Toponímia do Brasil: diferenças entre revisões

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A '''toponímia do Brasil''' é o conjunto de [[topônimo]]s mais utilizados no [[Brasil]], e demonstra claramente o modo de ocupação da terra a partir do descobrimento e do início da [[colonização]]. Nomes em [[Línguas tupi-guaranis|tupi-guarani]] usados pelos ameríndios sobreviveram aos nomes de personagens sacros (hierotopônimos), aos nomes clássicos e [[antropônimo]]s utilizados pelos europeus que lá aportaram e que completando um [[Manifesto Antropófago|antropofágico]] ideal, voltaram a usar o idioma nativo para nomear a terra. Ocupado de leste para oeste, do litoral para o sertão, acompanhando primeiro os rios e depois as estradas de ferro ou rodagem, o processo é ainda historicamente recente e pode ser estudado em detalhes.
A '''toponímia do Brasil''' é o conjunto de [[topônimo]]s mais utilizados no [[Brasil]], e demonstra claramente o modo de ocupação da terra a partir do descobrimento e do início da [[colonização]]. Nomes em [[Línguas tupi-guaranis|tupi-guarani]] usados pelos ameríndios sobreviveram aos nomes de personagens sacros (hierotopônimos), aos nomes clássicos e [[antropônimo]]s utilizados pelos europeus que lá aportaram e que completando um [[Manifesto Antropófago|antropofágico]] ideal, voltaram a usar o idioma nativo para nomear a terra. Ocupado de leste para oeste, do litoral para o sertão, acompanhando primeiro os rios e depois as estradas de ferro ou rodagem, o processo é ainda historicamente recente e pode ser estudado em detalhes.


== Topônimos tupi-guaranis ==
== Origens por língua ==
{{Artigo principal|[[Topónimos tupi-guaranis no Brasil]]}}
=== Topônimos tupi-guaranis ===
{{Artigo principal|Topónimos tupi-guaranis no Brasil}}


Existem dois tipos: os utilizados pelos próprios indígenas ([[Guarujá]] , [[Aracaju]]) e que sobreviveram, e os modernos, numa utilização tardia do idioma tupi-guarani.Desde que [[José de Alencar]] colocou sua índia idealizada a suspirar a volta do navio com seu amado (Praia de Iracema, [[Fortaleza]] - [[Ceará]]), muitos eruditos utilizaram termos ameríndios para nomear localidades, como em [[Umuarama]], literalmente '' lugar bom para unir amigos'', criação de Silveira Bueno.
Existem dois tipos: os utilizados pelos próprios indígenas ([[Guarujá]], [[Aracaju]]) e que sobreviveram, e os modernos, numa utilização tardia do idioma tupi-guarani. Desde que [[José de Alencar]] colocou sua índia idealizada a suspirar a volta do navio com seu amado ([[Praia de Iracema]], [[Fortaleza]], [[Ceará]]), muitos eruditos utilizaram termos ameríndios para nomear localidades, como em [[Umuarama]], literalmente ''lugar bom para unir amigos'', criação de Silveira Bueno.


Alguns dos radicais mais comuns em tupi-guarani são ''para-'' (rio), ''-í'' ou '''I-'' (água), ''Ita-'' (pedra, morro, montanha), ''Ibi-'' (madeira, árvore), ''Pira-'' (peixe), ''Guira-'' (pássaro), ''-úna'' (preto, negro), ''-piranga'' ou ''-pitanga'' (vermelho), ''-tinga'' (branco), ''-obi'' (azul), ''-guaçu'' (grande), ''-mirim'' (pequeno), ''-atã'' (duro), ''-catu'' (bom), ''-panema'' (ruim), ''-bira'' (empinado, ereto, erguido), ''-sununga'' (barulhento) e ''-tiba'' (lugar cheio de...).
Alguns dos radicais mais comuns em tupi-guarani são ''para-'' (rio), ''-í'' ou '''I-'' (água), ''Ita-'' (pedra, morro, montanha), ''Ibi-'' (madeira, árvore), ''Pira-'' (peixe), ''Guira-'' (pássaro), ''-úna'' (preto, negro), ''-piranga'' ou ''-pitanga'' (vermelho), ''-tinga'' (branco), ''-obi'' (azul), ''-guaçu'' (grande), ''-mirim'' (pequeno), ''-atã'' (duro), ''-catu'' (bom), ''-panema'' (ruim), ''-bira'' (empinado, ereto, erguido), ''-sununga'' (barulhento) e ''-tiba'' (lugar cheio de).


