Ecótipo: diferenças entre revisões

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Apesar de ser classificada como mesma [[espécie]] que o arroz comercial, em diferentes ecótipos as características morfológicas, fisiológicas e fenológicas do arroz vermelho são amplamente diversas. O crescimento e o desenvolvimento variam expressivamente entre os ecótipos em função do clima, solo e umidade do local, podendo em alguns lugares ser tratada como planta [[daninha]] devido a sua alta capacidade de desenvolvimento em ambientes secos. Em alguns casos, o combate ao arroz-vermelho como planta daninha é dificultado pela grande diversidade genética resultante de vários ecótipos que modificaram essa espécie. Em determinado ecótipo, as plantas de arroz possuem uma estatura maior, um crescimento mais acelerado e uma alta capacidade de dispersão. Em contrapartida, há também a variante que favorece o arroz vermelho a ter menor estatura, um crescimento mais lento e baixa [[Dispersão (botânica)|capacidade dispersiva]].<ref>{{Citar periódico|ultimo=Schwanke|primeiro=A.M.L.|ultimo2=Noldin|primeiro2=J.A.|ultimo3=Andres|primeiro3=A.|ultimo4=Procópio|primeiro4=S.O.|ultimo5=Concenço|primeiro5=G.|data=2008-06|titulo=Caracterização morfológica de ecótipos de arroz daninho (Oryza sativa) provenientes de áreas de arroz irrigado|url=https://doi.org/http://dx.doi.org/10.1590/S0100-83582008000200001|jornal=Planta Daninha|volume=26|numero=2|paginas=249–260|doi=10.1590/s0100-83582008000200001|issn=0100-8358}}</ref>
Apesar de ser classificada como mesma [[espécie]] que o arroz comercial, em diferentes ecótipos as características morfológicas, fisiológicas e fenológicas do arroz vermelho são amplamente diversas. O crescimento e o desenvolvimento variam expressivamente entre os ecótipos em função do clima, solo e umidade do local, podendo em alguns lugares ser tratada como planta [[daninha]] devido a sua alta capacidade de desenvolvimento em ambientes secos. Em alguns casos, o combate ao arroz-vermelho como planta daninha é dificultado pela grande diversidade genética resultante de vários ecótipos que modificaram essa espécie. Em determinado ecótipo, as plantas de arroz possuem uma estatura maior, um crescimento mais acelerado e uma alta capacidade de dispersão. Em contrapartida, há também a variante que favorece o arroz vermelho a ter menor estatura, um crescimento mais lento e baixa [[Dispersão (botânica)|capacidade dispersiva]].<ref>{{Citar periódico|ultimo=Schwanke|primeiro=A.M.L.|ultimo2=Noldin|primeiro2=J.A.|ultimo3=Andres|primeiro3=A.|ultimo4=Procópio|primeiro4=S.O.|ultimo5=Concenço|primeiro5=G.|data=2008-06|titulo=Caracterização morfológica de ecótipos de arroz daninho (Oryza sativa) provenientes de áreas de arroz irrigado|url=https://doi.org/http://dx.doi.org/10.1590/S0100-83582008000200001|jornal=Planta Daninha|volume=26|numero=2|paginas=249–260|doi=10.1590/s0100-83582008000200001|issn=0100-8358}}</ref>

=== Outros exemplos ===
A ''C. canjerana'' é uma planta nativa encontrada em quase todas as formações vegetais do Brasil. No ano de 2000 foram encontrados ecótipos em sua subespécie ''polytricha,'' todavia uma parte dos dados não pode ser confirmada pelo método quantitativo das correlações genéticas. As diferenças significativas entre as populações da ''C. canjerana'' subsp. ''Polytricha'' se mostraram evidentes tanto pelo peso dos frutos, quanto pela altura e também com a ocorrência de “trade-offs”.<ref name=":3">{{Citar periódico|ultimo=Fuzeto|primeiro=Adriana Paula|ultimo2=Lomônaco|primeiro2=Cecília|data=2000-6|titulo=Plastic potential of Cabralea canjerana subsp. polytricha (Adr. Juss.) Penn. (Meliaceae) and its role on the ecotype formation in savanna and palm swamp areas, Uberlândia, MG|url=http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0100-84042000000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=pt|jornal=Brazilian Journal of Botany|volume=23|numero=2|paginas=169–176|doi=10.1590/S0100-84042000000200007|issn=0100-8404}}</ref>
Ecótipos da planta aquática ''Lemna'' nativa da Europa, África, Ásia e América do Norte foram encontrados pelo pesquisador Bradshaw em 1963. Nesse caso, curiosamente os ecótipos foram encontrados em uma distância inferior a 10 metros de distância uns dos outros.<ref name=":3" />

