Diferenças entre edições de "Doença pulmonar obstrutiva crónica"

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<!--Definição e sintomas -->
A {{PBPE|doença pulmonar obstrutiva crônica|crónica}} (abreviada por '''DPOC''') é uma [[doença crônica|doença crónica]], progressiva e parcialmente reversível que acomete os [[pulmão humano|pulmões]] e tem como principais características a destruição de seus [[alvéolo pulmonar|alvéolos]] e o comprometimento dos restantes. Ocorre com mais frequência em homens mais velhos e fumantes. Pessoas que tiveram [[tuberculose]] também podem desenvolver a doença<ref>{{Citar periódico|titulo = Tuberculosis associates with both airflow obstruction and low lung function: BOLD results|url = http://erj.ersjournals.com/content/early/2015/06/24/13993003.02325-2014|jornal = European Respiratory Journal|data = 2015-06-25|issn = 0903-1936|pmid = 26113680|paginas = |doi = 10.1183/13993003.02325-2014|idioma = en|primeiro = AFS|ultimo = Amaral|coautores = Coton S, Kato B, Tan WC, Studnicka M, Janson C, Gislason T, Mannino D, Bateman ED, Buist S, Burney PGJ, and the BOLD Collaborative Research Group}}</ref>.
A {{PEPB|doença pulmonar obstrutiva crónica|doença pulmonar obstrutiva crônica}} ('''DPOC''') é um tipo de [[doença pulmonar obstrutiva]] caracterizada por diminuição prolongada do calibre das vias aéreas respiratórias e destruição do tecido pulmonar. Entre os principais sintomas estão a [[Dispneia|falta de ar]] e [[tosse]] com produção de [[Sputa|expectoração]]. A DPOC é uma doença progressiva, o que significa que geralmente se agrava com o decorrer do tempo.<ref name=GOLD2013Chp1>{{citar livro | último=Vestbo | primeiro=Jørgen | título=Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease | ano=2013 | editora=Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease | páginas=1–7 | capítulo=Definition and Overview | url=http://www.atsjournals.org/doi/full/10.1164/rccm.201204-0596PP#.V5Fh3_mANBc}}</ref> Em determinado momento começam-se a verificar dificuldades em atividades do dia-a-dia, como subir escadas.<ref name=WHO2015/> '''Bronquite crónica''' e '''enfisema''' são termos antigos usados para denominar diferentes tipos de DPOC.<ref name=WHO2015/><ref>{{cite book|last1=Craig|first1=John A.|title=Ferri's netter patient advisor|date=2012|publisher=Saunders|isbn=9781455728268|page=913|edition=2nd |url=https://books.google.no/books?id=li1VCwAAQBAJ&pg=PA913}}</ref> O termo "bronquite crónica" é ainda hoje usado para definir uma tosse produtiva que se manifeste durante pelo menos três meses por ano e ao longo de dois anos.<ref>{{cite book|title=Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of COPD|date=2016|publisher=Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease|page=2}}</ref>


<!--Causa e diagnóstico -->
Os principais sintomas dos pacientes são a limitação do fluxo aéreo (entrada e saída do ar), principalmente na fase expiratória, a [[dispneia]] (falta de ar), a [[hiperinsulflação dinâmica]] que leva ao encurtamento das fibras musculares do diafragma, fadiga muscular, insuficiência respiratória entre outros.
A [[Tabagismo|inalação de fumo de tabaco]] é a causa mais comum de DPOC. Outros fatores de risco, como a [[poluição do ar]] e a [[genética]], são menos significativos.<ref name=Lancet2012>{{cite journal |vauthors=Decramer M, Janssens W, Miravitlles M |title=Chronic obstructive pulmonary disease |journal=Lancet |volume=379 |issue=9823 |pages=1341–51 |date=Abril de 2012 |pmid=22314182 |doi=10.1016/S0140-6736(11)60968-9}}</ref> Em [[países desenvolvidos]], uma das fontes mais comuns de poluição do ar é a má ventilação de fontes de aquecimento e de queima de combustíveis.<ref name=WHO2015/> A exposição prolongada a estes irritantes causa uma [[Inflamação|resposta inflamatória]] nos pulmões, o que provoca um estreitamento das vias aéreas e a destruição do tecido pulmonar.<ref name=GOLD2007>{{cite journal |vauthors=Rabe KF, Hurd S, Anzueto A, Barnes PJ, Buist SA, Calverley P, Fukuchi Y, Jenkins C, Rodriguez-Roisin R, van Weel C, Zielinski J | title = Global strategy for the diagnosis, management, and prevention of chronic obstructive pulmonary disease: GOLD executive summary | journal = Am. J. Respir. Crit. Care Med. | volume = 176 | issue = 6 | pages = 532–55 | date=Setembro de 2007 | pmid = 17507545 | doi = 10.1164/rccm.200703-456SO | url = http://ajrccm.atsjournals.org/content/176/6/532.long }}</ref> O diagnóstico tem por base a medição do fluxo respiratório através de [[Avaliação da função respiratória|testes que avaliam a função respiratória]].<ref name=Nathell>{{cite journal |vauthors=Nathell L, Nathell M, Malmberg P, Larsson K | title = COPD diagnosis related to different guidelines and spirometry techniques | journal = Respir. Res. | volume = 8 | issue = 1| page = 89 | year = 2007 | pmid = 18053200 | pmc = 2217523 | doi = 10.1186/1465-9921-8-89 }}</ref> Ao contrário da [[asma]], o estreitamento das vias aéreas na DPOC não melhora significativamente após a administração de um [[broncodilatador]].<ref name=WHO2015/>
<!--Prevenção e tratamento -->
A maior parte dos casos de DPOC pode ser evitada diminuindo a exposição aos fatores de risco.<ref name=Piro2012>{{cite journal |vauthors=Pirozzi C, Scholand MB | title = Smoking cessation and environmental hygiene | journal = Med. Clin. North Am. | volume = 96 | issue = 4 | pages = 849–67 |date=Julho de 2012 | pmid = 22793948 | doi = 10.1016/j.mcna.2012.04.014 }}</ref> Entre as principais medidas estão a diminuição da exposição ao fumo do tabaco e a melhoria da qualidade do ar. Embora o tratamento possa atrasar o agravamento, a doença não tem cura.<ref name=WHO2015/> O tratamento inclui a cessação tabágica, a [[vacina]]ção, a reabilitação respiratória e, em muitos casos, inalação de [[broncodilatador]]es e [[corticosteroide]]s.<ref name=Lancet2012/> Em algumas pessoas pode ser benéfica a [[oxigenoterapia]] de longo prazo ou um [[transplante de pulmão]].<ref name=GOLD2007/> Em pessoas que manifestam períodos de agravamento agudo, pode ser necessária hospitalização e o uma maior quantidade de medicamentos.<ref name=Lancet2012/>


<!--Epidemiologia e sociedade -->
Os principais fatores desencadeadores da DPOC ([[enfisema]], [[bronquite crônica|bronquite crônica e asma]]) estão relacionados principalmente ao [[tabagismo]], seguido de exposição passiva ao fumo (pessoa que vive junto com o fumante), exposição à poeira por vários anos, poluição ambiental, e até fatores genéticos nos casos que se comprova a deficiência de [[enzimas]] relacionadas à destruição do parênquima pulmonar (estruturas dos pulmões) .
Em 2013 a DPOC afetava cerca de 329 milhões de pessoas, o que corresponde a cerca de 5% da população mundial.<ref>{{cite journal|last1=Global Burden of Disease Study 2013|first1=Collaborators|title=Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 301 acute and chronic diseases and injuries in 188 countries, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013.|journal=Lancet |date=22 de agosto de 2015|volume=386|issue=9995|pages=743–800|pmid=26063472|doi=10.1016/S0140-6736(15)60692-4|pmc=4561509}}</ref><ref name=YLD2012>{{cite journal |vauthors=Vos T, Flaxman AD, Naghavi M, Lozano R, Michaud C, Ezzati M, Shibuya K, Salomon JA, Abdalla S, Aboyans V | title=Years lived with disability (YLDs) for 1160 sequelae of 289 diseases and injuries 1990–2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010 | journal=Lancet | volume=380 | issue=9859 | pages=2163–96 | date=December 2012 | pmid=23245607 | doi=10.1016/S0140-6736(12)61729-2 | display-authors=etal}}</ref> Geralmente ocorre em pessoas com mais de 40 anos de idade e afeta de igual forma homens e mulheres.<ref name=WHO2015/> Em 2013, a doença foi responsável pela morte de 2,9 milhões de pessoas, um aumento em relação às 2,4 milhões em 1990.<ref name=GDB2013>{{cite journal | last1=GBD 2013 Mortality and Causes of Death | first1=Collaborators |title=Global, regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990–2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. | journal=Lancet | date=17 de dezembro de 2014 | pmid=25530442|doi=10.1016/S0140-6736(14)61682-2 |volume=385 |pages=117–171 | pmc=4340604}}</ref> Mais de 90% destas mortes ocorrem em países em vias de desenvolvimento.<ref name=WHO2015>{{cite web|title=Chronic obstructive pulmonary disease (COPD) Fact sheet N°315|url=http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs315/en/|website=WHO|accessdate=4 de março de 2016|date=Janeiro de 2015}}</ref> Estima-se que o número de mortes aumente devido ao aumento de número de fumadores nos países em desenvolvimento e ao aumento da população idosa em muitos países.<ref>{{cite journal |vauthors=Mathers CD, Loncar D | title=Projections of Global Mortality and Burden of Disease from 2002 to 2030 | journal=PLoS Med. | volume=3 | issue=11 | pages=e442 | date=Novembro de 2006 | pmid=17132052 | pmc=1664601 | doi=10.1371/journal.pmed.0030442 | url=http://dx.plos.org/10.1371/journal.pmed.0030442}}</ref> Em 2010, a doença implicou um custo económico estimado de 2,1 biliões de [[Dólar dos Estados Unidos|dólares]].<ref name=Cost2013>{{cite book | last=Lomborg | first=Bjørn | title=Global problems, local solutions : costs and benefits | year=2013 | publisher=Cambridge University Press | isbn=978-1-107-03959-9 | page=143 | url=https://books.google.com/books?id=cRZaAQAAQBAJ&pg=PA143}}</ref>


==Sinais e sintomas==
==Epidemiologia==
{{Escute
De acordo com a [[Organização Mundial de Saúde]], 210 milhões de pessoas no mundo tem DPOC<ref>World Health Organization. Factsheet No 315 Chronic obstructive pulmonary disease (COPD). http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs315/en/index.html (accessed 13 November 2008)</ref> e a estimativa é que a doença se torne a terceira principal causa de morte por volta de 2020<ref>Mathers C, Loncar D. Projections of global mortality and burden of disease from 2002 to 2030. PLoS Medicine 2006, e442</ref>. No Brasil, a DPOC atinge cerca de 6 milhões de pessoas. Somente 12% dos pacientes são diagnosticados e desses apenas 18% recebem tratamento.
|arquivo = Wheeze2O.ogg
|título = Pieira
|descrição = <small>O som da pieira escutado através de um estetoscópio.</small>
|posição = direita
}}
Os sintomas mais comuns da doença pulmonar obstrutiva crónica são a produção de [[expectoração]], [[Dispneia|falta de ar]] e tosse produtiva.<ref name=GOLD2013Chp2>{{cite book | last=Vestbo | first=Jørgen | title=Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease | year=2013 | publisher=Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease | pages=9–17 | chapter=Diagnosis and Assessment }}</ref> Estes sintomas manifestam-se durante um longo período de tempo<ref name=Harr2012>{{cite book | first1=John J. | last1=Reilly | first2=Edwin K. | last2=Silverman | first3=Steven D. | last3=Shapiro | chapter=Chronic Obstructive Pulmonary Disease | pages=2151–9 | editor1-first=Dan | editor1-last=Longo | editor2-first=Anthony | editor2-last=Fauci | editor3-first=Dennis | editor3-last=Kasper | editor4-first=Stephen | editor4-last=Hauser | editor5-first=J. | editor5-last=Jameson | editor6-first=Joseph | editor6-last=Loscalzo | year=2011 | title=Harrison's Principles of Internal Medicine | edition=18 | publisher=McGraw Hill | isbn=978-0-07-174889-6}}</ref> e geralmente vão-se agravando ao longo do tempo.<ref name=GOLD2007/> Não é claro se existem ou não diferentes tipos de DPOC.<ref name=Lancet2012/> Embora antigamente a doença se dividisse em enfisema e bronquite crónica, hoje considera-se que enfisema é apenas uma descrição das alterações no pulmão, e não uma doença em si, e que a bronquite crónica descreve apenas os sintomas que podem ou não ocorrer no contexto de DPOC.<ref name=GOLD2013Chp1/>

