Zoológico de La Palmyre

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Zoológico de La Palmyre
Inauguração 1966
Projeto 1957
Localização Les Mathes,Charente-Maritime, (França)
Área 18 ha (0,180 km²)
Coordenadas 45° 41′ N 1° 10′ W
Nº de animais 1.600
Espécies 130
Total dos tanques (m3) 1000
Visitantes anuais 750.000

O Zoológico de La Palmyre é um dos zoológicos mais populares da França e um dos mais conceituados da Europa. Foi criado em 1966 na floresta da comuna de Les Mathes, próximo a Royan, por Claude Caillé. Desde sua inauguração o zoológico busca melhorar a qualidade de vida dos animais, participando de inúmeros projetos que visam desde desempenhar um importante papel em reintroduzi-los em seus habitats naturais, a programas de reprodução de espécies ameaçadas de extinção dentro e fora da França.

Estende-se por mais de 18 hectares de terra, incluindo 14 de jardins paisagísticos, oferecendo ao visitante a oportunidade de observar 1600 animais de 130 espécies a uma distância de mais de 4 quilômetros.

História do zoológico[editar | editar código-fonte]

Inaugurado oficialmente em 1966, seu projeto começou de forma não-oficial em 1957 graças aos esforços de seu fundador Claude Caillé, filho de um vendedor de jornais com quem começou a trabalhar aos 14 anos. Nos anos 20 conheceu sua futura esposa, Irène, cujo irmão possuía um pequeno jardim zoológico em "Croustille", perto de Limoges. Em suas frequentes visitas auxiliando seu cunhado foi que Claude Caillé descobriu sua paixão por animais. Consequentemente seu crescente interesse o fez estudar zoologia.

Um zoológico itinerante[editar | editar código-fonte]

Em 1957, acompanhado de sua esposa e os dois filhos, Patrick e Bruno, ele iniciou um pequeno zoológico itinerante que era exibido em escolas, viajando por toda a França. Então nos anos sessenta ele decide viajar para África a fim de capturar alguns animais. Depois de uma estadia entre os Pigmeus, ele trouxe do Camarões, gorilas e chimpanzés.

Partiu em seguida para o Quênia onde ajudado pelos Kikuyu, capturou zebras, antílopes e girafas, mas não tendo dinheiro suficiente para pagar as taxas de transporte para os animais, retorna à França. Três meses depois volta ao Quênia com o dinheiro necesário, mas infelizmente os animais confiados à sua equipe desapareceram, alguns mortos entrementes pelos Kikuyu. Claude Caille volta então para sua escola sobre rodas onde permanece por mais três anos.

Criação do Zoológico de La Palmyre[editar | editar código-fonte]

Ao retornar do Quênia, juntou-se a Carr-Hartley que havia capturado e fornecido animais para diversos zoológicos ao redor do mundo. Desta vez a operação foi bem sucedida retornando para a França com um pecuário de animais exóticos, estabelece-se em Palmyre no coração de uma floresta de pinheiros e carvalhos marítimo, perto das praias do Oceano Atlântico.

Em junho de 1966, o zoológico abriu suas portas com sessenta animais espalhados por mais de 3 hectares (30.000 m²). No final de agosto, o parque registrou 129.500 visitantes. Com o sucesso crescente foram criadas novas acomodações para os novos animais, que a essa altura já eram tratados como membros da família. Até os bebês que eram abandonados pelas mães eram amamentados com mamadeiras.

Porém evitar a desnaturação, os animais são alimentados pelas mães, e somente em casos excepcionais, como abandono de bebês, falta de instinto materno e morte da mãe, ele são alimentados dessa maneira.

Alguns Fatos[editar | editar código-fonte]

Em 1975 o o zoológico recebeu 260.000 pessoas, incluindo 190.000 durante os três meses do verão.

Em 1976 muitos animais tiveram de ser evacuados por conta de um grande incêndio que devastou a floresta de "Coubre" ameaçando o zoológico, e que felizmente havia atingido poucas centenas de metros do parque.

Em março de 1978 nasceu o primeiro gorila em território françês.

Em 1984 nasceu o primeiro urso-polar.

Depois em 1985 um casal de flamingo-chileno consegue se reproduzir com sucesso.

Em junho de 1988 e em julho de 1990, Georges de Caunes ficou quinze dias em uma jaula do zoológico sob o rótulo Homo sapiens, para observar os humanos através dos olhos dos animais.