== Literatura clássica ==
== Origens por tema ==
=== Literatura clássica ===
Já o próprio nome do país, Brasil, que vem de ''cor de brasa'', [[vermelho]], e por extensão é usado como metáfora do'' [[pôr do sol]]'' com o sentido de ''do [[Oeste|lado oeste]]'', existia na [[literatura medieval]] do [[Santo Graal|ciclo do Graal]] (cf. [[Parzival]]) e em algumas [[Ilha do Brasil|lendas]] [[celta]]s da [[Irlanda]]. [[Amazonas]], [[Brasília]], [[Belo Horizonte]] são referências às línguas e a cultura clássica europeias aproveitadas como topônimos.


=== Hierotopônimos ===
Já o próprio nome do país, Brasil, que vem de ''cor de brasa'', vermelho, e por extensão é usado como metáfora do'' pôr-do-sol'' com o sentido de ''do lado oeste'', existia na literatura medieval do ciclo do Graal (cf. [[Parzival]]) e em algumas [[Ilha do Brasil|lendas]] [[celta]]s da [[Irlanda]]. [[Amazonas]], [[Brasília]], [[Belo Horizonte]] são referências às línguas e a cultura clássica europeias aproveitadas como topônimos.
O uso de nomes sagrados como topônimos tem intima relação com a filiação à [[Igreja Católica]] de ampla parcela da população. Desde os [[Navegadores portugueses|primeiros navegadores]] que chegaram ao país, é comum o hábito de consultar o [[santo do dia]] para nomear a localidade, atribuído à fé ([[Vicente de Saragoça|São Vicente]], [[Baía de Todos os Santos]]).


Menos conhecido é o fato de a autorização de erigir uma [[capela]], dada pela autoridade eclesiástica mais próxima, servir, no [[Colonização do Brasil|tempo colonial]], como prova de ocupação de uma gleba de terra, tornando-se indiretamente, um título de propriedade precário, mas à falta de outro, eficiente em testemunhar a [[Posse (direito)|posse]] ([[Freguesia do Ó]]).
== Hierotopônimos ==


Modernamente têm aparecido hierotopônimos referentes a outras religiões, notadamente as [[Religiões afro-brasileiras|afro-brasileiras]] ([[Terreiro do Gantois|Gantois]], [[Candeal]]).
O uso de nomes sagrados como topônimos tem intima relação com a filiação à [[igreja católica]] de ampla parcela da população. Desde os primeiros navegadores que por aqui chegaram, é comum o hábito de consultar o santo do dia para nomear a localidade, atribuído à fé ([[São Vicente]], [[Baía de Todos os Santos]]).


== Estatísticas ==
Menos conhecido é o fato de a autorização de erigir uma capela, dada pela autoridade eclesiástica mais próxima, servir,
Segundo um estudo desenvolvido por Théry e Mello,<ref>{{citar livro|último1=THÉRY|primeiro1=Hervé |último2=MELLO|primeiro2=Neli Aparecida de|título=Atlas do Brasil: Disparidades e Dinâmicas do Território|editora=EDUSP|isbn=8531408695}}</ref> os [[topônimo]]s mais utilizados para nomear municípios brasileiros são os hierotopônimos. As palavras "são", "santo", e "santa" são as mais presentes nos nomes, explicado pela tradição [[Catolicismo|católica]] de se dar a nova localidade o nome do santo festejado no dia de sua fundação.
no tempo colonial, como prova de ocupação de uma gleba de terra, tornando-se indiretamente, um título de propriedade precário, mas à falta de outro, eficiente em testemunhar a posse ([[Freguesia do Ó]]).