===Tosse===
Em muitos casos, o primeiro sintoma a manifestar-se é a tosse crónica. Por definição, está-se perante bronquite crónica quando essa tosse persiste por mais de três meses por ano e durante pelo menos dois anos, quando é acompanhada pela produção de expectoração e quando não é possível determinar outra explicação. Esta condição pode anteceder o desenvolvimento completo de DPOC. A quantidade de expectoração produzida pode variar no prazo de horas ou dias. No entanto, em alguns casos da doença é possível que não se verifique tosse ou que se verifique apenas tosse ocasional e sem ser produtiva. Algumas pessoas com DPOC atribuem os sintomas ao "catarro do fumador". Dependendo do contexto social e cultural, a expectoração pode ser engolida ou cuspida. A tosse forte pode causar fracturas nas costelas e [[Síncope (medicina)|perda de consciência]]. As pessoas com DPOC muitas vezes apresentam um historial de "[[constipação|constipações]]" de duração prolongada.<ref name=GOLD2013Chp2/>

===Falta de ar===
A [[Dispneia|falta de ar]] é geralmente o sintoma que mais incomoda as pessoas com DPOC.<ref name=NICE2010P60>{{Citar web |url=https://www.nice.org.uk/guidance/CG101 |título=Chronic obstructive pulmonary disease in over 16s: diagnosis and management |publicado=National Institute for Health and Care Excellence |data=Junho de 2010 |acessodata=19 de março de 2017}}</ref> O sintoma é geralmente descrito em termos leigos como "custar a respirar", "sentir-se sem fôlego" ou "não conseguir inspirar ar suficiente".<ref name=Mahler2006>{{cite journal |author=Mahler DA|title=Mechanisms and measurement of dyspnea in chronic obstructive pulmonary disease |journal=Proceedings of the American Thoracic Society|volume=3 |issue=3 |pages=234–8 |year=2006 |pmid=16636091 |doi=10.1513/pats.200509-103SF}}</ref> Dependendo do contexto cultural, podem ser usados diversos termos.<ref name=GOLD2013Chp2/> Geralmente a falta de ar é mais intensa ao realizar esforços de longa duração e vai-se agravando ao longo do tempo.<ref name=GOLD2013Chp2/> Em estádios avançados da doença, a falta de ar manifesta-se até mesmo em repouso e pode-se manifestar continuamente.<ref>{{cite web | title=What Are the Signs and Symptoms of COPD? | date=31 de julho de 2013 | publisher=National Heart, Lung, and Blood Institute | url=http://www.nhlbi.nih.gov/health/health-topics/topics/copd/signs.html | accessdate=29 de novembro de 2013}}</ref><ref name=MedlinePlus>{{Citar web |url=https://medlineplus.gov/ency/article/000091.htm |título=Chronic obstructive pulmonary disease |publicado=MedLine Plus |data=22 de junho de 2015 |acessodata=19 de março de 2017}}</ref> Em pessoas com a doença, a falta de ar é uma fonte de ansiedade e da diminuição da qualidade de vida.<ref name=GOLD2013Chp2/> Muitas pessoas com DPOC avançada [[Respiração freno-labial|respiram com os lábios franzidos]], o que pode aliviar a falta de ar.<ref name="Morrison 2013 124">{{cite book|last=Morrison|first=[edited by] Nathan E. Goldstein, R. Sean|title=Evidence-based practice of palliative medicine|publisher=Elsevier/Saunders|isbn=978-1-4377-3796-7|page=124|url=https://books.google.com/books?id=j0rCsKtCnq8C&pg=PA124|year=2013}}</ref><ref name=Holland2012>{{cite journal | author = Holland AE, Hill CJ, Jones AY, McDonald CF | title = Breathing exercises for chronic obstructive pulmonary disease | journal = Cochrane Database Syst Rev | volume = 10 | pages = CD008250 | year = 2012 | pmid = 23076942 | doi=10.1002/14651858.CD008250.pub2 | editor1-last = Holland | editor1-first = Anne E }}</ref>

===Outros sintomas===

Na DPOC a expiração pode ser mais demorada do que a inspiração.<ref name=EB2008/> Pode ocorrer sensação de aperto no peito,<ref name=GOLD2013Chp2/> embora não seja comum e possa ser causada por outro problema.<ref name=NICE2010P60/> Em pessoas com vias aéreas obstruídas é possível ouvir um sibilo durante a auscultação com um [[estetoscópio]].<ref name=EB2008/> O [[tórax em tonel]] é um sinal característico de DPOC, embora seja relativamente pouco comum.<ref name=EB2008/> À medida que a doença avança, o corpo pode ir adquirindo uma postura com tendência para a [[posição de tripé]].<ref name=Harr2012/>

Os estádios avançados de DPOC podem causar [[Hipertensão pulmonar|pressão elevada nas artérias do pulmão]], o que comprime o [[ventrículo]] direito do [[coração]].<ref name=GOLD2007/><ref name=Weit2009>{{cite journal |vauthors=Weitzenblum E, Chaouat A | title = Cor pulmonale | journal = Chron Respir Dis | volume = 6 | issue = 3 | pages = 177–85 | year = 2009 | pmid = 19643833 | doi = 10.1177/1479972309104664 }}</ref><ref>{{cite book |title=Professional guide to diseases |year=2009 |publisher=Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins |isbn=978-0-7817-7899-2 |pages=120–2 |chapter=Cor pulmonale |chapterurl=https://books.google.com/books?id=1h6vu60L6FcC&pg=PA120 |edition=9}}</ref> Esta situação é denominada ''[[cor pulmonale]]'' e manifesta-se através de sintomas como [[edema periférico|pernas inchadas]]<ref name=GOLD2013Chp2/> e [[pressão venosa jugular]].<ref name=GOLD2007/> A DPOC é a causa pulmonar mais comum de ''cor pulmonare'',<ref name=Weit2009/> embora a sua prevalência tenha diminuído desde que foi introduzida a exigenoerapia.<ref name=Harr2012/>

A DPOC ocorre muitas vezes em simultâneo com uma série de outras condições, devido em parte aos fatores de risco que partilha com essas doenças.<ref name=Lancet2012/> Entre estas condições estão a [[Doença arterial coronária|cardiopatia isquémica]], [[hipertensão arterial]], [[diabetes]], [[osteoporose]], [[cancro do pulmão]], [[Transtorno de ansiedade|perturbações de ansiedade]] [[Disfunção sexual|disfunções sexuais]] e [[Transtorno depressivo maior|depressão]].<ref name=Lancet2012/><ref name="LevackPoot2015">{{cite journal|last1=Levack|first1=William MM|last2=Poot|first2=Betty|last3=Weatherall|first3=Mark|last4=Travers|first4=Justin|last5=Levack|first5=William MM|title=Interventions for sexual dysfunction in people with chronic obstructive pulmonary disease (COPD)|year=2015|doi=10.1002/14651858.CD011442.pub2|journal=Reviews}}</ref> Em pessoas com doença grave, é comum a sensação de [[fadiga]].<ref name=GOLD2013Chp2/> O [[hipocratismo digital]] não é específico da DPOC e pode indicar a possibilidade de origem num cancro do pulmão.<ref>{{cite book|last=Mandell|first=editors, James K. Stoller, Franklin A. Michota, Jr., Brian F.|title=The Cleveland Clinic Foundation intensive review of internal medicine|year=2009|publisher=Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins|isbn=978-0-7817-9079-6|page=419|url=https://books.google.com/books?id=O9F7wtiPWxgC&pg=PA419|edition=5th}}</ref>

===Exacerbações===

Em pessoas com a doença, uma exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crónica define-se pelo aumento da falta de ar, aumento da produção de expectoração, alteração na cor da expectoração de translúcido para verde ou amarelo, ou aumento da intensidade da tosse.<ref name=EB2008/> A exacerbação pode-se apresentar com [[Sinal (saúde)|sinais]] de aumento de esforço respiratório como [[Taquipneia|respiração acelerada]], [[Taquicardia|aumento da frequência cardíaca]], [[Suor|sudação]], utilização ativa dos [[Músculos da respiração|músculos do pescoço]], [[Cianose|pele azulada]] e [[confusão]] mental ou comportamento agitado nas exacerbações mais graves.<ref name=EB2008>{{cite journal|last=Gruber|first=Phillip|title=The Acute Presentation of Chronic Obstructive Pulmonary Disease In the Emergency Department: A Challenging Oxymoron|journal=Emergency Medicine Practice|date=Novembro de 2008|volume=10|issue=11|url=http://www.ebmedicine.net/topics.php?paction=showTopic&topic_id=63}}</ref><ref name=Burl2012>{{cite journal |vauthors=Brulotte CA, Lang ES | title = Acute exacerbations of chronic obstructive pulmonary disease in the emergency department | journal = Emerg. Med. Clin. North Am. | volume = 30 | issue = 2 | pages = 223–47, vii |date=Maio de 2012 | pmid = 22487106 | doi = 10.1016/j.emc.2011.10.005 }}</ref> Durante um exame com um estetoscópio também é possível escutar [[Crepitação|crepitações pulmonares]].<ref>{{cite book|last=Spiro|first=Stephen|title=Clinical respiratory medicine expert consult|publisher=Saunders|isbn=978-1-4557-2329-4<!--|loc=Chapter 43-->|url=https://books.google.com/books?id=2sOJk-yKPpUC&pg=PT2420|edition=4 |year=2012}}</ref>


==Causas==
==Causas==
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* A hiperinsuflação pulmonar pode ocorrer decorrente da limitação ao fluxo aéreo e levar ao aumento do trabalho inspiratório.
* A hiperinsuflação pulmonar pode ocorrer decorrente da limitação ao fluxo aéreo e levar ao aumento do trabalho inspiratório.
* Alterações da relação V/Q são responsáveis por hipoxemia e hipercapnia.
* Alterações da relação V/Q são responsáveis por hipoxemia e hipercapnia.

==Sintomas==
Os principais sintomas incluem [[dispneia]] aos esforços que pode progredir para dispneia de decúbito ([[ortopneia]]) e [[dispneia paroxística noturna]], [[tosse]] produtiva matinal (pois há um acumulo das secreções/muco produzidos durante a noite na árvore traqueobrônquica), [[hemoptise]], expectoração.

Ao exame físico pode-se encontrar sinais característicos de dois estereótipos clássicos: os "sopradores róseos" e os "inchados azuis". Nos "sopradores róseos" há pletora e [[tórax]] em tonel, [[dispneia]] do tipo expiratória, sem cor pulmonal e sem hipoxemia; na ausculta pulmonar há diminuição dos murmúrios vesiculares e ausência de ruídos adventícios. Já nos inchados azuis há cianose, sinais de cor pulmonal (turgência jugular patológica, [[ascite]], edema de membros inferiores); na ausculta, os murmúrios vesiculares também estão diminuídos, mas há presença de ruídos adventícios (roncos, sibilos e estertores - devido a presença de quantidades maiores de muco). Os portadores de DPOC podem apresentar quadro crônico de hipoxemia e hipercapnia, evidenciados nos exames gasométricos.


==Diagnóstico==
==Diagnóstico==
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O Ecocardiograma é útil para detecção de sinais indicativos de sobrecarga ventricular direita (cor pulmonale) e de taquiarritmias associadas (como flutter atrial e fibrilação atrial).
O Ecocardiograma é útil para detecção de sinais indicativos de sobrecarga ventricular direita (cor pulmonale) e de taquiarritmias associadas (como flutter atrial e fibrilação atrial).


