Árabe palestino

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Árabe palestino
Falado em: Cisjordânia, Faixa de Gaza, Israel, Jordânia
Total de falantes:
Família: Afro-asiática
 Semítica
  Semítica ocidental
   Semítica central
    Semítica sul-central
     Árabe
      Árabe palestino
Escrita: Alfabeto árabe
Estatuto oficial
Língua oficial de: não há
Regulado por: não há
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: ajp

O árabe palestino é um subgrupo de dialetos levantinos falado pelos palestinos e pelos árabes israelenses. As variantes rurais desse grupo dialetal apresentam diversas características bem distintas, particularmente na pronúncia do qaf como kaf, bem diferente das demais variantes árabes. Os dialetos palestinos urbanos também se distinguem das outras variantes árabes e se parecem com com os dialetos norte-levantinos, ou seja, as formas faladas do árabe na Síria e no Líbano.

Diferenças do árabe levantino[editar | editar código-fonte]

São significativas as diferenças entre o árabe palestino e as demais formas de árabe do Levante, como o árabe sírio e o árabe libanês. Essas diferenças são, porém, variáveis, considerando as diferenças que há entre os dialetos do próprio árabe palestino.

Uma característica bem típica dos dialetos árabes palestinos é pronúncia dos verbos em hâmeza (letra) com vogal de som 'o' no imperfeito. Como exemplo, temos no Fuṣḥa o imperfeito de اكل (akala), "comer", como آكل (ākulu; e o equivalente comum no dialeto palestino é بوكل (bōkel). O prefixo b marca o presente do indicativo. Assim, ma Galileia, o uso coloquial da expressão. "Eu estou comendo" ou "Eu como" é ana bōkel e não ana bākəl usado na forma Síria. Já os beduínos do sul usam ana bākul.

O árabe palestino também partilha alguns aspectos similares ao do árabe egípcio, se distinguindo assim de outros dialetos árabes do Levante:

  • Vocabulário: 'como' (prepos.) é زي zayy em algumas regiões da Palestina, como o é no Egito. Porém, para essa mesma palavra 'como os palestinos de outras regiões usam مثل (mitl), conforme no ءrabe sírio e libanês.
  • Gramática: nos dialetos palestinos (exceto no dos beduínos), como no árabe egípcio, usa-se o sufixo típico (ش -sh, IPA[/ʃ/]) para formar o negativo de verbos e pronomes preposicionais pseudo-verbais.

Sub-dialetos do palestino[editar | editar código-fonte]

São três os grupos dialetais palestinos.

  • Palestino urbano
  • Palestino "rural"
  • Palestino beduíno

Desses, o mais aproximado ao levantino do norte, ao árabe sírio e ao árabe libanês, é o urbano. O modo beduíno de falar se aproxima mais do árabe da própria Arábia Saudita. Os Beduínos são mais provavelmente tidos como árabes não somente em etnia (cultura, idioma, costumes), mas também por uma ascendência cujo rastreamento não passa por Israel/Palestina. Os Beduínos propriamente da Península Arábica têm sua etnia mais deslocada para os próprios árabes ao longo de um demorado (muitos séculos) processo de "arabização" cultural e linguística.

Outras diferenças do árabe clássico[editar | editar código-fonte]

Cláusula restritiva[editar | editar código-fonte]

Como em muitas formas da língua árabe coloquial, os marcadores de cláusula sintática do árabe moderno padrão (AMP) الذي، التي، اللذان، اللتان، الذين e اللاتي são substituídas por uma única forma, إللي

Objeto indireto[editar | editar código-fonte]

A partícula de som li- se funde à raiz precedente para indicar objeto indireto. Assim a expressão qultu lahû do AMP é expressa como 'ultillo, qultillo or kultillo e o AMP Katabtu lahâ é Katabtilha em árabe palestino..

Interrogativos[editar | editar código-fonte]

AMP árabe palest. Português
لماذا Limāًâ ليش Layڑ Por que
ماذا māًâ ايش ayڑ, شو ڑū o Que
كيف Kayfa كيف Kīf, چيف ĉīf, كنف kinf Como
متى matā إيمتى īmtā, إيمتين īmtīn Quando
اين ayna وين wayn Onde
من man مين mīn Quem

A seguir são apresentadas as diferenças entre as variedades do árabe palestino:

