Yamaha RD 135

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
RD 135Z
Yamaha RD 135Z 1990
Fabricante Yamaha
Produção 1982-1999
Tipo Moto Street
Motor 132cc3, monocilíndrico, 2 tempos refrigerado à ar
Potência 18cv a 9.000 rpm
Torque 1,74 kgfm a 8.500 rpm
Transmissão 5 marchas
Suspensão D: Garfo Telescópico (Ceriani)
T: Braço Oscilante Triangular.
Freios D: Disco com acionamento hidráulo e pistão simples;
T: Sistema de tambor de acionamento mecânico.
Pneus D: 2,75s X 18";
T: 3,25s X 18"
Tanque 16L com reserva de 1,5L

Yamaha RD 125, RD 125Z, RD 135 e RD 135Z foram modelos de Moto produzidas e comercializadas no Brasil entre 1982 e 1999. Sua principal e marcante característica é o Motor a dois tempos, que oferece grande potência específica, ótimo desempenho, grande possibilidade de preparação, bem como alto índice de ruído e poluentes. Semelhante as Yamaha RD 350, foram durante 17 anos comercializadas pela Yamaha do Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Após muitos anos comercializando motocicletas com Motor a dois tempos e com muita tradição nas ruas e pistas de corrida, a Yamaha do Brasil não pensou diferente ao introduzir no mercado a RD 125Z em 1982. Sucessora da Yamaha RX 180, mostrou-se uma motocicleta muito moderna em sua época, com design inovador, bastante confortável - em vista de sua estrutura, com um excelente Motor a dois tempos de 125cc3, mais moderno que as outras motocicletas da Yamaha na época. Havia ainda grande possibilidade de preparação e extração de potência, atributos devidos ao Motor a dois tempos. Possuía como itens de série: freio a disco dianteiro; painel com velocímetro, hodômetro total, hodômetro parcial e Tacômetro; pedaleiras do carona fixas no chassis da motocicleta (evitando os movimentos da "balança" nos pés do carona) e excelente tanque de combustível de 16 litros. O sistema elétrico inovou ao utilizar em uma motocicleta 125cc3 ignição controlada eletrônicamente (C.D.I.), dispensando o platinado, peça que apresentava muita manutenção e não mostrava-se confiável.

Seu desenho apresentou uma grande inovação: utilizava linhas retas e com muitos ângulos, contrariando a tendência da época de motocicletas com desenho arredondado e muitos cromados. Foi também a primeira motocicleta brasileira a utilizar farol e painel quadrados, considerado uma inovação para a época. O design da RD 125Z era muito arrojado e agressivo (mas não deixando de ser harmônico) demonstrando a vocação esportiva da RD 125Z. Seu porte maior que as concorrentes não demonstrava o fato de ser uma motocicleta de 125cc3, fato que a Yamaha não fazia questão de destacar, pois não havia inscrição da cilindrada nas laterais da motocicleta, apenas o nome: RD-Z Torque Indution. Seu público alvo foram os jovens, mas fêz um grande sucesso em todo mercado nacional. Foi escolhida pela revista Duas Rodas a melhor motocicleta 125 em 1982.

Origem do nome RD[editar | editar código-fonte]

Há um grande mito sobre a origem do nome RD. Alguns dizem ser "Racing Death" (corrida da morte) ou "Road Death" (estrada da morte). Há também referências às bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Fontes ainda afirmam que significa "race derived" (derivado de corridas). Porém em um fórum inglês sobre Motos Yamaha foi esclarecida a origem da nomenclatura de motocicletas Yamaha.