A severidade da DPOC pode ser classificada ao se usar a [[espirometria]], na qual é conferida a capacidade pulmonar do paciente:
A gravidade da DPOC pode ser classificada ao se usar a [[espirometria]], na qual é conferida a capacidade pulmonar do paciente:
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==Tratamento==
== Tratamento ==
Embora não exista cura para a DPOC, os sintomas são tratáveis e a sua progressão pode ser atrasada.<ref name=GOLD2013ChpX/> Os principais objetivos do tratamento são diminuir os fatores de risco, gerir a DPOC estável, prevenir e tratar as exacerbações agudas e tratar as doenças associadas.<ref name=GOLD2007/> As únicas medidas que comprovadamente diminuem a mortalidade são a cessação tabágica e a suplementação de oxigénio.<ref name=Drummond08>{{cite journal |vauthors=Drummond MB, Dasenbrook EC, Pitz MW, Murphy DJ, Fan E |title=Inhaled corticosteroids in patients with stable chronic obstructive pulmonary disease: a systematic review and meta-analysis |journal=JAMA |volume=300 |issue=20 |pages=2407–16 |date=Novembro de 2008 |pmid=19033591|doi=10.1001/jama.2008.717 }}</ref> Parar de fumar diminui o risco de morte em 18%.<ref name=Lancet2012/> Entre outras recomendações estão a toma anual de [[vacina contra a gripe]], a toma de vacina anti-pneumocócica a cada cinco anos e a diminuição da exposição à poluição do ar ambiental.<ref name=Lancet2012/> Em pessoas com doença avançada, os [[cuidados paliativos]] podem diminuir os sintomas e a [[morfina]] ajuda a diminuir a sensação de falta de ar.<ref name=Carl2012>{{cite journal |vauthors=Carlucci A, Guerrieri A, Nava S |title=Palliative care in COPD patients: is it only an end-of-life issue? |journal=Eur Respir Rev |volume=21 |issue=126 |pages=347–54 |date=Dezembro de 2012|pmid=23204123|doi=10.1183/09059180.00001512 }}</ref> A [[ventilação mecânica]] pode ajudar a respirar.<ref name=Carl2012/> Oferecer às pessoas um plano de ação personalizado, uma sessão educativa e apoio durante a realização do plano quando ocorre uma exacerbação pode diminuir o número de visitas hospitalares e encoraja o tratamento imediato das exacerbações.<ref>{{Cite journal|last=Howcroft|first=Maxwell|last2=Walters|first2=E. Haydn|last3=Wood-Baker|first3=Richard|last4=Walters|first4=Julia Ae|date=Dezembro de 2016|title=Action plans with brief patient education for exacerbations in chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|volume=12|pages=CD005074|doi=10.1002/14651858.CD005074.pub4|issn=1469-493X|pmid=27990628}}</ref>
{{Aviso médico}}
O início do tratamento do portador de DPOC é a interrupção do tabagismo. Podem ser usados anti-inflamatórios, broncodilatadores e corticoides orais e inalatórios. A reabilitação pulmonar (através de uma equipe multidisciplinar) melhora a ventilação. A [[oxigenoterapia]] pode ser necessária em casos mais avançados.


===Exercício===
Dieta com um aporte maior de gordura com a finalidade de diminuir a produção de CO2 e a [[hipercapnia]].


A reabilitação pulmonar consiste num programa coordenado e individualizado de exercício, gestão da doença e aconselhamento.<ref>{{cite web|url=http://www.nhlbi.nih.gov/health/dci/Diseases/Copd/Copd_Treatments.html |title=COPD — Treatment |publisher=U.S. National Heart Lung and Blood Institute |accessdate=23 de julho de 2013}}</ref> Em pessoas com episódios recentes de exacerbações, a reabilitação pulmonar aparenta melhorar a qualidade de vida e a capacidade para realizar exercício físico.<ref name=Puh2016>{{Cite journal|last=Puhan|first=Milo A.|last2=Gimeno-Santos|first2=Elena|last3=Cates|first3=Christopher J.|last4=Troosters|first4=Thierry|date=8 de dezembro de 2016|title=Pulmonary rehabilitation following exacerbations of chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|volume=12|pages=CD005305|doi=10.1002/14651858.CD005305.pub4|issn=1469-493X|pmid=27930803}}</ref><ref name=Zainuldin>{{Cite journal|last=Zainuldin|first=Rahizan|last2=Mackey|first2=Martin G.|last3=Alison|first3=Jennifer A.|date=9 de novembro de 2011|title=Optimal intensity and type of leg exercise training for people with chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|issue=11|pages=CD008008|doi=10.1002/14651858.CD008008.pub2|issn=1469-493X|pmid=22071841}}</ref> Não é ainda claro se a reabilitação pulmonar melhora a taxa de mortalidade ou de readmissão hospitalar.<ref name=Puh2016/> Tem-se verificado que a reabilitação melhora as emoções e o sentimento de controlo que a pessoa tem sobre a doença.<ref name=Lac2015>{{cite journal|last1=McCarthy|first1=B|last2=Casey|first2=D|last3=Devane|first3=D|last4=Murphy|first4=K|last5=Murphy|first5=E|last6=Lacasse|first6=Y|title=Pulmonary rehabilitation for chronic obstructive pulmonary disease.|journal=Cochrane Database Syst Rev |date=23 de fevereiro de 2015|volume=2|pages=CD003793|pmid=25705944|doi=10.1002/14651858.CD003793.pub3}}</ref>
Pacientes de DPOC com hipercapnia e acidose respiratória podem se beneficiar de suporte ventilatório não-invasivo como CPAP e BiPAP.


No entanto, desconhece-se ainda a rotina e intensidade ideais de exercício físico e a quantidade ideal de ventilação não invasiva para pessoas com DPOC.<ref name="Zainuldin" /><ref>{{Cite journal|last=McNamara|first=Renae J.|last2=McKeough|first2=Zoe J.|last3=McKenzie|first3=David K.|last4=Alison|first4=Jennifer A.|date=2013-12-18|title=Water-based exercise training for chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|issue=12|pages=CD008290|doi=10.1002/14651858.CD008290.pub2|issn=1469-493X|pmid=24353107}}</ref><ref>{{Cite journal|last=Menadue|first=Collette|last2=Piper|first2=Amanda J.|last3=van 't Hul|first3=Alex J.|last4=Wong|first4=Keith K.|date=2014-05-14|title=Non-invasive ventilation during exercise training for people with chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|issue=5|pages=CD007714|doi=10.1002/14651858.CD007714.pub2|issn=1469-493X|pmid=24823712}}</ref> A realização de exercícios de resistência no braço melhora o movimento do membro em pessoas com DPOC e pode causar uma ligeira melhoria nas dificuldades respiratórias.<ref name="McKeough2016" /> Realizar exercícios no braço isoladamente não aparenta melhorar a qualidade de vida.<ref name="McKeough2016">{{Cite journal|last=McKeough|first=Zoe J.|last2=Velloso|first2=Marcelo|last3=Lima|first3=Vanessa P.|last4=Alison|first4=Jennifer A.|date=2016-11-15|title=Upper limb exercise training for COPD|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|volume=11|pages=CD011434|doi=10.1002/14651858.CD011434.pub2|issn=1469-493X|pmid=27846347}}</ref> A realização de exercícios de respiração isoladamente aparenta ter uma função limitada.<ref name="Holland2012" /> Os exercícios de [[respiração freno-labial]] podem ser benéficos.<ref name="Morrison 2013 124" /><ref name="Holland2012" /> A prática de exercícios de [[tai chi]] aparenta ser segura em pessoas com DPOC e pode ser benéfica para a função respiratória e capacidade pulmonar, quando comparada com um programa de exercício normal.<ref name="Ngai2016" /> No entanto, não se verificou que o tai chi seja mais eficaz que outros programas de intervenção com exercício físico.<ref name="Ngai2016">{{Cite journal|last=Ngai|first=Shirley P. C.|last2=Jones|first2=Alice Y. M.|last3=Tam|first3=Wilson Wai San|date=2016-06-07|title=Tai Chi for chronic obstructive pulmonary disease (COPD)|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|issue=6|pages=CD009953|doi=10.1002/14651858.CD009953.pub2|issn=1469-493X|pmid=27272131}}</ref>
Os pacientes com retenção de CO2 ou acidose respiratória devem receber a nebulização em ar comprimido, pelo risco aumentado da retenção. Nesses casos o paciente pode permanecer com cateter de O2 conectado para evitar hipoxemia.


O excesso de peso ou o baixo peso da pessoa podem afetar os sintomas, grau de insuficiência e o prognóstico de DPOC. As pessoas com DPOC e baixo peso podem melhorar a força dos músculos respiratórios aumentando a ingestão de [[caloria]]s.<ref name="GOLD2007" /> Em conjugação com exercício regular ou um programa de reabilitação pulmonar, isto pode levar a melhorias nos sintomas da doença. A suplementação dietética pode ser benéfica em pessoas [[Má-nutrição|subnutridas]].<ref name="Ferr2012">{{cite journal|author=Ferreira IM, Brooks D, White J, Goldstein R |editor1-last=Ferreira|editor1-first=Ivone M |title=Nutritional supplementation for stable chronic obstructive pulmonary disease |journal=Cochrane Database Syst Rev |volume=12 |pages=CD000998 |year=2012 |pmid=23235577 |doi=10.1002/14651858.CD000998.pub3 }}</ref>
Os broncodilatadores são o tratamento central da DPOC. Existem medicamentos modernos capazes de controlar os sintomas da DPOC e reduzir o número de crises, como o brometo de tiotrópio, primeiro broncodilatador anticolinérgico de longa duração (24 horas) desenvolvido especificamente para o tratamento da DPOC e cuja eficácia já foi atestada em diversos estudos clínicos.


===Broncodilatadores===
O tratamento mais moderno disponível é um broncodilatador da classe LABAs (beta2-agonistas de ação prolongada) cujo composto é o indacaterol. Produzido pelo laboratório Novartis e vendido no Brasil com o nome comercial Onbrize. Este tratamento age muito rapidamente (por volta de 5 min.) e seu efeito se sustenta por 24 horas, viabilizando a adesão do paciente ao tratamento e melhora rápida dos sintomas.


Os principais medicamentos usados no tratamento da DPOC são os [[broncodilatador]]es por inalação,<ref name=Lancet2012/> embora os benefícios sejam modestos.<ref name=VanD2013>{{cite journal |vauthors=van Dijk WD, van den Bemt L, van Weel C | title = Megatrials for bronchodilators in chronic obstructive pulmonary disease (COPD) treatment: time to reflect | journal = J Am Board Fam Med | volume = 26 | issue = 2 | pages = 221–4 | year = 2013 | pmid = 23471939 | doi = 10.3122/jabfm.2013.02.110342}}</ref> São geralmente administrados dois tipos de broncodilatadores: os [[Agonista adrenérgico beta-2|agonistas adrenérgicos beta-2]] e os [[anticolinérgico]]s. Ambos estão disponíveis nas formas de curta e longa duração. Estes medicamentos diminuem a falta de ar, a pieira e as limitações para a prática de exercício físico, contribuindo para o aumento da qualidade de vida.<ref name=Lies2002>{{cite journal |vauthors=Liesker JJ, Wijkstra PJ, Ten Hacken NH, Koëter GH, Postma DS, Kerstjens HA |title=A systematic review of the effects of bronchodilators on exercise capacity in patients with COPD |journal=Chest |volume=121 |issue=2 |pages=597–608 |date=February 2002|pmid=11834677 |doi= 10.1378/chest.121.2.597 |url=http://journal.publications.chestnet.org/article.aspx?articleid=1080303}}</ref> Não é ainda claro se alteram a progressão da doença subjacente.<ref name=Lancet2012/>
O medicamento associado à reabilitação pulmonar, contribui para a mudança no curso clínico da doença, e pode ser inalado uma vez ao dia, de forma simples, rápida e diária, sem interferir na rotina do paciente, contribuindo para que este mantenha uma vida “normal”.


