Zumbi do Mato

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Zumbi do Mato
Informação geral
Nome completo Zumbi do Mato
Origem Rio de Janeiro, RJ
País  Brasil
Gênero(s) Rock
Nonsense rock
Rock experimental
Rock psicodélico
Período em atividade 19892013
Página oficial www.zumbidomato.com

Zumbi do Mato era um grupo de rock experimental formado no Rio de Janeiro em 1989. Sua formação original (Fundadora da Banda): Alessandro Camacho (Fumê)- (vocal), Luciano Callado (teclado), Zé Felipe (baixo) e Erico Garcia (bateria). Sua última formação consiste de Lois Lancaster, Gustavo Jobim (teclado) e Sandro Rodrigues (bateria). Lançaram três álbuns de estúdio e um ao vivo. A banda, apesar de ter passado por diferentes formações, manteve um estilo incomum. Isto colaborou para que o Zumbi do Mato mantivesse um grupo fiel de fãs e se estabelecesse como uma das mais importantes bandas do cenário alternativo carioca.

Zumbi do Mato é conhecido por suas letras, caracterizadas por uma insólita e bem-humorada fusão de erudição filosófico-literária e banalidade (gírias, palavrões, kitsch em geral). Algumas de suas músicas mais conhecidas são O Alien Que Veio Pro Espaço, Potinho De Anhanha, Tiroteio Do Esqueleto Sem Cabeça, Buraco Do Jabor, O Espírito Do Rato e Primo Pobre Do Kassin.

A sonoridade da banda é peculiar graças à combinação dos mais diversos gêneros musicais (Punk, Jazz, Reggae, MPB, música erudita) e sobretudo graças à não utilização da guitarra, que normalmente é o instrumento principal numa banda de rock. Os instrumentos são bateria, baixo, teclado e voz, além de um trombone em algumas músicas. Embora a maioria das canções tenham duração média de apenas 2 minutos, costumam ser expandidas nas apresentações ao vivo, através de novos arranjos e improvisações.

História[editar | editar código-fonte]

Anos 1990[editar | editar código-fonte]

A banda ganhou notoriedade no início dos anos 1990 quando seus primeiros lançamentos, as fitas cassete intituladas Zumbi do Mato e Macacomóvel, ganharam o país através de cópias piratas. O grupo fez shows em cidades como Campinas, São Paulo, Salvador, Ubá e Curitiba. O fenômeno chamou a atenção de BNegão (Planet Hemp), que convidou o grupo para participar de sua gravadora, Qualé Maluco Records.

Desta parceria surgiu o primeiro álbum, Menorme, lançado em CD em 1998, no qual encontram-se fundidas influências artísticas as mais diversas: das estéticas Beat e Trash (William Burroughs, Ed Wood e o ruidismo etílico de Tom Waits) via Zé Felipe (baixista), até o rock progressivo (Frank Zappa, King Crimson + Arrigo Barnabé) via Lois Lancaster (vocalista); do Freejazz e da música erudita contemporânea (Ornette Coleman, Iannis Xenakis, John Cage, Philip Glass) via Marlos Salustiano (tecladista), até a MPB, o Afro-beat e a Motown (Jards Macalé, Fela Kuti, Stevie Wonder) via Bernardo Carvalho (baterista).

O disco apresentou uma mistura de canções curtas e vinhetas sonoras cômicas, com alta variedade melódica e temática; contrastando com essa estrutura fragmentária, a última faixa, As Primeiras Células da Vida, tem 20 minutos de duração. Este padrão foi seguido por todos os álbuns de estúdio seguintes. Menorme reúne muitas das músicas mais conhecidas do grupo, como O Alien Que Veio Pro Espaço, Potinho de Anhanha, Amado Sanduíche, Zumbi do Mato, Mongo, Travestibular e Pagando Mico.

Vale lembrar que em 1995, o Zumbi participou do programa LADO B NO VERÂO, da MTV (então ancorado pelo VJ Fábio Massari), no qual além de uma entrevista, teve a oportunidade de tocar 2 canções de seu repertório e, ao final, fazer uma jam com as bandas Dash e Planet Hemp.