XS = 4 tempos tourer
XV = 4 tempos V (alusão ao Motor em V)
XT = 4 tempos Trail
DT = 2 tempos Trail
RD = 2 tempos Street

RD 125[editar | editar código-fonte]

Após 3 anos com boa aceitação no mercado a Yamaha lança em 1985 o modelo RD 125 produzido em substituição a Yamaha RX 125, modelo mais acessível da montadora na época. Eram claros os sinais de idade da Yamaha RX 125: linhas ultrapassadas, cilindro em ferro fundido, falta de conforto e o complexo sistema elétrico com platinado eram alguns defeitos da Yamaha RX 125. O modelo RD 125 em substituição mostrou-se muito moderna, em semelhança a RD 125Z. Possuía motor semelhante mas com 2,6cv a menos devido à menor taxa de compressão e o diferente diagrama das janelas do motor 2 tempos.
Não possuía freio a disco na roda dianteira sendo o freio à tambor. Também não possuía pedaleira do carona fixa no quadro da motocicleta, sendo a pedaleira fixa na "balança", o que transmite o movimento da "balança" aos pés do carona. O painel era diferente, mas não menos completo e tanque de combustível comporta 11,5 litros. O sistema elétrico era o mesmo da RD 125Z, muito moderno e confiável, utilizava ignição eletrônica transistorizada do tipo C.D.I. que dispensa platinado e evita que o motor "flutue" em altas rotações.
A RD 125 mostrava os mesmo atributos da RD 125Z, muito potente e confiável, e os mesmos defeitos: grande consumo de combustível, alto índice de ruído e poluentes. Teve ótima aceitação no mercado.

RD 135 e RD 135Z[editar | editar código-fonte]

Em 1988 a Yamaha Motor do Brasil efetua uma leve reformulação nos modelos de baixa cilindrada. A cilindrada aumenta para 135 centímetros cúbicos, devido ao aumento do diâmetro do pistão (diâmetro do pistão aumentou de 56 para 58mm), mantendo o mesmo curso (50mm). Consequentemente a potência aumentou levemente bem como o torque. Não houve reformulações estéticas além do grafismo, mas reformulações mecânicas: além do aumento da cilindrada, a RD 135Z recebeu novo escapamento e nova regulagem de carburador. Estas alterações garantiram a RD 135 potência de 16cv e a RD 135Z potência de 18cv. O desempenho se tornou ainda melhor com estas alterações mecânicas, mas os problemas continuaram: alto consumo de combustível (em média 24 km/l, demasiado alto para uma motocicleta de baixa cilindrada) e alto índice de poluentes e ruídos.

Encerramento de produção[editar | editar código-fonte]

Em 1993 é encerrada comercialização da RD 135Z. Após 11 anos de mercado e muito sucesso, especialmente com os jovens, a Yamaha decide investir apenas na RD 135, por ser a motocicleta mais acessível da Yamaha e mais vendida. Criando uma lacuna em seu catálogo, a Yamaha cede ainda mais espaço às concorrentes, pois a RD 135 cada vez mais foi deixando de ser uma motocicleta competitiva. Em 1999 é encerrada a produção da RD 135. Após 17 anos de mercado, mostrava claros sinais de envelhecimento: linhas antiquadas para a época, alto consumo de combustível e pouquíssimas reformulações. Foram os motivos suficientes para a Yamaha encerrar as vendas em 1999 da penúltima motocicleta com Motor a dois tempos no Brasil, no ano seguinte seriam encerradas as vendas da Yamaha DT 200, bem como saíra de catálogo a Yamaha DT 180 em 1997. Apesar de estar fora do mercado há anos, as pequenas motos Yamaha com Motor a dois tempos, deixaram sua marca e seu carisma. Apreciada especialmente pelos jovens, muito usada em corridas de rua e de pista, as "RDzinhas" como foram conhecidas deixaram sua marca no mercado. Hoje em dia há legiões de fãs destas motocicletas, que não deixam acabar-se o símbolo de uma época.