Em 1990 foram encontrados ecótipos da orquídea ''Cymbidium goeringii'' na Coréia, essa planta é encontrada em grande parte do Leste Asiático, como Japão, China e Coréia do Sul.<ref name=":3" />
Foram identificados ecótipos de ''Trifolium repens'' L. em 1998 adaptados a diferentes concentrações de fósforo no solo pelos pesquisadores Hart & Colvillec.<ref name=":3" />

Fatores climáticos e edáficos possivelmente influenciaram o surgimento de ecótipos em ''Poa pratensis'' L''.'' e ''Agrostis capillaris'' L, descobertos em 1968 por Helgadottir & Snaydon.<ref name=":3" />


== Importância da conservação dos diferentes ecótipos ==
== Importância da conservação dos diferentes ecótipos ==

Revisão das 03h12min de 28 de junho de 2018

Diferenças morfológicas na barbatana dorsal em Orcinus orca representando diferentes ecótipos.

Dentro de uma espécie, ecótipos são caracterizados como populações que apresentam diferenças genotípicas que proporcionam melhor adaptação aos diferentes habitats onde a espécie possa vir a ser encontrada.[1] Estas divergências surgem por meio de seleção natural como consequência de pressões seletivas distintas entre as populações separadas (mas não totalmente isoladas) por eventos das mais diversas origens.[2][3]

Apesar de apresentarem pequenas variações em seu genoma, os diferentes ecótipos são considerados de uma mesma espécie pois o fluxo gênico ainda ocorre e, caso ocorra intercruzamento entre as diferentes populações, as linhagens ainda serão viáveis.[3]

O termo ecótipo foi proposto em 1922 pelo botânico evolucionista sueco Göte Turesson que o definiu como o produto (neste caso, as variações morfológicas) gerado pela resposta genotípica a um habitat específico. Turesson também cunhou o termo ecoéspecies para se referir ao conjunto de todos os ecótipos de uma espécie.[4] Um ecótipo, como tal, não tem definição taxonômica formal por se tratar de uma classificação ecológica e não filogenética.[5]

Exemplos

Os diferentes ecótipos de uma determinada espécie refletem a estreita relação entre o indivíduo e o seu habitat. Essa associação pode levar a caracteres interessantes, como por exemplo, uma espécie de planta onde parte de seus indivíduos cresce muito melhor quando sob o sol em comparação a outro grupo da sua espécie.[2] A seguir apresentaremos alguns desses ecótipos já descritos.

Boto-cinza (Sotalia guianensis)
Sotalia guianensis.

O boto-cinza apresenta dois ecótipos bem definidos, sendo um marinho e outro fluvial. O ecótipo marinho ocorre nas regiões costeiras tropicais e subtropicais da América Latina, continuamente entre as regiões do Nicarágua até Santa Catarina. O ecótipo fluvial, que é considerado endêmico nas bacias dos Rios Amazonas e Orinoco pode ser encontrado outras regiões como a Baía Norte em Santa Catarina, Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, Baía de Guaratuba no Paraná e também na Baía de Todos os Santos, Bahia.[6]

Phaseolus vulgaris.
Feijão (Phaseolus vulgaris L.)