Em 1989 nasceu o primeiro leão marinho da Califórnia, e emprega um veterinário de tempo integral.

Em 1992 acontece a primeira reprodução de guepardos.

Em março de 1993 o zoológico ampliou 4 hectares (0,04 km²) com uma vasta planíciele africana mesclando zebras, antílopes e avestruzes.

Em 1994 foi construído um noturama para os morcegos.

Em 1995 nasce o primeiro elefante-indiano.

Em 1996 o tanque para os ursos polares foi criada com capacidade de 1000 m³ de água. O visitante pode observar os ursos polares tanto no terreno quanto no tanque graças a um vidro de 5 cm de espessura na lateral do tanque.

Em outubro de 2000, uma fêmea de guepardo nascida em 1992, apresentou muita salivação e disordem motora. Apesar de todos os cuidados, o estado geral do animal piorou e o Dr. Thierry Petit foi obrigado a sacrifica-la em fevereiro de 2001. Uma investigação conduzida pela Agência francesa de controle alimentos de Lyon - (French Agency of medical safety of food (AFSSA) of Lyon) destacou o fato de que o animal teria sido infectado pela encefalopatia espongiforme bovina (Bovine spongiform encephalopathy - BSE), mais conhecida como "doença da vaca-louca".[1] Este foi o primeiro caso de BSE em um animal nascido na França. O animal foi contaminado por carne misturada com restos de sistema nervoso, adicionado a sua raçao contendo frango. Felizmente este foi o único caso no zoológico.

Notícias recentes[editar | editar código-fonte]

Devido a ameaça de gripe aviária, como precaução todas as 600 aves foram vacinadas.[2]

Certas espécies raras como o Estorninho-de-bali, dos quais restam alguns poucos pares no mundo, precisam de cuidado particular de uma possível epizootia de "gripe aviária". O confinamento nesse caso infelizmente não é recomendado por torná-los sucetíveis a patologias sérias por serem animais selvagens. No entanto, até o momento, a única medida disponível é o confinamento de algumas espécies e a proteção da área de alimentação das que não estão confinadas.

Em outubro de 2005, Claude Caillé se aposenta oficialmente e é sucedido por seu filho Patrick Caillé.

Um Tigre-siberiano macho de 12 anos, deixou o zoológico em junho de 2006 para se juntar a Toundra, uma femêa do Zoológico de Amnéville.

A onda de calor do verão de 2006 exigiu o desenvolvimento de aparelhos especiais para alguns animais, em particular os pinguins africanos, para os quais um atomizador foi instalado.

Conservação e cooperação internacional[editar | editar código-fonte]

Particularmente sensibilizado com a conservação de espécies ameaçadas de extinção, o zoológico de Palmyre é membro de várias associações como por exemplo:

E além disso um dos membros fundadores da associação de conservaão de espécies e populações animais (Conservation of the species and the animal populations - CEPA).[7] Essa associação criada em 1997 concentrou suas ações nas espécies seriamente ameaçadas e geralmente negligenciadas como o leopardo e o Monarca do Tahiti. Uma atenção especial é dada a fauna dos departamentos e territórios ultramarinos franceses.

Em 2002, O zoológico de Palmyre juntou-se à associação européia para estudo e conservação dos lêmures (European Association for the study and the conservation of the lemurs - AEECL)[8] que incluia cerca de quinze zoológicos. A iniciativa veio dos zoológicos de Mulhouse, Cologne e Saarbrucken além da Universidade de Estrasburgo. A associação gere um programa de reprodução em ambiente controlado (jardins zoológicos) e coleta fundos que são usados para zonas de proteção em Madagascar para o Lemur preto-de-olho-azul.

Graças à sua notável taxa de natalidade o zoológico está em condições de aderir a muitos programas de salvaguarda das espécies em extinção. Por exemplo, em 2006 o zoológico participou em 36 programas europeus de reprodução, EEP e 16 Stud Books europeus ESB[9] assim, um quarto das 130 espécies que abriga faz parte de um programa internacional de reprodução. Entre essas espécies estão o gorila das planícies, o Orangotango de Bornéu, o Órix-cimitarra e o Mico-leão-dourado da América do Sul.

Espécies ameaçadas[editar | editar código-fonte]

Órix-cimitarra[editar | editar código-fonte]

Órix-cimitarra no zoológico de Palmyre.