Motor[editar | editar código-fonte]

A RD-Z (125), quando lançada em 1982, apresentou um moderno e eficiente motor 2 tempos de exatos 123cc3, ampliado para 132cc3 em 1988. Seu cilindro é fundido em alumínio, uma inovação em relação às antigas RX, que possuem cilindro em ferro fundido. O alumínio possui como características dissipação de calor mais eficiente e peso inferior em relação aos antigos cilindros em ferro fundido. Assim como as outras motos Yamaha, a RD possui camisa de cilindro confeccionada em aço, com diâmetro de 56mm nos modelos RD 125 e RD-Z (125); e camisa com diâmetro de 58mm na RD 135 e RD 135Z. Esta medida de cilindro proporciona 8 retíficas de 0,25mm cada, chegando ao limite de 62mm de diâmetro de camisa e pistão. Porém a Yamaha do Brasil disponibiliza kits de cilindro e anéis para pistões de até 0,75mm (59,5mm de diâmetro total), sendo as medidas maiores de pistão disponíveis somente por outros fabricantes.

O motor 2 tempos da linha RD possui 7 janelas ao total: 4 transferências, duas janelas de admissão e uma de escape. Esta também se mostrou uma inovação da linha RD, visto que as antigas RX utilizam 4 janelas ao total (2 transferências, uma admissão e uma de escape). Em relação a parte elétrica, também mostrou-se um motor muito moderno em seu lançamento, foi a primeira motocicleta na categoria de 125cc3 a utilizar ignição eletrônica transistorizada do tipo C.D.I. A ignição eletrônica substitui o platinado e em relação a este apresenta muitas inovações:

  • Não há contato físico entre peças como no platinado, sendo assim não carece de manutenção frequente.
  • Como o C.D.I. comanda o momento exato da centelha, não há defasagem de ponto ou ponto adiantado em nenhuma faixa de rotação.
  • Impede que o motor "flutue" em alta rotação. No platinado é frequente a"flutuação" de motor em alta rotação, pois o platinado depende de um contato físico, e em alta rotação este se mostra ineficiente.
  • Proporciona ligeira economia de combustível devido ao fato de proporcionar uma centelha de maior intensidade e no momento preciso.
  • Permite avanço de ponto gradual e somente nas rotações desejadas, o que é programado no C.D.I.

Como em todas motos da linha RD, estas possuem torque induction, tecnologia peça desenvolvida pela Yamaha que consiste em uma espécie de válvula, localizada entre o carburador e a admissão do cilindro. O torque induction abre-se quando o motor suga a mistura ar/combustível/óleo 2 tempos no momento da admissão, e fecha-se no momento em que o motor comprime a mistura no cárter onde haveria o re-fluxo da mistura para o carburador. O torque induction proporciona melhorias como:

  • Melhor torque em baixa rotação (fator crítico do motor 2 tempos).
  • Diminuição de consumo de combustível (motor 2 tempos é caracterizado pelo alto consumo de combustível).
  • Evita refluxo da mistura para o carburador e consequentemente evita que encharque-se o filtro de ar com gasolina e óleo dois tempos.

O motor das RD 125 e 135 possui um excelente potencial de extração de potência. Sua relação peso/potência quando original é ótima, atributo devido ao motor 2 tempos que possui apenas três partes móveis. Seu peso é muito baixo e quando original proporciona a relação cilindrada / potência:

Utilização em corridas[editar | editar código-fonte]

Devido à seus atributos a RD foi muito utilizida para corridas de rua, de pista (fórmula) e quilômetro de arrancada. Com algumas modificações o motor da RD pode chegar a mais de 25cv carece de fontes. Por isto foi durante muitos anos a moto mais utilizada em corridas de rua e quilômetro de arrancada. O motor da RD com poucas modificações pode utilizar álcool combustível. Este quando usado proporciona:

