Águia-de-haast

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representação artística de uma águia de Haast atacando um par de moas

representação artística de uma águia de Haast atacando um par de moas
Estado de conservação
Extinta
Extinta  (século XV) (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Accipitriformes

Falconiformes

Família: Accipitridae
Género: Harpagornis
Espécie: H. moorei
Nome binomial
Harpagornis moorei
(Haast, 1872)

A águia-de-Haast (Harpagornis moorei), foi uma grande ave de rapina que uma vez habitou a ilha do sul na Nova Zelândia, comumente aceita como sendo o Pouakai que segundo a lenda maori era um pássaro monstruoso que matava e comia humanos. A espécie é geralmente referida como a maior águia que já existiu, seu tamanho maciço é explicado como uma resposta ao tamanhos de suas presas, já que se alimentava principalmente de grandes animais como a moa, uma grande ave terrestre que podia pesar até 230 kg e era 15 vezes mais pesada que a própria águia. A águia de Haast tornou-se extinta por volta de 1400, depois que a moa, sua principal presa, foi caçada até a extinção pelos primeiros Maoris.[1]

Taxonomia e evolução[editar | editar código-fonte]

crânios de águia de Haast exposto em um museu

A águia de Haast foi descrita pela primeira vez pelo geólogo alemão Julius von Haast em 1871, com base em restos encontrados por F. Fuller em uma antiga fazenda. Haast nomeou oficialmente a espécie como Harpagornis moorei em homenagem á George Henry Moore, dono de uma fazenda onde os ossos do pássaro foram encontrados. O nome é proveniente do grego ''harpax'', que significa ''gancho'', uma referência as suas grandes garras em forma de gancho, e ''ornis'', que significa ''pássaro''.[2]

Uma análise de DNA mostrou que a águia de Haast está mais relacionada evolutivamente com a águia pequena (Hieraaetus morphnoides) e com a água calçada (Hieraaetus pennatus), do que com a grande águia de audax (aquila audax) como anteriormente havia se pensado, sendo que a águia de haast se divergiu de seus parentes próximos do gênero Hieraaetus há apenas cerca de 700 mil anos. Se está estimativa estiver correta, seu aumento de peso em dez a quinze vezes em comparação com seus parentes vivos mais próximos é um crescimento relativamente rápido. Isso foi possível em parte devido a presença de grandes presas e pela ausência da concorrência com outros grandes predadores.[3]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A águia de Haast foi uma das maiores aves de rapina que já viveu, sendo em comprimento e peso maior do que os maiores abutres vivos. Outra águia gigante de registro fóssil a Amplibuteo woodwardi, foi descrita recentemente e rivaliza com a águia de Haast em aspecto de comprimento total, sendo relativamente mais leve. As águias de Haast fêmeas foram significativamente maiores que os machos, a maioria das estimativas sugerem um peso feminino na faixa de 10-15 kg e masculino em torno de 9-12 kg, uma comparação com águias vivas da região australásica resultou em massas corporais ao redor de 14 kg para as fêmeas e de 11,5 kg para os machos, as maiores fêmeas no entanto podem ter pesado até 16,5 kg.[4]

morfologia comparativa da águia de Haast com seu parente vivo mais próximo a águia pequena (Hieraaetus morphnoides).

A maioria das espécie de grandes águias existentes não excedem aos 9 kg de peso em estado selvagem, sendo cerca de 40% menores em tamanho corporal que as águias de Haast.