Para os casos menos graves da doença, são geralmente recomendados broncodilatadores de curta duração a usar apenas em caso de necessidade.<ref name=Lancet2012/> Para os casos mais graves, são geralmente recomendados agentes de longa duração.<ref name=Lancet2012/> Os agentes de longa duração atuam em parte ao melhorar a hiperinsuflação.<ref name=Coop2006>{{cite journal|last1=Cooper|first1=CB|title=The connection between chronic obstructive pulmonary disease symptoms and hyperinflation and its impact on exercise and function.|journal=The American Journal of Medicine|date=October 2006|volume=119|issue=10 Suppl 1|pages=21–31|pmid=16996896|doi=10.1016/j.amjmed.2006.08.004}}</ref> Quando os broncodilatadores de longa duração não são suficientes, são geralmente acrescentados corticosteroides por inalação.<ref name=Lancet2012/> Em relação aos agentes de longa duração, não é claro se é superior o [[tiotrópio]] (um anticolinérgico de longa duração) ou os agonistas beta de longa duração, sendo possível tentar o tratamento com ambos e continuar aquele que seja mais eficaz.<ref name=Far2015/> Ambos os tipos aparentam diminuir o risco de exacerbações agudas em 15–25%.<ref name=Lancet2012/> Embora possam ser usados em simultâneo, o benefício é pouco significativo.<ref name=Far2015>{{Cite journal|last=Farne|first=Hugo A.|last2=Cates|first2=Christopher J.|date=2015-10-22|title=Long-acting beta2-agonist in addition to tiotropium versus either tiotropium or long-acting beta2-agonist alone for chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|issue=10|pages=CD008989|doi=10.1002/14651858.CD008989.pub3|issn=1469-493X|pmid=26490945}}</ref>
Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais eficaz será o tratamento. Ainda assim é necessária uma abordagem multidisciplinar (nutricionista, fisioterapeuta, médica, psicológica) no tratamento para que ocorra diminuição dos prejuízos pessoais, sociais e econômicos do paciente com DPOC.


<!--Agonistas beta -->
==Tratamento fisioterapêutico==
Estão disponíveis diversos agonistas beta de curta duração, entre os quais o [[salbutamol]] (Ventilan) e a [[terbutalina]].<ref name=GOLD2013Chp3/> Estes medicamentos proporcionam algum alívio dos sintomas até quatro a seis horas.<ref name=GOLD2013Chp3/> Os agonistas beta de longa duração, como o [[salmeterol]], [[formoterol]] e [[indacaterol]] são muitas vezes usados durante a terapêutica de manutenção. Alguns estudos sustentam que existem poucas evidências de benefícios,<ref name=Cave2011>{{Cite journal | last1 = Cave | first1 = AC. | last2 = Hurst | first2 = MM. | title = The use of long acting β₂-agonists, alone or in combination with inhaled corticosteroids, in chronic obstructive pulmonary disease (COPD): a risk-benefit analysis | journal = Pharmacol Ther | volume = 130 | issue = 2 | pages = 114–43 |date=Maio de 2011 | doi = 10.1016/j.pharmthera.2010.12.008 | pmid = 21276815 }}</ref> enquanto outros asseguram a evidência desses benefícios.<ref>{{cite journal|last=Spencer|first=S|author2=Karner, C |author3=Cates, CJ |author4= Evans, DJ |title=Inhaled corticosteroids versus long-acting beta(2)-agonists for chronic obstructive pulmonary disease|journal=Cochrane Database Syst Rev|date=7 de dezembro de 2011|issue=12|pages=CD007033|pmid=22161409|doi=10.1002/14651858.CD007033.pub3|editor1-last=Spencer|editor1-first=Sally}}</ref><ref>{{cite journal|last=Wang|first=J|author2=Nie, B |author3=Xiong, W |author4= Xu, Y |title=Effect of long-acting beta-agonists on the frequency of COPD exacerbations: a meta-analysis|journal=Journal of clinical pharmacy and therapeutics|date=Abril de 2012|volume=37|issue=2|pages=204–11|pmid=21740451|doi=10.1111/j.1365-2710.2011.01285.x}}</ref><ref name=Geake2015>{{Cite journal|last=Geake|first=James B.|last2=Dabscheck|first2=Eli J.|last3=Wood-Baker|first3=Richard|last4=Cates|first4=Christopher J.|date=2015-01-10|title=Indacaterol, a once-daily beta2-agonist, versus twice-daily beta₂-agonists or placebo for chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|volume=1|pages=CD010139|doi=10.1002/14651858.CD010139.pub2|issn=1469-493X|pmid=25575340}}</ref> A sua utilização a longa duração na DPOC aparenta ser segura.<ref name=Decr2013>{{cite journal |vauthors=Decramer ML, Hanania NA, Lötvall JO, Yawn BP | title = The safety of long-acting β2-agonists in the treatment of stable chronic obstructive pulmonary disease | journal = Int J Chron Obstruct Pulmon Dis | volume = 8 | pages = 53–64 | year = 2013 | pmid = 23378756 | pmc = 3558319 | doi = 10.2147/COPD.S39018 }}</ref> Os efeitos adversos mais comuns incluem [[tremor]]es e [[Palpitação|palpitações cardíacas]].<ref name=Lancet2012/> A sua utilização em conjunto com esteroides por inalação aumenta o risco de [[pneumonia]].<ref name=Lancet2012/> Embora os esteroides e os agonistas beta de longa duração possam funcionar melhor em conjunto,<ref name=Cave2011/> não é claro se este ligeiro benefício é superior ao aumento dos riscos.<ref>{{cite journal|last=Nannini|first=LJ|author2=Lasserson, TJ |author3=Poole, P |title=Combined corticosteroid and long-acting beta(2)-agonist in one inhaler versus long-acting beta(2)-agonists for chronic obstructive pulmonary disease|journal=Cochrane Database Syst Rev|date=12 de setembro de 2012|volume=9|pages=CD006829|pmid=22972099|doi=10.1002/14651858.CD006829.pub2|editor1-last=Nannini|editor1-first=Luis Javier}}</ref> O indacaterol requer que seja inalada apenas uma dose diária, sendo tão eficaz como outros agonistas beta de longa duração que necessitam de duas doses diárias para pessoas com DPOC estável.<ref name=Geake2015/>
*VMNI (Ventilação Mecânica não Invasiva)
*VMI (Ventilação Mecânica Invasiva)
*Manobras
*Treinamento de membros inferiores e melhora da dispneia; evidência nível A;
*Treinamento de membros superiores, músculo respiratório, melhora da qualidade de vida e diminuição das hospitalizações: evidência nível B;
*Educação sobre a doença; evidência nível C.
*Cargas de treinamento entre 30 á 60% para treino de força e de 20 a 40% no treino de ''endurance'';
*Cicloergométrico de braço;
*Escala de Borg e questionário de qualidade de vida do ''St.George's Respiratory Questionary.''


<!--Anticolinérgicos -->
No entanto, o tratamento da DPOC ainda é realizado principalmente pelo uso de manobras de higiene respiratória e à aplicação de exercícios respiratórios.
Existem dois tipos principais de anticolinérgicos usados na DPOC, o [[ipratrópio]] e o [[tiotrópio]]. O ipatrópio é um agente de curta duração, enquanto o tiotrópio é um agente de longa duração. O tiotrópio está associado a uma diminuição nas exacerbações e ao aumento da qualidade de vida,<ref name=Karner2014>{{Cite journal|last=Karner|first=Charlotta|last2=Chong|first2=Jimmy|last3=Poole|first3=Phillippa|date=2014-07-21|title=Tiotropium versus placebo for chronic obstructive pulmonary disease1|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|issue=7|pages=CD009285|doi=10.1002/14651858.CD009285.pub3|issn=1469-493X|pmid=25046211}}</ref> benefícios que são mais significativos no caso do tiotrópio.<ref>{{Cite journal|last=Cheyne|first=Leanne|last2=Irvin-Sellers|first2=Melanie J.|last3=White|first3=John|date=2015-09-22|title=Tiotropium versus ipratropium bromide for chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|issue=9|pages=CD009552|doi=10.1002/14651858.CD009552.pub3|issn=1469-493X|pmid=26391969}}</ref> O tiotrópio não aparente afetar a mortalidade ou a taxa de hospitalização.<ref name=Karner2014/> Os anticolinérgicos podem causar secura na boca e sintomas no trato urinário.<ref name=Lancet2012/> Estão também associados ao aumento do risco de doença cardíaca e de [[acidente vascular cerebral]].<ref name=Singh2008>{{cite journal |vauthors=Singh S, Loke YK, Furberg CD | title = Inhaled anticholinergics and risk of major adverse cardiovascular events in patients with chronic obstructive pulmonary disease: a systematic review and meta-analysis | journal = JAMA | volume = 300 | issue = 12 | pages = 1439–50 |date=September 2008 | pmid = 18812535 | doi = 10.1001/jama.300.12.1439 }}</ref><ref name=Singh2013>{{cite journal |vauthors=Singh S, Loke YK, Enright P, Furberg CD | title = Pro-arrhythmic and pro-ischaemic effects of inhaled anticholinergic medications | journal = Thorax | volume = 68 | issue = 1 | pages = 114–6 |date=Janeiro de 2013 | pmid = 22764216 | doi = 10.1136/thoraxjnl-2011-201275 }}</ref> O [[aclidínio]], outro agente de longa duração, diminui as hospitalizações associadas com a DPOC e aumenta a qualidade de vida.<ref>{{cite journal|last1=Jones|first1=P|title=Aclidinium bromide twice daily for the treatment of chronic obstructive pulmonary disease: a review.|journal=Advances in therapy|date=Apr 2013|volume=30|issue=4|pages=354–68|pmid=23553509|doi=10.1007/s12325-013-0019-2}}</ref><ref>{{cite journal|last1=Cazzola|first1=M|last2=Page|first2=CP|last3=Matera|first3=MG|title=Aclidinium bromide for the treatment of chronic obstructive pulmonary disease.|journal=Expert opinion on pharmacotherapy|date=Jun 2013|volume=14|issue=9|pages=1205–14|pmid=23566013|doi=10.1517/14656566.2013.789021}}</ref><ref name="Ni2014">{{Cite journal|last=Ni|first=Han|last2=Soe|first2=Zay|last3=Moe|first3=Soe|date=2014-09-19|title=Aclidinium bromide for stable chronic obstructive pulmonary disease|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|volume=9|pages=CD010509|doi=10.1002/14651858.CD010509.pub2|issn=1469-493X|pmid=25234126}}</ref> Este agente tem sido usado como alternativa ao tiotrópio, embora se desconheça ainda qual dos fármacos é mais eficaz.<ref name="Ni2014" />
As manobras de reabilitação pulmonar têm como principal objetivo a promoção da higiene brônquica, não sendo responsável por promover a expansão pulmonar. Esta função normalmente é atribuída aos equipamentos de apoio à reabilitação, como incentivadores e ventiladores não invasivos. O processo de higienização pulmonar, por consequência da eliminação do muco de algumas regiões, promove a liberação (clearance) de áreas antes obstruídas, aumentando a ventilação pulmonar <ref>[http://www.sogab.com.br/fisioterapiarespiro.doc SOGAB]</ref>.