Em segundo lugar encontramos termos referentes ao [[meio natural]], fato perfeitamente compreensível considerando-se que no momento de se nomear um povoamento fundado numa [[região]] até então inabitada, é normal referir-se aos únicos elementos visíveis naquele momento ([[campo (bioma)|campos]], [[lagoa]], [[rio]], [[Montanha|monte]], [[colina]], [[Bosque|mata]] etc).
Modernamente têm aparecido hierotopônimos referentes a outras religiões, notadamente as afro-brasileiras ([[Terreiro do Gantois|Gantois]], [[Candeal]]).


Outro grupo de nomes bastante comuns no Brasil refere-se aos [[pontos cardeais]], que aparecem frequentemente ao final dos nomes dos municípios. O "[[sul]]" é o mais comum, seguido por "[[oeste]]" e "[[norte]]". O termo "[[leste]]" é pouco frequente, o que pode ser explicado pela colonização do país ter se dado [[Marcha para o Oeste|rumo ao oeste]].
== Estudo estatístico sobre topônimos ==


A categoria de [[municípios]] precedidos do termo "novo" ou "nova" é a quarta mais comum, indicando a criação de um outro município homônima a outra já existente.
Segundo um estudo desenvolvido por Théry e Mello(1), os [[topônimo]]s mais utilizados para nomear municípios brasileiros são os hierotopônimos. As palavras "são", "santo", e "santa" são as mais presentes nos nomes, explicado pela tradição [[Catolicismo|católica]] de se dar a nova localidade o nome do santo festejado no dia de sua fundação.


=== Termos mais frequentes ===
Em segundo lugar encontramos termos referentes ao meio natural, fato perfeitamente compreensível considerando-se que no momento de se nomear um povoamento fundado numa [[região]] até então inabitada, é normal referir-se aos únicos elementos visíveis naquele momento ([[campo]]s, [[lagoa]], [[rio]], [[monte]], [[colina]], [[mata]] etc.)
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Outro grupo de nomes bastante comuns no Brasil refere-se aos pontos cardeais, que aparecem frequentemente ao final dos nomes dos municípios. O [[Sul]] é o mais comum, seguido pelo [[Oeste]] e o [[Norte]]. O termo [[Leste]] é pouco frequente, o que pode ser explicado pela colonização do país ter se dado rumo ao Oeste.
! Topônimos !! Número de municípios !! Categoria !! Total da categoria

A categoria de [[municípios]] precedidos do termo "''Novo''" ou "''Nova''" é a quarta mais comum, indicando a criação de um outro município homônima a outra já existente.

===Nomes mais frequentes no Brasil===

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! ''Topônimos'' !! ''Número de municípios'' !! ''Categoria'' !! ''Total da categoria''
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* {{dic|nova}}
* {{dic|novo}} }}
|187 || qualificativos||495
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|{{dic|José}}
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|{{dic|sul}}
!Sul
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|{{dic|presidente}}
!Presidente
|27||títulos/cargos||85
|27||títulos/cargos||85
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==='''Relação dos Nomes Homônimos Perfeitos das Localidades no Brasil'''===
=== Homônimos perfeitos ===
Segundo estudo desenvolvido por [[ANDRADE, J. S.]] há no Brasil 507 cidades e 899 distritos, cujos nomes são idênticos.<ref>{{citar web|url=http://www.mbi.com.br/mbi/biblioteca/tutoriais/brasao-armas-localidade/|titulo=Brasão de Armas de Localidade|autor=ANDRADE, J.S}}</ref>
Segundo estudo desenvolvido por ANDRADE há no Brasil 507 cidades e 899 distritos, cujos nomes são idênticos.<ref>{{citar web|url=http://www.mbi.com.br/mbi/biblioteca/tutoriais/brasao-armas-localidade/|titulo=Brasão de Armas de Localidade: patrimônio cívico, cultural e material da (na) localidade|autor=ANDRADE, J.S|editora=MBI|ano=2013}}</ref>