Os diferentes ecótipos de feijoeiro cultivados no semiárido expressam variações significativas durante as trocas gasosas e na eficiência instantânea no uso de água, entretanto, não foram encontradas diferenças significativas quanto área foliar, conteúdo de água na folha e eficiência fotossintética.[7] Outro estudo, realizado em populações de feijões na Itália, analisaram a quantidade de produção de flavonoides em três ecótipos diferentes, são eles Sarconi, Lamon e Zolfino del Pratomagno. Os resultados indicaram uma grande divergência na quantidade de produção desses compostos em cada população, o que por sua vez pode indicar diferenças metabólicas na síntese dessas substâncias. [8]

Baleias Assassinas (Orcinus orca)

As baleias assassinas apresentam distribuição geográfica quase que global e desempenham importantes papéis ecológicos. As populações que habitam o Hemisfério Norte foram bem caracterizadas e cientistas puderam descrever três ecótipos distintos, que apresentam diferenças entre dieta e morfologia. As diferentes dietas variam entre peixes, polvos, focas e até mesmo outros cetáceos.[5]

Aspalathus linearis.
Rooibos (Aspalathus linearis)

A planta africana Rooibos (Aspalathus linearis), comumente utilizada para chás e valorizada pela sua importância na fixação de nitrogênio, tem sua distribuição natural restrita entre o noroeste e oeste do território sul-africano e possui 7 ecótipos observados e descritos até o momento. Suas populações se diferenciam principalmente pelo desenvolvimento da planta, variando entre arbustos, árvores e rasteiras, assim como entre domesticadas e selvagens. As variações destes ecótipos são significativamente distintas em sua forma morfológica e funcional, levando a análise de uma possível reclassificação da espécie em subespécies.[9]

Oryza sativa
Arroz vermelho (Oryza sativa)

Apesar de ser classificada como mesma espécie que o arroz comercial, em diferentes ecótipos as características morfológicas, fisiológicas e fenológicas do arroz vermelho são amplamente diversas. O crescimento e o desenvolvimento variam expressivamente entre os ecótipos em função do clima, solo e umidade do local, podendo em alguns lugares ser tratada como planta daninha devido a sua alta capacidade de desenvolvimento em ambientes secos. Em alguns casos, o combate ao arroz-vermelho como planta daninha é dificultado pela grande diversidade genética resultante de vários ecótipos que modificaram essa espécie. Em determinado ecótipo, as plantas de arroz possuem uma estatura maior, um crescimento mais acelerado e uma alta capacidade de dispersão. Em contrapartida, há também a variante que favorece o arroz vermelho a ter menor estatura, um crescimento mais lento e baixa capacidade dispersiva.[10]

Outros exemplos

A C. canjerana é uma planta nativa encontrada em quase todas as formações vegetais do Brasil. No ano de 2000 foram encontrados ecótipos em sua subespécie polytricha, todavia uma parte dos dados não pode ser confirmada pelo método quantitativo das correlações genéticas. As diferenças significativas entre as populações da C. canjerana subsp. Polytricha se mostraram evidentes tanto pelo peso dos frutos, quanto pela altura e também com a ocorrência de “trade-offs”.[11] Ecótipos da planta aquática Lemna nativa da Europa, África, Ásia e América do Norte foram encontrados pelo pesquisador Bradshaw em 1963. Nesse caso, curiosamente os ecótipos foram encontrados em uma distância inferior a 10 metros de distância uns dos outros.[11]

Em 1990 foram encontrados ecótipos da orquídea Cymbidium goeringii na Coréia, essa planta é encontrada em grande parte do Leste Asiático, como Japão, China e Coréia do Sul.[11] Foram identificados ecótipos de Trifolium repens L. em 1998 adaptados a diferentes concentrações de fósforo no solo pelos pesquisadores Hart & Colvillec.[11]

Fatores climáticos e edáficos possivelmente influenciaram o surgimento de ecótipos em Poa pratensis L. e Agrostis capillaris L, descobertos em 1968 por Helgadottir & Snaydon.[11]

Importância da conservação dos diferentes ecótipos

A devastação dos biomas em todo o mundo tem tomado dimensões alarmantes devido a possibilidade de destruição do habitat de diversas espécies podendo, eventualmente, ocasionar a extinção desta espécie.