===Corticosteroides===
As manobras respiratórias mais utilizadas estão relacionadas à drenagem postural, percussão pulmonar manual e vibração manual.
Os [[corticosteroide]]s são usados na prevenção e tratamento de exacerbações agudas. São geralmente usados na forma de inalação, embora possam também ser usados em comprimidos. Embora os corticosteroides por inalação não tenham demonstrado benefícios em pessoas com DPOC ligeira, nos casos moderados e graves da doença estes medicamentos diminuem as exacerbações agudas.<ref>{{cite journal |vauthors=Gartlehner G, Hansen RA, Carson SS, Lohr KN |title=Efficacy and Safety of Inhaled Corticosteroids in Patients With COPD: A Systematic Review and Meta-Analysis of Health Outcomes |journal=Ann Fam Med |volume=4 |issue=3 |pages=253–62 |year=2006 |pmid=16735528 |pmc=1479432|doi=10.1370/afm.517 }}</ref> Quando usados isoladamente, não afetam a mortalidade a um ano.<ref name="Drummond08"/><ref>{{cite journal|last1=Chinet|first1=T|last2=Dumoulin|first2=J|last3=Honore|first3=I|last4=Braun|first4=JM|last5=Couderc|first5=LJ|last6=Febvre|first6=M|last7=Mangiapan|first7=G|last8=Maurer|first8=C|last9=Serrier|first9=P|last10=Soyez|first10=F|last11=Terrioux|first11=P|last12=Jebrak|first12=G|title=[The place of inhaled corticosteroids in COPD].|journal=Revue des maladies respiratoires|date=29 de janeiro de 2016|pmid=26831345|doi=10.1016/j.rmr.2015.11.009}}</ref> Não é claro se afetam a progressão da doença.<ref name=Lancet2012/> Quando usados em conjugação com um agonista beta de longa duração, podem diminuir a mortalidade em comparação com o uso de qualquer um desses fármacos de forma isolada.<ref>{{cite journal|last1=Dong|first1=YH|last2=Lin|first2=HH|last3=Shau|first3=WY|last4=Wu|first4=YC|last5=Chang|first5=CH|last6=Lai|first6=MS|title=Comparative safety of inhaled medications in patients with chronic obstructive pulmonary disease: systematic review and mixed treatment comparison meta-analysis of randomised controlled trials.|journal=Thorax|date=Janeiro de 2013|volume=68|issue=1|pages=48–56|pmid=23042705|doi=10.1136/thoraxjnl-2012-201926}}</ref><ref>{{cite journal|last1=Nannini|first1=LJ|last2=Poole|first2=P|last3=Milan|first3=SJ|last4=Kesterton|first4=A|title=Combined corticosteroid and long-acting beta(2)-agonist in one inhaler versus inhaled corticosteroids alone for chronic obstructive pulmonary disease.|journal=Cochrane Database Syst Rev |date=30 de agosto de 2013|volume=8|pages=CD006826|pmid=23990350|doi=10.1002/14651858.CD006826.pub2}}</ref> Os esteroides por inalação estão associados a um aumento do risco de pneumonia.<ref>{{cite journal|last1=Kew|first1=KM|last2=Seniukovich|first2=A|title=Inhaled steroids and risk of pneumonia for chronic obstructive pulmonary disease.|journal=Cochrane Database Syst Rev |date=10 de março de 2014|volume=3|pages=CD010115|pmid=24615270|doi=10.1002/14651858.CD010115.pub2}}</ref> O tratamento prolongado com comprimidos de esteroides está associado a efeitos adversos significativos.<ref name=GOLD2013Chp3/>
Algumas pesquisas estão sendo feitas para mostrar os benefícios na aplicação de determinadas freqüências através da variação de pressão nas vias respiratórias de pessoas doentes com DPOC. A vibração intrapulmonar, através do controle do fluxo inspiratório, pode forçar a liberação dos bronquíolos e alvéolos obstruídos, recuperando regiões do pulmão anteriormente colapsadas <ref>[http://www.newdigital.com.br SRPPPI]</ref>.

===Outros===
Os [[antibiótico]]s de longa duração, especificamente os da classe dos [[macrólido]]s como a [[eritromicina]], diminuem a frequência de exacerbações em pessoas que têm duas ou mais exacerbações por ano.<ref name=Mammen2012>{{cite journal |vauthors=Mammen MJ, Sethi S | title = Macrolide therapy for the prevention of acute exacerbations in chronic obstructive pulmonary disease | journal = Pol. Arch. Med. Wewn. | volume = 122 | issue = 1–2 | pages = 54–9 | year = 2012 | pmid = 22353707}}</ref><ref name=Harath2013>{{cite journal|last=Herath|first=SC|author2=Poole, P|title=Prophylactic antibiotic therapy for chronic obstructive pulmonary disease (COPD).|journal=Cochrane Database Syst Rev|date=Novembro de 2013|volume=11|pages=CD009764|pmid=24288145|doi=10.1002/14651858.CD009764.pub2}}</ref> Esta terapêutica pode apresentar boa relação custo-benefício em algumas partes do mundo.<ref>{{cite journal|last=Simoens|first=S|author2=Laekeman, G |author3=Decramer, M |title=Preventing COPD exacerbations with macrolides: a review and budget impact analysis|journal=Respiratory medicine|date=May 2013|volume=107|issue=5|pages=637–48|pmid=23352223|doi=10.1016/j.rmed.2012.12.019}}</ref> No entanto, existem preocupações relativas à [[resistência antibiótica]] e a eventuais problemas de audição relacionados com a [[azitromicina]].<ref name=Harath2013/> As [[Xantina|metiloxantinas]] como a [[teofilina]] não são geralmente recomendadas devido aos potenciais prejuízos serem superiores aos benefícios,<ref name=Bar2003>{{cite journal |author=Barr RG, Rowe BH, Camargo CA |editor1-last=Barr |editor1-first=R Graham |title=Methylxanthines for exacerbations of chronic obstructive pulmonary disease |journal=Cochrane Database Syst Rev |issue=2 |pages=CD002168 |year=2003 |pmid=12804425 |doi=10.1002/14651858.CD002168 }}</ref> embora possam ser usadas como fármaco de segunda linha nos casos em que a doença não seja controlável com outras medidas.<ref name=GOLD2007/> Os [[Agente mucolítico|agentes mucolíticos]] podem ajudar a diminuir as exacerbações em algumas pessoas.<ref>{{cite journal|last1=Poole|first1=P|last2=Chong|first2=J|last3=Cates|first3=CJ|title=Mucolytic agents versus placebo for chronic bronchitis or chronic obstructive pulmonary disease.|journal=Cochrane Database Syst Rev |date=29 de julho de 2015|volume=7|pages=CD001287|pmid=26222376|doi=10.1002/14651858.CD001287.pub5}}</ref> Os [[antitússico]]s não são recomendados.<ref name=GOLD2013Chp3/>

===Oxigénio===
A [[oxigenoterapia]] é recomendada em pessoas com baixos níveis de oxigénio em repouso (pressão parcial de oxigénio inferior a 50–55&nbsp;mmHg ou saturação de oxigénio inferior a 88%).<ref name=GOLD2013Chp3>{{cite book |last=Vestbo |first=Jørgen |title=Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease |year=2013 |publisher=Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease |pages=19–30 |chapter=Therapeutic Options |chapterurl=http://www.goldcopd.org/uploads/users/files/GOLD_Report_2013_Feb20.pdf#36}}</ref><ref name=Group2012/> Neste grupo de pessoas, quando usada 15 horas por dia, esta terapia diminui o risco de [[insuficiência cardíaca]] e de morte<ref name=GOLD2013Chp3/><ref name=Group2012>{{cite journal|last=COPD Working|first=Group|title=Long-term oxygen therapy for patients with chronic obstructive pulmonary disease (COPD): an evidence-based analysis|journal=Ontario health technology assessment series|year=2012|volume=12|issue=7|pages=1–64|pmid=23074435|pmc=3384376}}</ref> e pode melhorar a capacidade da pessoa em realizar exercício físico.<ref name=Brad2005>{{cite journal | author = Bradley JM, O'Neill B | title = Short-term ambulatory oxygen for chronic obstructive pulmonary disease | journal = Cochrane Database Syst Rev | volume =4 | pages = CD004356 | year = 2005 | pmid = 16235359 | doi = 10.1002/14651858.CD004356.pub3 | editor1-last = Bradley | editor1-first = Judy M }}</ref> Em pessoas com níveis de oxigénio normais ou ligeiramente baixos, a oxigenoterapia pode melhorar a falta de ar quando administrada durante o exercício, mas pode não ser eficaz durante as atividades quotidianas ou ter impacto na qualidade de vida.<ref>{{Cite journal|last=Ekström|first=Magnus|last2=Ahmadi|first2=Zainab|last3=Bornefalk-Hermansson|first3=Anna|last4=Abernethy|first4=Amy|last5=Currow|first5=David|date=25 de novembro de 2016|title=Oxygen for breathlessness in patients with chronic obstructive pulmonary disease who do not qualify for home oxygen therapy|journal=The Cochrane Database of Systematic Reviews|volume=11|pages=CD006429|doi=10.1002/14651858.CD006429.pub3|issn=1469-493X|pmid=27886372}}</ref> Quando a pessoa continua a fumar, além do pouco benefício existe ainda o risco de incêndio.<ref>{{cite book|last=Chapman|first=Stephen|title=Oxford handbook of respiratory medicine|year=2009|publisher=Oxford University Press|isbn=978-0-19-954516-2|page=707|url=https://books.google.com/books?id=945lM1g_uQoC&pg=PA707|edition=2nd}}</ref> Neste contexto, existem algumas recomendações contra o seu uso.<ref>{{cite book|last=Blackler|first=Laura|title=Managing chronic obstructive pulmonary disease|year=2007|publisher=Wiley|isbn=978-0-470-51798-7|page=49|url=https://books.google.com/books?id=D5n6lqqxkNUC&pg=PA49}}</ref> Durante as exacerbações agudas, muitas pessoas necessitam de oxigenoterapia. No entanto, o recurso a concentrações elevadas de oxigénio sem levar em conta os níveis de saturação de oxigénio da pessoa pode levar ao aumento dos níveis de dióxido de carbono e a um pior prognóstico.<ref>{{cite book|last=Jindal|first=Surinder K|title=Chronic Obstructive Pulmonary Disease|year=2013|publisher=Jaypee Brothers Medical |isbn=978-93-5090-353-7|page=139|url=https://books.google.com/books?id=PTgIAQAAQBAJ&pg=PA139}}</ref><ref name=BTS2008>{{cite journal|last=O'Driscoll|first=BR|last2=Howard |first2=LS |last3=Davison |first3=AG |author4=British Thoracic, Society|title=BTS guideline for emergency oxygen use in adult patients|journal=Thorax|date=Outubro de 2008|volume=63 |issue=Suppl 6|pages=vi1–68|pmid=18838559|doi=10.1136/thx.2008.102947}}</ref> Para pessoas com elevado risco de atingir níveis de dióxido de carbono excessivos, são recomendadas saturações de oxigénio de 88–92%, enquanto para pessoas sem este risco a saturação recomendada é de 94–98%.<ref name=BTS2008/>

=== Cirurgia ===

Em pessoas com DPOC muito grave, a cirurgia pode por vezes apresentar benefícios. Entre as opções disponíveis estão o [[transplante de pulmão]] ou a cirurgia de redução de volume do pulmão.<ref name=Lancet2012/> A cirurgia de redução de volume implica remover as partes do pulmão mais afetadas pelo enfisema, o que permite ao restante pulmão expandir-se e funcionar melhor.<ref name=GOLD2013Chp3/> Esta cirurgia aparenta ser particularmente eficaz quando o enfisema se situa principalmente no lóbulo superior. No entanto, este procedimento também aumenta o risco de morte prematura e e de efeitos adversos.<ref>{{cite journal|last1=van Agteren|first1=JE|last2=Carson|first2=KV|last3=Tiong|first3=LU|last4=Smith|first4=BJ|title=Lung volume reduction surgery for diffuse emphysema.|journal=The Cochrane database of systematic reviews|date=14 October 2016|volume=10|pages=CD001001|pmid=27739074|doi=10.1002/14651858.CD001001.pub3}}</ref> Em determinados casos muitos graves de DPOC são por vezes realizados transplantes de pulmão, sobretudo em indivíduos mais jovens.<ref name=GOLD2013Chp3/>