A águia de Haast possuía uma envergadura relativamente curta para o seu tamanho, estima-se que as fêmeas plenamente crescidas normalmente tivessem uma envergadura de 2,60 m e possivelmente até 3,00 m em alguns casos, sendo um tamanho amplamente semelhante ao de outras grandes águias vivas como a águia dourada, a águia marcial e a águia marinha de steller, que são conhecidas por terem asas de mais 2,50 m, várias espécies dos maiores abutres do velho mundo, ainda que sejam mais leves, provavelmente também são maiores que a águia de Haast em envergadura média. Asas curtas podem ter auxiliado as águias de haast a se deslocarem por entre as densas florestas e matas fechadas da Nova Zelândia.[5]

Enquanto que a maioria dos ossos estudados eram internos, alguns restos das águias de Haast permitiram que os biólogos fizessem comparações com águias vivas. A águia das filipinas, a harpia e a águia marinha de steller que são as maiores e mais poderosas águias existentes também reduziram consideravelmente o tamanho relativo de suas asas como uma adaptação para se locomoverem e habitats fechados como florestas. Uma mandíbula inferior coletada de uma uma águia de Haast media cerca de 11,4 cm, o tarso tinha entre 22,7 e 24,9 cm de comprimento, e possuía garras de tamanho semelhante ás da harpia com as frontais tendo de 4,9 a 6,1 cm e uma garra de hallux de 11 cm. A águia das filipinas pode ser a espécie viva mais adequada para se comparar com a águia de haast, pois também evoluiu em ambiente insular e de antepassados menores para tamanhos maiores devido a ausência de mamíferos carnívoros e de outros grandes predadores concorrentes.[6]

As pernas fortes e poderosas e os músculos de vôo maciços dessas águia permitiram que esses pássaros se decolassem com um salto de partida do chão, apesar de seu grande peso. A cauda foi quase que certamente longa, com até 50 cm em espécimes fêmeas, e muito larga, está característica teria compensado a redução no tamanho de suas asas, proporcionando elevação adicional. O comprimento total foi estimado em 1,40 m nas fêmeas, com uma altura de aproximadamente 90 cm ou mais.[7]

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Um modelo do museu Te Papa na Nova Zelândia que mostra uma águia-de-haast atacando uma moa

Ás águias de Haast se alimentavam de grandes espécies de pássaros terrestres, como a moa, que era até 15 vezes maior e mais pesada, atacando estas grandes aves em velocidades de até 80 km/h.

Seu tamanho e peso indicam uma força de ataque corporal equivalente a um bloco de concreto caindo do topo de um prédio de oito andares. Seu grande bico também poderia ter sido usado para rasgar os órgãos internos de sua presas, e a morte, então, teria sido causada pela perda de sangue. Na ausência de outros grandes predadores e carniceiros, águia de Haast facilmente poderia ter monopolizado uma única grande carcaça ao longo de vários dias.[8]

Extinção[editar | editar código-fonte]

Até a recente colonização humana que introduziu roedores e gatos, os únicos mamíferos nativos encontrados nas ilhas da Nova Zelândia eram três espécies de morcegos. Livre da competição com mamíferos terrestres e ameaças predatórias, as aves ocupavam e dominavam todos os principais nichos ecológicos da Nova Zelândia pois não existia ameaças aos seus ovos e filhotes. As moas eram pastadoras, e ocupavam na Nova Zelândia o mesmo nicho que os cervos ocupavam em outros lugares do mundo, com as águias de Haast exercendo o mesmo papel de grandes predadores mamífero do topo da cadeia alimentar, como tigres e leões.[9]

Os primeiros colonizadores humanos chamados maoris, chegaram a Nova Zelândia por volta do ano de 1280, e imediatamente começaram a caçar de forma intensa as grandes aves terrestres, incluindo todas as espécies de moas, que eventualmente acabaram extintas por volta de 1400, não muito tempo depois a águia de Haast acabou se tornando igualmente extinta devido ao desaparecimento de sua principal presa.[10]

O notável explorador, Charles Edward Douglas, afirmou em um de seus diários que teve um encontro com duas grandes águias de tamanho imenso no vale do rio Landsborough (fato que aconteceu provavelmente durante a década de 1870) as quais ele matou e comeu, porém elas provavelmente se tratavam de exemplares da espécie Circus eylesi, outra grande águia da Nova Zelândia que assim como a águia de Haast se encontra atualmente extinta.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]