A conservação da variabilidade dos ecótipos está intimamente ligada com a proteção de seu habitat natural, considerando-se que ambas possuem uma relação de cumplicidade e dependência. Tendo em vista a conservação destes ecótipos, principalmente aqueles já ameaçados de extinção, tem-se elaborado estratégias para a manutenção tanto da espécie como a de seu ecossistema. Uma dessas estratégias propõe medidas como evitar o plantio de sementes ou mudas em locais distantes de suas origens para evitar a perda de caracteres já adaptados a outro ambiente. [12]

Ver também

Referências

  1. Molles, Manuel C., Jr. (2005). Ecology: Concepts and Applications 3rd edition ed. New York: The McGraw-Hill Companies, Inc. 201 páginas. ISBN 0-07-243969-6 
  2. a b «ecotype - Dictionary of botany». botanydictionary.org. Consultado em 28 de junho de 2018 
  3. a b Michael,, Begon,; L.,, Harper, John. Ecology : from individuals to ecosystems Fourth edition ed. Malden, MA: [s.n.] ISBN 9781405111171. OCLC 57675855 
  4. TURESSON, GÖTE (9 de julho de 2010). «THE SPECIES AND THE VARIETY AS ECOLOGICAL UNITS». Hereditas (em inglês). 3 (1): 100–113. ISSN 0018-0661. doi:10.1111/j.1601-5223.1922.tb02727.x 
  5. a b de Bruyn, P. J. N.; Tosh, Cheryl A.; Terauds, Aleks (9 de agosto de 2012). «Killer whale ecotypes: is there a global model?». Biological Reviews (em inglês). 88 (1): 62–80. ISSN 1464-7931. doi:10.1111/j.1469-185x.2012.00239.x 
  6. «Boto Cinza. Botos em Paraty, Rio de janeiro». www.paraty.com.br. Consultado em 28 de junho de 2018 
  7. Ferraz, Rener Luciano de Souza; Melo, Alberto Soares de; Suassuna, Janivan Fernandes; Brito, Marcos Eric Barbosa de; Fernandes, Pedro Dantas; Júnior, Nunes; Silva, Edivan da (junho de 2012). «Trocas gasosas e eficiência fotossintética em ecótipos de feijoeiro cultivados no semiárido». Pesquisa Agropecuária Tropical. 42 (2): 181–188. ISSN 1983-4063. doi:10.1590/S1983-40632012000200010 
  8. Dinelli, Giovanni; Bonetti, Alessandra; Minelli, Maurizio; Marotti, Ilaria; Catizone, Pietro; Mazzanti, Andrea (janeiro de 2006). «Content of flavonols in Italian bean (Phaseolus vulgaris L.) ecotypes». Food Chemistry. 99 (1): 105–114. ISSN 0308-8146. doi:10.1016/j.foodchem.2005.07.028 
  9. Hawkins, H.-J.; Malgas, R.; Biénabe, E. (abril de 2011). «Ecotypes of wild rooibos (Aspalathus linearis (Burm. F) Dahlg., Fabaceae) are ecologically distinct». South African Journal of Botany. 77 (2): 360–370. ISSN 0254-6299. doi:10.1016/j.sajb.2010.09.014 
  10. Schwanke, A.M.L.; Noldin, J.A.; Andres, A.; Procópio, S.O.; Concenço, G. (junho de 2008). «Caracterização morfológica de ecótipos de arroz daninho (Oryza sativa) provenientes de áreas de arroz irrigado». Planta Daninha. 26 (2): 249–260. ISSN 0100-8358. doi:10.1590/s0100-83582008000200001 
  11. a b c d e Fuzeto, Adriana Paula; Lomônaco, Cecília (junho de 2000). «Plastic potential of Cabralea canjerana subsp. polytricha (Adr. Juss.) Penn. (Meliaceae) and its role on the ecotype formation in savanna and palm swamp areas, Uberlândia, MG». Brazilian Journal of Botany. 23 (2): 169–176. ISSN 0100-8404. doi:10.1590/S0100-84042000000200007 
  12. Shimizu, Jarbas (30 de maio de 2007). «Estratégia complementar para conservação de espécies florestais nativas: resgate e conservação de ecótipos ameaçados.». Pesquisa Florestal Brasileira. Consultado em 27 de junho de 2018 
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