Zo d'Axa

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Zo d'Axa
Alphonse Gallaud de la Pérouse
Nascimento 26 de Maio de 1864
Paris (França)
Morte 30 de agosto de 1930 (66 anos)
Marselha (França)
Ocupação jornalista, aventureiro, pintor, anti-militarista, satirista, ativista anarquista
Influências
Influenciados
Escola/tradição Anarquismo, Individualismo
Principais interesses propriedade, liberdade, autoridade, justiça social, pobreza, sociedade.

Alphonse Gallaud de la Pérouse, (1864 - 1930) mais conhecido como Zo d'Axa, foi um jornalista, escritor, ativista antimilitarista, pintor, aventureiro e satírico, fundador de dois importantes periódicos franceses L'EnDehors e La Feuille. Foi também um dos mais notáveis anarquistas individualistas da virada do século XIX ao XX.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Zo d'Axa nasceu em Paris no dia 28 de Maio de 1864. Filho de uma família de classe média descendente do famoso navegador francês Jean-François de Galaup conde da Pérouse. Juntou-se ao exército, mais especificamente a cavalaria aos 18 anos com o intuito de se afastar da sua família. Percebendo um pouco depois o equívoco desertou para a Bélgica levando consigo a amante do oficial que lhe era superior.[2]

Em 1889 d'Axa foi expulso da Bélgica exilado na Itália. Em território italiano dirigiu um jornal ultra-católico e dedicou seu tempo livre para seduzir as mulheres da região.[3] Reza a lenda popular que durante seu tempo na Itália d'Axa estava hesitante entre se tornar um anarquista ou missionário religioso quando fora acusado (erroneamente, diria ele) de ter insultado a Imperatriz da Alemanha, tornando-se um anarquista diante dos processos legais subsequentes contra ele..[4]

"ele era um tipo de condotieri socialista, um dandy, um libertino, e aventureiro natural. Ernest La Jeunesse o apelidara de Recruta Restaurante
Jules Bertaut, Paris 1870-1935, 2007.[3]

Passou os anos seguintes sendo perseguido pela polícia de país em país, até que fora assinada a anistia geral na França e pode retornar para Paris.[3] Até aquele momento, tendo levado nos termos do historiador Jules Bertaut "uma das vidas mais irreputáveis", e ser um agitador por temperamento, d'Axa se aproximou do movimento anarquista.[3]

L'Endehors, exílio na Inglaterra[editar | editar código-fonte]

Desenho de Zo d'Axa por Jules Alexandre Grün publicado na revista La Plume em 1 de abril de 1893.

Em maio de 1891 Zo d'Axa publicou o primeiro número do posteriormente famoso periódico libertário L'EnDehors. Esta revista contou com muitos colaboradores, entre eles grandes anarquistas como Jean Grave, os communards Louise Michel e Fortuné Henry, Sébastien Faure, Octave Mirbeau, Tristan Bernard e Émile Verhaeren.[3]

Após a publicação de alguns números d'Axa e L'EnDehors tornaram-se alvo das autoridades. Após os ataques e a detenção de Ravachol e seus companheiros, uma campanha para angariar recursos para a família dos presos foi organizada por d'Axa e outros colaboradores. Aliado aos artigos ácidos contra o autoritarismo do estado francês, a campanha foi a gota d'água esperada pela reação. d'Axa foi preso e trancafiado na prisão de Mazas por um mês.[2]

Após ser liberado ele ainda estava sendo processado e escolheu se exilar na Inglaterra. Estabelecendo-se na cidade de Londres encontrou-se com Camille Pissarro e James Whistler, escrevendo também inúmeros panfletos anarquistas. Decidiu viajar pela Europa sendo expulso da Itália, foi para a Grécia e depois para Constantinopla.[2]

Segunda prisão, o caso Dreyfus e o asno Ninguém[editar | editar código-fonte]

Capa do livro De Mazas à Jerusalém de 1894.

Em 1 de janeiro de 1893, quando desembarcava em Jaffa d'Axa foi preso e colocado em ferros em um navio francês para ser levado de volta a Paris. Acabou aprisionado por 18 meses na prisão de Sainte Pelagie. Após sua liberação ele publicou seu livro De Mazas à Jerusalem, que tornou-se rapidamente um grande sucesso.[5]

Em 1898 Zo D'Axa se envolveu no caso Dreyfus, publicando "La Feuille," uma revista ilustrada por Steinlen, Maximilien Luce, Willette, Paul Hermann e outros. Seu grande sucesso foi a apresentação de um asno chamado "Ninguém" durante as eleições para a Câmara de Deputados que, através da contagem dos votos brancos e nulos, foi declarado eleito pela "La Feuille" após uma memorável passeata pelas ruas de Paris que acabou em confronto entre os "partidários do asno" e os promotores da "lei e da ordem".[2]

"Vocês estão sendo enganados! Foi dito que a Câmara dos deputados, composta por imbecis e ladrões, não representa a maioria dos votantes. Isso é falso! Pelo contrário, uma Câmara formada por deputados que são idiotas e ladrões representa perfeitamente os eleitores que vocês são. Não protestem; uma nação têm os líderes que merece!"
Zo d'Axa, Vocês não passam de idiotas

Posteriormente d'Axa visitaria ainda a China, a África e a América do Norte. Nos Estados Unidos encontraria com a viúva de Gaetano Bresci, o notório executor do rei italiano Umberto I.

Após retornar para França, Zo d'Axa passou seus últimos anos em Marselha onde se suicidou no dia 30 de agosto de 1930.

Pensamento[editar | editar código-fonte]

Enquanto individualista e esteta, d'Axa justificava o emprego da ação direta violenta, concebendo a propaganda pelo Ato, violenta ou não, ela própria como um tipo de arte.[6] Anarquistas - ele escrevera - não têm necessidade de distantes futuros melhores, pois sabem que a melhor forma de alcançar imediatamente o prazer: destruindo apaixonadamente![7] "É suficientemente simples.", d'Axa proclamou aos seus contemporâneos, "Se nossos voos extraordinários (nos fugues inattendues) lançam as pessoas um pouco além, a razão pela qual isso acontece é porque falamos sobre as coisas do cotidiano como os bárbaros primitivos fariam, nós as atravéssamos."[8]

D'Axa era um boêmio que "adorava seu status de outsider",[6] e defendia um estilo de vida anticapitalista de bandidos anarquistas itinerantes precursor dos ilegalistas e expropriadores franceses.[9] Ele expressava desprezo pelas massas (que em sua perspectiva era formada por multidões de submissos e obedientes) e ódio por seus governantes.[10] Ele foi um importante interprete anarquista da filosofia do anarco-individualista Max Stirner,[11] um defensor de Alfred Dreyfus que não se cansava de ironizar todas as formas de antissemitismo. Foi também um ativista anti-carcerário lutando ininterruptamente contra o confinamento das prisões e penitenciárias.

Sua obra tem sido redescoberta no início do século XXI principalmente por sua contraposição teórica a toda forma de trabalho assalariado e involuntário.[12] [13]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal Portal da Anarquia

Referências

  1. S., R.. (1900-08-19). "WHAT PARIS THINKS ABOUT; The Shah of Persia Contrasted with His Father. FRENCH ANARCHIST VIEWS Curiosity as to Policy of Italy's New King – Ravages of Yellow Fever in French Senegal.". The New York Times.
  2. a b c d D'Axa na enciclopédia DailyBleed
  3. a b c d e Bertaut, Jules. Paris 1870-1935. [S.l.]: Vincent Press, 2007. p.131 pp. ISBN 1406743666
  4. Everett, Marshall. Complete Life of William McKinley and Story of His Assassination. [S.l.]: Kessinger Publishing, 2003. ISBN 0766132293
  5. Appletons' annual cyclopaedia and register of important events.. New York: D. Appleton and company, 1894. 290 pp. OCLC 6514833
  6. a b Weisberg, Gabriel. Montmartre and the Making of Mass Culture. New Brunswick: Rutgers University Press, 2001. ISBN 0813530091
  7. Sonn, Richard. Anarchism and Cultural Politics in Fin-De-Siècle France. Lincoln: University of Nebraska Press, 1989. ISBN 0803241755
  8. Grand, Sarah. Sex, Social Purity, and Sarah Grand. New York: Routledge, 2000. ISBN 0415214114
  9. Parry, Richard. The Bonnot Gang. London: Rebel Press, 1987. p.53 pp. ISBN 0946061041
  10. Patsouras, Louis. The Anarchism of Jean Grave. Montreal: Black Rose Press, 2003. p.86 pp. ISBN 1551641844
  11. Cohn, Jesse. Anarchism and the Crisis of Representation. Selinsgrove Pa.: Susquehanna University Press, 2006. ISBN 1575911051
  12. Beauzamy, Brigitte. "Danger : Work". European Consortium for Political Research, 2nd general conference. Marburg, Germany, September 18-21, 2003
  13. O Trabalhador Honesto, 1898.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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