===Tratamento de exacerbações===

As exacerbações agudas de DPOC são geralmente tratadas aumentando a utilização de broncodilatadores de curta duração.<ref name=Lancet2012/> Esta terapêutica geralmente consiste numa combinação de anticolinérgicos e agonistas beta de curta duração por via inalatória.<ref name=GOLD2013Chp5>{{cite book |last=Vestbo |first=Jørgen |title=Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease|year=2013|publisher=Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease |chapter=Management of Exacerbations |pages=39–45}}</ref> Estes medicamentos podem ser administrados quer através de um [[inalador dosimetrado]] com um [[Espaçador de asma|espaçador]] ou através de um [[nebulizador]]. A eficácia de ambos aparenta ser idêntica.<ref name=GOLD2013Chp5/><ref>{{cite journal|title=Bronchodilators delivered by nebuliser versus inhalers for lung attacks of chronic obstructive pulmonary disease|date=29 de agosto de 2016|doi=10.1002/14651858.cd011826|url=http://www.cochrane.org/CD011826/AIRWAYS_bronchodilators-delivered-nebuliser-versus-inhalers-lung-attacks-chronic-obstructive-pulmonary|journal=Cochrane Database of Systematic Reviews}}</ref> A nebulização pode ser um método mais fácil para aqueles que se encontram em piores condições.<ref name=GOLD2013Chp5/> A oxigenoterpia pode também ser eficaz. No entanto, a administração excessiva de oxigénio pode provocar o aumento dos níveis de dióxido de carbono e a diminuição do estado de consciência.<ref name=Merk2016>{{cite web|last1=Wise|first1=Robert|title=Chronic Obstructive Pulmonary Disease (COPD) - Pulmonary Disorders - Merck Manuals Professional Edition|url=https://www.merckmanuals.com/professional/pulmonary-disorders/chronic-obstructive-pulmonary-disease-and-related-disorders/chronic-obstructive-pulmonary-disease-copd|website=Merck Manuals Professional Edition|accessdate=16 de dezembro de 2016}}</ref>

Os corticosteroides por via oral aumentam a probabilidade de recobro e diminuem a duração dos sintomas.<ref name=Lancet2012/><ref name=GOLD2013Chp5/> Estes medicamentos são tão eficazes como os esteroides por via intravenosa, mas aparentam ter menos efeitos secundários.<ref>{{cite journal |last1=Walters |first1=JA |last2=Tan |first2=DJ |last3=White |first3=CJ |last4=Gibson |first4=PG |last5=Wood-Baker |first5=R |last6=Walters |first6=EH |title=Systemic corticosteroids for acute exacerbations of chronic obstructive pulmonary disease |journal=Cochrane Database Syst Rev |date=Setembro de 2014 |volume=9 |pages=CD001288 |pmid=25178099 |doi=10.1002/14651858.CD001288.pub4 |url=http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD001288.pub4/abstract}}</ref> A administração de esteroides durante cinco dias tem a mesma eficácia de dez ou quatorze.<ref>{{cite journal|last1=Walters|first1=JA|last2=Tan|first2=DJ|last3=White|first3=CJ|last4=Wood-Baker|first4=R|title=Different durations of corticosteroid therapy for exacerbations of chronic obstructive pulmonary disease.|journal=Cochrane Database Syst Rev |date=10 de dezembro de 2014|volume=12|pages=CD006897|pmid=25491891|doi=10.1002/14651858.CD006897.pub3}}</ref> Em pessoas com exacerbações graves, os antibióticos melhoram o prognóstico.<ref name=Vollen2012>{{cite journal |author=Vollenweider DJ, Jarrett H, Steurer-Stey CA, Garcia-Aymerich J, Puhan MA |editor1-last=Vollenweider |editor1-first=Daniela J|title=Antibiotics for exacerbations of chronic obstructive pulmonary disease |journal=Cochrane Database Syst Rev |volume=12 |pages=CD010257 |year=2012 |pmid=23235687 |doi=10.1002/14651858.CD010257 }}</ref> É possível administrar vários antibióticos, entre os quais [[amoxicilina]], [[doxiciclina]] e [[azitromicina]]. Não é claro que a eficácia de um destes antibióticos seja superior à dos restantes.<ref name=Mackay2012/> Não se recomenda o uso de [[Quinolona|fluoroquinilonas]] quando estejam disponíveis outras opções devido ao maior risco de efeitos secundários graves.<ref>{{cite web|title=Fluoroquinolone Antibacterial Drugs: Drug Safety Communication - FDA Advises Restricting Use for Certain Uncomplicated Infections|url=http://www.fda.gov/Safety/MedWatch/SafetyInformation/SafetyAlertsforHumanMedicalProducts/ucm500665.htm|website=FDA|accessdate=16 de maio de 2016|date=12 de maio de 2016}}</ref> Não há evidências claras para pessoas com casos menos graves.<ref name=Vollen2012 />

Em pessoas com [[Insuficiência respiratória|Insuficiência respiratória do tipo II]] (aumento agudo dos níveis de dióxido de carbono), a [[Ventilação mecânica|ventilação mecânica não invasiva com pressão positiva]] diminui a probabilidade de morte ou a necessidade de admissão nos cuidados intensivos.<ref name=Lancet2012 /> A [[teofilina]] pode desempenhar uma função em pessoas que não respondem a outras medidas.<ref name=Lancet2012 /> A admissão hospitalar só é necessária em menos de 20% das exacerbações.<ref name=GOLD2013Chp5 /> Em pessoas sem [[acidose]] devido a insuficiência respiratória, os cuidados em casa podem ajudar a evitar algumas admissões.<ref name=GOLD2013Chp5 />


==Prognóstico==
==Prognóstico==
A doença é parcialmente reversível. Um bom prognóstico da DPOC depende de um diagnóstico cedo e de um tratamento adequado. A medida de maior impacto no tratamento da DPOC é a abstinência ao tabagismo. Outro fator que comprovadamente aumenta a sobrevida dos pacientes é a reabilitação multidisciplinar.
A doença é parcialmente reversível. Um bom prognóstico da DPOC depende de um diagnóstico cedo e de um tratamento adequado. A medida de maior impacto no tratamento da DPOC é a abstinência ao tabagismo. Outro fator que comprovadamente aumenta a sobrevida dos pacientes é a reabilitação multidisciplinar.


==Epidemiologia==
==Apoio ao paciente==

No Brasil os pacientes que sofrem com a DPOC contam com a [http://www.dpoc.org.br Associação Brasileira de Pacientes com DPOC], uma entidade sem fins lucrativos que visa colaborar na promoção da qualidade de vida dos pacientes. Fundada em 31 de maio de 2000 por médicos e pacientes do Centro de Reabilitação Pulmonar (CRP) da [[Universidade Federal de São Paulo]] (UNIFESP)/ Escola Paulista de Medicina (EPM) e Lar Escola São Francisco ([[LESF]]), atua oferecendo informações sobre o tratamento da DPOC e seus avanços, além de dar orientação e apoio junto às autoridades governamentais para obtenção de tratamento gratuito que englobe desde medicamentos, [[oxigenioterapia]] domiciliar, até a reabilitação pulmonar.
Em 2010, a doença pulmonar obstrutiva crónica afetava cerca de 329 milhões de pessoas em todo o mundo, o que corresponde a cerca de 4,8% da população.<ref name=YLD2012/> A doença afeta praticamente de igual forma homens e mulheres.<ref>{{cite web|title=Chronic obstructive pulmonary disease (COPD) Fact sheet N°315|url=http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs315/en/|publisher=WHO|date=janeiro de 2015}}</ref> Acredita-se que o aumento da prevalência da doença nos países em vias de desenvolvimento entre 1970 e 2000 esteja relacionado com o aumento da percentagem de fumadores, ao aumento da população e ao envelhecimento da população como consequência da menor mortalidade por outras causas, como doenças infecciosas.<ref name=Lancet2012/> Em alguns países desenvolvidos a prevalência tem vindo a aumentar, enquanto noutros se tem mantido estável e noutros ainda tem diminuído.<ref name=Lancet2012/> É expectável que os números globais continuem a aumentar, uma vez que os fatores de risco continuam a ser comuns e a população continua a envelhecer.<ref name=GOLD2013ChpX>{{cite book |last=Vestbo |first=Jørgen |title=Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease|year=2013|publisher=Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease|pages=xiii–xv |nopp=yes |chapter=Introduction}}</ref>

Entre 1990 e 2010, o número de mortes por DPOC diminuiu ligeiramente, de 3,1 milhões para 2,9 milhões,<ref name=Lozano2012>{{cite journal |vauthors=Lozano R, Naghavi M, Foreman K, Lim S, Shibuya K, Aboyans V, Abraham J, Adair T, Aggarwal R | title = Global and regional mortality from 235 causes of death for 20 age groups in 1990 and 2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010 | journal = Lancet | volume = 380 | issue = 9859 | pages = 2095–128 |date=Dezembro de 2012 | pmid = 23245604 | doi = 10.1016/S0140-6736(12)61728-0 |display-authors=etal}}</ref> tendo-se tornado a quarta causa de morte mais comum.<ref name=Lancet2012/> Em 2012 tornou-se a terceira causa de morte mais comum, após o número de mortes ter aumentado novamente para 3,1 milhões.<ref name="WHOTTCD">{{cite web |title=The 10 leading causes of death in the world, 2000 and 2011 |date=Julho de 2013 |publisher=World Health Organization |url=http://who.int/mediacentre/factsheets/fs310/en/ |accessdate=29 de novembro de 2013}}</ref> Em alguns países, a mortalidade diminuiu entre os homens, mas aumentou entre as mulheres.<ref name=Ryc2012>{{cite journal |vauthors=Rycroft CE, Heyes A, Lanza L, Becker K | title = Epidemiology of chronic obstructive pulmonary disease: a literature review | journal = Int J Chron Obstruct Pulmon Dis | volume = 7 | pages = 457–94 | year = 2012 | pmid = 22927753 | pmc = 3422122 | doi = 10.2147/COPD.S32330 }}</ref> É provável que isto se deva ao facto de a percentagem de fumadores entre os homens e as mulheres se ter vindo a aproximar.<ref name=Harr2012/> A DPOC é mais comum entre os idosos.<ref name=GOLD2013Chp1/> Afeta 34–200 em cada 1000 pessoas com mais de 65 anos de idade, dependendo da população em estudo.<ref name=GOLD2013Chp1/><ref name="Old2007"/>



==Referências==
{{Referências|col=2}}
<references>http://www.sogab.com.br/fisioterapiarespiro.doc <references/>


== Ligações externas ==
== Ligações externas ==

Revisão das 00h36min de 20 de março de 2017

Doença pulmonar obstrutiva crônica
Pulmão onde pode ser observado enfisema centrolobular característico do tabagismo. Este corte mostra múltiplas cavidades preenchidas por depósitos de carbono negro.
Especialidade pneumologia
Classificação e recursos externos
CID-10 J40 - J44, J47
CID-9 490 - 496
OMIM 606963
DiseasesDB 2672
MedlinePlus 000091
eMedicine med/373 emerg/99
MeSH D029424
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A doença pulmonar obstrutiva crónica (português europeu) ou doença pulmonar obstrutiva crônica (português brasileiro) (DPOC) é um tipo de doença pulmonar obstrutiva caracterizada por diminuição prolongada do calibre das vias aéreas respiratórias e destruição do tecido pulmonar. Entre os principais sintomas estão a falta de ar e tosse com produção de expectoração. A DPOC é uma doença progressiva, o que significa que geralmente se agrava com o decorrer do tempo.[1] Em determinado momento começam-se a verificar dificuldades em atividades do dia-a-dia, como subir escadas.[2] Bronquite crónica e enfisema são termos antigos usados para denominar diferentes tipos de DPOC.[2][3] O termo "bronquite crónica" é ainda hoje usado para definir uma tosse produtiva que se manifeste durante pelo menos três meses por ano e ao longo de dois anos.[4]

A inalação de fumo de tabaco é a causa mais comum de DPOC. Outros fatores de risco, como a poluição do ar e a genética, são menos significativos.[5] Em países desenvolvidos, uma das fontes mais comuns de poluição do ar é a má ventilação de fontes de aquecimento e de queima de combustíveis.[2] A exposição prolongada a estes irritantes causa uma resposta inflamatória nos pulmões, o que provoca um estreitamento das vias aéreas e a destruição do tecido pulmonar.[6] O diagnóstico tem por base a medição do fluxo respiratório através de testes que avaliam a função respiratória.[7] Ao contrário da asma, o estreitamento das vias aéreas na DPOC não melhora significativamente após a administração de um broncodilatador.[2]

A maior parte dos casos de DPOC pode ser evitada diminuindo a exposição aos fatores de risco.[8] Entre as principais medidas estão a diminuição da exposição ao fumo do tabaco e a melhoria da qualidade do ar. Embora o tratamento possa atrasar o agravamento, a doença não tem cura.[2] O tratamento inclui a cessação tabágica, a vacinação, a reabilitação respiratória e, em muitos casos, inalação de broncodilatadores e corticosteroides.[5] Em algumas pessoas pode ser benéfica a oxigenoterapia de longo prazo ou um transplante de pulmão.[6] Em pessoas que manifestam períodos de agravamento agudo, pode ser necessária hospitalização e o uma maior quantidade de medicamentos.[5]

Em 2013 a DPOC afetava cerca de 329 milhões de pessoas, o que corresponde a cerca de 5% da população mundial.[9][10] Geralmente ocorre em pessoas com mais de 40 anos de idade e afeta de igual forma homens e mulheres.[2] Em 2013, a doença foi responsável pela morte de 2,9 milhões de pessoas, um aumento em relação às 2,4 milhões em 1990.[11] Mais de 90% destas mortes ocorrem em países em vias de desenvolvimento.[2] Estima-se que o número de mortes aumente devido ao aumento de número de fumadores nos países em desenvolvimento e ao aumento da população idosa em muitos países.[12] Em 2010, a doença implicou um custo económico estimado de 2,1 biliões de dólares.[13]

Sinais e sintomas

O som da pieira escutado através de um estetoscópio.