'''''Nota:''''' para o nome de certas e nobres localidades constarem na tabela abaixo, eles têm que ser idênticos, não podendo haver acréscimo de '''''locuções adverbiais de lugar''''', por exemplo: de Goiás, do Norte, do Sul, nesta pesquisa foi apenas considerado os identicamente perfeitos.
Para o nome de certas e nobres localidades constarem na tabela abaixo, eles têm que ser idênticos, não podendo haver acréscimo de locuções adverbiais de lugar, por exemplo: de Goiás, do Norte, do Sul, nesta pesquisa foi apenas considerado os identicamente perfeitos. Sendo assim, apenas as localidades de [[Alto Paraíso (Paraná)|Alto Paraíso]], no [[Paraná]], e [[Alto Paraíso (Rondônia)|Alto Paraíso]], em [[Rondônia]], constam na tabela por terem seus nomes idênticos, sem a presença de [[Alto Paraíso de Goiás]], que leva locução adverbial de lugar ("de Goiás") em seu nome.


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'''''Nota:''''' 2 das nobres localidades de [[Alto Paraíso (Paraná)|Alto Paraíso]]/[[PR]] e [[Alto Paraíso (Rondônia)|Alto Paraíso]]/[[RO]], apenas as mesmas constam na tabela por terem seus nomes idênticos, sem a presença da locução adverbial de lugar: de Goiás, isto é [[Alto Paraíso de Goiás]]/[[GO]].

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'''Fonte:''' ANDRADE, J. S. '''Brasão de Armas de Localidade: patrimônio cívico, cultural e material da (na) localidade'''. MBI, 2013.

== Bibliografia ==
* THÉRY,Hervé e MELLO, Neli Aparecida de. - ''Atlas do Brasil: Disparidades e Dinâmicas do Território''. EDUSP ISBN 8531408695
* DICK, Maria Vicentina de P. do Amaral - ''A motivação toponímica e a realidade brasileira''. Edições Arquivo do Estado de S.Paulo
* [[Teodoro Fernandes Sampaio|SAMPAIO, Teodoro]] - ''O Tupi na Geografia Nacional''. Ed. Câmara Municipal de Salvador


== Ver também ==
== Ver também ==
* [[Topónimos tupi-guaranis no Brasil]]
* [[Toponímia]]
* [[Toponímia]]
* [[Línguas tupi-guaranis]]
* [[Línguas tupi-guaranis]]
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* [[Etimologia de Brasil]]
* [[Etimologia de Brasil]]