Menorme rendeu reações positivas como: "[Zumbi do Mato é] a banda mais importante da música popular brasileira" (Rogério Skylab) e "[Menorme] é o ponto de convergência de diversos aspectos do pop carioca, uma das 25 pedras fundamentais do indie brasileiro" (Alexandre Matias). Ainda no mesmo ano, o grupo participou da 4ª edição do conceituado festival Goiânia Noise.

Anos 2000[editar | editar código-fonte]

Em 2000 surgiu o segundo CD, Pesadelo na Discoteca (Tamborete Records), que contou com várias participações especiais, como Bruno Gouveia (Biquíni Cavadão), Cecília Gianetti (Casino), Junior Tostoi (Vulgue Tostoi) e Rogério Skylab. O novo baterista Henrique Ludgero, de formação clássica, com sua perícia e precisão técnica ajudou a incrementar ainda mais os complexos elementos rítmicos típicos do som do Zumbi do Mato. A mistura rendeu canções únicas como o hit Peidão, onde polirritmos percussivos, linhas de baixo sinuosas e melódicas e um approach pianístico fortemente influenciado pelo Freejazz nos teclados se misturam a uma letra debochada, tudo numa canção de menos de dois minutos. O álbum foi marcado também pela inclusão de faixas com maior experimentação sonora (numa clara radicalização voltada para a fusão entre Freejazz e Techno) com batidas eletrônicas e manipulações de estúdio, como Bufufú, Garão Tesé e A Única Música Ruim Que A Gente Fez.

Na mesma época, a banda participou de programas de rádio, como Ronca Ronca (Maurício Valladares) e EP Vanguarda, e de TV, como Programa Lado B (João Gordo, MTV), Caderno Teen e Atitude.com (TVE). Em 2001 os shows do Zumbi do Mato com as bandas Brasov e Skylab foram eleitos pelo Jornal do Brasil os melhores de 2001, ao lado de Caetano Veloso.

Ainda em 2001 Marlos Salustiano, tecladista da formação original, deixa a banda para seguir carreira solo.

O grupo participou dos dois primeiros álbuns do projeto Tributo ao Inédito, que reuniu grupos alternativos cariocas. Estes dois álbuns foram eleitos pelo jornal O Globo os melhores de 2003.

Em 2005 o grupo lançou o CD Adorei a Mesinha e uma reedição de Menorme, com o clipe de O Alien Que Veio Pro Espaço, dirigido por Christian Caselli, como bônus. Em Adorei a Mesinha, o novo tecladista Ricardo Dias colaborou para trazer uma sonoridade mais homogênea; outra novidade foi a inclusão do trombone, amadorescamente improvisado por Lois Lancaster (voz) em músicas como Meu Filho Diferente e Finja Que Não Está Ouvindo Isso. No mesmo ano, o grupo retornou ao Goiânia Noise, com um show que, além de ter sido considerado um dos melhores do festival, encerrou com chave de ouro a participação do baterista Henrique Ludgero, após 7 anos de colaboração.

2008-2013[editar | editar código-fonte]

Toma, Figurão (2008), primeiro álbum ao vivo, trouxe novas mudanças na formação, com a chegada de Renzo Braz (bateria), com passagens por diversas bandas de rock, e Gustavo Jobim (teclado), de influências minimalistas. Aproveitando estas mudanças, o álbum trouxe novos arranjos para alguns clássicos do grupo e oito músicas inéditas, com um som mais simplificado, como em Mestre do Gandalf e Pensou Que Foi Comigo. Seguindo as novas tendências do mercado, o disco foi disponibilizado gratuitamente no formato mp3, no site da banda.

O baixista da formação original, Zé Felipe, deixa o grupo em 2009, dando lugar a André Mansur (Laura Palmer).

Em comunicado, a banda encerrou suas atividades em janeiro de 2013.


"Rio de Janeiro, 13/01/2013

Hoje foi o último show do Zumbi do Mato. Pelo menos, o último show dessa formação e o último show comigo. E foi muito legal.