Menos de trinta anos atrás ocupavam todo o Sahara, o órix atualmente está a beira da extinção, vítima da caça (por seus chifres) e atividades humanas.[10] Os últimos espécimes da espécie, estimados em trinta, não são encontrados em nenhum outro lugar senão em dois bolsões isolados, um no Chade e o outro em Níger. Esta é a razão pela qual os órix são objetos de programas europeus de reprodução EEP no qual o zoológico de Palmyre está ativamente envolvido.

Em 11 de março de 1999, quatorze animais provenientes de sete zoológicos europeus, incluindo dois machos criados no zoológico de Palmyre, foram reintruduzidos na Tunísia,[11] na reserva de Sidi Toui, a fim de formar um núcleo reprodutivo. Assim que os animais recém-introduzidos atingirem um número suficiente e a população local tenha aprendido a conviver com eles, serão libertados no deserto.

Orangotando de Bornéu[editar | editar código-fonte]

O orangotango está ameaçado de extinção por conta do desaparecimento de seu habitat natural, as florestas tropicais de Sumatra e Bornéu. É estimado que 30 a 50% da população selvagem de orangotangos foi dizimada nos últimos dez anos (1998-2008). Pequisas recentes estimam que a população de orangotangos está entre 32.000 indivíduos na Indonésia em 2003.[12] Até 2008 as populações remanescentes encontram-se em reservas protegidas, em zonas degradadas sujeitas a exploração humana (desmatamento, e agricultura). Essas populações de orangotangos nunca foram estudadas em seu habitat natural e seu rápido desaparecimento talvéz nunca permita esse estudo.

Esta é a razão pela qual, além das implicações nos programas europeus de reprodução, o zoológico de Palmyre financia programas in situ, ou seja, proteção de animais em seu país de origem, em particular os programas que visam a proteção dos orangotangos e gibãos.

Mico-leão-dourado[editar | editar código-fonte]

Um Leontopithecus rosalia.

Em 1992, uma família de de mico-leão-dourado foi enviada para o Brasil no âmbito de uma operação de salvação dessa espécie, ameaçada desde o fim da década de 1960 por causa da silvicultura e expansão da população.

Em 1995, havia aproximadamente 500 mico-leões-dourados selvagens, 125 deles foram reintroduzidos ou nasceram de indivíduos reintroduzidos, vivendo em 26 grupos.

Em 1999, a população resultante desses animais reintroduzidos era de 43 grupos incluindo 302 macacos. Eles vivem na reserva de Poço das Antas [13] (55 km² e mais de 20 anos de existência) em 15 programas privados.

Em 2008, graças aos programas de reintrodução trazidos para o zoológico, sua população cresceu para 1000 animais, contra os 200 em 1970. Estima-se que a capacidade de melhor acolhimento destas florestas foi alcançado.

Elefante-asiático[editar | editar código-fonte]

"Shinto" um elefante-asiático do Zoológico de Palmyre.

O zoológico de Palmyre possui um excelênte elefante reprodutor chamado Shinto (nascido em 1969), chegou em 25 de janeiro de 1983 vindo do Zoológico de Fréjus, assim como duas fêmeas, Alix (nascida em 1983) e Malicia (nascida em 1984), ambas trazidas em 11 de janeiro de 1991. O primeiro nascimento do zoológico aconteceu em 26 de outubro de 1995 quando Alix deu à luz Homaline. Em seguida veio Jacky em 7 de julho de 1996, transferido para o Zoológico de Pont-Scorff em 9 de outubro de 2001, depois para o zoológico de Ostrava em 12 de outubro de 2004, onde morreu em 25 de março de 2005. Então veio Maurice em 16 de junho de 2001 e Angèle em 5 de novembro de 2001. Mais tarde nasceu Ziha em 27 de janeiro de 2006.[14]

Estes nascimentos são da maior importância para o programa europeu de reprodução, porque elefantes asiáticos continuam raros.[15] Na França desde o fechamento do Zoológico de Vincennes, somente o zoológico de Palmyre controlam a reprodução dos elefantes-asiáticos.

A população de elefantes asiáticos na natureza está diminuindo, e manter os que estão em cativeiro torna-se cada vez mais difícil sem a ajuda adequada. Para manter um macho reprodutor é necessário instalações personalizadas, e é o que alguns zoológicos buscam dar a esses paquidermes.

