Zaouïa

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Zaouia Sidi Al Bahi em Tunes.

A zaouïa(árabe زاوية), também ortografada zawiya, Zawiyah, zaouiya, zaouïa, zwaya, etc., é um edifício religioso muçulmano. Em turco, É chamado zaviye.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Uma zaouia junto às muralhas da cidade de Cairuão na Tunísia no início do século XX.

Inicialmente, este termo se refere a um local ou espaço reservado, no interior de uma estrutura maior, onde os Sufi (Místicos) podiam retirar-se, como é sugerido pelo significado da raiz da palavra árabe (ângulo ou canto). Posteriormente, a palavra se refere a um complexo religioso com um mesquita, salas para estudo e meditação e uma hospedaria para receber os mais necessitados. Aí executam-se as práticas espirituais e enterram-se os Santos fundadores das confrarias Sufi.

A comunidade Sufi (رابطة [rābita]) agrupa-se em uma Arrábita (رباط [ribāt]), por vezes fortificada. No Magrebe, essas comunidades desenvolveram-se nas áreas urbanas sob a forma das zaouias. Os membros dessas irmandades são às vezes chamados Marabuto ( مَرْبوط [marbūt] ou مُرابِط [murābit]).

A colonização francesa e inglesa danificou alguns zaouias e influenciou de maneira profunda a continuação de rituais e cerimônias. Em Argélia, fenômenos como a conquista francesa, as revoltas contra a ocupação, a guerra da independência e depois a guerra civil da década de 1990 perturbaram muito esses ritos.

No Magrebe, no sentido histórico, uma Zaouia era mais do que uma simples confraria recrutando adeptos. A sua propagação fez-se com adaptação do culto popular, entre o século XI e o XIII. Fizeram-se, a maioria delas promotores da vida social. Especialmente em áreas onde o pensamento regionalista é forte, isto é, substancialmente na Tunísia, pouco na Argélia, e fortemente em Marrocos.

Em Marrocos, as zaouias moldaram em parte a sociedade, já a partir do fim da era almóada, quando Marrocos passava por uma fase de dislocação feudal, onde a idéia do Xerifismo ganhava vigor nas cidades tendo prestígio pela sua educação religiosa (como Fez Marraquexe, etc ...).

Assim, há o culto dos santos, festas associadas a um evento sobre a felicidade popular, por exemplo o mussem. As zaouias vão representar no Magrebe e, especificamente, em Marrocos, uma força específica à vontade popular. São elas que vão canalisar o combate, o jihad popular no século XVI , quando os portugueses e espanhois vão se apoderar de praças e cidades da costa (Tânger, Ceuta, Badis etc ...).

Atualmente, as Zaouias apenas têm um papel essencialmente folclorico em diferentes ocasiões, festas, casamentos, etc ...

Organização das confrarias nas zaouias[editar | editar código-fonte]

Xeque[editar | editar código-fonte]

No topo da hierarquia encontra-se o Xeque, diretor espiritual e temporal da ordem, homem onipotente e onisciente, acredita ser favorecido por Deus clemente e misericordioso, que teria estendido suas bênçãos sobre a sua pessoa, delegando-lhe uma faísca da sua potência (a Baraca), que fizera dele um intermediario obrigatorio para os seres humanos (a princípio contrária ao Islão). É o homem que teria um perfeito conhecimento da lei divina, que teria chegado á perfeição na arte de conhecer as enfermidades e males que afligem as almas, os remédios para orientá-los no caminho de Deus. É um verdadeiro sacerdote, herdeiro ou fundador do ensino especial na tariqa, o único que possuiria todos os segredos, que Allah teria honrado de todos os títulos divinos (Walîy, Sufi, Kotoba, Ghouta, etc). Caráter magnânimo, austera, sintetizando todas as virtudes, todas as ciências, tendo, supostamente, o dom dos milagres ; em uma palavra, o verdadeiro seguidor da tradição que tantas pessoas famosas têm ilustrado por sua piedade e conhecimento Sufi, dervixe, marabute.

O Xeque não reconhece outro poder sobre o seu próprio, que o de Deus e de Maomé, não se inspira de outro pensamento que do sugerido pelo próprio Deus ou pelo seu iniciador todo potente, sentado no outro mundo (o iniciador é o antigo líder morto...), ao lado do trono soberano e imbuído dos sentimentos do Ser Supremo. Tal é o sentido místico da palavra, o xeque como o concebem os crentes Sufi, seguidores ou servos da fraternidade sob o seu patrocínio.

O califa[editar | editar código-fonte]

Em segundo lugar está o califa (khalifa) ou tenente do xeque seu coadjutor em países distantes, investido de uma parte das suas atribuições, seu delegado perto dos fiéis. É às vezes referido pelo nome de Naïb, interino, mas então, o Naïb, como o próprio nome sugere, tem todos os poderes do khalifa sem ser formalmente investido com o título.

Moqaddem[editar | editar código-fonte]

Abaixo do khalifa está o moqaddem (prepositus, pl. Moqaddim), próximo dum vigário de concelho, fiel executor das instruções que o xeque lhe dá , por via oral ou através de cartas. É o seu delegado para o vulgo, o verdadeiro propagador das doutrinas da tariqa, a alma da confraria, agora um missionário, depois diretor de um convento, Professor (a'lem) metrado ou ignorante.

Ele preenche nisso, o papel do daï dos Ismailitas, tem as mesmas atribuições, os mesmos direitos e deveres. O moqaddem ainda não titular, leva como o khalifa, o título de Naïb (interino) (vicarius alterius, pl. Nouèb).

Os moqaddim dispõem geralmente de agentes especiais, mensageiros montados (rakeb no pl. Rokkab), especificamente responsáveis de prevenir os adeptos do dia da chegada do mestre, dar conhecimento das instruções aos irmãos reuinidos, escritas ou orais, que o moqqadem lhes envia de tempos em tempos, e de assegurar a ligação dos adeptos com o líder da ordem. Em algumas confrarias (Rahmaniya Taïbiya Hansaliya), esses auxiliares são chamados chaouch.

Os Khouanos e outros adeptos[editar | editar código-fonte]

Finalmente, vem na última escala da hierarquia, a massa dos adeptos que são qualificados de forma diferente, segundo as irmandades a que pertencem : seu nome genérico é Khouan ( irmãos), no Norte de África, e dervixe no Oriente.

Alguns zaouias no Magrebe[editar | editar código-fonte]

Argélia[editar | editar código-fonte]

Marrocos[editar | editar código-fonte]

Tunísia[editar | editar código-fonte]

Referências

  • (Em francês) Christian Coulon, Pouvoir maraboutique et pouvoir politique au Sénégal, Paris, Université de Paris, 1976, 2 vol. 594 p. (Tese de Estado, revisada et publicada em 1981 sob o título Le marabout et le prince. Islam et pouvoir au Sénégal, Paris, Pedone, XII-317 p.)
  • (Em francês) Octave Depont Octave ,Les confréries religieuses musulmanes' (As irmandades religiosas muçulmanas), 1897.

Ver também[editar | editar código-fonte]