{{Referências}}
== Ligações externas ==

* [http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141994000300059&script=sci_arttext&tlng=pt Toponímia e Línguas Indígenas do Brasil] (em PDF)
== Bibliografia ==
* [http://www.rbc.ufrj.br/_2006/58_2_09.htm "Geonímia do Brasil: pesquisa, reflexões e aspectos relevantes"] (artigo Prof. Paulo Márcio Leal de Menezes, UFRJ, na Revista Brasileira de Cartografia)
* {{Citar web|url=http://www.filologia.org.br/ixcnlf/16/09.htm|titulo=Hierotoponímia portuguesa: os nomes de Nossa Senhora|acessodata=2017-10-25|obra=www.filologia.org.br|publicado=USP|ultimo=Carvalhinhos|primeiro=Patricia de Jesus}}
* [http://naeg.prg.usp.br/relatorio/disciplina.phtml?id_disciplina=FLC0503 Curso USP]
* {{citar livro|último=DICK|primeiro=Maria Vicentina de P. do Amaral |título=A motivação toponímica e a realidade brasileira|editora=Edições Arquivo do Estado de S. Paulo}}
* [http://www.filologia.org.br/ixcnlf/16/09.htm Hierotoponímia]
* {{Citar periódico|ultimo=Dick|primeiro=Maria Vicentina|data=dezembro de 1994|titulo=Toponimia e Línguas Indígenas do Brasil|jornal=Estudos Avançados|volume=8|numero=22|paginas=435–436|issn=0103-4014|doi=10.1590/S0103-40141994000300059|url=http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0103-40141994000300059&lng=en&nrm=iso&tlng=pt}}
* {{Citar periódico|url=http://www.rbc.ufrj.br/_2006/58_2_09.htm|titulo=Geonímia do Brasil: pesquisa, reflexões e aspectos relevantes|data=abril de 2006|acessodata=2017-10-25|jornal=RBC — Revista Brasileira de Cartografia / Brazilian Journal of Cartography|ultimo=Menezes|primeiro=Paulo Márcio Leal de|ultimo2=Santos|primeiro2=Cláudio João Barreto dos|número=58/2|arquivourl=http://web.archive.org/web/20110706162151/http://www.rbc.ufrj.br/_2006/58_2_09.htm|arquivodata=2011-07-06|urlmorta=sim}}
* {{citar livro|autor=[[Teodoro Fernandes Sampaio|SAMPAIO, Teodoro]]|título=O Tupi na Geografia Nacional|editora=Ed. Câmara Municipal de Salvador}}

{{Portal3|Brasil|Linguística|Geografia}}


[[Categoria:Toponímia do Brasil| ]]
[[Categoria:Toponímia do Brasil| ]]
[[Quadro de divisões administrativas por país]]

Revisão das 17h22min de 25 de outubro de 2017

Predefinição:História do Brasil/Generalidades A toponímia do Brasil é o conjunto de topônimos mais utilizados no Brasil, e demonstra claramente o modo de ocupação da terra a partir do descobrimento e do início da colonização. Nomes em tupi-guarani usados pelos ameríndios sobreviveram aos nomes de personagens sacros (hierotopônimos), aos nomes clássicos e antropônimos utilizados pelos europeus que lá aportaram e que completando um antropofágico ideal, voltaram a usar o idioma nativo para nomear a terra. Ocupado de leste para oeste, do litoral para o sertão, acompanhando primeiro os rios e depois as estradas de ferro ou rodagem, o processo é ainda historicamente recente e pode ser estudado em detalhes.

Origens por língua

Topônimos tupi-guaranis

Existem dois tipos: os utilizados pelos próprios indígenas (Guarujá, Aracaju) e que sobreviveram, e os modernos, numa utilização tardia do idioma tupi-guarani. Desde que José de Alencar colocou sua índia idealizada a suspirar a volta do navio com seu amado (Praia de Iracema, Fortaleza, Ceará), muitos eruditos utilizaram termos ameríndios para nomear localidades, como em Umuarama, literalmente lugar bom para unir amigos, criação de Silveira Bueno.

Alguns dos radicais mais comuns em tupi-guarani são para- (rio), ou 'I- (água), Ita- (pedra, morro, montanha), Ibi- (madeira, árvore), Pira- (peixe), Guira- (pássaro), -úna (preto, negro), -piranga ou -pitanga (vermelho), -tinga (branco), -obi (azul), -guaçu (grande), -mirim (pequeno), -atã (duro), -catu (bom), -panema (ruim), -bira (empinado, ereto, erguido), -sununga (barulhento) e -tiba (lugar cheio de).

Origens por tema

Literatura clássica

Já o próprio nome do país, Brasil, que vem de cor de brasa, vermelho, e por extensão é usado como metáfora do pôr do sol com o sentido de do lado oeste, existia na literatura medieval do ciclo do Graal (cf. Parzival) e em algumas lendas celtas da Irlanda. Amazonas, Brasília, Belo Horizonte são referências às línguas e a cultura clássica europeias aproveitadas como topônimos.