  • Aumento da taxa de compressão, o álcool deve ser usado com taxa de compressão superior para haver uma queima homogênea.
  • Deve ser utilizado em maior quantidade (em torno de 30% mais) em relação à gasolina na mistura ar/combustível. O álcool tem uma proporção estequiométrica de 8,4 partes de ar para uma de álcool, enquanto gasolina é de 13,5 de ar para uma de gasolina, portanto o motor convertido para álcool ou é reduzida a entrada de ar ou aumentado a quantidade de combustível injetado. Mesmo com poder calorífico menor, o álcool quando usado proporciona mais força ao motor.
  • Diminui consideravelmente a vida útil do motor, pois o álcool combustível não proporciona uma lubrificação tão eficiente ao motor 2 tempos.
  • Proporciona aumento da rotação de trabalho no motor. Leva o motor a regimes maiores de rotação que o previsto. Isto contribui para a menor vida útil.
  • Com uso de álcool deve ser usado óleo 2 tempos previsto para uso no combustível vegetal, isto é, que diliu-se no álcool, algo que não ocorre com óleos 2 tempos comuns, previstos para uso somente com gasolina.

Características técnicas[editar | editar código-fonte]

Motor[editar | editar código-fonte]

Referente aos modelos RD 135 e RD 135Z:
Motor: Monicilíndrico, 2 tempos, refrigerado à ar, possui Torque Induction com Y.E.I.S.
Cilindro: em alumínio com camisa de aço inclinado para frente.
Cilindrada: total de 132cc3, pistão de 58mm de diâmetro com 50mm de curso.
Taxa de compressão: 6,82 : 1 na RD 135 e 7,16 : 1 na RD 135Z.
Carburador: MikuniVM 24SS de 24mm na RD 135 e MikuniVM 26SS de 26mm na RD 135Z.
Ignição: Sistema de ignição eletrônica, utiliza C.D.I. Fonte de carga da bateria provém do magneto. Sistema de partida primária do motor à pedal.
Lubrificação: Injeção direta de óleo 2 tempos no carburador por meio de bomba autolube. Capacidade de óleo do cárter de 0,64 litros. Capacidade do reservatório do óleo 2 tempos de 0,86 litros com indicador de baixo nível no painél.
Filtro de ar: Espuma de poliuretano úmido com óleo 2 tempos.

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Sistema de redução primária: Por engrenagem.
Relação de redução primária: 19/74 (3,894).
Sistema de redução secundária: Por corrente.
Relação de redução secundária: 38/17 (2,437).
Embreagem: Banhada a óleo.
Tipo de caixa de marchas: Engrenamento constante, 5 marchas à frente.
Sistema de operação: Operação com pedal do lado esquerdo.

Relação de transmissão:
1ª (Primeira): 34/12 (2,833)
2ª (Segunda): 30/16 (1,875)
3ª (Terceira): 26/19 (1,366)
4ª (Quarta): 24/22 (1,090)
5ª (Quinta): 22/24 (0,916)

Dimensões e pesos[editar | editar código-fonte]

Comprimento total: 1.970mm
Largura total: 690mm
Altura total: 1.080mm
Distância entre eixos: 1.300mm
Vão livre mínimo: 186mm
Ângulo de inclinação: 59° 29'
Avanço: 143mm
Peso: Líquido (seco) de 100 kg na RD 135Z e 107 kg na RD 135.
Raio de giro mínimo: 2.140mm

Pneus
Dianteiro: 2,75s X 18'
Traseiro: 3,25s X 18'

Suspensão
Dianteira: Garfo telescópico (Ceriani)
Traseiro: Braço oscilante triangular

Amortecedores
Dianteiro: Mola helicoidal e amortecedor hidráulico incorporado
Traseiro: Amortecedor hidráulico com mola helicoidal. Regulável 5 posições

Instalação e equipamentos elétricos[editar | editar código-fonte]

Capacidade da bateria: 12V / 5,5 AH
Tipo de bateria: 12 N 5,5 A-3B
Fonte de carga: Magneto
Vela de ignição: BP8HS (NGK)
Farol: 12V - 35/35W
Lanterna traseira / luz de freio: 12V - 5/21W
Sinaleira: 12V - 10W
Velocímetro/Tacômetro: 12V - 3W
Ponto morto: 12V - 3W
Indicador do farol alto: 12V - 3W
Indicador da sinaleira: 12V - 3W
Indicador do nível de óleo: 12V - 3W

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências