Acre, Brasil. Situa-se na microrregião de Brasiléia, mesorregião do Vale do Acre. Cidade Histórica, Xapuri é considerada o "berço" da Revolução Acreana e o símbolo do Movimento Ambientalista Mundial. É conhecida também por seu filho mais ilustre, o seringueiro e líder sindical Chico Mendes, que viveu toda a sua vida na cidade.

História[editar | editar código-fonte]

Há controvérsias quanto à data da fundação do município. Alguns historiadores citam 22 de agosto de 1904, outros 23 de abril de 1903, 23 de outubro de 1904 e 22 de março de 1904. O governo do Acre e a prefeitura local utilizam o dia 22 de março de 1904 como o ano de fundação para as atividades festivas da cidade.

Os primeiros habitantes da região foram os índios das tribos dos xapurys (mais numerosa e que originou o nome da cidade), catianas e moneteris. A excursão de Manuel Urbano da Encarnação à foz do rio Xapuri, em 1861, foi o início da colonização da região. As terras, onde atualmente se localiza a cidade, eram de propriedade do cearense Manuel Raimundo, seringalista que chegou à região durante o Ciclo da Borracha. Os seringais da região do atual município de Xapuri eram os mais produtivos do planeta, fazendo com que a região se tornasse a principal referência (em termos sociais, culturais e econômicos) do Acre em outras regiões do país e também do mundo.

Toda essa importância fez com que a região fosse palco de intensos entraves entre a Bolívia (país que, de acordo com o Tratado de Ayacucho, era dono das terras do Acre) e os moradores que ali habitavam, sendo grande parte composta por brasileiros oriundos do Nordeste. A Bolívia exigia a saída dos moradores, e passou a enviar tropas para ocupar a região. Em 1902, a região de Xapuri passou a ser integrada ao Território das Colônias, sendo ocupada por autoridades bolivianas, a contragosto da população. Com o domínio da região e o acordo feito pela Bolívia com um sindicato americano, o Bolivian Syndicate, os habitantes começaram uma revolta contra a Bolívia, sob o comando do militar gaúcho José Plácido de Castro. Plácido e seus homens atacaram a Intendência Boliviana de Xapuri no dia 6 de Agosto de 1902, derrotando as autoridades e exército boliviano, proclamando o Estado Independente do Acre. Era o início da Revolução Acreana, que só terminaria quando o Exército Acreano dominaria a Intendência Boliviana na cidade de Puerto Alonso, atual Porto Acre. Durante a Revolução Acreana (Agosto de 1902 - Janeiro de 1903), Xapuri teve um papel de destaque, pois a vila era o principal reduto do Exército Acreano, formado por seringueiros e ex-combatentes na Revolução Federalista, liderados por Plácido. Era a partir da Vila Xapuri que Plácido e seus homens se dirigiam às demais Intendências Bolivianas instaladas na região. A vila também foi palco de intensos combates entre o Exército Boliviano e o Exército Acreano.

Em Abril de 1903, Xapuri se tornou Capital do Acre Meridional.

Após a Revolução Acreana, Xapuri passou por anos "dourados". Na época movida e dirigida por famílias de comerciantes de origem sírio-libanesa, o município esbanjava luxo no pequeno centro urbano, e ocultava a situação de miséria social a que eram submetidas as famílias que moravam no interior da floresta, extraindo o látex.