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Os sintomas mais comuns da doença pulmonar obstrutiva crónica são a produção de expectoração, falta de ar e tosse produtiva.[14] Estes sintomas manifestam-se durante um longo período de tempo[15] e geralmente vão-se agravando ao longo do tempo.[6] Não é claro se existem ou não diferentes tipos de DPOC.[5] Embora antigamente a doença se dividisse em enfisema e bronquite crónica, hoje considera-se que enfisema é apenas uma descrição das alterações no pulmão, e não uma doença em si, e que a bronquite crónica descreve apenas os sintomas que podem ou não ocorrer no contexto de DPOC.[1]

Tosse

Em muitos casos, o primeiro sintoma a manifestar-se é a tosse crónica. Por definição, está-se perante bronquite crónica quando essa tosse persiste por mais de três meses por ano e durante pelo menos dois anos, quando é acompanhada pela produção de expectoração e quando não é possível determinar outra explicação. Esta condição pode anteceder o desenvolvimento completo de DPOC. A quantidade de expectoração produzida pode variar no prazo de horas ou dias. No entanto, em alguns casos da doença é possível que não se verifique tosse ou que se verifique apenas tosse ocasional e sem ser produtiva. Algumas pessoas com DPOC atribuem os sintomas ao "catarro do fumador". Dependendo do contexto social e cultural, a expectoração pode ser engolida ou cuspida. A tosse forte pode causar fracturas nas costelas e perda de consciência. As pessoas com DPOC muitas vezes apresentam um historial de "constipações" de duração prolongada.[14]

Falta de ar

A falta de ar é geralmente o sintoma que mais incomoda as pessoas com DPOC.[16] O sintoma é geralmente descrito em termos leigos como "custar a respirar", "sentir-se sem fôlego" ou "não conseguir inspirar ar suficiente".[17] Dependendo do contexto cultural, podem ser usados diversos termos.[14] Geralmente a falta de ar é mais intensa ao realizar esforços de longa duração e vai-se agravando ao longo do tempo.[14] Em estádios avançados da doença, a falta de ar manifesta-se até mesmo em repouso e pode-se manifestar continuamente.[18][19] Em pessoas com a doença, a falta de ar é uma fonte de ansiedade e da diminuição da qualidade de vida.[14] Muitas pessoas com DPOC avançada respiram com os lábios franzidos, o que pode aliviar a falta de ar.[20][21]

Outros sintomas

Na DPOC a expiração pode ser mais demorada do que a inspiração.[22] Pode ocorrer sensação de aperto no peito,[14] embora não seja comum e possa ser causada por outro problema.[16] Em pessoas com vias aéreas obstruídas é possível ouvir um sibilo durante a auscultação com um estetoscópio.[22] O tórax em tonel é um sinal característico de DPOC, embora seja relativamente pouco comum.[22] À medida que a doença avança, o corpo pode ir adquirindo uma postura com tendência para a posição de tripé.[15]

Os estádios avançados de DPOC podem causar pressão elevada nas artérias do pulmão, o que comprime o ventrículo direito do coração.[6][23][24] Esta situação é denominada cor pulmonale e manifesta-se através de sintomas como pernas inchadas[14] e pressão venosa jugular.[6] A DPOC é a causa pulmonar mais comum de cor pulmonare,[23] embora a sua prevalência tenha diminuído desde que foi introduzida a exigenoerapia.[15]

A DPOC ocorre muitas vezes em simultâneo com uma série de outras condições, devido em parte aos fatores de risco que partilha com essas doenças.[5] Entre estas condições estão a cardiopatia isquémica, hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, cancro do pulmão, perturbações de ansiedade disfunções sexuais e depressão.[5][25] Em pessoas com doença grave, é comum a sensação de fadiga.[14] O hipocratismo digital não é específico da DPOC e pode indicar a possibilidade de origem num cancro do pulmão.[26]

Exacerbações

Em pessoas com a doença, uma exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crónica define-se pelo aumento da falta de ar, aumento da produção de expectoração, alteração na cor da expectoração de translúcido para verde ou amarelo, ou aumento da intensidade da tosse.[22] A exacerbação pode-se apresentar com sinais de aumento de esforço respiratório como respiração acelerada, aumento da frequência cardíaca, sudação, utilização ativa dos músculos do pescoço, pele azulada e confusão mental ou comportamento agitado nas exacerbações mais graves.[22][27] Durante um exame com um estetoscópio também é possível escutar crepitações pulmonares.[28]

Causas

Esta doença pode desenvolver-se após vários anos de tabagismo ou exposição à poeira (em torno de 30 anos), levando a danos em todas as vias respiratórias, incluindo os pulmões. Estes danos podem ser permanentes. O fumo contém irritantes que inflamam as vias respiratórias e causam alterações que podem levar à doença obstrutiva crônica. Para a mesma dose de tabaco, o risco de desenvolver esta doença é maior nas mulheres fumadora do que nos homens fumadores.[29]

As substâncias do tabaco provocam basicamente as seguintes alterações no sistema respiratório: (1) estimulam a hipertrofia das glândulas submucosas determinando um aumento na secreção de muco na árvore traqueobrônquica; (2) inibem o movimento ciliar das células epiteliais; (3) ativam macrófagos alveolares que secretam substâncias quimiotáxicas para os neutrófilos que por sua vez liberam enzimas proteolíticas como a elastase; (4) inibem ainda a alfa1-antitripsina, enzima inibidora fisiológica da elastase.

Um historial de tuberculose também aumenta o risco de desenvolver a doença pulmonar obstrutiva crónica.[30]

Existe uma afecção hereditária autossômica recessiva rara em que há muito pouca ou nenhuma produção de alfa1-antitripsina no organismo, desenvolvendo-se um enfisema isolado em crianças ou adolescentes, especialmente nos fumadores.

Todas as formas de doença pulmonar crônica obstrutiva fazem com que o ar fique retido nos pulmões. O número de capilares nas paredes dos alvéolos diminui. Estas alterações prejudicam a troca de oxigénio e de anidrido carbónico entre os alvéolos e o sangue. Nas primeiras fases da doença, a concentração de oxigénio no sangue está diminuída, mas os valores de anidrido carbónico permanecem normais. Nas fases mais avançadas, os valores do anidrido carbónico elevam-se enquanto os do oxigénio diminuem ainda mais.

Fisiopatologia

  • A limitação do fluxo aéreo pode decorrer da diminuição da retração elástica do parênquima pulmonar, hipersecreção de glândulas da mucosa e inflamação das vias aéreas levando metaplasia e ao estreitamento da mesma.
  • A contração da musculatura lisa dos brônquios pode levar à obstrução das vias aéreas.
  • O trabalho expiratório está aumentado.
  • A hiperinsuflação pulmonar pode ocorrer decorrente da limitação ao fluxo aéreo e levar ao aumento do trabalho inspiratório.
  • Alterações da relação V/Q são responsáveis por hipoxemia e hipercapnia.

Diagnóstico

Quadro clínico associado a antecedentes epidemiológicos. Raio-X do tórax mostrando hiperinsuflação e coração em "gota" nos casos de enfisema e pode haver aumento da área cardíaca devido ao cor pulmonale presente na bronquite crônica. Gasometria mostrando hipoxemia e hipercapnia. Essa desenvolvida na exacerbação da DPOC leva a acidose respiratória (PH<7,35). Na realidade o paciente com DPOC apresenta uma acidose respiratória crônica compensada porque como o processo de instalação da doença é insidioso há tempo para que o organismo lance mão de mecanismos compensatórios para as altas taxas de CO2 no sangue arterial. Dessa forma, os rins passam a acumular HCO3 e outras bases no organismo fazendo com que a relação bicarbonato/PCO2 se mantenha estável e o pH não caia demais. No entanto, nos processos de exacerbação não há tempo para os rins reterem quantidade suficiente de bicarbonato, desenvolvendo-se a acidose respiratória crônica agudizada. Esta se revela na gasometria arterial por um pH relativamente baixo, PaCO2, HCO3 e BE (base excess) elevados. O Ecocardiograma é útil para detecção de sinais indicativos de sobrecarga ventricular direita (cor pulmonale) e de taquiarritmias associadas (como flutter atrial e fibrilação atrial).

A gravidade da DPOC pode ser classificada ao se usar a espirometria, na qual é conferida a capacidade pulmonar do paciente:

Severidade DEMS1,0 Pós-Broncodilatador/CVF DEMS1,0 % previsto
Em risco >0.7 ≥80
DPOC branda ≤0.7 ≥80
DPOC moderada ≤0.7 50-80
DPOC severa ≤0.7 30-50
DPOC muito severa ≤0.7 <30 ou 30-50 com sintomas de falência respiratória crônica

Tratamento

Embora não exista cura para a DPOC, os sintomas são tratáveis e a sua progressão pode ser atrasada.[31] Os principais objetivos do tratamento são diminuir os fatores de risco, gerir a DPOC estável, prevenir e tratar as exacerbações agudas e tratar as doenças associadas.[6] As únicas medidas que comprovadamente diminuem a mortalidade são a cessação tabágica e a suplementação de oxigénio.[32] Parar de fumar diminui o risco de morte em 18%.[5] Entre outras recomendações estão a toma anual de vacina contra a gripe, a toma de vacina anti-pneumocócica a cada cinco anos e a diminuição da exposição à poluição do ar ambiental.[5] Em pessoas com doença avançada, os cuidados paliativos podem diminuir os sintomas e a morfina ajuda a diminuir a sensação de falta de ar.[33] A ventilação mecânica pode ajudar a respirar.[33] Oferecer às pessoas um plano de ação personalizado, uma sessão educativa e apoio durante a realização do plano quando ocorre uma exacerbação pode diminuir o número de visitas hospitalares e encoraja o tratamento imediato das exacerbações.[34]

Exercício

A reabilitação pulmonar consiste num programa coordenado e individualizado de exercício, gestão da doença e aconselhamento.[35] Em pessoas com episódios recentes de exacerbações, a reabilitação pulmonar aparenta melhorar a qualidade de vida e a capacidade para realizar exercício físico.[36][37] Não é ainda claro se a reabilitação pulmonar melhora a taxa de mortalidade ou de readmissão hospitalar.[36] Tem-se verificado que a reabilitação melhora as emoções e o sentimento de controlo que a pessoa tem sobre a doença.[38]

No entanto, desconhece-se ainda a rotina e intensidade ideais de exercício físico e a quantidade ideal de ventilação não invasiva para pessoas com DPOC.[37][39][40] A realização de exercícios de resistência no braço melhora o movimento do membro em pessoas com DPOC e pode causar uma ligeira melhoria nas dificuldades respiratórias.[41] Realizar exercícios no braço isoladamente não aparenta melhorar a qualidade de vida.[41] A realização de exercícios de respiração isoladamente aparenta ter uma função limitada.[21] Os exercícios de respiração freno-labial podem ser benéficos.[20][21] A prática de exercícios de tai chi aparenta ser segura em pessoas com DPOC e pode ser benéfica para a função respiratória e capacidade pulmonar, quando comparada com um programa de exercício normal.[42] No entanto, não se verificou que o tai chi seja mais eficaz que outros programas de intervenção com exercício físico.[42]

O excesso de peso ou o baixo peso da pessoa podem afetar os sintomas, grau de insuficiência e o prognóstico de DPOC. As pessoas com DPOC e baixo peso podem melhorar a força dos músculos respiratórios aumentando a ingestão de calorias.[6] Em conjugação com exercício regular ou um programa de reabilitação pulmonar, isto pode levar a melhorias nos sintomas da doença. A suplementação dietética pode ser benéfica em pessoas subnutridas.[43]

Broncodilatadores

Os principais medicamentos usados no tratamento da DPOC são os broncodilatadores por inalação,[5] embora os benefícios sejam modestos.[44] São geralmente administrados dois tipos de broncodilatadores: os agonistas adrenérgicos beta-2 e os anticolinérgicos. Ambos estão disponíveis nas formas de curta e longa duração. Estes medicamentos diminuem a falta de ar, a pieira e as limitações para a prática de exercício físico, contribuindo para o aumento da qualidade de vida.[45] Não é ainda claro se alteram a progressão da doença subjacente.[5]

Para os casos menos graves da doença, são geralmente recomendados broncodilatadores de curta duração a usar apenas em caso de necessidade.[5] Para os casos mais graves, são geralmente recomendados agentes de longa duração.[5] Os agentes de longa duração atuam em parte ao melhorar a hiperinsuflação.[46] Quando os broncodilatadores de longa duração não são suficientes, são geralmente acrescentados corticosteroides por inalação.[5] Em relação aos agentes de longa duração, não é claro se é superior o tiotrópio (um anticolinérgico de longa duração) ou os agonistas beta de longa duração, sendo possível tentar o tratamento com ambos e continuar aquele que seja mais eficaz.[47] Ambos os tipos aparentam diminuir o risco de exacerbações agudas em 15–25%.[5] Embora possam ser usados em simultâneo, o benefício é pouco significativo.[47]

Estão disponíveis diversos agonistas beta de curta duração, entre os quais o salbutamol (Ventilan) e a terbutalina.[48] Estes medicamentos proporcionam algum alívio dos sintomas até quatro a seis horas.[48] Os agonistas beta de longa duração, como o salmeterol, formoterol e indacaterol são muitas vezes usados durante a terapêutica de manutenção. Alguns estudos sustentam que existem poucas evidências de benefícios,[49] enquanto outros asseguram a evidência desses benefícios.[50][51][52] A sua utilização a longa duração na DPOC aparenta ser segura.[53] Os efeitos adversos mais comuns incluem tremores e palpitações cardíacas.[5] A sua utilização em conjunto com esteroides por inalação aumenta o risco de pneumonia.[5] Embora os esteroides e os agonistas beta de longa duração possam funcionar melhor em conjunto,[49] não é claro se este ligeiro benefício é superior ao aumento dos riscos.[54] O indacaterol requer que seja inalada apenas uma dose diária, sendo tão eficaz como outros agonistas beta de longa duração que necessitam de duas doses diárias para pessoas com DPOC estável.[52]

Existem dois tipos principais de anticolinérgicos usados na DPOC, o ipratrópio e o tiotrópio. O ipatrópio é um agente de curta duração, enquanto o tiotrópio é um agente de longa duração. O tiotrópio está associado a uma diminuição nas exacerbações e ao aumento da qualidade de vida,[55] benefícios que são mais significativos no caso do tiotrópio.[56] O tiotrópio não aparente afetar a mortalidade ou a taxa de hospitalização.[55] Os anticolinérgicos podem causar secura na boca e sintomas no trato urinário.[5] Estão também associados ao aumento do risco de doença cardíaca e de acidente vascular cerebral.[57][58] O aclidínio, outro agente de longa duração, diminui as hospitalizações associadas com a DPOC e aumenta a qualidade de vida.[59][60][61] Este agente tem sido usado como alternativa ao tiotrópio, embora se desconheça ainda qual dos fármacos é mais eficaz.[61]

Corticosteroides

Os corticosteroides são usados na prevenção e tratamento de exacerbações agudas. São geralmente usados na forma de inalação, embora possam também ser usados em comprimidos. Embora os corticosteroides por inalação não tenham demonstrado benefícios em pessoas com DPOC ligeira, nos casos moderados e graves da doença estes medicamentos diminuem as exacerbações agudas.[62] Quando usados isoladamente, não afetam a mortalidade a um ano.[32][63] Não é claro se afetam a progressão da doença.[5] Quando usados em conjugação com um agonista beta de longa duração, podem diminuir a mortalidade em comparação com o uso de qualquer um desses fármacos de forma isolada.[64][65] Os esteroides por inalação estão associados a um aumento do risco de pneumonia.[66] O tratamento prolongado com comprimidos de esteroides está associado a efeitos adversos significativos.[48]

Outros

Os antibióticos de longa duração, especificamente os da classe dos macrólidos como a eritromicina, diminuem a frequência de exacerbações em pessoas que têm duas ou mais exacerbações por ano.[67][68] Esta terapêutica pode apresentar boa relação custo-benefício em algumas partes do mundo.[69] No entanto, existem preocupações relativas à resistência antibiótica e a eventuais problemas de audição relacionados com a azitromicina.[68] As metiloxantinas como a teofilina não são geralmente recomendadas devido aos potenciais prejuízos serem superiores aos benefícios,[70] embora possam ser usadas como fármaco de segunda linha nos casos em que a doença não seja controlável com outras medidas.[6] Os agentes mucolíticos podem ajudar a diminuir as exacerbações em algumas pessoas.[71] Os antitússicos não são recomendados.[48]

Oxigénio

A oxigenoterapia é recomendada em pessoas com baixos níveis de oxigénio em repouso (pressão parcial de oxigénio inferior a 50–55 mmHg ou saturação de oxigénio inferior a 88%).[48][72] Neste grupo de pessoas, quando usada 15 horas por dia, esta terapia diminui o risco de insuficiência cardíaca e de morte[48][72] e pode melhorar a capacidade da pessoa em realizar exercício físico.[73] Em pessoas com níveis de oxigénio normais ou ligeiramente baixos, a oxigenoterapia pode melhorar a falta de ar quando administrada durante o exercício, mas pode não ser eficaz durante as atividades quotidianas ou ter impacto na qualidade de vida.[74] Quando a pessoa continua a fumar, além do pouco benefício existe ainda o risco de incêndio.[75] Neste contexto, existem algumas recomendações contra o seu uso.[76] Durante as exacerbações agudas, muitas pessoas necessitam de oxigenoterapia. No entanto, o recurso a concentrações elevadas de oxigénio sem levar em conta os níveis de saturação de oxigénio da pessoa pode levar ao aumento dos níveis de dióxido de carbono e a um pior prognóstico.[77][78] Para pessoas com elevado risco de atingir níveis de dióxido de carbono excessivos, são recomendadas saturações de oxigénio de 88–92%, enquanto para pessoas sem este risco a saturação recomendada é de 94–98%.[78]

Cirurgia

Em pessoas com DPOC muito grave, a cirurgia pode por vezes apresentar benefícios. Entre as opções disponíveis estão o transplante de pulmão ou a cirurgia de redução de volume do pulmão.[5] A cirurgia de redução de volume implica remover as partes do pulmão mais afetadas pelo enfisema, o que permite ao restante pulmão expandir-se e funcionar melhor.[48] Esta cirurgia aparenta ser particularmente eficaz quando o enfisema se situa principalmente no lóbulo superior. No entanto, este procedimento também aumenta o risco de morte prematura e e de efeitos adversos.[79] Em determinados casos muitos graves de DPOC são por vezes realizados transplantes de pulmão, sobretudo em indivíduos mais jovens.[48]

Tratamento de exacerbações

As exacerbações agudas de DPOC são geralmente tratadas aumentando a utilização de broncodilatadores de curta duração.[5] Esta terapêutica geralmente consiste numa combinação de anticolinérgicos e agonistas beta de curta duração por via inalatória.[80] Estes medicamentos podem ser administrados quer através de um inalador dosimetrado com um espaçador ou através de um nebulizador. A eficácia de ambos aparenta ser idêntica.[80][81] A nebulização pode ser um método mais fácil para aqueles que se encontram em piores condições.[80] A oxigenoterpia pode também ser eficaz. No entanto, a administração excessiva de oxigénio pode provocar o aumento dos níveis de dióxido de carbono e a diminuição do estado de consciência.[82]

Os corticosteroides por via oral aumentam a probabilidade de recobro e diminuem a duração dos sintomas.[5][80] Estes medicamentos são tão eficazes como os esteroides por via intravenosa, mas aparentam ter menos efeitos secundários.[83] A administração de esteroides durante cinco dias tem a mesma eficácia de dez ou quatorze.[84] Em pessoas com exacerbações graves, os antibióticos melhoram o prognóstico.[85] É possível administrar vários antibióticos, entre os quais amoxicilina, doxiciclina e azitromicina. Não é claro que a eficácia de um destes antibióticos seja superior à dos restantes.[86] Não se recomenda o uso de fluoroquinilonas quando estejam disponíveis outras opções devido ao maior risco de efeitos secundários graves.[87] Não há evidências claras para pessoas com casos menos graves.[85]

Em pessoas com Insuficiência respiratória do tipo II (aumento agudo dos níveis de dióxido de carbono), a ventilação mecânica não invasiva com pressão positiva diminui a probabilidade de morte ou a necessidade de admissão nos cuidados intensivos.[5] A teofilina pode desempenhar uma função em pessoas que não respondem a outras medidas.[5] A admissão hospitalar só é necessária em menos de 20% das exacerbações.[80] Em pessoas sem acidose devido a insuficiência respiratória, os cuidados em casa podem ajudar a evitar algumas admissões.[80]

Prognóstico

A doença é parcialmente reversível. Um bom prognóstico da DPOC depende de um diagnóstico cedo e de um tratamento adequado. A medida de maior impacto no tratamento da DPOC é a abstinência ao tabagismo. Outro fator que comprovadamente aumenta a sobrevida dos pacientes é a reabilitação multidisciplinar.

Epidemiologia

Em 2010, a doença pulmonar obstrutiva crónica afetava cerca de 329 milhões de pessoas em todo o mundo, o que corresponde a cerca de 4,8% da população.[10] A doença afeta praticamente de igual forma homens e mulheres.[88] Acredita-se que o aumento da prevalência da doença nos países em vias de desenvolvimento entre 1970 e 2000 esteja relacionado com o aumento da percentagem de fumadores, ao aumento da população e ao envelhecimento da população como consequência da menor mortalidade por outras causas, como doenças infecciosas.[5] Em alguns países desenvolvidos a prevalência tem vindo a aumentar, enquanto noutros se tem mantido estável e noutros ainda tem diminuído.[5] É expectável que os números globais continuem a aumentar, uma vez que os fatores de risco continuam a ser comuns e a população continua a envelhecer.[31]

Entre 1990 e 2010, o número de mortes por DPOC diminuiu ligeiramente, de 3,1 milhões para 2,9 milhões,[89] tendo-se tornado a quarta causa de morte mais comum.[5] Em 2012 tornou-se a terceira causa de morte mais comum, após o número de mortes ter aumentado novamente para 3,1 milhões.[90] Em alguns países, a mortalidade diminuiu entre os homens, mas aumentou entre as mulheres.[91] É provável que isto se deva ao facto de a percentagem de fumadores entre os homens e as mulheres se ter vindo a aproximar.[15] A DPOC é mais comum entre os idosos.[1] Afeta 34–200 em cada 1000 pessoas com mais de 65 anos de idade, dependendo da população em estudo.[1][92]


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