Rinoceronte branco[editar | editar código-fonte]

Rinoceronte branco.

Em junho de 2006, o zoológico de Palmyre que possuía dois rinocerontes brancos (Whi e Noëlle), integrou-se a campanha de conservação[16] de rinocerontes organizada pela Associação européia de zoológicos e aquários (Association European of the zoos and aquariums - EAZA), destinada a coletar 350.000 euros para finaciar um mínimo de 13 programas[17] na África e na Ásia. Na sequência da campanha durante a temporada de 2006, o zoológico arrecadou 7.600 euros atribuídos a um programa conservação do rinoceronte-de-java e do rinoceronte-da-sumatra na Indonésia.

Estes animais muito numerosos a décadas atrás, estão ameaçados de extinção, não somente pela destruição do seu habitat natural, mas especialmente pela caça furtiva de seus chifres, embora constituídos de uma camada simples de queratina, como as unhas e cabelos, são muito cobiçados pela medicina tradicional chinesa ou para produzir cabos de adagas Yemen. A população mundial que no começo do século XIX era de mais de 2 milhões, hoje conta com aproximadamente 18.000 de todas as espécies.

Restam cerca de cinco espécies de rinoceronte no mundo:

  • Duas na África: o Rinoceronte negro, que conta com 3.725 indivíduos listados está à beira da extinção e que uma das quatro subespécies - o rinoceronte-negro do oeste da África (Diceros bicornis longipes) - acabou morrendo em setembro de 2006. O rinoceronte branco, que quase desapareceu a um século atrás (restando cerca de cinquenta indivíduos ), são os únicos que se encontram atualmente com um número razoável de indivíduos (14.540). Uma dessas subspécies é representada porém somente por quatro indivíduos vivendo em seu último refúgio no Parque nacional de Garamba, na Republica Democratica do Congo
  • Três na Ásia: Rinoceronte-de-sumatra e Rinoceronte-de-java, que estão à beira da extinçãp com menos de 400 indivíduos listados ao todo, bem como o Rinoceronte indiano, que foi salvo da exinção no começo do século XX, cuja situação melhorou levemente desde então.

O zoológico além disso faz parte de programas de pesquisa empreendidas por médicos veterinários, escolas e institutos de investigação sobre a reprodução dos rinocerontes brancos.

O Zoológico de Palmyre em números[editar | editar código-fonte]

Aspectos financeiros[editar | editar código-fonte]

Importante fator econômico para a região de Poitou-Charentes, representando 5,5 por cento do PIB regional graças ao turismo, com 750.000 visitantes (10 por cento de escolas) e 9 milhões de euros em vendas, junto com o Futuroscópio de Poitiers (1.200.000 visitantes) e o aquário de La Rochelle (850.000 visitantes) 50 por cento dos visitantes anuais e metade dos rendimentos em lazer da região.

O zoológico[editar | editar código-fonte]

  • 14 hectares construídos;
  • 130 espécies;
  • 1600 animais;
  • 750.000 visitantes anuais;
  • 16.000 euros necessários por dia para a operação do parque;
  • 55 funcionários fixos e 110 na temporada;
  • 9 milhões de arrecadação em vendas.

Alimentação consumida por animal[editar | editar código-fonte]

Os 1600 animais de Palmyre demandam uma grande quantidade de alimento a ser consumida. Por exemplo, por ano o consumo de alimento é:

Atividades extras[editar | editar código-fonte]

Apresentação de leões-marinhos da Califórnia.

O zoológico está aberto todo o ano, das 9 horas até 7 horas a partir de 1 de abril até 30 de setembro, e das 9 horas até as 6 pm restante do ano. A duração média da visita é de aproximadamente quatro horas.

O parque está totalmente acessível aos deficientes, com estacionamento gratuito, e locais para relaxar e comer dentro do parque.

Atrações[editar | editar código-fonte]

Leão-marinho.

Além da apresentação de muitos animais em um ambiente mais próximo possível ao seu habitat natural, o zoológico oferece a partir de abril até o fim de outubro mostra de leões marinhos da Califórnia, bem como mostra de papagaios e cacatuas.

A equipe do zoológico[editar | editar código-fonte]

  • Presidente e diretor: Patrick Caillé
  • Veterinario: Thierry Petit
  • Decorador: Nadu Marsaudon
  • Arquiteto: Jean Michel Paulet

Galeria[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Zoológico de La Palmyre

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]