Zé Peixe

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Zé Peixe
Estátua de Zé Peixe no Memorial de Sergipe
Nome completo José Martins Ribeiro Nunes
Nascimento 05 de janeiro de 1927 (85 anos)
Aracaju-SE
Nacionalidade Brasileiro
Progenitores Mãe: Vectúria Martins
Pai: Nicanor Nunes Ribeiro
Cônjuge Maria Augusta de Oliveira Nunes
Ocupação Prático
Prêmios Medalha Almirante Tamandaré; Grão-Mestre da Ordem do Mérito Serigy; Cidadão Sergipano do Século XX; Condecorado com Escudo em ouro do Rio Grande do Norte

José Martins Ribeiro Nunes, mais conhecido como Zé Peixe, é uma figura lendária em Aracaju, no estado de Sergipe, no Brasil.

Por muitos anos, Zé Peixe atuou como prático conduzindo embarcações que entravam e saíam de Aracaju, pelo Rio Sergipe. O inusitado, em sua tarefa, se devia ao fato de não não necessitar de embarcação de apoio para transportá-lo até o navio. Quando havia um navio necessitando entrar na barra do Rio sergipe, ele nadava até o navio. Da mesma forma após conduzir o navio até fora da barra ele saltava e voltava para a terra nadando. Algumas vezes ele saia em uma embarcação e nadava até uma boia que sinalizava o acesso a barra de Aracaju onde aguardava as embarcações que necessitavam de seus serviços para entrar na barra.

Índice

[editar] Biografia[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11]

Nascido em Aracaju, filho de Vectúria Martins, uma professora de matemática e de Nicanor Nunes Ribeiro, um funcionário público; terceiro de uma prole de seis crianças foi criado em uma casa em frente ao rio Sergipe, na atual avenida Ivo do Prado próxima a capitania dos portos e que pertencera aos seus avós, onde vive até hoje. Aprendeu a nadar com seus pais, e desde a infância brincava no rio ou o atravessava a nado para pegar os frutos dos cajueiros da outra margem.

Com 11 anos já era um exímio nadador, enquanto os outros meninos iam de canoa até a praia de Atalaia, ele ia a nado. Um dia o comandante da marinha Aldo Sá Brito de Souza estava desembarcado na Capitania dos Portos pois sua âncora tinha enganchado no fundo do rio, e ao observar a destreza do garoto José Martins, o apelidou de "Zé Peixe", alcunha que se firmou.

Dos irmãos, Rita (que também ganhou o apelido "Peixe") era a única que o acompanhava nas aventuras no rio, mesmo a noite; com a desaprovação dos pais que achavam que este não era um comportamento adequado para uma menina, sempre lhes dando broncas e mesmo escondendo a roupa de banho da garota (o que nada adiantava pois iam nadar com o uniforme escolar mesmo, o qual colocavam para secar depois nos fundos da casa). Seus pais também preferiam que Zé Peixe se ativesse aos estudos e lições de casa, mas ele só queria saber de ficar na praia vendo o fluxo dos barcos e desenhando navios, ou no rio orientando os capitães sobre as mudanças dos bancos de areia de seu leito.

Fez o ginásio no Colégio Jackson de Figueiredo e concluiu o segundo grau no Colégio Tobias Barreto. Quando Completou 20 anos ingressou no serviço de Prático da Capitania dos Portos. Casou-se na década de 60, mas nunca teve filhos, e é viúvo há 25 anos da sra Maria Augusta de Oliveira Nunes.

Seu jeito vigoroso, corajoso, independente e trabalhador sempre foram vistos como exemplos de caráter e de um envelhecimento digno. Foi tema de vários jornais, revistas, livros, entrevistas e reportagens televisivas ao longo das décadas, tanto nacionais quanto internacionais. Foi uma das atrações que conduziu a tocha pan-americana em Sergipe durante os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio, fazendo o trajeto de barco.

Atualmente aposentado se afastou do mar, pois sofre com o Mal de Alzheimer, que o deixou limitado e restrito à sua casa onde é assistido pela família.

[editar] Praticagem

Em 1947, seu pai o fez ir até o serviço da Marinha, onde mediante concurso foi admitido como Prático do Estado lotado na Capitania dos Portos de Sergipe, profissão que exerceu por mais de meio século (naquela época a remuneração do prático era bem mais modesta).

A barra do Rio Sergipe era uma das piores entradas portuárias do país, Zé Peixe pela sua dedicação e seu conhecimento detalhado da profundidade das águas, das correntezas e da direção do vento sempre se destacou no serviço de praticagem.

Mas era seu modo peculiar de trabalhar que o fez famoso em vários meios de comunicação; quando um navio tinha que sair do porto guiado pelo prático, ele não se utilizava de um barco de apoio; subia a bordo e uma vez guiada a embarcação para o mar aberto, amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da nave em queda livre de 17 metros até a água (prédio de 5 andares), nadava até 10 km para chegar a praia, e ainda percorria a pé outros 10 km até a sede da Capitania dos portos.

Nas chegadas dos navios ao porto, as vezes se utilizava de uma prancha para ir em busca das embarcações mais distantes e as aguardava em cima da boia de espera (a 12 km da praia) durante toda a noite ou mesmo durante todo dia, até a maré ser propícia a aproximação e ao desembarque no porto. Estes feitos eram realizados até em sua idade mais avançada, o que surpreendia tripulação e comandantes desavisados; certa vez um comandante russo ordenou que o segurassem antes do salto, pois pensou que o mesmo estava fora de si.

Várias outras situações demonstravam sua bravura na profissão, o que lhe rendeu muitas homenagens. Já aos 25 anos salvou três velejadores do Rio Grande do Norte. Quando vinha orientando uma embarcação a vela para fora da barra, a mesma virou e lançou todos os tripulantes no mar revolto; Zé Peixe e sua irmã Rita conseguiram trazer a salvo os velejadores até a praia. Outro acontecimento foi com o navio Mercury; que vindo com funcionários de uma das plataformas da Petrobras, pegou fogo em alto mar. O prático chegou ao navio em chamas em um barco de apoio, e apesar do risco de explosão, subiu a bordo e orientou a embarcação até um ponto mais seguro onde todos pudessem saltar e nadar para terra firme.

Foi agraciado com vários prêmios e medalhas: pelo salvamento da iole potiguar (barco a vela) recebeu a medalha ao mérito em ouro do Rio Grande do Norte; por seus dedicados anos de trabalho recebeu a Medalha Almirante Tamandaré (criada em 1957, homenageia instituições e pessoas que tenham prestado importante serviço na divulgação ou no fortalecimento das tradições da Marinha do Brasil); homenageado com a Medalha de Ordem do Mérito Serigy, mais alta condecoração do município de Aracaju e eleito o Cidadão Sergipano do Século XX. Em 2009, com 82 anos e já enfermo, solicita junto à Marinha seu afastamento definitivo da praticagem (Portaria N 141/DPC, 13/10/2009).

[editar] Estilo de Vida

Um homem franzino e introvertido de 1,60m de altura e 53 Kg, sempre cativante pela sua humildade, dignidade e simpatia; o prático quase nunca comia ou bebia água doce, sua dieta se baseava em pães com café pela manhã e era rica em frutas durante todo o dia. Também não fuma, nunca bebeu álcool, dormia às 20h da noite e acordava às 06h. Apesar da insistência dos pais, desde criança não tomava banho de água doce, pois vivia no mar, no entanto possuía um ritual de manter barba e cabelos sempre cortados.

Quando fora de serviço, gostava de ir cedo cuidar de seus botes atracados em frente a capitania dos portos, ir tomar banho de mar e andar de bicicleta até o mercado onde comprava frutas. A pé ou em bicicleta, só andava descalço; usava sapatos somente em ocasiões especiais ou quando ia às missas da Igreja do São José ou do Colégio Arquidiocesano.

Nunca saiu do lugar onde nasceu; a antiga casa é toda pintada de branca por fora e dentro é toda azul e muito simples; entulhada de lembranças, títulos e medalhas que juntou na vida; além de miniaturas e desenhos de barcos, e de imagens de santos católicos.

Referências

[editar] Ligações externas


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