Hierotopônimos

O uso de nomes sagrados como topônimos tem intima relação com a filiação à Igreja Católica de ampla parcela da população. Desde os primeiros navegadores que chegaram ao país, é comum o hábito de consultar o santo do dia para nomear a localidade, atribuído à fé (São Vicente, Baía de Todos os Santos).

Menos conhecido é o fato de a autorização de erigir uma capela, dada pela autoridade eclesiástica mais próxima, servir, no tempo colonial, como prova de ocupação de uma gleba de terra, tornando-se indiretamente, um título de propriedade precário, mas à falta de outro, eficiente em testemunhar a posse (Freguesia do Ó).

Modernamente têm aparecido hierotopônimos referentes a outras religiões, notadamente as afro-brasileiras (Gantois, Candeal).

Estatísticas

Segundo um estudo desenvolvido por Théry e Mello,[1] os topônimos mais utilizados para nomear municípios brasileiros são os hierotopônimos. As palavras "são", "santo", e "santa" são as mais presentes nos nomes, explicado pela tradição católica de se dar a nova localidade o nome do santo festejado no dia de sua fundação.

Em segundo lugar encontramos termos referentes ao meio natural, fato perfeitamente compreensível considerando-se que no momento de se nomear um povoamento fundado numa região até então inabitada, é normal referir-se aos únicos elementos visíveis naquele momento (campos, lagoa, rio, monte, colina, mata etc).

Outro grupo de nomes bastante comuns no Brasil refere-se aos pontos cardeais, que aparecem frequentemente ao final dos nomes dos municípios. O "sul" é o mais comum, seguido por "oeste" e "norte". O termo "leste" é pouco frequente, o que pode ser explicado pela colonização do país ter se dado rumo ao oeste.

A categoria de municípios precedidos do termo "novo" ou "nova" é a quarta mais comum, indicando a criação de um outro município homônima a outra já existente.

Termos mais frequentes

Topônimos Número de municípios Categoria Total da categoria
579 religioso 800
rio 94 elemento ambiental 590
187 qualificativos 495
José 69 nomes de pessoas 413
sul 109 pontos cardeais 204
presidente 27 títulos/cargos 85

Homônimos perfeitos

Segundo estudo desenvolvido por ANDRADE há no Brasil 507 cidades e 899 distritos, cujos nomes são idênticos.[2]

Para o nome de certas e nobres localidades constarem na tabela abaixo, eles têm que ser idênticos, não podendo haver acréscimo de locuções adverbiais de lugar, por exemplo: de Goiás, do Norte, do Sul, nesta pesquisa foi apenas considerado os identicamente perfeitos. Sendo assim, apenas as localidades de Alto Paraíso, no Paraná, e Alto Paraíso, em Rondônia, constam na tabela por terem seus nomes idênticos, sem a presença de Alto Paraíso de Goiás, que leva locução adverbial de lugar ("de Goiás") em seu nome.

Localidade Unidade federativa
Água Boa Mato Grosso Minas Gerais -
Água Branca Alagoas Paraíba Piauí
Alagoinha Paraíba Pernambuco -
Alto Alegre Rio Grande do Sul Roraima São Paulo
Alto Paraíso Paraná Rondônia -
Alvorada Rio Grande do Sul Tocantins -
Amparo Paraíba São Paulo -
Anchieta Espírito Santo Santa Catarina -
Antônio Carlos Minas Gerais Santa Catarina -
Aparecida Paraíba São Paulo -
Araguanã Maranhão Tocantins -
Araruna Paraíba Paraná -
Areia Branca Rio Grande do Norte Sergipe -
Atalaia Alagoas Paraná -
Aurora Ceará Santa Catarina -

Ver também

Referências

  1. THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: Disparidades e Dinâmicas do Território. [S.l.]: EDUSP. ISBN 8531408695 
  2. ANDRADE, J.S (2013). «Brasão de Armas de Localidade: patrimônio cívico, cultural e material da (na) localidade». MBI 

Bibliografia