A partir da década de 1970, o município voltou a chamar atenção. Por conta da queda do preço da borracha e da abertura da região para a agricultura e pecuária pelo governo militar, muitos seringais foram vendidos para fazendeiros, oriundos principalmente do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Os fazendeiros ordenavam a saída das famílias de suas colocações e, na maioria dos casos, usavam da força para isso, destruindo as casas e deixando os moradores ao relento. Além disso, os fazendeiros começavam a destruir a floresta, tirando, além das casas, o trabalho e o sustento das famílias seringueiras. Começou um conflito entre os seringueiros, indígenas (depois chamados de Povos da Floresta) e sindicalistas contra os fazendeiros que ali chegavam. Nesses conflitos, muitos sindicalistas importantes, como Wilson Pinheiro, foram assassinados e seus crimes ficaram para sempre impunes. Ao redor dos conflitos destaca-se o nome de Chico Mendes, seringueiro, e que depois se tornou líder sindical, político e ambientalista. Chico Mendes organizou movimentos pacíficos contra a destruição da Floresta Amazônica e a favor dos direitos dos Povos da Floresta. Chico Mendes organizou debates e palestras para discutir a situação da região, além de ter feito inúmeras denúncias contra a forma com que os fazendeiros e o governo brasileiro estavam tratando a Amazônia. Sua luta passou a ser acompanhada e reconhecida por ambientalistas e ONGs em defesa do Meio Ambiente, culminando no Prêmio Global 500, oferecido pela ONU. Entre as idéias e conquistas de Chico Mendes estão as Reservas Extrativistas e Reservas Indígenas, criadas a partir da década de 70. As conquistas de Chico e as suas repercussões ao redor do mundo passaram a incomodar os fazendeiros e autoridades do Acre e do Brasil, fazendo com que Chico recebesse inúmeras ameaças de morte, chegando ao seu assassinato em 22 de dezembro 1988. Apesar de sua morte, Chico Mendes deixou um legado importantíssimo na história do movimento ecológico mundial.

Mudanças no cenário político municipal ocorreram após a morte de Chico Mendes, e alguns de seus companheiros foram eleitos para cargos do legislativo e executivo, tanto no município de Xapuri quanto no Estado do Acre.

Economia[editar | editar código-fonte]

Sua economia é basicamente voltada para o setor primário e a pecuária, destacando-se o extrativismo vegetal. A borracha e a castanha ainda são os principais produtos do município. Atualmente a cidade vive uma tendência para a industrialização de produtos da floresta (borracha, castanha e madeira). Em 2008 foi criada na cidade a primeira fábrica de preservativos naturais do planeta, a Natex, que utiliza a borracha natural retirada das reservas extrativistas da região para a fabricação dos preservativos. Há incidência também de gipsita, matéria prima do gesso e do giz.

Turismo[editar | editar código-fonte]

O município é recheado de situações, locais e monumentos históricos, recebendo assim muitas turistas de vários estados brasileiros. São eles:

Casa Blanca

Construída em madeira com dois pavimentos, era o local onde funcionava a intendência Boliviana. Atualmente sedia o Museu Casa Branca.

Igreja de São Sebastião

Construção em estilo colonial, construída em meio à Revolução Acreana.

Museu Chico Mendes

Instalado na casa onde vivia o seringueiro, sindicalista e ambientalista. Tombado pelo Iphan como Monumento Histórico e Cultural, a casa de Chico Mendes recebeu uma reforma, financiada pelo Governo do Acre, mantendo suas características originais. Textos pendurados nas paredes e no teto do lugar narram como aconteceu a morte do seringueiro, em 1988. Na mesma rua, fica a Fundação Chico Mendes, que traz um acervo com suas fotos históricas e pertences pessoais.

Seringal Cachoeira

A 40 minutos do centro da cidade fica o Seringal Cachoeira, sede do Assentamento Agroextrativista Chico Mendes. O local foi palco do movimento de resistência dos povos da floresta (índios, seringueiros, castanheiros, ribeirinhos) em combate ao forte desmatamento que a região sofreu nas décadas de 70 e 80. Além de conhecer familiares, amigos e companheiros de luta de Chico Mendes, o lugar oferece um passeio ecológico em meio a uma densa floresta tropical e rústicos chalés da pousada ecológica que recentemente foi construída.

Praias do Inferno e Zaire

Duas praias do Rio Acre, localizadas próximas ao centro da cidade. Nelas, acontecem o Festival de Praia e Esportes.

Cachoeira dos Padres

Uma das únicas cachoeiras localizadas na porção leste do Acre. Fica a 4h de barco do Centro de Xapuri.

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]


Eventos[editar | editar código-fonte]

  • Festa de São Sebastião: 20 de janeiro
  • Aniversário da cidade: 22 de março
  • Festa de Início da Revolução Acreana: primeira semana de agosto
  • Festival de Praia e Esportes: De julho a setembro
  • Semana Chico Mendes: 15 a 22 de dezembro
Casa do líder sindical Chico Mendes em Xapuri - Ac.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Resultado para prefeito nas eleições 2012 em todo o Acre. Página visitada em 12/01/2013.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 29 de agosto de 2013.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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