  • A pronúncia do qāf serve como um xibolete para distinguir os três principais dialetos Palestinos: é uma Consoante oclusiva-glotal na maioria das cidades, é um K faringealizado nas pequenas vilas; mais no sul, em certas áreas de beduínos é algo entre K e G (ga, gue, etc) não faringealizado. Em certas menores vilas da Galileia (ex. Maghar), especialmente mas não exclusivamente, entre os Drusos, o qāf é realmente pronunciado qāf como em árabe clássico.
  • Nos dialetos onde o ‘'qāf é pronunciado k, um verdadeiro kāf é muitas vezes pronunciado /tʃ/, como em certos dialetos do árabe do Golfo Pérsico. Isso é geralmente um caráter dos idioletos mais conservadores. A pronúncia kāf também acontece no norte da Cisjordânia e nas áreas adjacentes de populações Palestinas em Israel, o chamado ‘’Triângulo (Israel)’’. Esse modo de pronunciar é muitas vezes estigmatizado pelos palestinos urbanos e em algumas vilas que rejeitam os que assim falam.
  • Também, o sufixo feminino -a é bem mais usado do que -i ou do Levantino comum, especialmente nas áreas mais ao sul. O sufixo "-i" ou algo aproximado a isso é usado no triângulo de Israel.
  • Outro marcador de subdialeto significativo é a palavra usada para a preposição "aqui". Nas áreas urbanas se usa mais o hōn. Os beduínos do Negev usam para tal função o hiniyye ou mesmo hiniyante.
  • No Negev, a forma -sh não é usada para negação do passado ou do presente, os beduínos usam apenas o para negação..

Como já foi exposto, os dialetos rurais são geralmente discriminados e as pronúncias urbanas vêm ganhando terreno, o que já acontece em outros grupos de dialetos árabes. Em contraste, os dialetos beduínos usam alguns remanescentes antigos bem comuns, mesmo entre os com mais estudo. Mesmo sendo estigmatizados pelos outros árabes israelenses, as características básicas do dialeto beduíno (Ex. o qāf pronunciado como g) são usadas em todos os contextos dos falantes beduínos com curso universitário. Assim, um fenômeno similar ao do desaparecimento do /tʃ/ diante do kāf – como já visto no “triângulo” – poderia já terr ocorrido no Negev. Isso não deve, porém, ocorrer com os Beduínos do Negev que se deslocaram para Lod e Ramle na década de 1960 e vêm apresentando tendência a adotar o dialeto urbano padrão.

Adicionalmente, Há famílias de origem síria ou libanesa que ainda falam o dialeto de origem, ou num idioleto que assimila parcialmente o árabe palestino, mantendo alguns aspectos do dialeto original.

Influência de outras línguas[editar | editar código-fonte]

O árabe palestino, juntamente com as demais formas do árabe levantino, é muito influenciado pelo aramaico, língua falada no Levante antes do árabe.

Os dialetos rurais do árabe palestino apresentam muitas características similares ao hebraico clássico.

  • O exemplo mais claro está nos pronomes das 2ª e 3ª pessoas do plural. Hemme (eles, elas) é parecido com o hebraico hēm contra o hum do Árabe clássico, o hon do aramaico e o henne do árabe levantino geral. O sufixo -kem (teu, vossos, tu, vós) se parece com o Hebraico -khem contra -kum do árabe clássico e -kon do aramaico e do árabe levantino.
  • Um exemplo menos claro é a transformação da oclusiva glotal seguida. A certeza disso é verificável nas formas futuras dos verbos hebraicos com o aleph como a primeira consoante da sua raiz. Isso é também uma marcado do aramaico.

Árabe israelense[editar | editar código-fonte]

Os árabes israelenses tendem a tomar palavras e características do hebraico moderno, e a língua resultante é o chamado árabe israelense. Exemplos:

  • makhsom מַחְסוֹם ('barreira' – largamente utilizado para se referir aos checkpoints militares na Cisjordânia.
  • ramzor רַמְזוֹר (sinais de trânsito)
  • pelefon (pronúncia "belefon" em árabe) פֶּלֶאפוֹן (telefone celular)
  • shamenet שַׁמֶּנֶת (Creme azedo)
  • mazgan מַזְגָן (ar-condicionado)
  • beseder בְּסֵדֶר (O.K, correto)
  • makhshev מַחְשֵׁב (computador)
  • me'onot מעונות (dormitórios)

Essas palavras de origem externa são frequentemente "arabizadas" para refletir não só a fonologia do árabe, mas também a do hebraico falado pelos árabes. Como exemplo, a segunda consoante de מעונות seria pronunciada como uma fricativa faringal sonora, em lugar da oclusiva glotal tradicionalmente usada pela grande maioria dos judeus de Israel.

O filme Ajami, de 2009, indicado ao Oscar 2010, é quase todo falado em árabe israelense.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]