Parece verdadeiramente que o Garage Art Cult se materializou no Odisséia. Já tinha percebido isso da plateia, mas ver do palco é outra coisa.

A gente guardou a surpresa pro final, pra dar aquele efeito de Sexto Sentido (o filme) em que uma última informação ressignifica tudo que já estava guardado na memória de um jeito.

E também pra ser o contrário de uma autopromoção usando o término como mote.

A plateia foi incrível. Quero agradecer a todos que foram, às outras bandas, e principalmente ao Fabio Costa, cuja memória permitiu essa reunião emocionante.

Agora, seguimos nossos caminhos. Gustavo Jobim e eu temos nossos trabalhos solo, Sandro Rodrigues e eu temos o Digital Ameríndio, e tem ainda o Padaria Sinistra, com muita fornada boa por aí :)

LÖIS LANCASTER"

Formações[editar | editar código-fonte]

O grupo passou por diversas formações, valendo destacar que:

1 - Zé Felipe foi o baixista que participou da fundação da banda, dos primeiros shows (anteriores à primeira fita demo, "Zumbi do Mato") até "Toma, Figurão";
2 - Marlos Salustiano foi o tecladista que participou da primeira fita demo, "Zumbi do Mato", até a coletânea "Apocalipse 2000";
3 - Lois Lancaster foi o vocalista que participou a partir da segunda fita demo, "Macacomóvel", até "Toma, Figurão";
4 - Bernardo Carvalho foi o baterista que participou a partir da segunda fita demo, "Macacomóvel", até "Menorme";
5 - Henrique Ludgero entrou na banda em outubro de 1998, em plena divulgação do primeiro CD, "Menorme". Gravou os álbuns "Pesadelo na Discoteca" (2000), "Adorei a Mesinha" (2005), e as as faixas para a coletânea Tributo Ao Inédito I e II. Acompanhou o grupo em diversos shows pelo Brasil. Deixou o grupo em 2005 tendo contribuído para o período de maior amadurecimento musical da banda.

Estes 5 integrantes (Zé, Marlos, Lois, Bernardo e Henrique) constituíram o núcleo que contrinuiu para a construção da identidade musical, visual e poética da banda e sobretudo para a sua consolidação dentro do cenário musical alternativo em âmbito nacional.

De curta, mas valiosíssima passagem pela banda, estiveram os músicos:

1 - Vocalistas: Tadeu Aor (somente nos primeiros shows da banda, em 1989) e Alessandro Fumê (na primeira fita demo, "Zumbi do Mato" e nos shows para divulgá-la);
2 - Tecladistas: Luciano Callado (também nos primeiras apresentações da banda, em 1989) e Ricardo Dias Gomes (no álbum "Adorei a mesinha");
3 - Bateristas: Érico Garcia (de 1989 até a primeira fita demo, "Zumbi do Mato").

Discografia[editar | editar código-fonte]

Fitas demo
  • 1992 - Zumbi do Mato
  • 1995 - Macacomóvel
EP
  • 1999 - Toltechno
  • 2004 - "Sick But Alive"
  • 2008 - "Saidera Do Zé"
Álbuns
  • 1998 - Menorme (CD, Qualé Maluco Records)
  • 2000 - Pesadelo na Discoteca (CD, Tamborete)
  • 2005 - Adorei a Mesinha (CD, Tamborete/Ant Discos)
  • 2008 - Toma, Figurão (MP3, ao vivo, independente)
Coletâneas

Videografia[editar | editar código-fonte]

  • Zumbi do Mato (Christian Caselli)
  • Potinho de Anhanha (Christian Caselli)
  • Data (Rodrigo Sampaio / Lobo)
  • O Alien Que Veio Pro Espaço (Christian Caselli / Pepa)
  • Calendário 1999 (Christian Caselli)
  • Punk Pra C*r*lho (Christian Caselli)
  • Campanha pela Moralização das Faculdades de Direito (Zé Felipe)
  • Calendário 1999 versão 2007 (Zé Felipe)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]